terça-feira, 13 de abril de 2010

Balada de Colos

Há uns dias falei aqui de mais esse "atentado" feito a uma terra do interior que é o facto da centenária farmácia de Colos, no concelho de Odemira, ir ser "deslocada" para o litoral, deixando mais de 4 mil pessoas sem o seu habitual local de compra de medicamentos. Como todos já perceberam eu tenho ligações familiares e afectivas a Colos e gosto de levar lá os meus amigos. Há uns anos a Margarida Morgado foi lá comigo e depois dedicou às minhas tias este poema sobre a Vila de Colos, que chegou a ser sede de concelho e teve alguma importância e significado, quer no período romano, quer depois no período islâmico. Mas quem sabe disso é o Miguel Rego, que depois de Mértola, Barrancos e São Domingos anda agora pelas bandas de Castro. E é tão boa terra que foi o local que o sociólogo Manuel Villaverde Cabral, que não tem raízes na zona, escolheu para ter uma segunda casa e onde, agora, habita grande parte do ano.

Balada de Colos 
para as tias do C. 
Surge a tarde soalheira
Sorrateira espreita a lua
P'rós lados do sete estrelo
Com sua garra nácar
Cravada no azul do céu
Já são horas vespertinas

Em Colos no colo das colinas
Pirilampos acordam nas encostas
Dos encantos mil luzeiros
Deitados na hora extrema
Que confusão nos casais
Entra a morte pelos portais
Levada por cavaleiros

Em Colos no colo das colinas
Lá na extrema das herdades
Quando a cidade morria
Nem uma ovelha balia
P'rás bandas dos olivais
Poluídas as cisternas
Com sangue de moiros e bestas

Em Colos no colo das colinas
Só vento nos sobreirais
Longe no alto dos céus
Brilh'a estrela do pastor
E cantam os rouxinóis
Prantos e brados sufocados
Nos laranjais em flor

Em Colos no colo das colinas
Nas margens do anoitecer
Já morte e noite pactuam
No silêncio recolhido
Levado que fora o gado
Quando a saudade nascia
Das cinzas do califado

Em Colos no colo das colinas
Quantas moiras encantadas
Amadas e mal amadas
Cantando na noite azul
O seu canto das estrelas
Que o tempo desfia desafia
Nos ramos das oliveiras

Setembro/2000
Margarida Morgado
(in "Coisas que terei pudor de contar seja a quem for")

7 comentários:

  1. "extrema das herdades"
    Se o novo acordo ortográfico não interfere, estrema, limite de propriedade, ainda se escreve com S.

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  2. à sempre atenta S:

    É assim que está no livro. Deve ser uma liberdade poética. extrema não de estrema (limite de propriedade), mas sim de extremo. sei lá. foi assim que a MM escreveu. podes conferir no livro. Bjs. CJ

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  3. Embraer admite não cumprir expectativas para projecto em Portugal
    26 JUL 08 às 11:55

    Direitos Reservados


    Avião

    A Embraer admitiu, numa nota de rodapé de um comunicado, que as estimativas para a implementação de duas fábricas de componentes de avião em Évora podem não se concretizar, em pontos como o plano de investimento.
    A Embraer, a empresa que vai instalar duas fábricas de componentes de aviação no Alentejo e o terceiro maior construtor mundial de aviões, admitiu que as estimativas para o projecto em Portugal podem não acontecer.
    O alerta foi dado numa nota de imprensa distribuída, este sábado, no Centro Cultural de Belém (CCB), durante a cerimónia de apresentação do projecto, que contou com o primeiro-ministro português, José Sócrates, e o Chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.
    Em letra pequena numa nota de rodapé do comunicado, a empresa informa que o documento pode conter projecções sobre circunstâncias ou eventos ainda não acontecidos, sendo que essas estimativas estão sujeitas a «riscos, incertezas e suposições» sobre vários aspectos.
    Entre os pontos que levantam dúvidas à empresa destaca-se o plano de investimento e a capacidade de entrega dos produtos que a empresa fabrica nas datas previamente acordadas.
    Assim sendo, a Embaier escreve que não se sente «obrigada» a publicar actualizações, nem a rever estimativas e sublinha que este argumento dos riscos e incertezas inerentes leva a concluir que as estimativas e as previsões podem não acontecer, justificando que os resultados reais podem diferir substancialmente das expectativas agora criadas.
    A empresa brasileira de aeronáutica é líder da fabricação de jactos comerciais até 120 lugares e prevê criar cerca de 3500 postos de trabalho com a implementação das duas fábricas em Portugal.
    Confrontado pelos jornalistas, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, explicou que a nota de rodapé significa apenas que a empresa tem de enfrentar os riscos inerentes à indústria aeronáutica, um sector que atravessa alguma turbulência, sublinhando que o projecto para Portugal não está em causa.

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  4. Portugal já tem 18 fornecedores para o avião da Embraer
    A Embraer já identificou 18 fornecedores portugueses para estabelecer parcerias no âmbito da construção do seu novo avião de transporte táctico militar e civil KC-390.
    Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

    13:46 Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

    Além da OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal) e da Lauak Portuguesa, a missão de prospecção da Embraer já identificou 16 empresas nacionais como potenciais fornecedores de componentes para o novo avião cargueiro KC-390. "Oito destas empresas já participaram, em 2009, num workshop realizado no Brasil, e estão agora prontas para apresentar propostas comerciais. Outras oito serão convidadas a seguir o mesmo caminho, em 2010", revelou Isilda Victor, responsável pelo centro de implementação das fábricas da Embraer, em Évora.
    "Além do arranque do cluster aeronáutico, em Portugal, é uma oportunidade de cooperação estratégica com os países da CPLP. Onde está o Brasil, está a nossa agência. O Brasil é a prioridade das prioridades, a par de Angola", sublinhou, Basílio Horta, presidente da AICEP (Associação para o Investimento e Comércio Externo de Portugal).
    Pela primeira vez, Portugal vai estar representado com um pavilhão próprio nos salões aeronáuticos de Farnborough (Reino Unido), em 2010 e de Le Bourget (França), em 2011", acrescentou o presidente da AICEP. Basílio Horta falava perante uma plateia composta por mais de 150 responsáveis de empresas nacionais de moldes e componentes interessadas em participar no programa proposto pela Embraer. Perante a 'avalanche' de inscrições nesta sessão de apresentação, a AICEP ainda equacionou a possibilidade de mudar para uma sala maior.
    Selecção até 2011

    De acordo com o calendário apresentado pelo gerente sénior do programa KC-390 na Embraer, José Eduardo Barbosa, a fase de selecção de parceiros e fornecedores vai decorrer até 2011; os primeiros protótipos do avião serão construídos em 2014; estando as primeiras entregas previstas a partir de 2016. "Não temos nada fechado ou assinado, mas vamos fazer este caminho para que Portugal seja parte integrante deste programa até ao fim do ano", frisou.
    "Portugal será uma single source (fonte única de fornecimento) da Embraer, com capacidade para fornecer componentes para um aparelho e meio por mês, num projecto gerador de postos de trabalho altamente qualificado nos próximos 20 anos", concluiu o mesmo responsável.
    No segmento entre peso médio e pesado dos aviões cargueiros, a Embraer identificou uma oportunidade de marcado para substituir 695 aparelhos (sobretudo, Hercules C-130) com mais de 25 anos em 77 países, após descontar aviões de países com mercados cativos (China, Rússia, Ucrânia, Cuba e Coreia do Norte) e de países comprometidos com aquisições de Airbus A400M e C-130J.
    No entanto, José Eduardo Barbosa salientou que a Embraer "não está aqui para falar na venda do avião, mas num convite para estabelecer parcerias de desenvolvimento". Também Basílio Horta fez questão de separar os dois processos: "Não estão ligados, nem devem ser confundidas as duas coisas. Uma é a participação no programa, outra a aquisição dos aviões".
    Mais convicto estava o vice-almirante Carlos Viegas Filipe, director-geral de Armamento e Equipamentos de Defesa, ao reiterar o interesse do Ministério da Defesa em "participar desde a primeira hora" no programa do Embraer KC-390. Ainda é cedo para Portugal se comprometer com a aquisição deste aparelhos mas, na opinião deste responsável, "é certo que os C-130 da Força Aérea terão de ser substituídos e que este avião é um potencial candidato".

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  5. Embraer pode criar "Autoeuropa" dos aviões em Évora
    Basílio Horta, presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) vai receber do construtor de aviões brasileiro Embraer, um projecto de investimento que poderá ser o embrião de uma "nova Autoeuropa".

    Alexandre Coutinho (www.expresso.pt)

    16:44 Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

    A Embraer vai apresentar, amanhã, à AICEP e a um conjunto de empresas e instituições nacionais, um projecto para a fabricação de diversas estruturas e componentes para o novo cargueiro militar KC-390, um aparelho destinado a concorrer com o Airbus A400M e o Hércules C-130J. A empresa ainda não revelou os montantes de investimento previstos.
    No entanto, o construtor brasileiro já detém uma participação de 65% na OGMA (Indústria Aeronáutica Nacional) e assinou, em 2008, um acordo com o Estado português para a construção de duas fábricas de componentes e materiais compósitos em Évora, um investimento de 148 milhões de euros, que prevê a criação de 500 postos de trabalho especializados.
    A confirmar-se o interesse de Portugal aderir ao programa de desenvolvimento deste avião militar brasileiro, assegurando a compra de algumas unidades do KC-390, a Embraer poderá escolher Portugal para a montagem final do aparelho, elevando os postos de trabalho a cerca de 3000.
    Recorde-se que a empresa reservou um terceiro terreno (por sinal, o maior em área) junto do espaço onde vai construir as suas novas fábricas, com acesso directo à pista do actual aeródromo de Évora. "Comprar os aviões não é uma condição essencial para a concretização do projecto em Portugal, mas pode ser um contributo decisivo", admite uma fonte próxima do processo.
    Cluster aeronáutico nacional

    O encontro agendado para amanhã, em Lisboa, visa contribuir para a formação de um cluster aeronáutico em Portugal. É promovido pela AICEP, mas a iniciativa partiu do ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, em carta dirigida ao seu homólogo português, Nuno Severiano Teixeira. O projecto será apresentado por quatro responsáveis da Embraer, entre os quais o vice-presidente para a área de engenharia, Waldir Gonçalves e o gerente sénior do programa do KC-390, Teixeira Barbosa, e contará ainda com a presença de um brigadeiro do Comando Aeronáutico Brasileiro (COMAER).
    Além de atender as necessidades da Força Aérea Brasileira (cuja encomenda inicial já viabilizou a construção do novo avião), o Embraer KC-390 vai preencher um nicho de mercado criado pelo potencial de substituição de uma frota mundial de mais de 1600 aeronaves de transporte militar, actualmente com mais de 25 anos de operação. Chile e Polónia são os países que já manifestaram o seu interesse no novo avião.
    O KC-390 foi concebido de raiz como um jacto de transporte táctico e logístico na classe das 20 toneladas de carga. Tem capacidade para transportar os mais variados tipos de carga - incluindo veículos blindados e evacuações médicas - e será dotado dos mais modernos sistemas de manuseio e lançamento de cargas. Contará, igualmente, com as tecnologias e sistemas que representam o estado-da-arte na indústria aeronáutica mundial.

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  6. anibal fernandes13 abril, 2010 16:46

    Tenho de voltar a Colos. Mesmo sem farmácia, prometo que volto. abraço CJ.

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  7. S, Lurdes, Anibal: está tudo convidado para uma sardinhada em Colos este inicio de verão. Até o vitor alves pode ir. Pela insistência já merece meia dúzia de sardinhas. abraços a todos.

    CJ

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