domingo, 31 de janeiro de 2010

Avis: Elias, o sem abrigo, comenta 2009


«Elias, 2009 visto por um sem abrigo» é o título de uma exposição de cartoons de R. Reimão e Aníbal F. e que pode ser vista, até ao dia 7 de Março, no Auditório Municipal Ary dos Santos, em Avis.
Trata-se de uma selecção de meia centena de cartoons publicados durante o ano passado no Jornal de Notícias, onde este «boneco» comenta a actualidade diariamente. Os trabalhos estão agrupados em temas que versam as questões da Justiça, Democracia, Saúde, Crise e um mais alargado intitulado Etc. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira das 09:00 às 12:30 horas e das 14:00 às 17:30 e, aos sábados, à noite, no horário do cinema.

Elias, o sem abrigo,  é um ser próximo de um indigente que deu em comentador da actualidade política, económica e social. Segundo um dos seus autores «ele manda bitaites acerca de tudo e todos, porque não deve nada a ninguém». O personagem chegou às páginas do JN em 2004, após ter nascido e crescido num blogue um ano antes.

Diga-se também que R. Reimão e Aníbal F. residem em Avis e mantêm há anos a sua colaboração diária com o JN, à semelhança de Luís Afonso que, embora residindo em Serpa, colabora diariamente com os seus "bonecos" no Público e na Bola.

Todo o Alentejo deste mundo

volta a encontrar-se daqui a três meses, no Parque de Feiras e Exposições de Beja, na 27ª edição da Ovibeja organizada pela ACOS.

Uma alentejana "modelo" da República Portuguesa



Há cem anos um artista esculpiu aquele que seria para sempre o rosto da República Portuguesa. Era o busto de Ilda Pulga, uma mulher de Arraiolos que morreu com 101 anos, em 1993, e que não terá deixado descendência directa. A notícia, como a RTP a deu, numa reportagem de Sérgio Vicente com Joaquim Pulga, neste dia 31 de Janeiro, em que se comemora mais um aniversário do levantamento republicano de 1891 no Porto, percursor do 5 de Outubro de 1910.

Ovelhas

(apeteceu-me imitar o Lopes Guerreiro, mas a minha máquina não é tão boa como a dele, eh!eh!)

Évora: posição da CDU na reunião da Assembleia Municipal de sexta-feira

Bom Domingo!


Concerto de aniversário do Coral Évora

sábado, 30 de janeiro de 2010

Bloqueios criativos


La Saraghina é uma prostituta que dança a rumba para um grupo de miúdos à beira mar, no 8 ½ de Fellini. Não é bela, nem há paparazzi à vista, mas esta mulher é possuidora de uma verdade poética à prova de bala.

P. S. Portugal está com um bloqueio criativo. Andamos à procura de um país. E nada. Parece que vivemos entre personagens de um filme realizado por um imitador de quinta categoria de Fellini. Não rimos e choramos ao mesmo tempo. Só choramos.

Novidades na CCDRA: João Cordovil substitui Maria Leal Monteiro

João Cordovil vai substituir Maria Leal Monteiro na Presidência da CCDRA - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo. Este economista, quadro técnico da estrutura, exercia até agora as funções de vogal no INAlentejo.

Toda a equipa directiva da CCDRA (para além da presidente, também os vice-presidentes António Afonso e Jorge Honório) será substituída, soube o "acincotons". Uma das vice presidências será ocupada pela geógrafa Lina Jan (que já desempenhou as funções de directora regional do Ambiente), enquanto a segunda ainda não está confirmada. Florival Ramalhinho é, no entanto, o nome mais provável. Esta decisão deverá ser formalizada na reunião do Conselho de Ministros da próxima 2ª feira, quando se cumprem 100 dias de governo.

Estas mudanças estão a gerar várias leituras, entre as quais, a perda de protagonismo deste orgão da administração, já que em vez de políticos conhecidos, são chamados à liderança técnicos de prestígio entre os seus pares, oriundos da própria estrutura da CCDRA.

ACT. Com a saída de João Cordovil (e antes de António Serrano, para o ministério da Agricultura), a equipa do INAlentejo fica reduzida a dois elementos, escolhidos pelas autarquias (Fernando Caeiros e Alfredo Barroso) pelo que se esperam, também, brevemente alterações neste organismo que gere parte dos fundos comunitários canalizados para o Alentejo, de forma a que haja o preenchimento dos cargos de nomeação estatal agora deixados vagos.

Évora: sem Guia da Semana é uma chatice!

Até há bem pouco tempo a Câmara de Évora editava um Guia da Semana com o resumo da actividade cultural (às vezes não toda) que se realizava em Évora,  fosse de iniciativa autárquica ou fosse fora da esfera da Câmara. Era uma publicaçãozinha de pequeno formato, sem grandes ambições, mas que circulava pela cidade e que dava indicações sobre a oferta cultural ou recreativa. Paralelamente à edição imprensa, podia-se ver o que havia no site da Câmara e uma síntese do Guia da Semana era enviado por mail para um conjunto diversificado de endereços. Eu recebia esse mail semanal e dava-me muito jeito.
Agora acabou. As versões são diversas: há quem diga que a Câmara não tem dinheiro para a publicação (este argumento não é credível porque as verbas envolvidas deviam ser bem diminutas); outros dizem que a nova vereadora do pelouro suspendeu a publicação para as reformular e tornar mais apetecíveis do ponto de vista informativo e gráfico (mas, até lá, mais valia ter continuado com o que existia); ou que, pura e simplesmente foi decidido acabar com a sua publicação.
Seja quais forem os motivos faz falta. Numa cidade com tantas iniciativas, um Guia da Semana, seja em papel ou na internet, é imprescindível. E a sua publicação ter sido interrompido é uma falha grave no ainda recente desempenho do cargo de responsável da cultura por parte da nova vereadora, que, noutros casos, tem mostrado uma vontade e uma frescura a que a Câmara de Évora já tinha desabituado os agentes culturais. Por isso, não se percebe - nem eu percebo - esta decisão de suspender o Guia da Semana. Que volte depressa é o que espero.

Parque Urbano de Beja

O futuro das empresas de desenvolvimento de empreendimentos

Sempre que uma empresa criada para desenvolver um empreendimento o conclui (quase sempre com muitos atrasos) há sempre quem venha defender a sua continuidade, atendendo à estrutura montada e à experiência entretanto adquirida. Naturalmente que o seu pessoal defende esta perspectiva. É recorrente. E é também o espírito de sobrevivência a falar alto.
À partida, não sou contra, nem sequer por esta última razão, que considero legítima. Só sou contra se for essa a única razão ou a que determina a continuidade. Se efectivamente a estrutura montada for racional e adequada, se a experiência adquirida for boa e se ambas puderem ser úteis, quer a novos empreendimentos quer ao apoio a projectos de entidades que dele precisam, parece-me que pode ser uma boa solução.
Vem isto a propósito do que hoje alguns propõem para a EDAB, como outros (ou os mesmos) propuseram para a EDIA e aconteceu com a Parque Expo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Música para a noite


OMIRI LIVE Teatro da Luz - Dentro da Matriz from Tiago Pereira on Vimeo.
Ver: pédexumbo

Já se esperava: Mértola, de novo, a votos

EDAB deve promover "cluster" aeronáutico de Beja, defende Pulido Valente

 
A Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) não deverá extinguir-se após a conclusão das infra-estruturas aeroportuárias, devendo transitar para a tutela do Ministério da Economia. Esta é a síntese da ideia defendida pelo Presidente da Câmara Municipal de Beja, Jorge Pulido Valente, no decurso de um encontro promovido pela rede GADE (gabinetes de apoio ao desenvolvimento económico) e no qual participaram empresários e gestores de grandes projectos públicos e privados que se encontram em curso na região.
“A EDAB poderia ter um papel importante na construção de um cluster aeronáutico, nomeadamente ao nível da captação de investimento e de acompanhamento dos investidores que mostrem interesse”, defendeu o autarca.
A equipa da ANA – Aeroportos de Portugal, entidade que vai gerir a infra-estrutura aeroportuária de Beja, liderada pelo seu presidente, Jorge Arruda, esteve presente no encontro, tendo adiantado que estão em fase de execução os planos de marketing e de imobiliário para o futuro Aeroporto de Beja.
Numa fase inicial vender-se-á o destino turístico “Alentejo” além-fronteiras com prioridade para os voos charter. O plano de marketing em curso contempla a criação de “pacotes turísticos que consigamos vender a operadores internacionais” garantiu Ricardo Lagoa, director de marketing da ANA.
Outra área chave para a gestão do aeroporto prende-se com o sector imobiliário. “Estamos em conversações para desenvolver projectos paralelos à aviação, nomeadamente na área da hotelaria, rent-a-car, parqueamento de viaturas, retalho e, por exemplo, na construção de hangares” explicou Pedro Beja Neves, responsável pela área de imobiliário da ANA.
O Presidente da ANA garantiu ainda a nomenclatura inicial do aeroporto como Aeroporto de Beja explicando, em seguida, que na promoção internacional desta infra-estrutura ela deverá surgir associada à região Alentejo.

(fonte CMB)

CDU explica rejeição do Orçamento de Évora

Divulgada há minutos esta nota de imprensa onde a CDU explica a rejeição do Orçamento da Câmara de Évora:
 
O Orçamento, o Plano de Actividades Municipais para 2010 e o Plano Plurianual de Investimentos 2010/2013, centraram as atenções na última reunião pública da Câmara de Évora, de 27 Janeiro 2010.
A proposta do Presidente foi aprovada com os votos a favor dos vereadores do seu partido, com a abstenção do vereador do PSD e os votos contra dos vereadores da CDU.
Numa extensa declaração de voto da bancada da CDU, são apontadas com pormenor as razões da rejeição do documento apresentado.
Vários erros identificados logo na introdução do documento, a previsão de um significativo aumento da componente da despesa sem correspondente entrada de receita sustentável, mas principalmente a incoerência das opções indicadas nos números, com as anunciadas aos munícipes, impediram os vereadores da CDU de votar favoravelmente este importante documento. não obstante a sua concordância pontual com algumas opções apontadas, como é o caso da criação de um balcão único proposto pelo PSD.
O rigor e ambição - enquanto traves de suporte das Grandes Opções do Plano defendidas pelo Presidente da Câmara - são desmentidos pela redução de verbas na intervenção social, nomeadamente no caso do cartão social do idoso. Pela ausência de investimento na área da recuperação do Centro Histórico de Évora, no estacionamento e acessibilidades. Pelo constrangimento assumido no desporto. N
o,entanto, as dificuldades financeiras repisadas nas Grandes Opções do Plano não impedem que a verba para “publicidade e divulgação” veja a sua dotação aumentada.
Outro assunto que preocupa particularmente os vereadores da CDU é o que se relaciona com a qualidade e sistema de distribuição da água. Voltaram assim a solicitar o acesso aos dados das análises feitas à água da albufeira da barragem do Monte Novo, antes de qualquer tratamento, no trimestre anterior ao corte do abastecimento público verificado no mês de Janeiro de 2010.
Os vereadores da CDU continuam a aguardar esta informação que consideram essencial para a compreensão das razões que estiveram na origem da interrupção do abastecimento de água à população do concelho.
Um novo projecto de regulamento de taxas e tarifas está a partir de agora, durante 30 dias, em consulta pública. Os vereadores da CDU, apesar de considerarem que o Regulamento apresenta melhorias significativas, não deixaram de estranhar o facto das taxas propostas sofrerem aumentos significativos relativamente à proposta chumbada em Assembleia Municipal. Mereceu particular reparo e crítica o facto da taxa de saneamento, cobrada em função do consumo da água, sofrer um aumento de 100% na nos dois primeiros escalões de consumidores domésticos de água.
Esta proposta, que estabelece um valor igual para todos os consumidores e escalões de consumo de água, penaliza bastante os pequenos consumidores, que são normalmente os mais carenciados, enquanto beneficia os grandes consumidores ou os que mais condições têm para pagar.
A bancada da CDU expressou o seu desejo de que esta situação seja alterada durante o período de consulta pública, adiantando que não a aceitará tal como está. Solicitaram ainda o acesso aos cálculos que estiveram na base dos valores agora propostos e à fundamentação dos critérios em que foram baseados.
A abstenção dos eleitos da CDU teve como objectivo não obstaculizar e entrada em consulta pública do documento, que permitirá à generalidade dos cidadãos apresentarem propostas de alteração, não podendo ser considerada como indicador da votação final conforme foi salientado.

Évora, 28 de Janeiro de 2010-01-28

Os Vereadores da CDU na Câmara Municipal de Évora

Agência Lusa ´adota´ novo Acordo Ortográfico

Até agora não houve muitas mudanças, apesar de já estar em vigor o novo Acordo Ortográfico, mas para quem anda nestas coisas da escrita e do jornalismo (ainda bem que eu trabalho na rádio!) vai tudo mudar já amanhã. Informa a agência Lusa que vai adotar (o meu corrector começou logo a dar erro!) o Acordo Ortográfico a partir de sábado.
"Às zero horas de sábado, a Agência Lusa passa a distribuir o noticiário escrito nos termos do Acordo Ortográfico, cumprindo a vocação de ser «uma agência global» nos territórios onde o português é a língua oficial. Os jornalistas da Lusa vão pôr em prática as regras aprendidas no período de formação iniciado em novembro e contam com o auxílio do corretor ortográfico desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC)". 
E para quem não tiver esse corretor, como é que vai ser? Será que nos vamos entender ou que durante, pelo menos algum tempo, vão existir duas escritas, impermeáveis uma à outra? É que, se a LUSA passa a distribuir as suas notícias segundo o novo acordo, é certo e sabido que a generalidade dos jornais também o adotará, já que a maioria não passa de "corta e cola" (agora mais cut & past) das notícias da agência. É caso para dizer que agora é que nos vamos ver "gregos" !

Évora com 81 milhões


O Orçamento da Câmara de Évora foi aprovado na quarta feira com o voto de qualidade do presidente José Ernesto Oliveira, após votação a favor dos vereadores do PS, o voto contra da CDU e a abstenção do vereador do PSD.
81 milhões de euros é o valor orçamentado para 2010, um plano de "rigor e ambição", assim o classifica o presidente da Câmara.
"É de rigor porque a situação financeira que os municípios em geral passam obriga a que a gestão da coisa pública seja feita com muita atenção, pragmatismo e com uma definição clara das prioridades e dos objectivos", disse José Ernesto Oliveira à agência Lusa, acrescentando ser um orçamento de ambição porque "apesar da situação difícil, é preciso não abrandar o nível de investimento e a dotação de infra-estruturas necessárias".
José Ernesto Oliveira revelou ainda que o plano e o orçamento da autarquia receberam contributos do vereador do PSD, entre os quais a instalação de um balcão único municipal e a criação de um portal ambiental na Internet.
Adiantando que os eleitos da CDU não apresentaram "qualquer proposta de alteração orçamental", o autarca considerou que, "numa situação em que se exige o esforço e envolvimento de todos, a CDU, como sempre, pôs-se à margem de qualquer função".
Ainda em declarações à Lusa, o vereador comunista Eduardo Luciano explicou que os eleitos da CDU não apresentaram qualquer proposta, "devido à falta de informação prestada pelo executivo". "Sentimos a necessidade de saber qual a origem da receita, para que pudéssemos dar os nossos contributos", disse.
Considerando que "a receita de 81 milhões é perfeitamente irrealizável", Eduardo Luciano explicou que o orçamento, proposto pelo executivo socialista, admite gerar receita com a venda de terrenos do município.
"Não se percebe como é que, num momento de grande crise, se vendem terrenos", questionou.
O vereador da CDU sustentou ainda que este orçamento "tenta tapar as dificuldades financeiras da câmara e que não reflecte qualquer ambição e proposta credível para o território".
Já o vereador do PSD António Costa Dieb frisou que o plano de actividades e o orçamento para este ano não satisfazem, explicando a abstenção na votação com a necessidade de "assegurar o normal funcionamento da instituição".
"Um orçamento acima de 80 milhões de euros, tendo em conta o histórico de receita do município, é incomportável", considerou o vereador social-democrata, destacando a redução de 83 milhões (proposta inicial) para 81 milhões de euros.
"Nós propusemos que o orçamento de despesa andasse na ordem dos 50 milhões. Apesar do nosso esforço e de um sinal positivo que foi dado, é manifestamente insuficiente", afirmou.

Planície Mediterrânica em Castro Verde

Gala: Beja Cidade do Vinho 2010

Enquanto que em Évora parece não existirem quaisquer projectos mobilizadores, que possam ser consensuais, entre os diversos partidos e protagonistas políticos, a cidade de Beja parece ter assumido unanimemente a classificaçáo de Cidade do Vinho 2010. A candidatura e a sua escolha foi decidida quando a Câmara ainda era CDU e o PS, agora, está a conduzir o processo também sem quaisquer "dores de alma" por ele já estar delineado quando venceu as eleições autárquicas.

Hoje, será dado o sinal de partida para esta iniciativa que irá decorrer todo o ano, com várias manifestações, e  que traduz o enorme crescimento, quer em quantidade, quer em qualidade do sector vinícola em todo o concelho e distrito de Beja. O ministro da Agricultura e o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural participam esta sexta-feira, 29, na Gala que marca o arranque oficial de “Beja Cidade do Vinho 2010”.  A cerimónia, programada para o Pax Julia – Teatro Municipal, compreende além de muitas outras acções, a entrega do prémio Cidade do Vinho a Beja, distinção que fará do concelho e da região o foco da promoção vinícola durante este ano.

A entrega desta distinção ao Município de Beja, justifica-se, segundo a Associação de Municípios Portugueses do Vinho “por ser a candidatura mais coerente com os objectivos estratégicos do galardão atribuído por esta Associação de Municípios, nomeadamente pela aposta na divulgação do Enoturismo, área em que Beja possui alguns dos mais distintos empreendimentos desta região”.

A iniciativa “Beja Cidade do Vinho” está a ser coordenada por uma comissão organizadora que, para além do município de Beja e da AMPV, agrega a Comissão Vitivinícola da Região do Alentejo, Entidade Regional de Turismo do Alentejo, ViniPortugal, entre outras entidades do sector.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Artesanato alentejano

Cultura: com pouco se faz muito



Uma sugestão de M. Sampaio, com o seguinte texto:  Com pouco se faz muito. E nisso a cultura é paradigmática.

A propósito da "Senhora de Supermercado"(1969) de Duane Hanson

A linguagem utilizada pelos membros do clero- expressão divertida esta - é sentida muitas vezes, acho que até pelos crentes, como ultrapassada. É quase impossível não sorrir quando alguém fala em “caminhada na descoberta da vida” (é semelhante o “desconforto”, pelo menos estético, quando ouvimos alguns dirigentes do PCP, a famosa cassete; o “sucesso” do BE é também um “sucesso” linguístico, por assim dizer…).

Queremos, hoje, viver “experimentalmente”, mesmo que não tenhamos consciência disso, somos todos hedonistas. E ainda bem (infelizmente, em Portugal, a ganharmos quinhentos euros, não vamos muito longe como adeptos do prazer). O hedonismo é a nossa nova religião. E até tem a sua perversão, o consumismo. Sem freios.

Poderão dizer-me que o Papa arrasta multidões, mas não me convencerão facilmente que essas multidões vivem segundo um espírito religioso. Quando se deslocam a uma manifestação religiosa vão ver , sobretudo, um espectáculo (Cf. Guy Debord).

Évora: Assembleia Municipal reúne-se amanhã para debater qualidade da água

A questão da qualidade da Água vai ser debatida amanhã em sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Évora. A reunião foi solicitada pelo BE que hoje fez chegar aos órgãos de comunicação social um comunicado lembrando que não é permitida a intervenção do público na reunião. Assim todos os que queiram podem colocar perguntas via Internet, para que a deputada municipal do Bloco de Esquerda delas faça eco na Assembleia. "Aquando da detecção de teores elevados de alumínio na água e consequente interrupção no fornecimento, o Bloco de Esquerda solicitou de imediato à Mesa da Assembleia Municipal de Évora a convocação de uma reunião Extraordinária da mesma. Lamentamos que só amanhã isso aconteça. Todavia, e como a intervenção do público não é permitida em Assembleias Extraordinárias, o Bloco apela a todos/as eborenses que façam chegar as perguntas que achem mais pertinentes ao seu deputado municipal (através do e-mail evora@bloco.org) que as colocará na referida Assembleia. Consideramos ainda que a primeira intervenção devia partir da bancada que tomou a iniciativa de convocar esta reunião (o Bloco de Esquerda) e não do Sr. Presidente da Câmara como está previsto. Não faz qualquer sentido que as respostas cheguem antes das perguntas…"

Redução do IRS é uma falsa medida social

A redução de IRS, dos seus munícipes decidida por cerca de menos de um terço dos municípios, pode ter (do que tenho muitas dúvidas) alguma influência na fixação de pessoas nesses concelhos, mas nunca pode ser anunciada como uma medida social de apoio às famílias de mais baixos recursos, porque estas ou não pagam aquele imposto ou pagam valores percentualmente baixos. Se quisermos, até podemos afirmar, com verdade, que, na perspectiva social, é uma medida perversa, porque quem dela mais beneficia é quem paga mais IRS porque tem rendimentos mais altos.

Debate: Évora tem condições para ser Capital Europeia da Cultura 2000 e qualquer coisa? (3)

Este debate está a ser interessante aqui no espaço do acincotons. É claro que não há nenhuma proposta real para que Évora possa ser, em breve, Capital Europeia da Cultura, até porque as candidaturas são apresentadas com muitos anos de antecedência. Mas aquilo que aqui temos feito é um  supônhamos que, em termos locais, havia uma conjugação de esforços para que tal pudesse acontecer. E aquilo que temos estado a debater é se Évora teria ou não, a curto prazo, condições (físicas, humanas, patrimoniais, políticas, etc.) para assumir uma candidatura deste género, idêntica à de Guimarães, que é também Património da Humanidade e que vai ser Capital Europeia da Cultura em 2012.
Anónimo
O que o Eduardo Lourenço talvez não saiba é que Évora está estagnada e sem ânimo. O que talvez não saiba é que a estrutura autárquica foi desmontada peça por peça e, agora, não há quem a saiba montar e pôr a funcionar como deve ser. Eduardo Lourenço tem toda a razão se se refere à potencialidades de Évora para ser Capital da Cultura. Mas para que isso aconteça é preciso, primeiro, mudar os protagonistas que desmontaram o “carro” e agora, incapazes de o remontar, se limitam a atirar culpas para cima das peças que não andam...Se quiserem a Capital da Cultura tem de começar por nós. Tem de começar nas escolhas que fazemos quando nos chamam a escolher quem conduz os destinos da Cidade. Se escolhemos sapateiros, não podemos, depois, exigir-lhes concertos de rabecão!
Alentejana
Évora tem tudo o que necessita para ser Capital da Cultura, excepto dinheiro. Mas como sem organização o dinheiro não aparece, Évora só precisa de uma equipa disposta a lutar por esse fim.
Anónimo
Infelizmente a Évora não falta SÓ dinheiro (e, note-se, a falta de dinheiro não é coisa de somenos): falta sensibilidade, saber e capacidade para organizar e fazer. Quem podia e devia liderar esse processo (a CME) é, neste momento, uma estrutura desmantelada, desorientada, sem ânimo nem Know how para fazer o que quer que seja.É com pena que o afirmo. Mas é a triste realidade.
M. Sampaio
O que nós todos sabemos é que importa pouco ou nada uma candidatura desse tipo. O que verdadeiramente importa, o que nós todos sabemos, é que no que à cultura diz respeito, Évora corre para a aridez do deserto. O que nós todos sabemos é que se estivermos à espera que o "poder" se mexa bem podemos esperar sentados. A cultura somos nós todos, é filha das nossas iniciativas enquanto cidadãos, é um legado de cidadania para os nossos filhos. Sem quintais, sem espaços aramados, campo aberto semeável por todos de que todos colherão.É isso que nós sabemos, e sabemos também que se não nos mexermos nem S. Lourenço velará por nós.
Anónimo
O Eduardo Lourenço transformou-se, sem o querer, na Vaca Sagrada da Cultura Portuguesa. A mais pequena freguesia do centro histórico de Évora é maior e mais "interessante" do ponto de vista arquitectónico do que Guimarães, que é, diga-se, uma cidade bonita. Mas compará-la com Évora, vou ali já venho...
Lurdes
(...) Hoje Évora é feita de iniciativas desconcertadas, a maior delas para pequenos grupos e muitas de fraca qualidade! A agenda cultural não saiu porque a Câmara não tem dinheiro para a imprimir quanto mais para fazer espectáculos e infraestruturas! Esta é a nossa realidade, e é á sua luz que temos de analisar esta ideia! As Associações que tem vindo a dinamizar algumas coisas estão falidas, não podem sustentar mais as actividades que faziam! A Bienal do ano passado esteve em risco de não se realizar! As companhias de Teatro têm os ordenados em atraso! E algumas não têm espaços capazes para entrar numa iniciativa deste género! Os cursos de artes da Universidade, além de demasiado fechados em si mesmo, não têm dinheiro! (...)
l. gonçalves
Mas será que Évora só poderá aspirar a ser alguma coisa quando o PC está na Câmara? Será que o PCP é o alfa e ómega de Évora: antes do PC ter chegado à Câmara será que Évora não era nada? Quando saíram (da Câmara) Évora deixou de ser o que era e ficou reduzida a cinzas? Só existiu e todos os sonhos só foram possíveis enquanto o PCP teve a maioria dos votos? (...) Ou será que projectar Évora como capital europeia da cultura é algo que só pode estar na mão e na imaginação das pessoas do PCP? Quem governa Guimarães, o Porto, Lisboa, todas elas capitais europeias da cultura? Presumo que não é o PCP, nem a CDU. Porque é que em Évora, porque raio de desígnio, terá que ser o PCP e seus acólitos os únicos donos, senhores e porta-vozes da cultura e dos projectos essenciais existentes nessa área?(...) Já agora: o que há hoje, em Évora, a menos do que havia no tempo da CDU (tirando o caso do Viva a Rua, que foi substituido por outros festivais e por outros espectáculos, talvez da mesma ou de maior qualidade (Pé de Xumbo, Paralelo, etc.)?
Anónimo
Colocar Guimarães ou Braga junto de Évora é o dia e a noite. A nossa cidade sofreu um saque político e de compadrio que arruinou o futuro. CDU e PS vestem a mesma roupa ao nível de gestão desorganizada, sem critérios e, mais real, sem conhecimento do papel de uma cidade. Que deve ser única, não dividindo zonas ricas e pobres, excluindo uns e apoiando outros, ou os próprios, em tantos casos conhecidos. Isso criou uma manta de retalhos com os problemas conhecidos bem graves que nos envergonham e põem a nu, a qualquer investidor bem informado. que Évora tem que mudar radicalmente porque no mercado do turismo o que conta é a qualidade.
Anónimo
"Mas será que Évora só poderá aspirar a ser alguma coisa quando o PC está na Câmara?" Isso não sei. O que sei é que com o PS/Ernesto na Câmara a estagnação e o declínio de Évora são uma marca bem visível e inegável. O que sei é que o concelho, pela primeira vez em 40 anos, deixou de ter capacidade de atracção de novos residentes e começou a perder população. O que sei é que as taxas de desemprego no concelho de Évora são bastante superiores à média nacional, com destaque para os quase 20% de jovens licenciados que não encontram ocupação. O que sei é que num concelho em que o Turismo Patrimonial e Cultural é a actividade ainda com sucesso, a CME tomou a absurda decisão de transferir os seus serviços para o Parque Industrial, dando origem à sangria funcional do Centro Histórico com a consequente desertificação e degradação deste importante factor de atractividade de visitantes. A não ser corrigida a decisão, a prazo, também o Turismo entrará na rota do declínio que atingiu outra actividades. É isso que vejo... E o que vejo não vaticina um futuro promissor para uma cidade com tamanhas potencialidades. Como muito bem lembrou Eduardo Lourenço.

Cavaco tirou-lhe os amigos do Governo e ficou fulo



Isto de se ter o "rei na barriga" tem que se lhe diga. Belmiro de Azevedo, durante as últimas décadas o empresário do regime, faz que dispara a torto e a direita numa entrevista à Visão, a ser publicada esta quinta-feira.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Não é sério!

Em 2005, depois de ganhar as eleições fez um escarcéu dos diabos por causa dos 6% de défice e aumentou os impostos, ao arrepio do que prometera, pôs trabalhadores na prateleira, congelou salários, reduziu pensões e outros mimos para quem trabalha ou trabalhou toda a vida, para "pôr em ordem as contas públicas".
Depois, foi o que se viu: Milhares de milhões para os bancos que fizeram falcatruas e outros que se aproveitaram por arrasto, mais milhares de milhões para as empresas do regime dos amigos e, em vésperas das eleições, "porque tinham posto as contas públicas em ordem" distribuíram umas migalhas pelos pobres. Sempre negando a derrapagem do défice, que ainda em Setembro era de 6%... para agora ultrapassar os 9%.
Isto é sério?! Não, NÃO é!
São todos iguais? Se calhar até são parecidos. Mas há os que já provaram ser iguais e os que ainda não tiveram oportunidade de mostrar que são parecidos.
No mínimo, acho que não deviam tratar as pessoas como mentecaptas, embora algumas o pareçam ser...

Dizer sem escrever (2)

Uma visão sobre a greve dos enfermeiros.

A crise quando chega não é para todos

O Banco Espírito Santo (BES) obteve 522,1 milhões de euros de lucro no ano passado, uma subida de 29,8% face a 2008, anunciou esta quarta-feira a instituição financeira. O BES destaca o contributo da área internacional, que registou 179,3 M€ de lucro, o que traduz um crescimento de 25,1% face ao ano anterior.

La Famiglia

O cardeal patriarca de Lisboa, parecia-me, na medida do possível para um cardeal, uma figura simpática, fumava umas cigarradas e indiciava alguma liberalidade e descontracção. Estava enganado. Eis as suas últimas declarações:
"Ajudar a família é, antes de mais, respeitá-la na sua dignidade e na sua natureza antropológica de instituição baseada no contrato entre um homem e uma mulher, que origine uma comunidade específica, onde acontece a procriação e a caminhada em conjunto na descoberta da vida."

Eu pensava que Deus não tinha dito "casai-vos", mas apenas "crescei e multiplicai-vos", mas o meu forte não é a religião e posso estar enganado.

Amigo internauta, se tens mais ou menos 40, o melhor é passares à frente ou ficarás "nostálgico"...


Ilda Pulga: as raízes alentejanas da República

Busto official da Republica Portugueza
Raros, raríssimos,  devem ser aqueles que olham para o busto da República e vêm nele os traços da sua tia bisavó. Joaquim Pulga, prezado confrade de muitos de nós nestas coisas da blogosfera e da boa mesa, é um  desses casos. Descobriu que a "musa" que serviu de inspiração ao artista foi a sua familiar que, embora não tendo conhecido pessoalmente, deve ter sido “uma mulher lindíssima, para o escultor a ir buscar para ser o seu modelo para o busto, o que me leva a pensar também que terá sido uma pessoa muito atrevida” para a época, disse Joaquim Pulga à agência Lusa.
Ver AQUI noticia e vídeo da RTP.

(noticia via Alvitrando)

Bem pode Teixeira dos Santos dizer que não há aumentos

Dizer sem escrever

Em mais um dia intrincado, cheio de coisas e coisinhas para fazer, estava aqui sentado para escrever um texto engraçado com a utopia na cabeça e Évora Capital Europeia da Cultura no horizonte.
Acontece que hoje não tenho graça nenhuma. Pelo que sobre a capital da cultura a única palavra que me ecoa no espírito é, precisamente, Utopia. Em caixa alta e tudo.
Para mais não tenho tempo, mas não queria deixar passar mais um dia sem mandar uma posta.

Debate: Évora tem condições para ser Capital Europeia da Cultura 2000 e qualquer coisa? (2)

Continuando o debate sobre o interesse, a necessidade ou a possibilidade de conjugar vontades para dar a Évora o estatuto de "Capital Europeia da Cultura" - Guimarães vai sê-lo em 2012 - continuamos aqui no acincotons a publicar algumas opiniões sobre esta questão.
Anónimo
Sobre "Évora Capital Europeia da Cultura" deixou Abílio Fernandes, na CME, um dossier preparado para a candidatura. O PS de Zé Ernesto "deitou-o para o lixo". Aliás, deitou a cultura no lixo e não só…
M. Sampaio
(...)Gizar a cidade em três níveis, o primeiro, apocalíptico, criador e disruptivo, pouco acessível à generalidade das gentes, situado no alto da cidade, na dita Acrópole. Pensadores, criadores, geradores de cultura, teriam aí o seu espaço, sob o beneplácito das instituições que lá fizeram ninho, Fundação Eugénio de Almeida, Universidade, poder que colecta impostos, enfim todos os que possam apoiar o momento de criar, sem reservas... O segundo, correia de transmissão do primeiro, espraiar-se-ia pelo Centro Histórico até às muralhas, utilizando as ruas, galerias, teatros, cafés, bares, em suma usando o espaço urbano como veículo de divulgação, fazendo um "download" do primeiro nível. O terceiro,abrangeria todo o Concelho, a começar na Arena, no Rossio, quiça na antiga garagem da rodoviária, seria o reino de todas as manifestações culturais no seu sentido mais amplo; brincas, artesanato, espectáculos "mainstream", mostras gastronómicas, manifestações desportivas, eu sei lá, tudo o que aprouvesse ao conforto das gentes... Nenhum destes níveis seria estanque, nem eles seriam obviamente hierarquizados. Porque não um festival da guitarra portuguesa no horto da mitra por exemplo, dar asas às pessoas? Isto é apenas uma sugestão, uma acendalha para o debate. Somos livres, pois então...
Lurdes
(...)Quanto aos criadores, a ideia parece-me excelente e a ligação às instituições que levam alguns dos nossos impostos traria benefícios reais aos agentes culturais. Quanto à rede cultural é a mais viável. É que, ao contrário de Évora Cidade, a maior parte das freguesias tem espaços culturais (alguns a necessitarem de pequenas obras), mas muitos prontos a serem utilizados. Claro que esta ligação teria de se fazer com os agentes locais, senão voltaríamos ao Projecto já antigo da descentralização onde grandes espectáculos não tiveram espectadores. Mas não esqueçamos a recuperação do Salão Central, a melhoria das condições dos Celeiros e do Garcia e a construção de duas ou três salas, que era uma necessidade para que este projecto pudesse acontecer. E, já agora ,deixar de fazer obras em casa alheia. Se esta proposta servir para arranjar os espaços privados em detrimento da construção de espaços para a cidade, estou fora! Estou farta de parvoíces!(...)
José Esteves

Acho que é uma ideia excelente relançar (esta ideia de) "Évora Capital Europeia de Cultura". Seria uma meta, um objectivo a atingir, para mobilizar os poderes e os agentes culturais da cidade. Poder-se-ia fazer um projecto integrado, com as mais diversas participações possíveis, em que, por exemplo, o próprio projecto da Acrópole (o que existe ou modificado) estivesse enquadrado nesse projecto de dar um novo dinamismo cultural e económico à cidade. Acho que era um factor mobilizador importante para a cidade e construtor de um objectivo de grande visibilidade, tão ou mais importante do que foi há 20 anos a classificação como património da Humanidade. Julgo que a força política que jogar mãos à obra e definir estes conceitos e este objectivo, sabendo conjugar parcerias e mobilizar vontades, terá ao seu lado a maioria da população da cidade, do concelho e da região.
Lurdes
(...) Quanto aos criadores eles estão ai, não necessitamos de ir muito longe. Claro que como Capital da Cultura teriam de apostar em alguns nomes sonantes, mas poder-se-iam criar coisas bonita que dinamizassem a cultura e que a preservassem, porque não? A talhe de foice, como se diz no Baixo Alentejo, deixo já aqui uma mensagem... Se a ideia for adiante não escolham para director do projecto um pseudo-intelectual que vá fazer só cultura de elite, nem um programador criado a martelo que crie e escolha só programas para as massas (tipo cultura pimba). Arranjem alguém moderado, que não tenha preconceitos culturais. Só assim conseguiriam agradar a um maior número de pessoas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Já vou dormir bem melhor esta noite

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos já entregou o Orçamento de Estado para 2010 no Parlamento e, em conferência de imprensa, há minutos, explicou as suas linhas principais. Disse, por exemplo, que os salários dos funcionários públicos vão ficar congelados. O que não é muito diferente daquilo que os  sindicatos já esperavam.
Mas, no geral, é caso para dizer:  o que seria do país se não houvesse orçamento??!! Possivelmente, para citar Brecht, até as vacas deixariam de dar leite.

Na luta pela defesa da Reforma Agrária

Um dos muitos murais pintados em Beja, nos anos setenta do século passado.

Poema aos homens constipados de António Lobo Antunes

"Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses, como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo os demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes de tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha, à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa o Jesus, no cobertor
Chama o doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
Faz-me tisanas, e pão-de-ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer."

António Lobo Antunes

in Letrinhas de Cantigas (canções) 2002

35 anos depois: a reforma agrária fez-se em nome da luta pelo emprego e pela garantia de salário

Sebastião Salgado, Julho de 1975

A rádio Voz da Planície destaca a importância que o dia de hoje, 26 de Janeiro,  teve há 35 anos anos para milhares de pessoas, sobretudo no Alentejo, mas também em muitas outras regiões do país. Neste dia, em 1975, realizou-se em Beja, na Sociedade Capricho Bejense um plenário de delegados do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja que deu, se assim se pode dizer, "o pontapé de saída" na Reforma Agrária que, no seu auge, envolveu mais de 50 mil trabalhadores agrícolas e mais de um milhão de hectares.
Eu estou a fazer uma reportagem para a TSF sobre este tema - "Reforma Agrária: as memórias 35 anos depois" e uma das pessoas com quem falei para este trabalho é precisamente José Soeiro. O actual deputado do PCP, na altura com 26 anos, era o presidente do sindicato. José Soeiro  considera o plenário da Capricho como um importante "salto qualitativo" no processo que iria conduzir, posteriormente, à reforma agrária, mas salienta que o movimento dos trabalhadores do distrito de Beja pelo emprego e o facto de terem conseguido meter nas convenções de trabalho uma cláusula que permitia que uma comissão paritária analisasse se as propriedades, em cada concelho, estavam ou não a serem correctamente exploradas, foram os verdadeiros detonadores da "explosão" que semanas e meses depois seria o movimento de ocupação de terras.
José Soeiro, na entrevista que me deu, garante que o projecto político do PCP, em termos programáticos,  tinha a ver com a instituição da reforma agrária apenas quando o partido assumisse o poder, nacionalizando as grandes propriedades e dividindo a terra pelos trabalhadores, associados em cooperativas, mas que teve que se adaptar à pressão e ao movimento desencadeado pelos assalariados agrícolas que - segundo José Soeiro - nunca visou a posse da terra, mas sim  a garantia de emprego e de salário. O deputado do PCP por Beja considera, por isso, que o seu partido, embora tenha sempre acompanhado o movimento da reforma agrária (que classifica de movimento "inédito" e de "singularidade" da revolução portuguesa), teve que se adaptar a ele, ao ponto de ter alterado substancialmente o seu discurso e as suas prioridades, que na altura, passavam mais "pelo desmantelamento das instituições fascistas e pela consolidação da democracia" do que por alterações na estrutura fundiária.

Bravo!


Enquanto por cá nos preparamos para as comemorações do primeiro centenário da república portuguesa, com abertura oficial para daqui a poucos dias, em França corre uma discussão que me interessa pela complexidade que encerra, mas principalmente porque é de valores fundamentais que trata. Valores identificados com a República. Com a cidadania. Com a definição dos espaços sociais que estamos a construir.Falo da discussão sobre a proibição do uso da “burka”, ou véu integral, em território da república Francesa.

Desde o Verão que o assunto se discute. Em 22 de Junho passado, num discurso no Parlamento, o Presidente Sarkozy assumiu que a burka não é bem vinda no nosso território”. Na sequência do que se constituiu uma Comissão responsável pela recolha de informação e apresentação de propostas para uma possível lei de abolição do uso da “burka” em França. São as conclusões desta comissão parlamentar liderada pelo deputado comunista André Gerin que serão hoje tornadas públicas. Entretanto, “Le Fígaro” adiantava ontem à tarde que “os deputados renunciaram a uma lei de interdição geral preconizando antes dispositivos legais para interditar o seu uso em serviços públicos – de administração, hospitais e escolas.”

O meu aplauso vai para o respeito e defesa das liberdades individuais no contexto social e politico de hoje. Se é verdade que a “burka é um símbolo de subjugação, da submissão da mulher” como afirmou Sarkozy, representando maiorias do mundo ocidental nas quais eu me incluo, também é verdade que mesmo que sejam apenas algumas centenas de mulheres a escolherem usar o véu integral, esse direito tem de lhes ser assegurado.

Misturam-se aqui complexas razões de natureza religiosa, de segurança, entre muitas outras. Mas ponderando-as todas foi possível respeitar a diversidade, admitindo entre nós, “outros”, diferentes. Só neste caminho é possível a construção de espaços sociais de todos. Quer dizer, onde há lugar para todos. Por isso, as mulheres que usarem “burka”, à entrada dos serviços públicos, e durante a sua permanência aí, vão ser compelidas a mostrar a cara. Assim se evitam radicalismos. Assim, vai a a dita comissão parlamentar falando de “proporcionar tempos de pedagogia e mediação”.

Apetece-me pois, dar vivas à República Francesa, e à pós modernidade, que depois da valorização da “identidade” começa a compreender a necessidade de a articular com “alteridade”.

Este ano não há Volta ao Alentejo em bicicleta

Teixeira Correia, o jornalista, árbitro e especialista em tudo o que sejam bicicletas, desde a Volta ao Alentejo até à Volta a Portugal, dá hoje a notícia no JN e na Rádio Voz da Planície de que este ano não vai haver Volta ao Alentejo. A decisão terá sido tomada ontem à noite numa reunião da Associação de Municípios do Distrito de Évora. Razões avançadas por Teixeira Correia: "Há muito que era conhecida “a aversão” de alguns autarcas do PS, à continuidade da corrida, face aos encargos que a mesma tinha para a associação, e que a alteração política registada nas autárquicas de Outubro de 2009 , deixava antever como sendo “um dado adquirido” (LER MAIS).

WANTED! Website lança campanha para captura de Tony Blair

O escritor britânico George Monbiot lançou uma campanha para a captura do ex-primeiro-ministro Tony Blair com base nas conclusões preliminares do ‘Inquérito Chilcot’, a decorrer no Reino Unido, sobre a participação daquele país na guerra do Iraque em 2003. O antigo ministro dos negócios estrangeiros JackStraw já testemunhou e diz que tinha conhecimento de que a invasão do Iraque foi ilegal mas ainda assim decidiu apoiar a decisão de TonyBlair.
Um outro inquérito sobre a guerra do Iraque terminou há duas semanas na Holanda e a conclusão foi que a Invasão foi ilegal à luz da Lei Internacional porque, entre outros, não houve autorização das Nações Unidas. Acusando Blair de um Crime de Agressão e alegando que “nenhum país civilizado deve deixar impunes assassinos em massa”, George Monbiot lançou a campanha “prendam o Tony Blair” através do site: http://www.arrestblair.org/

Aqui podem-se doar fundos para a recompensa a ser entregue ao cidadão corajoso que se disponha a efectuar uma prisão civil do ex-primeiro-ministro. Até este momento as doações para a recompensa totalizam £2264.41

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A farsa do diálogo sobre o OE

A tão propalada mudança de estilo de José Sócrates e do seu governo, que se traduzia numa abertura para o diálogo, na sequência da perda da maioria absoluta e consequente necessidade de entendimentos com outros partidos, em conjunto com o não menos propalado "sentido de estado" dos partidos da direita, não passaram de embustes, como a farsa montada em torno da "negociações" do Orçamento de Estado deste ano.
O convite do governo a todos os partidos mostrou logo que o mesmo não era sério, porque nunca seria possível chegar a acordo com todos em simultâneo e escondia uma opção política de se entender com a direita, com que se identifica em muitos aspectos a política que prossegue, não a querendo assumir claramente.
O afastamento dos partidos da esquerda logo a seguir à primeira ronda confirmam isso mesmo. A continuação nas "negociações" com os partidos da direita não passou de uma farsa que teve como único objectivo fingir que estes conseguiram algumas alterações da proposta de Orçamento de Estado e, que por essa razão, o vão viabilizar.
Ao ouvir as declarações dos partidos de direita sobre o Orçamento do Estado, pelos argumentos críticos apontados, tudo indicava que o seu sentido de voto fosse o chumbo e não a abstenção, tal é a dificuldade que têm de justificar as suas posições.
Este diálogo e estas "negociações" não passaram, de facto, de um embuste e de uma farsa e traduziram-se numa encenação politiqueira e em negociatas, que irão contribuir para justificar as mesmas políticas de sempre, responsáveis pela grave crise, que antes da internacional já existia em Portugal, que não ajudarão a desenvolver a economia nacional nem a combater o desemprego e as desigualdades sociais, porque, mais uma vez, irão ser os trabalhadores e os mais necessitados a serem sacrificados.

Vidigueira: uma decisão que só se pode aplaudir

aqui tínhamos dado conta de que a Câmara da Vidigueira vai aumentar os trabalhadores que estão no escalão salarial mais baixo.
Hoje, o presidente da autarquia, Manuel Narra,  veio prestar mais esclarecimentos. A saber: os aumentos vão ser da ordem dos  82,08 euros para os trabalhadores que recebem o salário mínimo, ou seja, os funcionários que actualmente recebem 450 euros vão passar, já no dia 1 de Fevereiro, para a posição remuneratória imediatamente acima e a ter um salário base de 532,08 euros.
Para “equilibrar as despesas com o pessoal”,  Manuel Narra explicou que  os salários dos funcionários que “desempenham cargos por nomeação”, como “o presidente, os vereadores e a equipa do gabinete de apoio ao executivo”, vão “descer cerca de 10 por cento”.
“Se houver capacidade orçamental”, admitiu, a Câmara prevê ainda este ano aumentar as outras posições remuneratórias que estão imediatamente a seguir ao salário mínimo”, porque “não é justo que os funcionários públicos, cujas carreiras estão congeladas desde 2004 e que este ano não vão ter aumentos salariais, sejam vítimas e um dos suportes da saída da actual crise”.

Gripe A: não era preciso ser bruxo

Já se suspeitava. Tanto barulho e tanta agitação para bem pouco. Bem pouco, é uma maneira de dizer. Às grandes farmacêuticas fizeram subir em flecha os gráficos dos lucros.
A denúncia vem do próprio Conselho da Europa, via agência Lusa. Mas há ainda quem não queira ver os factos e prefira enterrar a "cabeça na areia" e continuar a defender o indefensável:
"Para o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o anúncio da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertando para uma pandemia «é um dos maiores escândalos médicos do século, um negócio para a indústria farmacêutica», um caso que deve agora ser investigado pelo Conselho da Europa. Acrescenta o mesmo responsável que o mundo nunca esteve confrontado com uma pandemia, afirmando que o alarme foi «desnecessário»".

Debate: Évora tem condições para ser Capital Europeia da Cultura 2000 e qualquer coisa?


Eduardo Lourenço disse, sexta-feira passada, a propósito de Guimarães ser a "Capital Europeia da Cultura 2012", que "com excepção de Évora há poucas cidades em Portugal que se possam comparar com Guimarães". A pergunta que coloquei aqui no acincotons:- quando é que as autoridades eborenses e nacionais se mobilizam para uma candidatura séria a Capital Europeia da Cultura? - teve várias respostas. É um debate que vale a pena relançar.
Ana Paula Fitas
"Provavelmente, Eduardo Lourenço não sabe que não há, em Évora, uma única sala de cinema decente... que, apesar de existir uma excelente Companhia, eficaz e produtiva, o Teatro está amputado e que os espaços culturais são pequenos eventos que não marcam o quotidiano da cidade... Ser Capital da Cultura implica o reconhecimento de uma vida cultural activa... a não ser que a candidatura seja pretexto para libertar verbas que, na gestão corrente, não são consideradas oportunas para o investimento cultural..."
Anónimo
"Ter cultura sem qualidade de vida é de uma pobreza enorme. Évora debate-se com enormes problemas urbanos e sociais com o desemprego a níveis perigosos e a economia estagnada porque não se soube estimular os investidores no passado".
Dores Correia
 "(...) a Cultura não está entre as primeiras prioridades do governo da cidade, entendendo que cabe aos privados esse desempenho. Alguns, como é o caso da Fundação Eugénio d'Almeida, assumem com capacidade e dignidade o desafio. Mas a verdade é que não está ao alcance de todos, promover eventos, criar espaços adequados, dinamizar estruturas físicas, sociais, financeiras e culturais. Por isso a cultura em Évora corre o risco de ficar confinada a espaços privilegiados. Do acesso ser só para alguns: Ou os excepcionalmente persistentes e empenhados, ou os que a ela chegam por vias tão naturais como a do berço. Capital da cultura é outra coisa, não é?"
Anónimo
"Évora poderia e deveria ser capital da Cultura, tem todas as condições para isso. Uma historia Cultural marcante, muitos e bons agentes Culturais, uma dimensão perfeita para um evento desta natureza e beleza arquitectónica própria o que é uma mais valia. No entanto tenho de concordar com a Paula, sem salas dignas não é possível realizar um evento destes. Se quando da Bienal (que é o evento que mais se aproxima) para se realizarem dois espectáculos é um bico-de-obra, como poderemos candidatar-nos a Capital da Cultura, com uma única e em más condições sala de Teatro, sem um Centro Cultural, sem um Cinema, sem um espaço para workshops, sem uma sala digna para a musica de câmara, etc, etc, etc. Mas podemos sempre fazer como para o Futebol, candidatamo-nos, ganhamos e depois temos de fazer as infraestruturas, parece que só assim se faz alguma coisa neste país! É de apostarmos nisto!(...)"
M. Sampaio
“(...)É bom que esta questão se ponha, não pela capital da cultura, já vi tantas...É bom que se ponha  por nós, que cá vivemos e queremos mais e que às vezes nos esquecemos, que se temos direito a algo, temos o dever de lutar por isso. Organizemo-nos então, cada o com o que tem, questionemo-nos, será assim tão difícil? No fundo é o que fazemos aqui, nesta multiplicidade de tons.
P.s. black boxes, antiga rodoviária, edifícios recuperáveis e recicláveis, tanta cana tanto anzol, tanto peixe... por que é que não vamos à pesca?"
Anónimo
"Temos a cidade com os monumentos e as marcas próprias com historia. O problema é que não temos capital humano a nível de autarquia. A CDU foi o que foi e o PS está a ser mais do mesmo. Já se perderam fundos da CEE e agora do QREN. O centro da cidade está uma ruína.(...)"
Anónimo
"Évora só pode ser a Capital da Tristeza, da falta de tudo. Capital das cidades sem nada. Capital das noites escuras. Enfim, Capital do desprezo que as autoridades lhe dão"

Sines: exposição recorda Holocausto


A Biblioteca Municipal de Sines, instalada no Centro de Artes, inaugura esta segunda-feira uma exposição de fotografias que pretende alertar para “a maior tragédia do século XX” e não deixar que “as pessoas esqueçam”. A iniciativa, que reúne as exposições «Holocausto» e «To Be a Witness», pretende assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que se celebra a 27 de Janeiro, a data da libertação do mais tristemente célebre campo de extermínio nazi (Auschwitz-Birkenau).

Olhares

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tempos Difíceis


Dizer, hoje, das religiões, que são o ópio do povo é quase benigno. É verdade que não devemos confundir religião com fanatismo. Mas é difícil, sobretudo se estivermos atentos ao silêncio dos líderes religiosos aquando das declarações de alguns daqueles que se denominam homens de fé. Estou a pensar no Bin Laden e em todos os paladinos do divino que por aí prometem guerras e horrores.

A violência religiosa, nas suas múltiplas formas, tem também, como todos sabemos, um longo historial no Ocidente. Por exemplo (refiro-me a este por ser menos conhecido), o padre Georges Zabelka- que fará depois um discurso de arrependimento- deu a sua bênção aos tripulantes do avião Enola Gay, que destruiu Hiroxima.

( A imagem de Roy Lichtenstein intitula-se “Explosão I”)

Évora: Orquestra do Algarve dá espectáculo na Arena...

.... e foi um muito bom espectáculo, dirigido sobretudo aos mais novos, interactivo e divertido. A plateia da Arena esteve cheia de um público interessado e não saiu desiludido com o concerto da Orquestra do Algarve que regressou a Évora com um novo ciclo de concertos tendo por tema “as músicas do mundo”. Cada um dos cinco espectáculos programados é dedicado à música de um dos continentes. Este  primeiro concerto foi dedicado à Música da América do Sul, do popular ao erudito, com peças de Carlos Gomes, Alberto Ginastera e Guerra Peixe e direcção do maestro Osvaldo Ferreira. Nos próximos meses terão lugar os seguintes concertos: dia 14 de Fevereiro dedicado à música da América do Norte, dia 14 de Março à música de África, dia 18 de Abril da Europa e 9 de Maio da Ásia. Esta é terceira edição dos Concertos Promenade pela Orquestra do Algarve, que são uma organização da Câmara Municipal de Évora, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.

A Rapariga Com Rosa de Otto Dix e uma inconfidência


Muito se tem escrito, neste blog, sobre feminismos e machismos. Mas sobre o amor pouco ou nada. E compreende-se, pois existe à nossa volta um excesso de discursos amorosos e “meta-amorosos” que inibem qualquer um. Mesmo assim, ocorre-me esta banalidade: o amor é transitório como a própria vida.

Lembrei-me de fazer esta consideração simplória porque, há uns dias, reencontrei uma ex-namorada, com quem tive uma daquelas relações de cortar os pulsos, e não fui capaz de pensar em mais nada senão nisto: que corte de cabelo tão foleiro …

A marquesa do Cais do Sodré, que está hoje aqui em casa a beber uns tintos da nobre zona de Pegões, diz que será sempre romântica e que eu sou um parvo insensível e um superficialão.

Eduardo Lourenço: Évora pode ombrear com Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012


Falando numa conferência sobre a "Capital Europeia da Cultura 2012", Eduardo Lourenço considerou que "com excepção de Évora há poucas cidades em Portugal que se possam comparar com Guimarães".

O filósofo disse que Guimarães tem "uma grande coerência arquitectónica, que reflecte todo um passado e toda uma memória. Por tudo isto, esta ideia de Guimarães ser uma futura Capital Europeia da Cultura não é tão insólita nem paradoxal como pode parecer", afirmou.

Na linha de pensamento de Eduardo Lourenço - se Évora pode ombrear com Guimarães que vai ser a capital europeia da Cultura 2012 - quando é que as autoridades eborenses e nacionais se mobilizam para uma candidatura séria a Capital Europeia da Cultura?

"Memória e Identidade-Alfaia Agrícola Tradicional"

Para quem der uma volta pelo Litoral Alentejano, vale a pena passar por Abela (Santiago do Cacém) e visitar um novo museu do trabalho rural - instalado no antigo quartel da GNR, que também serviu de posto médico e de escola primária de rapazes -, que tem patente ao público uma interessante e muito bonita (tal como o espaço) exposição, "Memória e Identidade - Alfaia Agrícola Tradicional", que tem por objectivo "mostrar parte da vida rural do concelho", através de mais de 200 peças ligadas à lavoura de outrora, além de fotografias antigas.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Nunca hei-de saber o Alentejo todo



A minha infância foi vivida ainda mais a sul.
A minha infância correu, descalça, num sul de flamingos. As notícias da guerra não atrapalhavam as conversas à sombra das palmeiras. As conversas dos mais velhos, à sombra das palmeiras.
Depois, fui ouvindo as palavras decisivas. Liberdade, revolução, desejo, navio. E foi, ainda, nesse sul do sul que as ouvi. Nessa altura, os jornais do regime contavam um Alentejo “celeiro de Portugal”. No liceu, eram poucos os rios e os ramais que o Alentejo nos obrigava a fixar. Rios grandes, mesmo, só os do sul do sul. No Alentejo havia ceifeiras. E homens de chapéu preto.
Depois, ainda, as nossas vidas levaram tantos abanões, porque éramos criaturas do sul; e como Montalban passa a vida a lembrar, é no sul que a terra treme, no sul é que há vulcões. Os abanões que a minha vida levou ajudaram-me a perceber o que era, ao princípio, um pressentimento. Que o Alentejo não era o norte do sul em que a minha infância correu descalça.
A primeira vez que fui ao Alentejo levei um gravador.
Das outras mais de cem vezes levei o olhar comovido.
Eu já tinha sabido de Catarina e da dignidade dos homens sentados no largo. O largo. O largo Alentejo, onde o horizonte tem glória.
E fui sabendo da tristeza na margem esquerda. E dos compradores de montes, das narrativas de um Alentejo transformado em moda, o Alentejo anti-stress, o Alentejo chaparrão, pachorrento. O Alentejo dos comunistas que afinal não mordem. Não é esse o meu Alentejo.
O meu é o que fica sentado a ouvir Manuel da Fonseca, uma certa madrugada, em Vila Alva. O meu é o que um antigo contrabandista me conta, na linha de fronteira, debaixo de um sol abrasador. O meu é o da resistência cultural afirmada na voz límpida de alguns do meu ofício, Pedro Ferro, Carlos Júlio, José Flecha, que encontrei sentado num café em Odemira, Lisboa para trás das costas. O meu é o do antigo maltês que bebeu comigo uma noite em Pias, mas é também o dos jovens que reinventam os dias em Castro Verde. É o de Camilo Mortágua, o de Carolino Tapadejo, o de Cláudio Torres.
Olho o mapa deste sul a que chamo pátria. Quase não existe, no mapa, um lugar em que não tenha estado, com o gravador e o olhar comovido. Eis a terra dos homens que não dobram a cerviz. Mas nunca hei-de saber o Alentejo todo.
Saboreiam as palavras como se petiscassem com elas. Vou, sempre que posso, ao encontro destes homens e destes lugares, como quem se dispõe a um ritual iniciático. Mas creio dever continuar estrangeiro neste Alentejo, um igual, mas estrangeiro, fraternalmente estrangeiro. Por um pudor primordial. Por respeito aos valores que me impedem ser turista nos lugares que amo. Porque não me posso esquecer, isso seria leviano, que eu não estou nesses lugares a sofrer a seca, as anedotas alarves, o desprezo dos poderosos.
Gostava de ser deste sul. Como gostava de ser irlandês. Como gostava de ser da Madragoa. Às vezes, sou tentado a pensar que sei dar nome a isto. Mas não sei. Do mesmo modo, às vezes, no Alentejo, julgo ver pousados em mim os olhos da moira encantada. Ou julgo ser maltês.
Na cidade grande, uma estranha voz íntima sussurra-me: zarpa para o sul. É essa voz que não me deixa perder o norte.  


Fernando Alves (jornalista da TSF) 

(crónica publicada no número 1 da REVISTA IMENSO SUL, de Janeiro de 1995)

Turismo Rural no Alentejo

Bloco de Esquerda questiona Governo sobre IMI no Centro Histórico de Évora

No seguimento das questões relacionadas com a isenção de IMI no Centro de Histórico de Évora, o Bloco de Esquerda, através dos seus deputados no Parlamento já questionou o Ministro das Finanças sobre esta matéria. No documento, de que foi enviada cópia à Comunicação Social, os deputados do BE referem que: "na sequência da sua inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1995, o Centro Histórico de Évora integrou «a lista dos bens classificados como de interesse nacional», na categoria de «monumento nacional». Da legislação em vigor resulta que os conjuntos classificados como Património da Humanidade, em que se incluem os Centros Históricos de Évora, Guimarães e Porto, bem como a Paisagem Cultural de Sintra e a Vila de Óbidos, beneficiam de uma isenção de I.M.I., obtida através da apresentação de um requerimento nos respectivos Serviços de Finanças.
De acordo com diversas denúncias, a Direcção-Geral das Contribuições e Impostos não tem uma actuação única relativamente a esta matéria, uma vez que, ao invés do procedimento que tem vigorado para os restantes Centros Históricos dos conjuntos supra citados, os Serviços de Finanças de Évora não reconheceram, em 2009, aquele benefício fiscal aos contribuintes proprietários dos imóveis classificados, que aguardavam, em Dezembro, pelo despacho aos requerimentos submetidos em Abril passado. Acresce ainda que aqueles Serviços de Finanças não respondem aos pedidos de esclarecimento solicitados, facto que consubstancia uma flagrante violação da Lei Geral Tributária e um inaceitável desrespeito pelos contribuintes.
Os deputados do Bloco de Esquerda querem que o Ministério das Finanças esclareça qual o seu o entendimento face à isenção de I.M.I. aos bens imóveis classificados como interesse nacional e a quem cabe a decisão para a sua atribuição, bem como quais as medidas que pretende desenvolver para corrigir a situação no Centro Histórico de Évora".

Caixa negra, caixa mágica


Partido a partido enche o sistema o papo...
Ou então...
Há partidos para todos os gostos, mas ninguém gosta de todos os partidos...
Ou ainda...
Se há um partido único, para onde foi o que resta do inteiro?
Forma jocosa de abordar questões...
Vejo esta nossa condição humana, como uma imensa caixa negra.
Imperscrutável aos olhos de quem a vê por fora, mas, por dentro, sempre a mexer, sempre activa.
Tem esta caixa mágica uma entrada, que recebe os estímulos gerados por tudo o que no mundo se passa.
Lá dentro, transforma-os diligente e pressurosa, adequa-os, depois expele-os por outro orifício, sob a forma de repostas; lavadas engomadas, talhadas à medida da sua própria sobrevivência.
Somos nós todos essa caixa. Somos assim, conservadores, avessos à mudança.
Chamaria a essa caixa negra a "evolução na continuidade".
Só que a continuidade é feita de disrupções, de pequenos hiatos entre o que é e o que virá.
Por vezes o afluxo de estímulos é tal, os hiatos tantos, que a "evolução na continuidade" não consegue gerar respostas.
Assistimos - e participamos- então ao fenómeno baptizado de Revolução, a caixa negra estoura, desaparece, e a Revolução instalada, cria a sua própria "evolução na continuidade".
Estamos a assistir à vaporização de uma caixa negra, a nova Revolução (das novas tecnologias) está a chegar.
Nós somos assim, nunca estamos parados...
O primeiro Blogue em que participei foi no Rossio, nos dias seguintes ao meu muito AMADO 25 de Abril, em que que se juntavam grupos de comentadores à volta de um individuo que postava.
Era tão bom, foi tão bom...
Só que ainda não havia Internet, pá...

M. Sampaio
23 Janeiro, 2010 14:14

Costa Rica: roubo ou preservação de ovos de tartaruga?


Um dos posts que ainda hoje continua a ser muito procurado (nomeadamente através do Google) no acincotons foi colocado pelo Lopes Guerreiro e consta essencialmente de uma fotografia enviada por mail. Alegadamente tratar-se-ia de uma prova fotográfica do roubo de ovos de tartaruga na Costa Rica. O post foi colocado no dia 9 de deste mês de Janeiro e, desde aí, muitos têm sido os acessos à página sobretudo por leitores oriundos do Brasil e da América Latina. Mas eis que, há dois dias, um desses leitores deixou na caixa de comentários do acincotons um esclarecimento: a foto que circula na Internet, alegadamente sobre o roubo de ovos de tartaruga na Costa Rica, será uma fraude. Tratar-se-ia, pelo contrário, de acções de preservação dos ovos, já que muitos são esmagados pelas próprias tartarugas. Ficam os links e os esclarecimentos:

"Vejam no link: http://www.obafloripa.org/blog/2010/01/explicacao-sobre-retirada-dos-ovos-nas-praias-de-costa-rica/
“On 18 Jan 2010, at 15:37, CB wrote:
Recebi este email mas acho que estão fazendo uma certa confusão, pois na Costa Rica, em algumas praias, a coleta de ovos eh permitida devido a densidade de fêmeas que desovam por lá. Nestas praias ocorrem arribadas com centena de milhares de fêmeas, como elas retornam 3, 4, 5 x, os primeiros ninhos são destruídos pelas fêmeas nas posturas seguintes: daih a liberacão da coletas dos ninhos que se perderiam naturalmente pelas comunidades locais,
Eh isso, talvez, quem tenha vinculado a matéria não saiba”