domingo, 18 de abril de 2010

Presidente e comitiva atravessam a Europa em contactos porta a porta

Tenho seguido pela comunicação social a aventura da comitiva presidencial pelas estradas da Europa. Há algo de burlesco e de tragicomédia em tudo isto. Lembra-me aquelas delegações que, há centenas de anos, iam por terra de Lisboa a Roma, lentamente, para prestar vassalagem ao Papa ou a um Imperador qualquer. Aqui é ao contrário. O presidente foi surpreendido pelas cinzas do vulcão islandês em plena Europa Central e, com a comitiva, fez-se à estrada, de carro e autocarro, com uma ministra, uma fadista, empresários, um deles até faz hoje anos (José Roquette), muitos jornalistas e mesmo algumas crianças açorianas. A comitiva vai parando e os jornalistas enviam os seus trabalhos: ficamos a saber que a senhora presidente aproveitou para ler Orhan Pamuk; que o presidente leu jornais e revistas (afinal já lê!); que a ministra da saúde quis ser simpática e foi a Estrasburgo para falar de pediatria e ficou ali retirada e que apanhou boleia da caravana presidencial; que cantaram os parabéns a José Roquette. Através da rádio e dos directos das televisões sabemos, até à exaustão, em cada noticiário, em que local está a comitiva; as paragens que faz; o tempo que falta para chegar a Barcelona. E aqui durante o dia residiu a grande, incomensurável, incógnita: viriam para casa de carro ou de avião? Parece que a coisa está resolvida e que as cinzas do vulcão foram passear para outro lado e que já podem vir de avião. Ainda bem, que já não se aguenta relato tão pormenorizado desta caravana em estradas da Europa. Como se fosse um folhetim a que é preciso ir dando continuidade e fio condutor: mas agora já estou mais descansado - desde que entrou na Catalunha que a caravana está a ser acompanhada por uma escolta policial.
(E se a  moda pega e o presidente gosta da viagem poderemos sempre ter um presidente e um governo itinerantes, em contactos porta a porta, por essa Europa fora. Talvez fosse uma maneira do país progredir mais depressa sem essas, quase sempre, forças de bloqueio, por perto).

5 comentários:

  1. Na Alemanha, os noticiários dedicaram pouco menos de 1 minuto ao regresso de Angela Merkel. Os jornais não ultrapassam os dois parágrafos, curtos, para dizer que a senhora dormiu em Liboa, daqui seguiu para Roma, depois Tirol e finalmente Berlim. Por cá, é um verdadeiro folhetim.

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  2. E mais
    quanto a mim, foi Praga que rogaram ao senhor

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  3. Platero

    Conciso, forte e adequado. parabéns.

    CJ

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  4. As noticias da viagem de cavaco tem sido a cereja em cima do bolo,o novo código de execução de penas entrou em vigor e as aberrações são tantas desde 1/4 da pena soltos administrativamente até informar a família da vitima do crime do dia e hora da liberdade do criminoso etc....Os partidos de esquerda encolhera-se ou perderam-se na nuvem vulcânica, do bloco de esquerda até percebo pois a sua ideologia politica é uma mistura agora o partido comunista mamar este código de penas e ficar em silencio é incrível Álvaro Cunhal deve pregar pontapés nas tábuas do caixão com tamanho declínio e perdas de valor da justiça e de Portugal.

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  5. Magistrados criticam novo código de execução de penas
    O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público critica o novo código de execução de penas. Diz que abre a porta ao facilitismo e acarreta vários riscos de criminalidade violenta.

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