quarta-feira, 30 de junho de 2010

Só política ou mais do que isso?

BANCADA DO PS NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SERPA PEDE INFORMAÇÕES SOBRE CONCURSO PARA ENGENHEIRA GANHO PELA FILHA DO PRESIDENTE DA CÂMARA:

A bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Serpa, na reunião que ontem, dia 29 de Junho, se realizou, pediu ao executivo municipal do Partido Comunista que lhe fosse fornecido o processo, as actas e demais elementos informativos relativos ao concurso público para Técnico Superior da Câmara Municipal de Serpa, com a categoria de Engenheiro Civil.

Os eleitos do Partido Socialista justificaram o pedido de informação com a necessidade de conhecerem e avaliarem o processo de selecção do candidato, já que o concurso foi ganho por Amélia Rocha da Silva, filha do Presidente da Câmara, em que o júri tinha como um dos elementos um seu primo, Carlos Rocha. Além disso, as avaliações aos restantes onze concorrentes mostram uma grande disparidade nas notas, pois que enquanto a Amélia Rocha teve 17,7 valores, os restantes nove candidatos tiveram uma média de 6,5 valores, o que inviabiliza qualquer tipo de recurso de reavaliação de provas.

Por outro lado, os eleitos do PS pediram esclarecimentos quanto ao tempo muito escasso que houve para a avaliação das provas, isto é, entre sexta-feira dia 28 de Maio e o dia 31, já que os resultados foram divulgados no dia 1 de Junho, terça-feira.

O pedido de informação sobre o processo de selecção de um engenheiro para a Câmara de Serpa feito pela bancada do PS surge pelo facto de este caso ter sido noticiado na imprensa e de ter sido enviada uma carta de um dos candidatos eliminados a manifestar a sua indignação pela forma como decorreu o concurso.

Serpa, 30 de Junho de 2010

Informação à Imprensa do PS/Serpa

Teresa Samarra: guerra é guerra


Boa noite

Para os efeitos que entender por convenientes, anexo parecer recebido da Provedoria de Justiça, na sequência da queixa por mim apresentada a este Órgão, contra o Presidente e Vogal do Turismo de Portugal, I.P, Dr. Luís Patrão e Dr. Nuno Santos, respectivamente.

Cumprimentos
Teresa Samarra

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1ª Página do REGISTO

Teatro p'ra hoje e p'rá manhã

Évora está convidada para assistir à Comédia de Rubena escrita por Gil Vicente e dirigida por Maria do Céu Guerra. O espectáculo é apresentado pelo 2º ano de Licenciatura em Teatro do Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Évora
Hoje e amanhã, 30 de Junho às 21h30m e 1 de Julho às 19h, na Sala Preta do Edifício dos Leões (DAC).

 Maria do Céu Guerra apresenta assim esta proposta:
"D.João III gostava de comédias, histórias de cavaleiros e principes, fadas e feiticeiras que se baseavam no maravilhoso erudito ou popular, no literário romanesco, no imponderável da aventura individual e que, por regra, acabavam bem. Gil Vicente na segunda parte da sua carreira de dramaturgo e animador oficial do reino especializou-se em satisfazer esta preferência e a sua dramaturgia cresceu em fantasia , construção e carpintaria teatral.
As lendas da fundação de Lisboa ou de Coimbra, as adaptações de novelas como D. Duardos pertencem a esta fase. E aqui temos a Comédia de Rubena, onde se conta o nascimento lendário da pequena cidade de Castela com o mesmo nome, vizinha de Burgos cidade onde o enorme peso religioso é aqui metaforizado pela rapariga filha de um padre que é seduzida por outro a quem fica a dever a sua paixão e morte.

A comédia desenrola-se com o crescimento atormentado da recém-nascida cuja vida e sorte acompanhamos até ao casamento com o príncipe cujo aparecimento era fatal para que tudo acabasse de maneira a sermos todos felizes para sempre. Mas os grandes escritores não o são sem a mordaz administração da crueldade e o indispensável happy end não se fará sem se passar pela morte do coitado do Felício que por ironia se chama assim. É uma história ibérica sobre os nossos mais antigos medos e sonhos.
Gostaria de destacar a maestria na construção das duas opostas heroínas, a beleza literária dos monólogos e da cena do Eco, que serve simultaneamente de ocultação e revelação do recém-chegado príncipe."

Reservas para os números : 916775764 (Dany) e 918674754 (Fábio)

VPV


Na sua crónica no Público, Vasco Pulido Valente, escrevendo sobre Saramago, destila superficialidade, e estou a ser bonzinho, por todas as entrelinhas. Duvido que alguma vez tenha lido O Ano da Morte de Ricardo Reis ou Ensaio Sobre a Cegueira.

Diz VPV que Saramago viveu do “escândalo e da polémica”. Mas a sua fama como escritor não provém daí. Tem VPV em muito fraca conta os leitores de José Saramago dispersos um pouco por todo o mundo. E estes leitores, note-se, não são os leitores do Paulo Coelho.

O que é evidente é que VPV não gostava da pessoa que era Saramago. Mas uma coisa é não gostar do criador outra não gostar da obra. Quase ninguém, por exemplo, estima Céline como homem, pois era um anti-semita com a cabeça cheia de ideias de merda. Contudo, felizmente, a Viagem ao Fim da Noite prova a distância enorme que existe entre o autor e as suas criações (mas, claro, a obra de um artista não pode desculpar os erros da sua vida, mas esses pertencem a outro departamento).

VPV diz algumas coisas acertadas (sobre a importância dos prémios e do Nobel), mas, pecado capital, não se deve julgar uma obra partindo da biografia do autor (e, já agora, de um conhecimento rudimentar dos seus textos). O que se escreve excede sempre a vida vivida pelo criador, se ele é mesmo um criador (existe como que uma astúcia do acto de escrever - uma espécie de List der Vernunft? - que leva a mão para além da criatura que a faz mover).

Fica-se com a impressão que VPV chamaria a Eça, se dele tivesse sido contemporâneo, Flaubert de segunda.
(Na imagem os "Vencidos da Vida")

terça-feira, 29 de junho de 2010

Espanha 1 - Portugal 0

Consta-me que no País Basco se torcia por Portugal. E que nalguns locais da Catalunha também. E mesmo na Galiza. Mas havia sítios em que, deste lado da fronteira, se torcia por Espanha. Isto das pátrias já não é o que era.

porque hoje é o dia da cidade de Évora

Maluda
Évora XIII
Óleo sobre tela, 92×73cm, 1997

Sobre a minha cidade

sobre a minha cidade, falei-te ontem, mostrei-te
as esquinas do tempo, as imagens das fachadas
que ainda conheci, de outras que
eu próprio ignorava; sobre

a minha cidade e suas pedras, seus espaços
de árvores graves; e o que foi arrasado,
ou está a desfazer-se; as manchas do presente, a
poluição dos homens; e o que foi

violentamente arrancado por negócios sucessivos
erros, brutalidades: o que era e o que foi
o que é dentro de mim o seu obscuro,
 imaginário ser: costumes e conflitos,

maneiras de falar, a gente
e a confusão das ruas, as casas do barredo;
sobre a minha cidade achei que tu
tiveste gratidão, a viste.

que percorreste as pontes que a minha
cidade a ti me trazem, entre
gaivotas alastrando e músicas diferentes,
e foste nascer nela.

Vasco Graça Moura

O Alentejo à espera do encontro Portugal-Espanha

Foto: José Manuel Rodrigues

Poente

No postigo do monte
inquieto rosto acode
espreitando para longe
o descampado aberto.

(Quem vem lá na distância,
que nem a seara mexe
nem o pó se levanta
dos caminhos sem vento?...)

Manuel da Fonseca

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Media: a coisa está preta....(mas mesmo preta).

(clicar para aumentar)

Política é tudo menos isto

Foto: José Manuel Rodrigues

O nosso Presidente ensandeceu?
Leram a entrevista que deu ao Jornal o Registo?
Será que esqueceu as promessas que fez ao eleitorado, na sua qualidade de candidato à Câmara de Évora?
Graças à confiança que o seu programa eleitoral mereceu, os Eborenses outorgaram-lhe a responsabilidade de gerir os negócios da autarquia e o bom cumprimento do programa eleitoral que se propôs executar. Quando um eleito não cumpre um programa eleitoral, é natural que o seu eleitorado queira saber os motivos do atraso.

Pois bem: por motivos que não explica, o nosso Presidente confundindo questões de ordem pública sobre as quais qualquer cidadão tem o direito de ser informado, com outras de ordem privada que respeitam ao foro íntimo de cada um, oferece-se em triste espectáculo de homem vitimizado por uma qualquer central de malfeitores! E lança sobre quem o entrevista a suspeita de ser o porta-voz dessa central, já que no seu delirio persecutório, a tenebrosa central será formada por amigos do meu amigo Carlos Júlio.

E assim, sem mais aquelas, me vejo incluída nos componentes dessa central, claro está orquestrada pelo Partido Comunista, dado que me incluo com muita honra no grupo das pessoas com quem Carlos Júlio fala.
Que sentimentos persecutórios são esses que animam a pessoa do Sr. Presidente da Câmara, que o fazem remeter para a oposição - entenda-se a tal central- a causa do incumprimento do seu programa eleitoral?

A saber o restauro do Salão Central, a intervenção na Acrópole, e com certeza também na qualidade da água, na falta de limpeza das ruas, no preço exorbitante do estacionamento automóvel dentro do Centro Histórico, na habitabilidade duvidosa das casas de idosos sem recursos nas freguesias intra-muros...
Dir- me-ão que política é isto. Mas eu direi que política é tudo menos isto!
Política é o cuidado com a Polis e com os seus habitantes. Cuidar de que a sua vida pública possa sustentar a sua vida privada, na paz e no bem estar necessário ao desenvolvimento humano.

Margarida Morgado
28 Junho, 2010 12:51

Uma cidade nunca morre

O futuro não existe, é agora!
Poderão existir expectativas em relação ao devir próximo.
Projecções mais ou menos optimistas, em relação a um suposto amanhã.

Mas, para todos os efeitos o futuro é agora!
Hoje se constrói ou destrói...
Quanto ao passado, sabemos lá nós o que se passou quando ainda era presente; muito antes de todos os presentes que o soterraram...

A título de exemplo as fogueiras de S. João: "A época em que se festeja uma divindade, fornece, frequentemente, uma indicação precisa sobre a sua verdadeira natureza. Se a solenidade é fixada na lua nova ou na lua cheia, somos levados a crer que o ente divino assim venerado é a Lua, ou que tem pelo menos afinidades lunares. Pelo contrário, se é no solstício de Inverno ou de Verão, supomos facilmente que esse deus seja o Sol ou que ele esteja em ligação com o Sol; ou ainda, se as festas têm lugar nas sementeiras ou nas colheitas, deduzimos que a divindade personifica a terra ou o trigo" (1).
S. João festeja-se a 24 de Junho, provavelmente desde o séc. V e terá sido colocado nesta data para cobrir o paganismo.
Foi sempre um culto orgíaco, de festejos e alegrias; mesmo o Deus bíblico exigia nesta data ser cultuado de forma festineira:
"Tu celebrarás a festa das Tendas [ou das Colheitas]durante sete dias, quando tiveres recolhido o produto da tua eira e do teu lugar. Divertir-te-ás na festa, tu, teu filho e tua filha, o teu servo e a tua serva, o levita o estrangeiro, o órfão e a viúva que vivem dentro das tuas portas. Durante sete dias farás a festa a Yaweh teu Deus, porque ele te abençoou nas tuas colheitas e no teu trabalho, para que estejas completamente alegre"(2).
S. João sucedeu ao culto orgíaco do Sol.
Tudo isto se vem passando muito antes de Évora ser Évora, muito antes de ser "Liberalitas Julia", quando era ainda a "Ebura" fenícia citada por Plínio [eburu-seara, eberu-recolher, ceifa, ou ainda juntar (depósito), ou então eburu-colheita, ceifa].
Uma cidade nunca morre...
É vida, movimento. Uma cidade é presente.
Mesmo que de aparentes ruínas se renove, nunca morre.
(1)Frazer James, Atys et Osiris
(2) Deut., 16;13 sgs.

MS

28 Junho, 2010 10:11

Évora: duas cidades numa cidade

A "cidade" - foi esse o erro de pensamento e planeamento - dividiu-se entre zonas ricas e pobres, até ao ponto de se criarem guetos.
Nunca se pensou numa cidade única, com qualidade, homogénea e ligada por ciclovias, espaços verdes etc...
Matou-se uma galinha de ovos de ouro.O turista, hoje, chega, é despejado no templo de diana, percorre um pouco de casario velho e degradado, compra uns lembretes ebay. Falta animação, circuitos históricos e outras actividades, mas não se podem fazer pois, às vezes, dão mau resultado.
Uns turistas italianos saíram do normal circuito, quiseram ver a obra de siza vieira na malagueira, quando iam de chegada à famosa rua das 2 árvores, havia fogueiras na rua, lixo e tráfico de estupefacientes, e a envolvente toda degradada. O motorista assustou-se, pois lá saíram umas pedras das mãos dos amigos da Habévora, e o pânico instalou-se. Toca a fugir. Que bela recordação e imagem levaram da cidade de excelência!

Anónimo
28 Junho, 2010 09:56

a cidade morreu...

nestes últimos tempos tem nascido um desencanto face à Évora humana, um rosto nunca frontal, nunca aberto, cerrado pelas muralhas de um determinado alheamento e ao mesmo tempo, acomodação às circunstâncias:as pessoas são talhadas pela cidade, a sua história, as suas características arquitectónicas, o seu sem tempo ou antiguidade continua, que se afirma não por um passado distante mas pelo passado de agora. nunca, inominável esta possibilidade, por um futuro.
se tanto me desperta a análise e o pensar sobre o assunto, e se tanto observo, tento compreender, é verdade que fascina este poder imenso que reside sob os meus pés, não na terra - que essa se encontra sepultada, mais aos seus segredos de nascença - mas pela lápide que a cidade é. habitam-na os sobreviventes, como parte integrante do seu modus, como se operários de manutenção do tempo antigo continuo. tudo o resto é temporário, castrado por ser sem futuro, excluído ou expulso, como se incongruente.
o desencanto advém da real percepção desse não futuro, percebê-lo nos olhares, nas ruas, nas formas e modelos sociais, políticos, de gestão... nas relações e nos afectos...
como se a cidade esperasse, em derradeiro mas resignado desespero, um fim. como um funeral que nunca mais é realizado e a todos os seus dedicados hospedeiros castigasse por isso, por permanecer numa morte latente... como se, na sua longa vida, devesse ter acontecido uma qualquer ocorrência natural que tivesse concretizado o que apenas existe como metáfora, isto é, a terra se abrisse para a engolir inteira, espiando assim todos os males e libertando a paisagem desse selo com um passado complexo, que se alimenta de si mesmo.
a cidade morreu mas ninguém a terá velado... morreu e ninguém terá provido o seu correcto enterro, morreu e ninguém se terá lembrado de a carpir? faltaram as chamas? deveria ter sido, toda ela, uma imensa fogueira de S. João?... deveria ter sido ela destruída pedra a pedra, até que a última pudesse, finalmente, deixar a terra respirar e ter vida? dela despontar um futuro?

LS
27 Junho, 2010 01:32

E a deste ano...

... como está? Ainda não a visitei. Desafio-os a deixarem aqui a vossa opinião.

domingo, 27 de junho de 2010

Vidas


A lua de meia passa a cheia naquela noite,
Com amor e mistérios de amantes fundindo-se
Em horizontes sonhados no reflectir ampliados
De águas calmas e doces de lago enorme em quase planície,
Ou de águas salgadas quase planas em praia então deserta
Com luz reflectida em mar imenso em balouço doce,
Embalando o amor.

A lua de cheia passa a meia no dia seguinte.
Na planície a água deixa de ser fresca e começa a evaporar-se.
No mar as águas em ondular crescente começam a levantar-se.
A luz reflectida da lua começa a esgueirar-se
No sumir do lago e no agitar aumentado do mar.
O sonho de ontem em lua cheia começa a esfumar-se
Por uma neblina difusa soltando-se do lago minguando
E do mar em ondular crescente se agigantando.

De meia passa a nada a lua na noite seguinte.
Não há dia, não há lago, todo ele se evapora,
Ficando seco o lugar do lago.
Só há agitado e tenebroso mar sem praia
E sem vislumbrar esperança boa em cabo.
O ser todo se desmorona.
Nada!
Só há noite.
Nem noite quase há por ser de breu a noite.
Não há luz.
Até o mar a gritar revoltado deixa de se ouvir
Abafado por sumidos gemidos na noite incontidos.
Buracos negros em terra e céu sugam toda a réstia de luz.
Nada!

De nada,
De nada a lua passa a fina curva de luz de outra lua.
Como em sonho, há um clarear no amanhecer de outro dia.
Há uma espécie de moinha de destroços,
Uma espécie de outra neblina, invertida.
A chuva cai e o lago de novo plano se forma.
Nos agitados mares, deitam-se de cansaço as marés.
Os corpos refrescam-se em água caída de baptismo
E o ser dos corpos purifica-se em renovada iniciação.
Os barcos encalhados voltam a ondular sem dor
Como em noite de lua cheia,
Sentindo o agitar partilhado do amor!

Évora, 2010-06-27
J. Rodrigues Dias
27 Junho, 2010 16:56

4 mil para os Xutos





Estavam cerca de 4 mil nos Xutos. Eu escrevo outra vez para os que andaram aqui no blog a destilar veneno esquecendo-se que Xutos é... Xutos.
Então aqui vai: Estavam cerca de quatro mil nos Xutos (duas vezes para terem a certeza que não me enganei, mais a do título, 3). É certo que cabiam lá uns 15 ou 20 mil. O espaço é magnífico e pode haver barulho até as estrelas se cansarem de brilhar no céu.

Os Xutos trouxeram a Évora o espectáculo igual ao que fizeram no Restelo pela comemoração dos 30 anos. Évora foi especial. Porque foi dos raros concertos neste formato - igual ao Restelo - que têm agendado para este ano. Com convidados de Luxo - com caixa alta e tudo: Camané, Manuel Paulo (ex-Ornatos Violeta) e Pacman.

Cá de casa fomos todos. O Paulo, a Ana, o Rui, a Leonor e o Gil e o Orlando. O mais novo com 79. O Gil, aos 7 fez a estreia em concertos (a Leonor já se estreara também com os Xutos, há dois anos).
PS (isto quer dizer só e só post scriptum, deixem-se de ideias parvas) - Só uma emenda e uma adenda: Manuel Paulo não era dos Ornatos, mas da Ala dos Namorados. Quem também esteve no concerto de ontem à noite foi o grande Fernando Júdice, baixista conhecido do Trovante, entre muitos outros.

sábado, 26 de junho de 2010

Évora: estão a começar as cantorias dos Xutos no Parque Industrial

Alyssa, 6 anos. Profissão: terrorista

Os Estados Unidos têm coisas boas, é claro. Mas também devem ser dos países mais broncos do planeta. E aquelas forças de segurança, então, devem ser um fartote de rir. Espadaúdos, mas com cérebros de minhoca. Ora vejam lá o que os senhores (o Chaplin é que os topou bem!) "mestres do universo" descobriram agora para gáudio do resto da "irmandade terrena".

ao nosso lado

Conheço-os, aos dois, há mais de 20 anos. Estão ambos na década dos 40.
Desde sempre me lembro dela a tentar rasgar os limites dos seus horizontes. Voluntariosa, preocupada com a sua consciência, avançou pela vida à procura de melhorar.
Ele gosta de música. De copos. De amigos. Juntaram-se sob uma noite de luar e encantamento há mais de 10 anos.
Seguiram-se coisas boas e também desencantos.
O desejo de vida que a ele sempre lhe brotou por cada poro da pele é agora afogado "numa" que vai ali beber continuamente, de manhã até de manhã.
No lugar do sorriso e da esperança dela moram agora uns olhos que avermelham vezes demais. Diz que já experimentou tudo: Pedir ajuda à policia, ao tribunal, arranjar uma casa para cada um, ser gentil para que a ordem e os modos se restabeleçam, excluí-lo para que ele procure outros... E que ele continua a entrar, a horas e dias imprevistos, forçando-a a coisas que ela não quer porque não a fazem feliz. Porque há crianças em casa. Porque há muita fragilidade... Ela supõe agora que só mudando de cidade conseguirá reestabelecer a sua dignidade. Romper o padrão a que viu a sua mãe sujeitar-se sob o seu olhar reprovador.
Estas são outras formas desse perverso e ignóbil exercício do poder de uns sobre os outros. Exercícios que nos dominios privados, nas esferas íntimas, são ainda mais dificeis de tratar. Hábitos adquiridos e instalados sem diploma nem mediação, de uma violência que às vezes é fisica e mais fácil de comprovar; outras é psicológica e então mais dificil de abordar e dirimir. Mas que consome e debilita pessoas que vivem ao nosso lado.

Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O novo Paizinho dos Povos

Quando escrevi uma mensagem mais lá atrás sobre "a solidão" do poder ainda não me tinha apercebido das palavras que José Sócrates disse esta tarde no Parlamento. Disse o primeiro-ministro que "muitas vezes" se sente "sozinho a puxar pelas energias do país"
Num país como este é doentio um primeiro-ministro, ou seja quem for, "sentir" que só ele está a "puxar" pelo que quer que seja. É algo de bonapartista. Como se os 10 milhões que somos andássemos aqui a brincar e tivessemos um paizinho "a puxar" por nós.
Decididamente esta gente toma o poder e o poder toma-os. Pouco já há a fazer por estes que lá estão agora. Só é pena que os outros que para lá vão fiquem logo iguais a estes. Tomados pelo poder, imprescindíveis e, só eles, "a puxar pelas energias do país". É trágico e é ridículo.

continuar a nostalgia ou ousar a procura de outros modos

Acompanhei com interesse o ciclo de entrevistas  aos homens dos três principais partidos políticos no executivo da Câmara de Évora, levado a cabo pelo jornal o REGISTO.

Em três semanas consecutivas, ficou por demais evidente a avidez de perguntas e de respostas, a necessidade incontida de cada protagonista se comunicar, de se encontrar com interlocutores concretos (e não apenas abstractos). Por isso, em cada entrevista desejou-se tratar de todos os temas em cima da mesa de Évora há várias décadas. Cada entrevistado quis revelar-se como se fosse oportunidade única; quase como se fosse a primeira e última vez. Cada uma destas edições do semanário local o  REGISTO pareceu ter páginas insuficientes para acolher tanta sofreguidão, ou fome de contacto.
Ficou demasiado evidente que Évora, cidade do século XXI, tem um importante deficit de comunicação. Tem canais de comunicação insuficientes e muito estreitos. Tem códigos fechados em grupos que os cultivam como uma identificação exclusiva dos outros. Usa ainda práticas de controlo dos fluxos de comunicação já desajustadas dos tempos que vivemos.

Évora parece querer persistir na “nostalgia de uma realidade sólida, unitária, estável e autorizada” que já não é possível, como alertou o autor da “sociedade transparente” Gianni Vattimo, há 20 anos. Dizia este filósofo que “uma tal nostalgia corre o risco de se transformar continuamente numa atitude neurótica, no esforço de reconstruir o mundo da nossa infância, onde as autoridades familiares eram ao mesmo tempo ameaçadoras e tranquilizadoras”.

A falta de uma comunicação social capacitada e reconhecida em Évora,  continua a ser hoje uma das marcas  que distingue a cidade património mundial. Talvez por isso também se tenha mantido cativa dessa “nostalgia dos horizontes fechados, ameaçadores e tranquilizadores ao mesmo tempo”.
Vattimo afirmava que essa nostalgia, “continua ainda radicada em nós, como indivíduos e como sociedade” mas ao mesmo tempo sublinha que “o ser não coincide necessariamente com aquilo que é estável, fixo, permanente, mas tem antes a ver com o acontecimento, o consenso, o diálogo, a interpretação” e que vê justamente nisto uma "chance" para um novo modo de ser.

A existência de órgãos de comunicação social actuantes e capazes de promoverem a "libertação das diferenças, dos elementos locais," são peças imprescindíveis para uma tal procura de novos modos de ser em Évora, enquanto construção social do século XXI.

 E se é verdade que os poderes instituídos nesta cidade têm defendido e prolongado a “nostalgia dos horizontes fechados” também é verdade que eles mesmos sufocam nesse ambiente. Acordarão a tempo de se salvarem?

Imenso: o poder é a cloaca...

Jacques BREL, Georges BRASSENS et Léo FERRE, três anarquistas que cantavam bem

... onde se geram medos e solidões. Arrogância e desespero. A propriedade é um roubo e o poder uma excrecência. O poder é o quarto escuro dos indigentes que imaginam que, aos cinquenta anos, ainda temos medo de quartos escuros. O poder é isso, qualquer a forma que assuma: a solidão, o medo, la solitude.

Saem uns, entram outros. E a dança não terá fim?

(in os cavalos também se abatem)

Crise????
Qual crise, qual carapuça.
O governo manda poupar, mas é para o portuguesinho poupar, não são eles.
Veja-se o Hospital de Évora.
CINCO carros novinhos em folha para o pessoal dirigente, sim porque o pessoal dirigente não pode gastar o seu carro próprio, nem pode andar a pé, nem de autocarro, isso é só para os funcionários, como se eles não fossem, também, funcionários do Estado.
Para um Hospital que tem dividas até ao olho do cu, cinco carros novos ,e em época de crise, onde a ordem é poupar, não nada mal.
Depois vêm os jornais a escrever que os Hospitais públicos devem milhões. Claro, a gastar assim, até eu devia milhões, se não pagar ou se for buscar o dinheiro aos impostos dos contribuintes, é fartar vilanagem. Quando houver eleições vou ver TANTA cabeça a rolar.
O pior é que saem estes boys e entram outros.

Anónimo
25 Junho, 2010 12:29

Procuram-se ideias para o Diário do Alentejo


Depois do Lopes Guerreiro há umas semanas atrás ter defendido a concessão do título do Diário do Alentejo (e não a sua venda) preferencialmente a uma associação (formal ou informal) de jornalistas ou profissionais da comunicação social, surgem agora novas possibilidades. Uma das últimas hipóteses é hoje avançada pela Rádio Pax: a Câmara da Vidigueira quer comprar o velho DA. Boa ou má hipótese? Pior do que hoje seria difícil. Manuel Narra, presidente da Câmara de Vidigueira, assegura que se a Assembleia Intermunicipal decidir alienar o DA, a autarquia está disponível para adquirir o título. Em declarações à Rádio Pax o autarca frisa que a Câmara de Vidigueira, enquanto proprietária, “terá prioridade sobre qualquer outro comprador”. De acordo com o parecer que esteve em discussão na Assembleia Intermunicipal não será necessário realizar nenhuma hasta pública, basta um ajuste directo. O autarca pensa que será o “momento ideal” para “que as contas possam ser acertadas", uma vez que a Câmara é credora de algumas dezenas de milhares de euros da AMBAAL.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Que bela lua cheia está hoje em terras do sul sul



La luna vino a la fragua
con su polisón de nardos.
El niño la mira mira.
El niño la está mirando.

En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, lúbrica y pura,
sus senos de duro estaño.

Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.

Niño, déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.

Huye luna, luna, luna,
que ya siento sus caballos.
Níno, déjame, no pises
mi blancor almidonado.

El jinete se acercaba
tocando el tambor del llano
Dentro de la fragua el niño,
tiene los ojos cerrados.

Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.

¡Cómo canta la zumaya,
ay cómo canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con un niño de la mano.

Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
El aire la está velando.

Federico Garcia Lorca

Durban: sê todo em cada coisa

O Portugal/Brasil vai jogar-se amanhã em Durban, na África do Sul. Foi aqui que estudou e por aqui andou e aqui se fez adolescente Fernando Pessoa. Anos mais tarde, Ricardo Reis, um dos seus heterónimos, havia de escrever:

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Quem quiser daqui extrair ilações futebolísticas para o jogo de manhã, tire o cavalinho da chuva: portugueses e brasileiros respiram essa herança comum que é a língua trabalhada por Pessoa. E, quer uns, quer outros, irão, por certo, "pôr tudo quanto são/no mínimo que fazem". O que, como as coisas e o mundo estão, não é nada mau.

Regresso ao Passado II

(foto retirada daqui)

A TENEBROSA CENTRAL DE CONTRA-INFORMAÇÃO :


Luís Represas no programa da feira - Os comunistas vão fazer parecer que é mentira!
Pagar aos agentes mais de meio milhão de euros que estão em dívida, nem que seja do seu bolso - Os comunistas vão espalhar o boato que é mentira.
Assumindo a promessa como um compromisso de honra, vai concluir até ao final do mandato o Salão Central, o parque desportivo e a variante ramo nascente - Mais um exemplo de tentativa de destruição da sua honra pelos comunistas que vão convencer a população que as obras que já estão quase concluídas não existem nem nunca existiram.
Afirmar a existência de uma central de contra informação criada pelos comunistas -As marcas da destruição massiva da Central de Contra-informação estão à vista de toda a gente, mas os comunistas camuflaram-nas por debaixo de montes de lixo por toda a cidade, por detrás dos montes de entulho das inúmeras obras de recuperação das vias e vão dizer que é tudo mentira!
Diagnóstico:
Estádio análogo ao Delirium Tremens, não sabe onde está, Évora e Leninegrado fundem-se numa alucinação. Em que dia está, recua 20 anos num trôpego passo de dança. Não consegue prestar atenção a nada, os problemas reais das pessoas escondem-se por detrás de uma cortina avermelhada que lhe tolda a visão. O seu comportamento é desorganizado, a sua fala é desorganizada ou ininteligível, à noite pode ficar mais agitado do que de dia. Vive com comunistas no tecto, sobem-lhe pelas paredes, enfiam-se pelas redacções dos jornais que julgava controlar. Tem pavor da tenebrosa central de contra informação, refugia-se no passado.
Sinopse de Regresso ao Passado II:
Qualquer semelhança com a realidade, pessoas ou factos locais é pura coincidência.

Anónimo
24 Junho, 2010 13:15

Delírios


O Presidente da Câmara Municipal de Évora fez publicar em dois jornais locais o que entendeu ser uma resposta a um artigo de opinião, escrito por Abílio Fernandes, sobre a situação financeira do município.
Nessa resposta o presidente da câmara municipal decidiu entrar na máquina do tempo e regressar ao passado para acertar contas com tudo e todos, incluindo consigo próprio.
Discorreu sobre polémicas com mais de duas décadas, fez avaliações sobre mandatos autárquicos do século passado e, pelo caminho, tratou de ajustar contas com o PCP ou, melhor dizendo, com aquilo que acha que é o PCP.
Naquela suposta resposta a um artigo de opinião sobre a situação financeira actual, o Presidente da Câmara entreteve-se a falar do passado, a repisar razões para uma dissidência que já poucos se lembram e que não interessa a ninguém e a tentar transformar um debate político numa luta pessoal em que seria a vítima indefesa.
Hoje, numa entrevista dada ao jornal Registo, o discurso assume tonalidades que se aproximam de uma delirante construção de uma teoria da conspiração que envolve centrais de contra informação e outras pérolas do mesmo género.
É a entrevista de um homem zangado que se coloca no centro do mundo como alvo a abater e que trata os seus adversários políticos como inimigos pessoais, destilando ódio entre afirmações e insinuações.
É um discurso que recorre frequentemente ao passado, que se centra no umbigo do autor e que muitas vezes (demasiadas vezes) foge da verdade.
Num desses momentos em que de forma ostensivamente deselegante e mal-educada trata os seus adversários por “eles” afirma que os tais “eles” conseguem a maioria quando o PSD junta o seu voto, quando em momento anterior afirma que o PCP não tem ganho nenhuma votação na câmara.
Repare-se na forma como o Presidente da Câmara se refere à possibilidade do projecto Acrópole XXI não avançar, começando já a culpar os suspeitos do costume, bem sabendo que nenhum vereador da oposição votou contra qualquer relatório de mérito apresentado pelo júri, que todos aguardamos que o último relatório de mérito nos seja presente e que a única força política que se manifestou preocupada com os prazos para o avanço do projecto foi a CDU.
Quer a resposta a Abílio Fernandes, quer esta entrevista mostram um Presidente da Câmara à procura de justificações para o não cumprimento das suas promessas eleitorais, vitimizando-se a cada passo, procurando encontrar justificações para o seu insucesso em inimigos imaginários, vendo em cada munícipe que critica as opções da Câmara um instrumento de uma conspiração para o destruir pessoalmente, em cada jornalista que publica opiniões diferentes da sua, uma caixa de ressonância das tais forças negras do cosmos que se uniram para o destruir.
Enquanto o Presidente da Câmara se entretém com esta vitimização e com esta construção de um cenário conspirativo digno dos melhores filmes do agente James Bond, os problemas do concelho agravam-se e as soluções vão sendo adiadas.
Por muito interessante que seja para o Presidente da Câmara a análise do seu próprio passado, por muito estimulante que seja voltar a discutir um qualquer orçamento municipal da década de 80 ou 90 do século passado, essas questões não têm o mínimo interesse para os munícipes.
Aos munícipes interessa saber como vão ser resolvidos os problemas do presente e como vai ser projectado o futuro.

Eduardo Luciano
24 Junho, 2010 08:26

(crónica do vereador da CDU na Rádio Diana e colocada em comentário no acincotons)

Um homem só e zangado

José Ernesto, o presidente da Câmara de Évora, na entrevista que deu ao Registo desta semana, mostrou-se zangado com os entrevistadores, com o PCP, com os agentes culturais. Com os entrevistadores porque ouvem quem o critica e à Câmara e porque lhe fizeram perguntas incómodas, como se esperasse que eles fossem amplificadores das suas posições; com o PCP a quem acusa de impedir que a Câmara tome decisões e insinua estar por detrás de uma poderosa central de contra-informação, como se não fosse oposição, que diz que não devia existir nos executivos municipais; com os agentes culturais, a quem acusa de engrossarem o coro da negação, das forças negras, que só dizem mal, como se tivessem cometido um crime por reclamarem o pagamento dos apoios acordados e em dívida e a definição dos apoios a conceder este ano (que já vai a meio… ).
Quanto à obra realizada e a realizar até ao fim deste mandato zanga-se também ao compará-la com a da CDU e justifica o que não fez e prometeu desde início com o facto da CDU também não ter feito.
Zanga-se ainda quando lhe perguntam se não existirá falta de transparência, afirmando que “O que há é uma central poderosa de contra-informação”, tal como em relação à situação financeira, em que afirma não haver problema se tiver fazer um contrato de saneamento financeiro porque isso já foi feito no tempo da CDU.
Apesar de afirmar que “o apoio da população continua a ser uma constante na minha vida, ando pela rua, vou ao supermercado e aquilo que ouço é apoio, estímulo, palavras de conforto”, José Ernesto mostra-se, ao longo da entrevista, um homem só, zangado, parecendo sentir-se acossado e revoltado e com muitos fantasmas do passado, que não terá conseguido ainda exorcizar.

França: "corridos" do Mundial por "indecente e má figura", mas sempre com "maus fígados"

Do desastre que foi a presença da equipa francesa no Mundial de Futebol na África do Sul já quase tudo foi dito. Até parece que Sarkozy quer fazer uma espécie de Estados Gerais do futebol francês tal foi a dimensão do "cataclismo" para a auto-estima (e também para a arrogância) gaulesa. 
Jacinto André é um alentejano de Montemor-o-Novo que vive em França. Pertenceu à equipa do "Imenso Sul" e é habitual leitor deste blog. Escreve-nos a dar conta daquilo que a imprensa local já noticiou, mas cujos ecos ainda não chegaram a Portugal. Escreve o Jacinto: "Um puto de 5 anos, luso-descendente (pai português), proibido de entrar num infantário por levar uma camisola de Portugal... Os tugas não queimam carros, portanto este feito vai ser abafado pela maioria da imprensa francesa ! Era bom que aqueles que têm acesso aos media portugueses fizessem seguir esta  notícia fantástica. Por estas bandas, e sobretudo nesta altura, há milhares de pessoas que usam camisolas do mundo inteiro, sobretudo africanas. Publicamente ninguém diz nada porque têm medo das reacções. Então voltam-se contra miúdos portugueses porque sabem que ninguém (ou quase) se revolta. Será sempre assim?"
Depois da proibição do véu islâmico será que os franceses se preparam também para mais esse passo, "em nome da liberdade", que é proibir as camisolas da selecção portuguesa? Maio de 68 parece que foi há uma eternidade quando se olha hoje para a França!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aí está ela, polémica como sempre!


Amanhã, dia 24, Martinho da Vila, na Arena.

Beja vai embebedar-se...

Beja é palco, já no próximo sábado, da eleição da Rainha das Vindimas de Portugal. São 11 as candidatas que vão desfilar, a partir das 22h00, na passerelle instalada na Praça da República, onde a Igreja da Misericórdia, exemplo ímpar da arquitectura renascentista, faz parte do cenário. De entre as candidatas a rainha encontra-se a representante de Beja, Ana Catarina Corte Negra.


Mário Soares acusa o Governo de atacar o “estado social”

O insuspeito Mário Soares disse que discorda das medidas que têm sido implementadas pelo Governo de Sócrates para fazer face à crise, que são um "ataque ao estado social", acrescentando que, para além de “não resolverem o problema, vão conduzir a uma outra crise”.

"É preciso é não gastar dinheiro mal gasto, não me venham dizer que não temos sustentabilidade para o estado social, e temos sustentabilidade, uns tantos portugueses para comprarem carros, aviões e iates de luxo", contesta.


Este é apenas mais um sinal para o PS arrepiar caminho, se não quiser cair com José Sócrates e entregar o poder ao PSD. Os sinais vão surgindo de vários sectores do PS, chegando agora à sua referência maior (para alguns).

José Sócrates é incapaz de fazer a necessária autocrítica e os inúmeros casos em que tem sido envolvido, como este mais recente, retiram-lhe qualquer resquício de clarividência. A sua postura “bonapartista”, para além de secar tudo em volta no PS, vão obrigá-lo a prosseguir uma política, cada vez mais, ziguezagueante e suicida, que há-de arrastar consigo o seu partido.

1ª Página do REGISTO

Estão em liberdade porque as prisões estão superlotadas?

Descobri há meia dúzia de horas que estou a ser roubado. Duma forma escandalosa. Sou cliente de um banco, que dá pelo nome de BCP, há cerca de 20 anos. Recebia ali o ordenado que, cada vez mais reduzido, vou recebendo. Mas no ano passado tive que fazer obras em casa e o BCP fez-me condições incríveis e inaceitáveis. Tive que ir para a CGD que me fez a coisa um pouco mais barata, mas com a exigência de mudar para lá o ordenado. Assim fiz, telefonema para aqui, telefonema para acolá. Mantive a conta do BCP e os cartões. Não "caía" lá o ordenado, mas todos os meses eu punha lá à volta de 500 euros para o pagamentos das contas: água, luz, as propinas da universidade de um dos do meio e outras contas fixas. Mas reparei hoje, num papelucho que me enviaram que, para além dos cartões, de um seguro qualquer de que me cobram 3,14 euros mensais, e não sei mais do quê, me estão a descontar seis euros para "manutenção da conta mensal". Quer dizer: ponho lá dinheiro para eles usarem e emprestarem a quem quiserem (e os preços a que o fazem fizeram-me ir para outro banco) e ainda tenho que pagar para isso! Seis euros por mês, mais o seguro que não serve para nada, mais a anuidade do cartão que não uso de 30 euros, é mais do que um roubo: é uma expropriação. (Só que não é revolucionária, MS...).  Se me assaltassem na rua e me levassem 72 euros e mais outros tantos  em trocados, tenho a certeza que o autor do roubo seria considerado um ladrão e um criminoso. E estes senhores banqueiros, que andam aprumados em tudo o que é festarola e que recebem fortunas dos meus e dos outros seis euros acumulados, que mais são do que criminosos que repetem roubos, como este, mas na escala das centenas de milhares
Apesar da demagogia desse ser que dá pelo nome de Portas, a verdade continua a ser a de sempre: quem rouba uma azeitona é preso, quem rouba um olival é recebido pelo reis. Mas, apesar disso, não deixa de ser um ladrão. E o BCP, no caso que a mim me diz respeito, rouba que nem um lobo esfomeado. Só um açaime na boca o fará conter-se. Ou já esta amanhã ir lá e fechar a conta.

E porque é que não o levam para lá?


Escócia: Universidade institui Prémio Aníbal Cavaco Silva.

Para abrir o apetite: à tardinha há mais

O REGISTO vai publicar esta semana uma longa e importante entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira. Esta quarta, à noitinha, ela estará disponível neste blog e na internet. São quatro páginas densas. De texto e de conteúdo. Polémicas, q.b..

terça-feira, 22 de junho de 2010

Perspectivismo


Autores como Camus, Max Stirner, Heidegger, Bataille, Habermas, Rosa Luxemburgo, Lenine... serão debatidos. Filosofia para todos os gostos.


In Memoriam Pedro Palma

Eis o texto que Rui Coelho leu esta manhã, na despedida do Pedro. Leu-o a rir e a chorar, tudo ao mesmo tempo. As palavras saiam-lhe, ora como gritos, ora como sussurros, mas vinham sempre lá bem do fundo. No fim prolongaram-se as palmas. Só não se ouviram as gargalhadas com que o Pedro costumava responder a grande parte das situações em que se via envolvido.


O Pedro Palma, aquele magnífico sol que inundava de luz a vida de todos quantos tocava, num sábado à noite, no dia 19 de Junho de 2010, decidiu deixar-nos. O seu coração foi incapaz de acompanhar o seu indomável gosto pela vida. Decidiu fazer uma das suas e, como lembrou o nosso amigo Bento, resolveu sair à francesa, como sempre gostou de fazer.
Para quem teve o infinito privilégio de o conhecer, o seu nome será para sempre sinónimo de liberdade, de amizade, de um inabalável sentido de justiça, de boa disposição, de camaradagem, de solidariedade, de frontalidade. Na verdade, são poucas as coisas que são boas e que o Pedro não era. Era um homem maior que a vida e melhor que tudo – que liderava com a humildade dos bons. Professor, actor, webdesigner, contador de histórias, homem culto e de imaginação infinita, em tudo o Pedro era excelente.
Estava sempre disponível para os amigos, para a família - para a enorme família que construiu em Évora e um pouco por todo o lado. No Partido Comunista Português, no Grupo Cénico da Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, onde o conheci, nas escolas onde leccionou, em Montemor-o-Novo, no Porto, em Évora, em todo o lado deixou a sua indelével presença. As coisas e as pessoas, depois de conhecerem o Pedro Palma, não mais voltavam a ser as mesmas.
Dizer Pedro Palma era saber que se entrava num mundo de relações electivas, num pequeno segredo que a cidade de Évora ia criando, uma comunidade secreta onde a amizade era a coisa mais preciosa. Dizer o seu nome era ter a certeza que se estava mais perto das coisas boas.
A sua presença era a certeza de um porto de abrigo. Mesmo que o Pedro não nos oferecesse sempre a sua presença diária, preferindo por vezes a fuga solitária, sabê-lo entre nós era garantia segura de uma mão amiga. Poucos foram tão generosos como o Pedro e poucos sabem manter a vida diária tão próxima das convicções mais íntimas.
O Pedro amava as coisas belas da vida com uma voracidade contagiante: uma boa discussão, um belo vinho, uma bela refeição, um abraço bem dado, um bom livro, uma boa piada, uma boa gargalhada, um bom jornal, uma boa notícia, um fim de tarde solarengo (embora na praia só houvesse três coisas que ele não gostava – a água, a areia e o sol). A tudo o Pedro emprestou a sua maneira intensa - e tão tão especial - de viver e de amar.
Sei que vamos todos sentir falta das suas mil histórias. Narrativas épicas sobre as coisas mais simples da vida, na maior parte das vezes coisas invisíveis para os restantes mas que o Pedro descobria. Era um magistral contador de histórias de vida e – diga-se de passagem, tudo lhe acontecia. Aquelas coisas a que nos habituámos a chamar de “coisas à Pedro Palma”.
Soube pelo telefone que o Pedro nos deixara. Assim que desliguei, juro, cinco pássaros vieram pousar à minha frente a olhar para mim. Não consigo deixar de pensar que foi a maneira que o Pedro arranjou para dizer adeus, a mim que não me despedi dele. Claro que também sei que se eu lhe contasse isto, ele me havia de gozar, tão avesso que era a estes misticismos de bolso.
O Pedro deixou-nos muitas lições de vida. Uma, é aquela com que acabava o Jacques e o seu amo, espectáculo que protagonizou na SOIR Joaquim António de Aguiar.
Dizia-lhe Jacques: Bem, quero que me leveis... em frente...
E respondia o Amo, o Pedro: Está bem, mas em frente é para onde?
J: Vou revelar-vos um grande segredo. Uma astúcia imemorial da humanidade. Para a frente é em qualquer direcção.
A: Em qualquer direcção?
J: Para onde quer que olheis, é sempre em frente!
A: Mas é magnífico, Jacques! É magnífico!
Era o que o Pedro haveria de gostar que fizéssemos – seguir em frente, em frente.

Os muitos amigos do Pedro Palma

As vinhas do Alentejo

Retirada da exposição sobre a biodiversidade na 27ª OviBeja.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O mundo na minha escola primária

Eu gostava muito da porta da minha escola primária: era de cantaria e redonda em cima. Era uma escola só para meninos; havia outra escola só para meninas. Havia muitos meninos e muitas meninas. Alguns andavam descalços. Não havia electricidade na terra e não havia televisão. Telefone havia. Lembro-me do telefone número 4. Havia poucos rádios e eram grandes, da gente rica. Trabalhavam a pilhas.
Leia aqui o resto deste belo texto de J. Rodrigues Dias.

o Pedro morreu

Pedro Palma foi Pessoa. Amigo de muitos. Dono apenas de si.
Conseguia próximidades como poucos; gostava de História e dos seus alunos; gostava de  livros, da net, de música, de coisas novas, de pessoas principalmente. Gostava da vida.
A política era para ele como que a continuação da História. O Partido Comunista foi, desde muito cedo, o seu espaço para uma  intervenção tão discreta quanto firme.
O teatro amador e a "SOIR Joaquim António d'Aguiar" foram palcos seus.
Guardava distância empenhada de pódios, louvores, elogios públicos, e de coisas desse género.
Morreu ontem de madrugada, o Pedro. Sem tempo nem lugar para despedidas. Em Évora. Aos 48 anos.
O seu corpo está na casa mortuária do Hospital do Espírito Santo em Évora. O funeral sairá para o Cemitério do Espinheiro, amanhã pelas 9:30h.

O significado político dos 7 a 0 do Portugal/Coreia do Norte ou o "homem novo" não sabe jogar à bola

Os 7 a 0 do jogo entre Portugal e a Coreia do Norte talvez não tenha qualquer significado para além da equipa portuguesa ter jogado melhor do que os seus parceiros norte-coreanos. Mas para quem, abraçado a essa coisa que dá pelo nome de materialismo dialéctico, se empenha em ver em tudo teses, antíteses e sínteses -  e a mão também da política em tudo - , que ilações tirará deste jogo? A supremacia capitalista face à falta de táctica comunista? A capacidade técnica e física da democracia face à pouca criatividade da ditadura? As vantagens de uma linha aberta e com jogadores que jogam em todas as parte do mundo frente a uma selecção fechada, sem liberdade de circulação, e com pouca experiência internacional? A vitória de uma selecção de um país onde (bem ou mal) há liberdade de imprensa e liberdade política face à selecção de um país onde toda a imprensa é do Estado e o partido único se erige em porta-voz da sociedade?
Eu sei que uma coisa não leva necessariamente à outra. Mas para quem gosta de tudo reduzir à política, ou aos posicionamentos políticos, será exagerado concluir que a Coreia do Norte jogou pessimamente à bola e que a ditadura e o comunismo foram derrotados pela democracia e pelo capitalismo? Que faltou estratégia e técnica aos discípulos de Kim Jong Il e sobraram estratégia e criatividade aos pupilos de Carlos Queiróz?
Sei que isto é ficção. Mas também me dá algum gozo dedicar este post a quem anda sempre com os contextos, a dialéctica, e toda essa tralha ideológica na língua, e a dizer que tudo pode ser explicado pelos posicionamentos políticos. Ah sim? Então tomem lá!.

GNR morto em Timor era de Évora

O militar da gnr que morreu esta madrugada em Timor-Leste, vítima de acidente, era de Évora, notícia a agência LUSA. "O acidente ocorrido esta segunda-feira em Timor-Leste, com uma viatura da GNR, provocou a morte do sargento-ajudante Hermenegildo Marques, de 42 anos, que residia em Évora, disse o comandante do Subagrupamento Bravo, capitão Marco Santos. No acidente, ficou ferido o cabo José Branquinho, residente em Santa Comba Dão. A informação foi dada à Lusa pelo capitão Marco Santos, depois de ter sido feito um contacto com os familiares dos dois militares da GNR. O corpo de Hermenegildo Marques deverá seguir para Portugal, devendo os colegas prestar-lhe homenagem em cerimónia de despedida a realizar no aeroporto de Díli, nos próximos dias. O sargento-ajudante era casado e pai de dois filhos e, em Portugal, prestava serviço no Comando Territorial de Évora da GNR".

sábado, 19 de junho de 2010

A morte do autor

Perdi o cartão de contribuinte numa noite de bebedeira, Pedi uma “segunda via”, Mas que não, que não era possível, agora com o cartão do cidadão, Mas nem tudo correu mal, a Senhora das Finanças imprimiu-me um papelucho que o substituiu, Saí para a rua e reparei que tinha escrito a data de nascimento e um espaço em branco para a data de óbito, e recapitulei as lições da filosofia contemporânea à volta da temática da bio-política, Somos duas datas, entre estas um número, de cidadão-contribuinte, Cidadão sim, bom cidadão nunca, não se esgota a nossa vida nisto da cidadania, Lembro-me sempre daquele dito de urinol, se é português e bom cidadão meta no cu o que tem na mão.

Um dos autores que José Saramago mais admirava era Kafka. E julgo que escreveu pondo-se sempre do lado dos indivíduos que aparentemente não contam.

por Saramago

Morreu José Saramago, ontem, 18 de Junho de 2010, pelas 12:30 na sua residência de Lanzarote.

Évora teve o privilégio de com ele conviver por ocasiões diversas. De acolher palavras que ele lhe dirigiu. Em 1997 escreveu Saramago sobre Évora “ O mais surpreendente será pensarmos que uma tal beleza começou por nunca existir”. Hoje, no dia da sua morte, é a vez de Évora homenagear os valores da humanidade e da criatividade que persistirão no tempo pela força e pela beleza da escrita de Saramago.

José Saramago escreveu “Levantado do Chão”, uma das suas obras principais, a partir da escuta de homens e mulheres desta terra, inscrevendo a “gesta do povo alentejano” nos campos da dignidade e do reconhecimento.

O Alentejo, a aldeia de Lavre e a cidade de Évora, foram dos primeiros lugares que José Saramago revisitou logo após ter sido distinguido com o prémio Nobel. Esta terra orgulha-se, pois, de ter feito parte de momentos vários do percurso de um escritor maior da língua portuguesa.

Fica para todo o sempre o exemplo de verticalidade, permanecem, para as gerações futuras, os valores da dignidade, da justiça social e do humanismo que pautaram a sua vida. Com Saramago a língua portuguesa ficou mais viva, a cultura portuguesa rasgou o tempo e projectou-se no futuro.

É a “inteireza” do homem e da sua obra que aqui se sublinha e homenageia.

Évora, Celeiros: Arquivo de Danças do Alentejo


Este sábado, 19 de Junho | 18H30 | Espaço Celeiros, Évora
A PédeXumbo apresenta no Espaço Celeiros em Évora os resultados do projecto "Arquivo de Danças no Alentejo". O que se dança num território? O que fica nas memórias de cada um? A Lia Marchi e a sua equipa partilharão os três meses de trabalho passados entre Castro Verde, Grândola, Castelo de Vide e Évora. Até lá, podem consultar o blog do projecto. E porque a dança é para dançar, está programada uma oficina e um baile de valsas mandadas para esta noite também, às 22h00! Às 21h30, antes do Baile, juntam-se os antigos e novos bolseiros do programa Bolsa de Instrumentos, para receberem o seu instrumento, cujos resultados das candidaturas serão anunciados no dia 10.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não há mais José por cá

A morte é uma contingência. Vem com o pacote.
Não há mais José por cá.
É triste, mas expectável.
Já se sabe que para alguns o homem foi um arrogante, um traidor à causa pátria que chegou a aflorar a união ibérica (como se ela não existisse...). Para outros um homem que mexeu com dogmas, que apontou novos caminhos estéticos. Para outros ainda, um homem engajado, com tudo o que isso transporta, de bom e de mau...
Foi um artesão; pegou no óbvio, na vida em bruto e deu-lhe o sopro mágico, despertou-lhe a essência. Estou-lhe grato por isso, porque me tornou mais rico.
O homem José, nem sequer conheci.
O José Saramago é meu amigo, companheiro de sonhos e aventuras, mas esse vive ainda.
O homem José é que partiu, e foi um partir sereno, ao que dizem.
Mereceu esse momento de Liberdade.
Bom seria, é que os Laras não viessem agora com epitáfios crocodílicos...
Saudações

M. Sampaio
18 Junho, 2010 22:51