quinta-feira, 15 de abril de 2010

Castro e Brito: não podem ser os agricultores a pagar os BMW nem os amigos que estão na EDIA

A quinze dias da abertura da Ovibeja, o presidente da ACOS, Castro e Brito, em declarações ao semanário REGISTO, que hoje está a ser distribuído, faz duras críticas ao facto da EDIA poder manter-se mesmo depois do fim das obras de contrução do sistema de rega, conforme é intenção do governo, e considera que o preço anunciado, no sábado passado, pelo ministro António Serrano, para a água de Alqueva, vai "inviabilizar" a sua utilização por parte de muitos agricultores.
Segundo o REGISTO, "o presidente da ACOS critica o facto do preço da água ter sido decidido “por despacho ministerial” sem os agricultores “terem sido ouvidos”. Castro e Brito diz que o preço anunciado por António Serrano vai penalizar ainda mais os agricultores, que “foram obrigados a investimentos brutais” e que o facto de haver reduções no preço da água até 2016 “nem paliativos chegam a ser”. O dirigente da FAABA considera que um preço justo “seria o que permitisse aos agricultores pagarem os investimentos e fazerem face ao mercado. O que com este preços não acontece”.
"Sobre a possibilidade adiantada pelo ministro da Agricultura, António Serrano, da EDIA, mesmo depois de finalizadas as obras de construção do sistema de rega, continuar, prestando assistência técnica e gerindo alguns perímetros de rega, Castro e Brito diz discordar frontalmente. “Para isso teriam que mudar a lei porque a legislação prevê que a água em alta seja gerida pelos Recursos Hídricos e em baixa pelas associações de regantes”. E, cáustico, conclui: ”Se o ministro quiser dar esse prémio à sua clientela que o faça mas não à custa dos agricultores. Os agricultores não podem continuar a pagar os BMWs desses senhores, nem as estadias na Pousada de Beja, nem os caprichos dos amigos que estão na EDIA. Esse dinheiro, se o quiserem fazer, deve sair do Orçamento de Estado e não, mais uma vez, do bolso dos agricultores"."

6 comentários:

  1. Pelo menos há um que "os tem no sítio".

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  2. É pena o sr Castro e Brito esquecer-se que dizer somos todos nós (contribuintes portugueses e restantes europeus) que estamos a pagar os 2.500.000.000 de euros que custa o empreendimento de Alqueva e que somos todos nós (agora apenas os contribuintes portugueses) que vamos pagar a diferença entre o preço real da água e o valor bonificado de venda aos agricultores.

    A história do Alqueva é como a dos estádios de futebol, apenas fizeram contas ao preço de construção mas “esqueceram-se” das despesas de manutenção para os anos seguintes.

    Quando alguns afirmavam que esta história do regadio era uma miragem, pois já em 1991, quando foi relançado o projecto, custava 500 contos/ha a conversão de sequeiro em regadio e que os agricultores não teriam capacidade económica para tal, esses tais foram acusados de fundamentalistas ambientais e opositores ao desenvolvimento do Alentejo.

    Congelam-se os salários dos funcionários públicos, aumenta-se os impostos e reduzem-se prestações sociais para reduzir o défice, mas vende-se a preço de saldo a água para um regadio economicamente insustentável?
    Quem paga a factura do preço real da água? Será o sr Castro e Brito?

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  3. @João Carlos.
    Vê-se mesmo que andas a comer do maceirão do Ministro Serrano. Se repararem bem, todas as notícias electrónicas que falem do Ministro e/ou das suas políticas são logo secundadas por comentários cassete, ao bom jeito estalinista. Será que isto tem algo a ver com a admissão para assessor ministerial de um conhecido "jornaliero" da nossa praça?

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  4. É a verdade para que serve a edia depois de construindo o empreendimento,e como uma urbanização um empreiteiro constrói e depois vai-se embora não fica ali com um estaleiro.E o que consta a gestão tem que ser feita pelos regantes através de uma associação como diz a lei.Cheira a caldinho Troncho Serranos.

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  5. O Sr João Claro disse: "Congelam-se os salários dos funcionários públicos, aumenta-se os impostos e reduzem-se prestações sociais para reduzir o défice, mas vende-se a preço de saldo a água para um regadio economicamente insustentável" Bem, não esquecer que quem faz esse regadio também paga os salários dos funcionários públicos... Talvez se houver condições que viabilizem a agricultura de regadio, os agricultores passem a ter mais rendimentos, e assim pagam mais IRS e têm mais pessoas a trabalhar nas empresas e a descontar - e assim já se podem aumentar mais os salários dos funcionários públicos, que não fazem ideia do que é sofrer por chegar ao fim do mês e arranjar dinheiro suficiente para pagar aos trabalhadores... Um país sem Sector Primário tem toda a sua economia condenada, Sr João Claro.
    Ana

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  6. Cara Sra D. Ana

    Acredito na bondade do seu argumento. Porém, quando foram pagos milhões de euros para expropriação das terras a submergir pelas águas de Alqueva e Pedrogão, quando desse dinheiro foi realmente investido na modernização das restantes áreas das explorações agrícolas ou na melhoria do bem-estar dos respectivos funcionários?

    Ou até 2003, quando existiam ajudas à superfície, independentemente da colheita ou não da produção, qual foi o verdadeiro saldo económico e social do Alentejo?

    Compreendo perfeitamente os riscos associados à actividade agrícola, mas aqui está-se a falar do financimento artificial durante vários anos para a alteração do uso do solo em culturas intensivas, com maiores inputs de agroquímicos e efeitos negativos sobre a paisagem, recursos hídricos e biodiversidade, tudo isto bens intangíveis pelos quais muitos dos consumidores preferem pagar para preservar em vez de contribuir financeiramente para a sua destruição.

    Se de repente há assim tanto dinheiro para financiar os novos regadios, porque razão ele nunca apareceu para concretizar as Intervenções Territoriais Integradas? Porque razão 11% do PRODER está consignado para os 110.000 ha de Alqueva, mas apenas 3% para as áreas agrícolas de toda a Rede Natura 2000 nacional?

    São estas interrogações ainda não respondidas que causam a minha perplexidade e motivaram o meu comentário.

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