sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alegria para uns, desilusão para outros

 Pintura de António Colaço, que integrou a exposição comemorativa 
do 25 de Abril inaugurada há um ano na Associação 25 de Abril, em Lisboa. 
António Colaço vai expôr em Évora, no Hotel D. Fernando, 
a partir de 8 de Maio.

Aproximam-se as comemorações de uma data histórica para Portugal. A minha geração, gente já da liberdade, vai à festa sem memória e passada aquela hora volta para casa descansado.
Mas para os outros, para aqueles que a ditadura marcou este é um tempo de ferida.
Dei-me conta disto uma noite destas à hora do jantar. No jornal da noite falava-se nos problemas económicos do país, da pobreza que alastrava, na dificuldade da justiça. Depois foi tempo dos casos polémicos do primeiro-ministro e, de novo, os números do desemprego que não param de aumentar.
Ao longo dessa hora e meia, o meu pai sentado ao meu lado, foi falando cada vez menos, foi ficando taciturno e triste….preocupei-me e inquiri-o sobre esse facto (podia ter dito algo, sem saber, que o magoasse ou que o aborrecesse): não! Estava a pensar na vida, no seu sofrimento de menino, nas lutas travadas na adolescência, na porrada que levou de cada vez que se revoltou com a desumanidade. Estava a pensar na sua esperança, hoje perdida, quando estourou a revolução e estava a pensar nos seus camaradas mortos, uns no Ultramar, outros nas cadeias portuguesas.
Os olhos daquele ancião cheios de água, tocaram-me fundo. Ali estava a imagem de uma geração de gente que sonhou com um pais livre e melhor e que hoje olhava para ele com mágoa, tristeza e desespero por já não ter forças para lutar e por já não ter tempo de vida para ver o seu país mudar.
Aproximamo-nos da data em que muitos vão divertir-se - os da minha geração. Enquanto outros ficarão em casa a chorar pela esperança perdida - a geração que sonhou com a Liberdade!

Lurdes
23 Abril, 2010 11:33

4 comentários:

  1. Não sei porque motivo o A CINCO TONS não apresenta o programa das comemorações do 25 de Abril mas ele aqui vai:

    COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL

    PROGRAMA :

    COMEMORAÇÕES DO 36º ANIVERSÁRIO - Évora 2010

    DIA 23 DE ABRIL - PRAÇA DO GIRALDO

    22:00 -CONCERTO | COMEMORATIVO DO 161.º ANIVERSÁRIO DA SOCIEDADE
    HARMONIA EBORENSE COM UXU KALHUS
    Palco


    DIA 24 DE ABRIL - PAÇOS DO CONCELHO


    18:30 -CONCERTO | CORO POLIFÓNICO “EBORAE MUSICA”
    Salão Nobre
    PRAÇA DO GIRALDO

    22:00 -A QUADRILHA - Deixa que aconteça Abril
    00:00 -GRÂNDOLA VILA MORENA E FOGO DE ARTIFÍCIO
    00:20 -DJ BRUNO DIAS

    DIA 25 DE ABRIL

    00:00 -CONCERTO | GRUPO “SKALIBANS”
    SOIR “Joaquim António d'Aguiar” - PAÇOS DO CONCELHO
    10:00 -CERIMÓNIA DE ENTREGA DE HABITAÇÃO SOCIAL
    11:30 -FREGUESIA DE S. VICENTE DO PIGEIRO (VENDINHA)
    Cerimónia de inauguração da ETAR

    PRAÇA DO GIRALDO - PASSEIO DE BTT

    08:30 - Concentração Praça do Giraldo
    09:00 - Partida
    13:00 - Chegada Praça do Giraldo


    STREET BASKET 3X3

    10:00 / 13:00 - Jogar + Centro de Formação Desportiva de Basquetebol
    GINÁSTICA
    Jogar + Centro de Formação Desportiva de Ginástica

    TAEKWONDO - Demonstração
    Org: Associação Taekwondo Kungang Região Sul


    XADREZ - Simultâneas
    Org.:Grupo Desportivo Diana


    JARDIM PÚBLICO

    12:00 - BANDA FILARMÓNICA DA CASA DO POVO DE N.ª S.ª MACHEDE
    Arruada| Da Praça do Giraldo para o Jardim Público
    13h00 - CHURRASCO POPULAR DO 25 DE ABRIL
    15:00 -GRUPO CORAL E INSTRUMENTAL
    “OS AMIGOS DA MALAGUEIRA” (ARIFM)

    Para consultar o folheto, clique aqui:


    Promotor
    Org.: Serviços Sociais Trabalhadores da CME/CME-Divisão de Desporto Informações Adicionais
    Apoios: Associação Eborae Musica; Banda Filarmónica da Casa do Povo de
    N.ª S.ª de Machede; Associação de Reformados e Idosos da Freguesia da
    Malagueira (ARIFM); Sociedade Harmonia Eborense; S.O.I.R. Joaquim
    António d'Aguiar”; Bombeiros Voluntários de Évora; Panificadora Central
    Eborense; Junta de Freguesia de S. Vicente do Pigeiro.

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  2. PARA A LURDES

    Lurdes, discordo apenas num ponto.
    Muitos vão ficar em casa chorando sim, mas não pela esperança perdida, pois a esperança é uma coisa que nunca morre, apenas se adia.
    Muitos irão ficar em casa chorando mas é pela maneira como foram enganados, burlados, ludibriados e usados como bonecos pelo Partido Comunista ao longo destes anos.
    Chorarão sim , mas pela falta de coragem que tiveram em não voltar as costas ao partido e seguirem os seus próprios passos, juntando-se e deixando a política lá longeeee.
    Outros vão chorar por ver os seus antigos camradas dirigente, bem de vida, enquanto eles marcaram passo.
    Cumprimentos

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  3. Não temos que chorar, temos é que fazer outro 25 de Abril contra a actual 'União Nacional' travestida de PS. A nova "União Nacional" onde se juntam arrependidos, oportunistas, corruptos e gananciosos varios, que só se preocupam em roubar e enriquecer enquanto o resto do país vai empobrecendo...
    Abaixo a União Nacional fascista e socialista!

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  4. J. Rodrigues Dias23 abril, 2010 22:45

    Ó Cidade, Cidade…
    (Para o Pai da Lurdes, e outros Pais e Mães, de outras Lurdes)


    Havia de sul a norte
    Prisão política, tortura e morte.
    Saía o desnorte à rua
    Do sol nascer ao pôr da lua.

    Sem medo para vencer
    Quem sabia fazia a hora,
    Não esperava acontecer...

    Tantos anos depois passados
    São estes os anos não imaginados
    Em Cidade livre formalmente
    Mas amordaçada terrivelmente
    Por cada um de nós,
    Bem dentro de nós…
    Cidade amordaçada por nós,
    Mesmo por quem antes,
    Com e sem avantes,
    Convicto de na aurora vencer
    Ousou lutar e a bandeira erguer.

    Pobre de ti, ó Cidade,
    Que vives, que nos fazes viver,
    Neste mundo diluído,
    Confuso,
    Politicamente correcto,
    Difuso,
    Que bem convém,
    Incerto,
    Que te convém,
    Onde tudo é nada,
    Onde nada é tudo…

    Onde estão, ó Cidade,
    Pátria minha, liberdade,
    Os Princípios e os Valores que te geraram,
    Que em sonho de Abril desabrocharam,
    Que são a semente, a flor, o fruto
    E de novo a semente do cravo em flor?
    Já reparaste, ó Cidade,
    Pátria minha, igualdade,
    Que os Princípios são o que está
    Necessariamente no princípio?
    Cito de cor S. João Evangelista:
    No início era o Verbo!
    E já reparaste que os Valores
    São o que perenemente vale,
    Mantendo-se, sem princípio nem fim,
    Fazendo de um homem o Homem?
    E já reparaste também que as coisas
    Verdadeiramente sábias, fortes e belas
    São sempre simples?
    Tão simples…

    Lembras-te,
    Por exemplo tu, Albert,
    Da tua incrivelmente simples
    Fórmula da energia e da massa?
    Não, meu velho Albert,
    Não me refiro à massa de hoje,
    Que essa não cria energia,
    Apenas dependência, dependências...

    Dependências que por inércia nos matam
    E te matam dentro de ti, ó Cidade,
    No teu próprio princípio,
    Criando ao mesmo tempo
    Pequenos deveres,
    Grandes devedores e maiores poderes.
    E uma enorme riqueza e uma imensa fome...
    E esta tristeza envergonhada
    Com sal chorado aumentada…

    Ó Cidade, Cidade…

    Estás, estamos, no meio da ponte
    Sem conhecer do saber a certa fonte.
    Ontem fugiste para a frente, inconsciente.
    Agora parece que te queixas, muito doente...

    Que agora não fujas para trás,
    Renegando no teu próprio ser
    Os Princípios e os Valores de se ser,
    Amordaçando-nos bem dentro de nós,
    Ficando tristes e tão sós
    E tanto atrás!

    Ó Cidade, Cidade…

    Sê tu
    E sê livre, ó Cidade,
    Pátria minha,
    Terra materna da fraternidade!

    Seremos livres
    E seremos a Liberdade,
    Dentro de ti, ó Cidade!


    Évora, 2010-04-23

    J. Rodrigues Dias

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