quinta-feira, 6 de maio de 2010

O "circo" montado em Beja

Por razões profissionais estive hoje em Beja e passei pelo circo montado pelo BCP. E toda a gente com quem falei estava chocada. Dantes bastava o dinheiro. Hoje é preciso a ostentação. Todo aquele aparato, todos aqueles carros de alta cilindrada, dos mercedes aos audis, dos últimos modelos e de matrículas recentes, com a confusão entre público e privado e a policia a marcar os lugares para os administradores do Banco foi desprezível demais para que qualquer cidadão, por mais sem voz que fosse, pudesse olhar para aquele espectáculo sem um nó no estòmago.
O poder e o dinheiro são o que são: nunca chegam, e é preciso sempre mais, mas o seu ponto máximo prende-se com a ostentação - e foi isso que aconteceu em Beja esta quarta-feira com o BCP e foi o que aconteceu em Évora há algumas semanas com a EDP: não lhes basta terem dinheiro, terem poder, têm que o ostentar ocupando as principais praças e espaços das cidades para onde se deslocam. Para dizerem: "o deus-dinheiro e o deus-poder somos nós, até vos ocupamos o espaço público porque ele já é nosso". Com a reverência dos poderes públicos e de parte da merda da opinião publicada que se pretende assumir como opinião pública. Só faltou (quanto tempo falta para terem gestos semelhantes? Julgo que pouco) distribuírem os restos da jantarada pelos pobres da cidade como antes faziam os senhores feudais e os imperadores de outras latitudes.
Em tempo de crise este fausto oprime e choca. Violenta e humilha. E os alentejanos nunca foram gente para se deixar humilhar - e sei o que digo, porque falei com muitos empregados do BCP que estavam envergonhados. A cidade de Beja envergonhou-se. É uma lástima: estes poderes públicos serem a merda que são e venderem-se por meia dúzia de trocados. Estes e os outros. Só faltou quem vomitasse em cima daquela gente. Era vómito contra vómito. Se eu tivesse uma conta naquele banco amanhã iria logo à hora de abertura dos bancos fechar a conta; se tivesse votado no Pulido Valente ir-lhe-ia entregar o boletim de voto. Que nojo tudo aquilo foi!

Elias Matias
5 Maio, 2010 23:34

4 comentários:

  1. Só uma precisão: em Évora o jantar (com tenda) e a conferência foram feitos numa unidade hoteleira e turística nos arredores da cidade, Em Portalegre, o jantar também foi feito numa tenda, mas discreta, montada junto à antiga fábrica de cortiça. Só em Beja é que foi esta tristeza: a tapar a entrada do museu e no centro da cidade. O H. dizia que tinham dado dinheiro a uma instituição da cidade. Haverá dinheiro que chegue para esta ocupação do espaço público por parte de uma entidade privada?

    José Marques(é um pseudónimo, porque sou funcionário do BCP. E fiquei envergonhado com tudo isto)

    ResponderEliminar
  2. Esta de meterem um refeitório no centro da cidade até que teve a sua piada. Eu já bebi uns copos, mas estariam a treinar alguma coisa para quando houver uma catástrofe natural, tipo terramoto ou coisa que o valha? Com tendas nunca se sabe, ainda por cima a Ovibeja já acabou. Talvez seja pessoal com saudades do campismo. Ou fumaram erva demais e pensavam que estavam no carnaval, não sei. Mas que eram pacholas eram. Disseram-me que andam assim pelo país todo a fazer coisas destas. É verdade? E não amarrotam?

    man

    ResponderEliminar
  3. E não há um alentejano com tomates que pegue numa moca e lhes parta os cornos? Defendam a vossa dignidade, porra!!!Não deixem que eles vos gozem, esses bandalhos ricaços. Se fôr preciso vou aí dar uma ajuda.
    Um Beirão

    ResponderEliminar
  4. Tanta conversa para quê? Hoje a tenda já deve estar desmontada e Beja volta à lentidão de sempre.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.