sábado, 31 de outubro de 2009

Um debate necessário: mais algumas achegas

Fui alertado para este post do Santiago Macias pelo Lopes Guerreiro. Não sou do PCP, mas acho que a discussão sobre partidos e movimentos políticos que, vai não vai, andam na rua e na praça pública a pedir os nossos votos e a nossa solidariedade, deve ser também pública e aberta. E acho que todos, cidadãos em geral, temos opinião sobre os partidos que nos governam ou que nos querem governar. Pelo que o debate político e partidário não deve ser algo fechado, só coisa de militantes e apaniguados. Este deve ser um debate sempre o mais alargado possível e com todos os contributos que sejam passíveis de serem encontrados.

Feira dos Santos em Alvito

Apesar da mudança para o novo Parque de Feiras, a Feira dos Santos continua com um bonito enquadramento e, agora, com melhores condições e segurança.

Continua a justificar a visita. Quem ainda não veio à Feira, pode aproveitar esta noite e assistir ao concerto dos UHF" ou amanhã, que é o dia principal desta multi-secular-feira.

Agora sim, estou mais descansado

Finalmente, o interregno governamental que tivemos chegou, ao fim, hoje, com a tomada de posse dos secretários de Estado. Entre eles está Carlos Zorrinho. Embora o primeiro-ministro e os ministros tenham tomado posse na semana passada, têm andado a conhecer os gabinetes - e de que vale um ministro sem os ajudantes? Pois bem, hoje voltou tudo à normalidade. O Governo está completo, o país entrou nos eixos, o poder não caíu na rua e apetece-me, por isso, recordar Bertolt Brecht. Porque o que é evidente aparece, muitas vezes, enredado numa cortina de fumo para que não se veja, de forma clara, que nem tudo o que parece é.

1- Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2-É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3- Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4- Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?


Bertolt Brecht

Grupo Coral Alentejano

Este é apenas um dos magníficos trabalhos do artista Manuel Carvalho, da Vidigueira, que se encontra exposto, desde ontem, no Posto de Turismo de Alvito. Quem visitar esta Vila, por estes dias da Feira dos Santos, não deve perder a oportunidade de dar uma espreitadela à exposição.

Espanto-me


Espanto-me, muitas vezes com o mundo. Com as pessoas. E espanto-me depois com esse espanto. Esta semana espantei-me com o destaque dado ao Salão Erótico de Lisboa nos orgãos de Comunicação Social nacionais. Com o entusiasmo que gerou nos vários tons dos bloguers deste canto. E ainda veio, depois, a efeméride do Paulo Nobre, como quem brinca...

Ocorreu-me então que em muitos segmentos da vida continuamos com dificuldade na passagem à maturidade. Continuamos na idade de brincar...

Simone de Beauvoir bem explicou o duplo sentido da palavra "boneca". Pode ser a ligadura com que se envolve um dedo ferido:"um dedo vestido, separado é olhado com alegria e uma espécie de orgulho e a criança esboça nele o processo de alienação". Mas é um boneco com cara humana - espiga de milho ou simples pedaço de pau - que substitui de maneira mais satisfatória esse duplo, o brinquedo natural que é o pénis.

A grande diferença está em que, por um lado, a boneca representa um corpo na sua totalidade e, por outro, é uma coisa passiva." (O segundo sexo, 1970).

E continuou explicando detalhadamente como é que a boneca, ao contrário do pénis, representava a passividade e a alienação.

Tantos anos volvidos, constacto não sem espanto, que continuamos a preferir as bonecas, e a passividade que representam. Homens e mulheres, jornalistas sérios, gente culta, jovens imberbes, pais e avós, todos brincando às bonecas... quase que parecia eternecedor!

Volta Luís, perdoa-nos

AO DESCONCERTO DO MUNDO

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado
Fui mau mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

LUÍS DE CAMÕES

5 sugestões de fim de semana no 5 tons

Durante o Verão a TSF passou diariamente pequenas reportagens sobre sugestões de passeios. Eu fiquei encarregue de dar visibilidade ao Alentejo e escolhi cinco destinos. Que estão sempre actuais. E que podem ser feitos durante todo o ano. As pequenas peças jornalísticas ainda estão online. Quem as queira ouvir pode fazê-lo a partir deste blog.
As sugestões de visita passaram por espaços como (clicar para ouvir) o Museu de Évora, o Museu de Arte Contemporânea de Elvas. os Barcos de Alqueva, a Rota do Fresco e o novo Parque de Campismo Zmar, na Zambujeira do Mar (Odemira).
Embora já no Outono. julgo serem boas sugestões para um fim de semana bem passado.

Será este o pântano...

... de que António Guterres falava e por causa do qual se demitiu? Tendo em conta o nome de alguns dos principais protagonistas (é um eufemismo...) e alguns dos casos (é também um eufemismo...) vindos a público nos últimos tempos parece que o pântano tem vindo a crescer... Porque será que José Sócrates não segue o exemplo do seu mentor?

Primeira página do Expresso deste sábado


Já que estamos numa de referências à imprensa que por cá se vai publicando aqui fica a primeira página do Expresso. Com mais notícias sobre o processo de investigação que envolve Armando Vara e José Penedos, entre outros, e a informação de que agora o interesse dos investigadores volta-se para as autarquias com as quais o "rei da sucata" tinha negócios.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mais efemérides


Desculpem lá, eu estava a ver se alguém falava, mas perante o silêncio tenho de vir a terreiro.
Andaram prá'qui a assinalar efemérides disto e daquilo. Agora falam do Salão Erótico de Lisboa e passam uma borracha sobre este tremedo acontecimento?
Ó meus amigos, estava capaz de me chatear convosco, por sonegarem a efeméride.
Há 35 anos que se publica e Portugal esta verdadeira pérola da cultura popular que é a Revista Gina!
Felizmente eu estava atento, senão deixavam passar esta. Por esta vez passa, não me zango.
Mas não repitam!

José Carlos Barreto e Sónia Santos Silva trouxeram a memória logo de manhã na TSF.

P.S. - Entretanto, queria pôr aqui uma etiqueta e enchi-me de dúvidas. Há aqui umas boas: mulheres e o estado e poesia e as campanhas da vida, digníssimas invenções da Dores. Após uns minutos de reflexão acho que vou optar pela mera efeméride igual ao Ásterix.

Crise económica, corrupção, gripe A...


..."Face Oculta", novo ano escolar, novo governo e novos ministros, de que interessa tudo isso se já aí está o V Salão Erótico de Lisboa, com aulas de striptease, sushi erótico, o regresso da área fetish e a República Checa, este ano, como país convidado?

Vai tristeza, vai embora, que está chegando a hora....

(Aliás, o Lopes Guerreiro, sempre bem informado, já tinha anunciado a coisa AQUI)

É tudo tão estranho…


Mais um contributo para tentarmos perceber os tempos que vivemos.


“É tudo tão estranho, parece saido de um filme de tim burton. Durante as semanas que antecederam o período eleitoral as empresas pareceram ter ficado num limbo, entre a morte e a vida. Passadas as eleições e logo no 1º dia após as autárquicas foram anunciados cerca de mil despedimentos. De então para cá o numero de trabalhadores no desemprego efectivo ou anunciado tem aumentado de forma assustadora. Parece ter existido um pacto entre o governo e as empresas. O silêncio necessário para deixar cair no esquecimento a santa aliança entre o capital e o governo. Passadas as eleições ai surge um caso que estava ser investigado desde "FEVEREIRO". O que começa a ser visível é uma promiscuidade assustadora entre todos os sectores da administração e o partido do governo. Afinal as nomeações sempre funcionaram. Perante estas evidências que ninguém ousa denunciar só me resta dizer que: O PIOR AINDA ESTÁ PARA ACONTECER.

(queiram desculpar o despropósito mas é só para ir avisando quem passa: mantenham-se atentos à Somincor, por certo vamos ter notícias em breve).

Sagher

30 Outubro, 2009 21:01

Um poema de Sándor András(Budapeste, 1934)

PETIÇÃO DA R.A.S.A. ÀS NAÇÕES UNIDAS

Eu, Sándor András, República Autónoma, solicito
ser admitido entre as grandes potências,
uma vez que todos me enganaram até à última,
e quero por fim representar-me a mim mesmo.
Deixei plantados todos os blocos
que apregoavam altissonantes que eu por eles
daria, feliz, a minha própria vida.
E agora apresento-me: sou a turba e o indivíduo,
ou seja, a maior entre as maiores potências;
a terra é um tabuleiro de xadrez vazio,
onde sem mim não há jogo,
porque sou ambas as equipas adversárias:
neste mundo burlão, sou o meu próprio inimigo,
que me agarro, infame, pela garganta.
Não tenho nem avião, nem bombas,
nem foguetes, nem mísseis, nem armada atómica:
a minha república só armazena desejos tradicionais,
e sei que quem não está comigo, não é por isso meu inimigo.
Basta, já estou farto que ninguém me explique,
com a seriedade de uma baioneta, o que quero eu,
isto ou aquilo; confesso que ambas as coisas em geral,
a mim os anjos não me fizeram brilhar a alma.
Procuro-me a mim mesmo, assim vive a minha república,
valente em equivocar-se e livre para atrever-se.
Solicito que me admitam entre as potências,
ou então, não contem comigo no futuro.

(roubado ao blog "poesia & limitada")

Armando Vara & Cia: o bloco central de todos os interesses


Depois dos casos BCP. BPN e BPP, que atingiram, sobretudo, elementos do PSD, as investigações em curso parecem estar voltadas para gente do PS, bem instalada no comando de empresas públicas ou participadas pelo Estado. Esperemos que desta vez a Justiça, tão desacreditada que está, funcione de facto. Porque o descrédito já é quase total. Madoff, nos Estados Unidos, já está há meses na cadeia. A investigação fez-se e o julgamento também. Aqui a investigação e a justiça arrastam-se sempre em proveito dos poderosos de sempre. Michael Jackson já morreu, mas antes foi investigado e julgado por pedofilia. Em Portugal, o caso Casa Pia arrasta-se sem fim à vista. Excepções: apenas Oliveira e Costa e Vale e Azevedo (este em Londres)parece terem sido tão imprudentes, ao nível das provas, que a justiça não teve outro remédio senão detê-los. Esperemos que esta nova operação que está em marcha - e que tão bem é retratada pelo Correio da Manhã - não caia em saco roto e que haja, em breve, notícia de algo mais substancial do que notícias de jornais.

Olhem como eu estou preocupado com as escolhas no PSD: Marcelo ou Passos Coelho?

Arraiolos: gastronomia, empadas e tapetes este fim de semana


Com o inicio do Outono e o fim das vindimas (que começam a ter algum significado no concelho) e com o anúncio do “Verão de S. Martinho” é tempo da apresentação da gastronomia arraiolense.

Começam hoje, sexta-feira, e terminam no próximo dia 8 de Novembro, a 10ª Mostra Gastronómica, o 2º Festival da Empada e a Feira do Tapete de Arraiolos, que decorrem em conjunto no Pavilhão Multiusos de Arraiolos. À gastronomia junta-se o mais genuíno artesanato do concelho e, simultaneamente, os produtos ligados à terra, onde se destacam o vinho, o mel, os queijos e enchidos, mas também os doces conventuais, “as cavacas de Vimieiro”, os “Pasteis de Toucinho” e a “Empada de Arraiolos”.

De 30 de Outubro a 8 de Novembro deixo-lhe, por isso, o convite: visite Arraiolos e encontre no Arraiolos Multiusos “os sabores e saberes” da cozinha arraiolense e alentejana, a animação musical, colóquios e exposições.

(informação: Câmara Municipal de Arraiolos)

Esperemos que nem pintados se safem desta

Corrupção: um polvo com muitos tentáculos

Há cada vez mais notícias sobre o mais recente caso em que Armando Vara é indiciado. As investigações parece estarem centradas sobre diversas empresas e gestores públicos. Fala-se agora também de José Penedos, figura importante no PS e presidente da REN poder ser também arguido. José Penedos quando foi secretário de estado de António Guterres gabava-se de ser o campeão das privatizações. O jornal Sol avança mais dados na edição desta sexta-feira. E o Expresso on-line também. Como a generalidade dos jornais desta manhã.

10 mil euros é quanto vale um político?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A última Cruz... de Santos


Este será, porventura, o último dislate de Francisco Santos como Presidente da Câmara de Beja.
Revela mau perder, um sentido pouco democrático e uma imaginação fora de série apenas comparável à de Pedro Santana Lopes que arranjou desculpas semelhantes ao perder Lisboa.
Pulido Valente não entrou muito bem ao afirmar a chegada da liberdade e da democracia na noite em que, surpreendentemente, venceu as eleições.
Francisco Santos fica na hora da saída. Sem dignidade pessoal. Mas sobretudo enxovalhando o seu partido, o PCP, que não terá apoiado esta decisão do presidente cessante.
Da população de Beja teve o que mereceu.

Aqui transcrevemos a nota enviada à imprensa ao final desta tarde por Francisco Santos.
Nota de imprensa

O Presidente da Câmara Municipal de Beja, Dr. Francisco da Cruz dos Santos, informa os munícipes que não estará presente na tomada de posse do novo Executivo, em protesto pela forma pouco transparente como decorreram as eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, no nosso Concelho.
Na verdade, o surgimento de um “Sindicato de Voto” organizado em torno de dirigentes locais do PSD que conduziram uma campanha para que os seus militantes e simpatizantes votassem não no seu candidato, como seria lógico, mas sim no candidato do PS, condicionou o resultado eleitoral.
Tal prática, frequente em Países da América Latina e no sul de Itália, conhecida no Brasil como “Cambão Eleitoral”, pressupõe a evidência de um acordo não declarado,
visando a obtenção de benefícios pessoais ou de grupo, representando sempre, uma
violação das mais elementares regras democráticas, consubstanciando uma
verdadeira fraude eleitoral.


P.S. - "Caçada" na net, a magnífica foto acima é da autoria do não menos magnífico João Espinho

Não consigo compreender...

… a renúncia ao mandato de eleitos, logo após as eleições, por não terem conseguido serem eleitos presidentes, com o argumento de se terem candidatado a presidente e não a vereador.

Entendo que quem se dispõe a servir as populações deve assumir o mandato que elas lhe confiarem, seja no executivo ou na oposição. Ambos são igualmente honrosos e o respeito pelas regras da democracia a isso aconselha.

ânimo... a cinco tons

Há uns dias contei aqui, neste blog, que o António Colaço tinha feito uma exposição em Aljustrel e em Messejana. Agora é a vez do António Colaço e da sua ÂNIMO falarem do acincotons. Amizade com amizade se paga. Inquietação com inquietação também. A ÂNIMO é um blog de autor, mas que conta amiudadas vezes com a colaboração do padre e filósofo Anselmo Borges e que recomendo vivamente para quem gosta de debates actuais.
(E sei que poderá estar na calha uma exposição sua - do António Colaço, claro - aqui em Évora. A ver vamos).
AQUI

Vocês sabem do que é que eu estou a falar...


Publicado em A Bola, edição 29 Outubro

Astérix e a gripe


Estes gajos pensam em tudo, pá! Já viram vocês o nome da vacina da gripe A? Não repararam? Pois chama-se exactamente assim: Pandemrix.
Epá, eu não tenho dúvidas: é uma homenagem ao Astérix!

Asterix fez hoje 50 anos



Não é que seja um grande apaixonado pelas histórias de Asterix. Mas já as devo ter lido todas e gosto da ideia de uma pequena aldeia de gauleses irredutíveis contra o império. Neste caso romano, mas a alegoria funciona sempre: os mais fracos contra os mais fortes. E ver os mais fortes levar "pancada" é sempre um prazer. E há enredos e personagens bem conseguidos. E com um humor muitas vezes penetrante. O Asterix e toda a companhia têm quase a minha idade. Só hoje me apercebi de que temos vivido lado a lado todos estes anos. Com encontros e desencontros, mas com alguma fidelidade nos gostos e na forma de ser e estar. E, às vezes, numa irredutibilidade senão semelhante, pelo menos com traços parecidos.

...e o email fez 40 anos.

A primeira mensagem de correio electrónico entre dois computadores (e-mail em rede) situados em locais distantes foi enviada a 29 de Outubro de 1969, quase dois meses depois do primeiro nó que deu origem à Internet - destacaram esta quinta-feira as agências de notícias.

O texto dessa primeira mensagem continha apenas duas letras e um ponto - "LO.". O investigador da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) Leonard Kleinrock queria escrever "LOGIN", mas o sistema foi abaixo a meio da transmissão. A mensagem seguiu do computador do laboratório de Kleinrock na UCLA para o de Douglas Engelbart no Stanford Research Institute, utilizando como suporte a recém-criada rede da ARPA (Advanced Research Projects Agency), agência financiada pelo governo norte-americano.

E o que fariamos hoje sem Internet? Sem email? Sem messenger? Sem skype? Sem...? Sem...? Era um mundo diferente. Talvez nem pior nem melhor. Apenas diferente. Mas para muitos de nós para quem já é difícil estar numa casa sem um computador com ligação à internet, viver num mundo sem email é quase inimaginável. E se o primeiro email foi trocado há 40 anos a sua democratização e generalização é bem mais recente. E é um processo ainda em curso. Que está a mudar o mundo todos os dias. A cada minuto que passa.

Rolhas de cortiça: uma campanha ecológica que interessa ao Alentejo


Continua a decorrer on line a petição para pedir a obrigatoriedade de se rotular as garrafas de vinho em Portugal, no sentido de se saber se têm ou nâo rolha de cortiça. Este é um pequeno passo para outros... grandes que se podem seguir dentro desta área. E a que é necessário seguirem-se outros de forma a que esta norma se estenda a todo o espaço comunitário.

A petição ronda já ultrapassa as 8.000 assinaturas. Para os seus promotores é importante que se chegue rapidamente às 10.000, de forma a que a petição seja apresentada na Assembleia da República. É chegado um momento crucial em que é preciso todos nos empenharmos na luta por este sector.

Também eu vos convido a assiná-la. Em nome da economia alentejana e do equilíbrio ecológico do montado.
Aqui.

Cultura

É já no próximo fim-de-semana que tem lugar a primeira grande iniciativa cultural do novo Governo, anunciada por José Sócrates em resposta às palavras de Cavaco Silva.

450 anos da Universidade de Évora: colóquio internacional começa hoje


A Universidade de Évora comemora este ano os seus 450 anos e várias actividades vão assinalar as comemorações. Uma delas tem inicio esta quinta feira. É um colóquio internacional dedicado aos 450 anos da Universidade, em que participam dezenas de oradores nas mais diversas matérias. A sessão Inaugural tem lugar esta manhã, pelas 10h00 na Sala dos Actos (Colégio do Espírito Santo). Ver Programa em www.450anos.uevora.pt.

Segundo a organização, a Sessão Inaugural não assumirá o figurino habitual de cumprimentos e felicitações, estando agendada para compreender três horas de intervenções (entre as 10h00 e as 13h00), que ficarão a cargo de um conjunto de figuras que por uma razão ou outra giraram ou giram ainda na órbita central da instituição do Ensino Universitário em Évora, fazendo justamente recair nessa órbita as comunicações que irão apresentar.
O Colóquio terá a duração de três dias (29, 30 e 31 de Outubro)

Outro momento importante das comemorações vai ser a apresentação da Peça “Memorial do Convento” com representações agendadas para Sexta 30 e Sábado 31 de Outubro (arranque previsto para as 21h30), no Claustro Grande do Colégio do Espírito Santo . A obra de José Saramago é de letiura obrigatória nos últimos anos do Ensino Secundário, o autor é Honoris Causa pela Universidade de Évora e há uma Companhia de Teatro que dá vida aos personagens criados pelo romancista Nobel da Literatura com evidente sucesso e assinalável continuidade, no cenário natural – e magnífico – do Palácio Nacional de Mafra.

Para quem estiver interessado em ficar com uma noção mais aproximada do que poderá ser este espectáculo, o Blog da Companhia de Teatro Éter (http://memorialdoconvento-teatro.blogspot.com/) faz um apanhado sintético do enquadramento da peça.

Tons da noite

Tom nunca foi consensual. Ou se gosta ou se odeia. Eu gosto sob todos os prismas.
Se nunca o fizeram, aproveitem para passar os ouvidos por Orphans de Tom Waits. Um magistral triplo álbum que gostava de deixar aqui todo para se poder disfrutar.
Como às vezes é bom podermos olhar o mundo de outro prisma e perdermos-nos em sonhos ou bebedeiras, deixo para a noite Bottom of the World.

Boa noite.

Armando Vara constituído arguido no processo "face oculta"

Armando Vara é uma das eminências pardas do Bloco Central de interesses que, há anos, governa Portugal. Veio de Trás-os-Montes para a politica nacional e ascendeu num ápice a diversos cargos, sem ter, aparentemente, as qualificações necessárias. Foi ministro da Administração Interna de António Guterres, mas a cereja em cima do bolo foram as administrações da Caixa Geral de Depósitos e agora do BCP. Mas, em todo o lado, Armando Vara - desde a famosa Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária -, tem estado rodeado de suspeições e de casos. Agora, noticiam o Expresso e o Público, que foi uma das 12 pessoas constituídas arguidas na operação desencadeada durante toda esta quarta-feira, junto de grandes empresas. Será que, mais uma vez, as suspeições vão ficar à espera de novas suspeições, como tem sido sempre o caso? E sem nada se esclarecer, de facto?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Há mais televisão

Este é um projecto jovem. Sério. Competente. Giro. Jovem. E com qualidade. Além do mais é alternativo.
Chama-se Mais Tv, é feita – bem feita – por rapaziada de Beja dos quais apenas conheço Nelson Medeiros, jornalista e o grande Duarte Ferro que brilhantemente assina as imagens que desfilam no monitor virtual.
Em lugar de apostar nas notícias político-sociais-económicas-e tudo-e-mais-alguma-coisa-que-sirva-para-encher-e-dizermos-que-temos-uma-tv-na-net, a Mais Tv está claramente virada para outros públicos.

Contrariando os lugares comuns que fazem a informação mesmo na novas tv's, na Mais Tv estão on demand várias rubricas como Game Core (sobre jogos), Hora do Clássico, Mais Reportagem (desde o festival Vidigueira Jovem, à feira de Cuba) e reportagens sobre provas BTT.
De entrada, além da progamação disponível no canal, estão os top's musicais da MTV Portugal,
da BBC Radio e da Billboard.
De resto, as bandas sonoras são uma imagem de marca das reportagens aqui assinadas.
A coisa está no início, mas promete.
Mais do que eu estar para aqui a gastar este derivado do latim, vejam, experimentem a sensação e, caso gostem comentem. Se não gostarem podem comentar na mesma. Eu gosto!

Pessoal político do PS controla secretarias de Estado

A divulgação dos nomes dos secretários de Estado do novo Governo veio confirmar e acentuar o esforço de controlo do Governo (e do aparelho do Estado) por parte do PS. Para além da dança das cadeiras, que garantiu a continuidade no Governo de alguns que, se tal não acontecesse teriam de sair por não serem escolha dos novos ministros, regista-se a entrada de alguns que preenchem aquele que parece ter sido o principal critério de escolha (confiança partidária e de Sócrates): Pedro Lourtie, José Almeida Ribeiro, Elza Pais, José Junqueiro, Marcos Perestrello, Vasco Franco, Carlos Zorrinho, Rui Ribeiro, etc.
O PS parece, assim, pretender dar corpo à célebre frase de Jorge Coelho: "Quem se mete com o PS, apanha..."

Carlos Zorrinho na Secretaria de Estado para a Energia e Inovação


O ministro da Economia e Inovação, Vieira da Silva, criou uma nova secretaria de Estado para a Energia, que será liderada por Carlos Zorrinho.

Com esta novidade, o Ministério da Economia passa a ter mais uma secretaria de Estado, passando a quatro. Para além de Carlos Zorrinho, também Fernando Medina, ex-secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, se estreia na Economia.

Vieira da Silva alterou a antiga secretaria de Estado da Indústria e Inovação para Energia e Inovação, de onde sai António Castro de Guerra para entrar Carlos Zorrinho, que já tinha feito parte de um elenco governativo. Zorrinho foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna, no Governo de António Guterres. O titular da pasta era Nuno Severiano Teixeira.

Apesar de algumas indicações que existiam nesse sentido, Rosa de Matos, a mulher de Carlos Zorrinho e actual presidente da ARS Alentejo, não ascendeu a nenhuma das secretarias do Ministério da Saúde.


Elegância no remate

Escrever num blog, ainda mais se este é” feito” a partir de uma cidade não muito grande, implica sempre um exercício de contenção. É preciso saber alguns truques. Quero partilhar alguns daqueles que tenho aprendido com um generoso autor francês, Pierre Louÿs.

O livro que poderá pois constituir um guia para qualquer blogger que preze a elegância e o fino recorte literário da sua escrita é o Manual de civilidade para meninas (Fenda). É uma obra de um enorme espírito natalício, e decerto dará uma boa prenda de Natal.

Eis então alguns conselhos (depois de um intenso trabalho hermenêutico, escolhi alguns mais levezinhos…) que se devem cumprir: “Não digais : é a maior puta da terra. Dizei: é a melhor menina do mundo.”; “Não digais: tenho vontade de f***. Dizei: sinto-me nervosa.”; “Não digais: vi-a f*** pelos dois lados. Dizei: é uma ecléctica.”

(Esta dos asteriscos é porque isto, apesar de às vezes não parecer, ainda é um blog familiar…)

Vá p'ra "Puta Que Pariu"!

Não estou a insultá-lo, só estou a propor-lhe que visite um dos bairros da cidade de Bela Vista de Minas, uma cidadezinha cercada de mato no interior de Minas Gerais, claro no Brasil.... Perto de Joao Monlevade. MG!!!

Canções de revolta do sul do país



As décimas populares que o Luís Serra publicou neste blog fizeram-me lembrar estas outras décimas, hoje já parte do imaginário poético e de revolta do Alentejo, da autoria de Francisco Domingos Horta (1938), residente nos Porteirinhos (Almodôvar), mas muito ligado, no dia a dia, a Castro Verde. Estas décimas foram feitas no tempo da AD (Aliança Democrática), já depois da morte de Sá Carneiro e eu gravei-as, na altura, para a Antena Um – onde passaram alguns excertos num programa do Ver, Ouvir e Contar (um programa de reportagem coordenado pelo Emídio Rangel) por volta de 1982/83. Hoje estas décimas integram a insubstituível colectânea, editada pela Câmara Municipal de Castro Verde, intitulada “No Paraíso Real – tradição, revolta e utopia no Sul de Portugal” (da responsabilidade de José Luís Jones, Paulo Lima e Paulo Barriga) e que reúne num CD músicas, poemas, textos, memórias sobre momentos marcantes no mapa da revolta no espaço alentejano. As décimas de Francisco Horta, sempre que ele as dizia em público, sobretudo em sessões de poesia popular, mesmo em sítios considerados “finos”, acentuavam a boa disposição e tinham o papel de crítica acerada aos poderes dominantes, fossem eles de índole nacional ou local.




Mote
Cagando pr’o PPD
Cagando pr’o CDS
Eu caguei pr’o PCP
E também caguei pr’o PS

I

Eu caguei pr’o Balsemão
Pr’o Freitas do Amaral
Eu caguei para o Cunhal
E o Bochechas fecha a mão
Vai o maior cagalhão
Que em toda a vida caguei
E também caguei pr’o rei
O senhor Ribeiro Teles
Cago p’ra todos eles
Cagando pr’o PPD

II

Eu caguei pr’o presidente
Caguei pr’as Forças Armadas
Eu faço as minhas cagadas
Cagando pr’a toda a gente
E quem não estiver contente
Ainda mais me enobrece
Porque eu nunca me esquece
Lá debaixo do sobreiro
Caguei pr’o senhor Saleiro
Cagando pr’o CDS

III

Eu caguei pr’o ministro
Cá da nossa agricultura
Cago sempre com fartura
Porque eu no cagar estou bem visto
E ainda correm o risco
D’eu cagar pra quem não sei
Cago pr’a quem fez a lei
Que me proibiu de cagar
Mandando o cinto apertar
Eu caguei pr’o PCP

IV

Caguei pr’a democracia
Caguei pr’o socialismo
Caguei para o comunismo
E caguei para a monarquia
E mais já cagar não podia
Mesmo que eu cagar quisesse
O muito cagar aquece
As borda dum cú bendito
Que cagou cozido e frito
E também caguei para o PS

Remate

Porque eu caguei a bem cagar
Como há muito não cagava
E não pude cagar pr’a mais
Porque a merda já não chegava

Este ano há uma boa novidade

de azeitonas nalguns olivais, o que prenuncia uma boa safra.

Queremos mudar para melhor!


Estamos a “cair” em mais desigualdade. Também entre Homens e Mulheres.

Portugal desceu 5 posições, relativamente ao ano anterior, num índice que mede as desigualdades em função do género.
Da responsabilidade do Fórum Económico Mundial, o “Global Gender Gap Índex 2009” colocou Portugal em 46º lugar numa tabela de 134 países. Nos últimos 3 anos, o nosso país vinha subindo nesta lista. Agora desce.
A notícia é do Jornal Público de ontem, e garante que esta descida se deve principalmente aos indicadores da participação política. (E que incluem dados que vão desde o número de mulheres no Parlamento até ao número de anos que uma mulher chefiou um executivo).
Mas há outros desequilíbrios preocupantes: quebra na igualdade de salários pagos para a mesma função; no acesso aos cargos de topo nas empresas, na justiça e às profissões técnicas em geral.
Já nos indicadores relativos aos acessos ao ensino secundário e superior, bem como às profissões técnicas em geral, ou na esperança média de vida, Portugal está “acima da média”.

Daqui podemos concluir que neste país as mulheres já são admitidas para estudar e trabalhar. Mas não para dirigir. Nem nas empresas nem no espaço público.
E se as admitimos a trabalhar isso já deve ser benesse suficiente, pelo que nos dispensamos de lhes pagar salários iguais.
Sim, isto é no Portugal de 2009.

Porque esta lista avalia a forma como cada país distribui as oportunidades existentes (independentemente do tipo de recursos de que dispõe), à frente de Portugal estão países como a Uganda (40) e Botswana (39). Deveremos seguir-lhes o exemplo.

Ou se preferirmos seguir os da frente, teremos que levar o assunto das igualdades de género muito mais a sério como faz a Islândia que subiu 4 lugares porque equilibra todos os indicadores. Ou como a Finlândia, ou a Noruega que valoriza bastante a participação política feminina.

Se, pelo contrário, muitos continuarem encantados com a linha de Berlusconi, poderemos continuar a descer. A Itália é dos piores classificados da União Europeia (72)

Depois da perda no ranking da liberdade de Imprensa dos Repórteres sem fronteiras,
O aumento das desigualdades em função de ser homem ou mulher, aumenta o clamor por mudanças para melhor.

Quatro semanas: 5 mil visitantes

Há alguns minutos atrás, por volta das 10:15 horas o acincotons registou os cinco mil visitantes. Um número redondo, exactamente quatro semanas depois se ter publicado aqui a primeira mensagem. Hoje já ultrapassa os 200 posts. O número de páginas visitadas também é significativo:12.453. No entanto, os números não são o mais importante. O importante é o espaço de convívio, de debate e também de informação que já se conseguiu estabelecer à volta desta rede comunicacional. E o Alentejo continua carente de espaços deste tipo, onde as ideias e as opiniões tenham rosto e possam ser afirmadas e debatidas. Obrigado a todos. Pela nossa parte este é apenas o início.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Porque sobra o desencanto...


Há contribuições que são importantes como espaço de reflexão para todos nós. Estes dois comentários deixados neste blog pelo José Manuel Chorão são isso mesmo: contributos para um debate sempre inacabado sobre os dias que vivemos. Estes. Que são os únicos que temos.

"Não é preciso ir à Igreja Universal dos-não-sei-quantos para encontrar os modernos charlatães: ouçam-se as promessas de Sócrates, as do senhor Arnesto, por cá, comparem-se com as realizações e temos a prova provada da charlatanice pegada. País de aparências, de burros a (des)governar outros que o querem ser e neles votam.

Dou só um exemplo cá do burgo: na Escola Conde de Vilalva (Pites) todas as salas estão dotadas de computadores nas mesas dos professores, todas as salas têm quadros electrónicos moderníssimos, tudo para a fotografia; trabalham bem ou mal ? Ninguém sabe, já que não se podem ligar e verificar, porque o quadro da electricidade não aguenta e desliga tudo. Perceberam? Em vez de reforçar o quadro, em primeiro lugar, instalaram os quadros (para a comunicação social poder dizer que a escola é do melhor que há graças à aposta socretina na educação) mas não trabalham.


Querem mais? Na Escola André de Gouveia, veio o socretino-mor inaugurar os modernismos e tudo (com uma professora-actriz que nem de lá era) e alunos alugados para a televisão, instalaram quadros electrónicos e filmaram tudo; no dia a seguir já não trabalhavam porque não estavam ligados à rede (felizmente deixaram lá os quadros velhinhos que bom uso vão tendo).

Portanto, talvez não acreditem em charlato-socretinos, mas que os há, lá isso há.


(...)muitos mais exemplos se poderiam acrescentar; só na minha área profissional, a Educação, a irrealidade ultrapassa a imaginação; podia falar-lhe dos Cursos Profissionais que não são cursos nem muito menos profissionais, nas Novas Oportunidades, que de novas só se fôr o nome porque a trapalhice e o faz-de-conta-que-se-faz é já muito velho, podia falar-lhe da avaliação de professores que foi a maior intrujice que se passou nos últimos anos para a opinião pública.


Mas nada disto vale de facto a pena, há que ter consciência de que vivemos num mundo onde o que conta é a aparência, a ilusão, os holofotes, a opinião pública; assim que se afastam os jornalistas, retira-se o cenário e a miséria que fica é ainda pior que a anterior; porque sobra o desencanto. E isso é o pior que se pode fazer a um povo.

Porque sobra o desencanto..."

José Manuel Chorão

Depois das galinhas as toupeiras

Com a devida vénia às editoras da Pnetpopular, aqui ficam as Décimas de Domingos José Pinto, que receberam uma "menção honrosa" no primeiro concurso de poesia popular da Terrugem:

MOTE
Ando a espreitar uma topeira
Lá dentro do meu quintal
Da caçar não há maneira
Esse maldito animal

I
Passo a noite passo o dia
Até parece impossível
Aquele animal terrível
Com chuva ou com maresia
Lá anda na galeria
Óu ela ó a companheira
É daninha e traiçoeira
Lá no meio da escuridão
Com a feramenta na mão
Ando a espreitar uma topeira

II
Quando ela as unhas aferra
Logo pela madrugada
Lá vou eu com a enxada
Alisar aquela terra
É um viver sempre em guerra
Tomara dar-lhe o final
Não há bicho que a igual
Cava por todos os lados
Vou tendo os alhos chupados
Lá dentro do meu quintal

III
Fura por todas as partes
É pior do que uma broca
Haver se encontra a minhoca
Lá na leira dos tomates
Sempre me foge aos encartes
Para debaixo de uma roseira
Passei uma manhã inteira
Espereitando esses traidores
Já abrasado em calores
Da caçar não há maneira

IV
Tinha lá uns pimentões
Que até dava gosto vê-los
Tém me arripiado os grelos
De lhe dar tantos pochões
Já me engelhou os feijões
Para mexer não tem rival
Tão pequena e só faz mal
Já brinca com o hortelão
Para furar é um furão
Este maldito animal

REMATE
Tém um pelo luzidio
Olheia com atenção
Palpeia com a mão
Não vi pelo mais macio
Senti logo um arripio
Lá à porta da morada
Meti-lhe logo a enxada
Quando estava descoberta
Ficou com as pernas aberta
E a boca ensanguentada.

Não são só fábricas que fecham. São também revistas.


Com apenas quatro números publicados a revista Pormenores, que se editava em Portalegre, mas com vocação para cobrir toda a região, anuncia uma paragem, que muitos entendem como um fim. Infelizmente. No blog da revista escrevem os seus editores:

" Apesar de todas as opiniões elogiosas e positivas face ao resultado final da Revista Pormenores, este projecto editorial exclusivamente alentejano – ainda só com quatro números nas bancas – vê-se obrigado a parar e a repensar a sua estratégia de futuro.
Resultado mais visível do trabalho de uma equipa jovem – e bastante pequena -, a Pormenores procurou preencher um espaço vazio, levando ao País uma outra noção do Alentejo, contrária aos estereótipos usualmente associados à região, aprofundando e incentivando o conhecimento em torno da mesma. (...)Não obstante o empenho e o esforço revelado por nós, é impossível sobrevivermos sozinhos. Os números que chegaram ao público foram financiados quase totalmente por nós. A angariação de publicidade tem-se demonstrado infrutífera junto do tecido empresarial da região e temos encontrado resistência por parte do sector público". Ler mais.

É uma má notícia para uma região que todos os dias vê abalar gente, projectos, indústrias e sonhos.

Boa sorte Luis

Há aquelas pessoas
de quem temos a sensação de conhecer de sempre.
Éramos miúdos e já andávamos metidos na rádio com todos os sonhos possíveis de carregar na adolescência.
Verdadeiramente nunca trabalhámos juntos durante muito tempo e mesmo quando estivemos na mesmo órgão de informação foi para permitir o gozo de merecidas férias. No entanto, ao longo dos anos cimentámos uma amizade forte apesar das formas diferentes de entendermos e olharmos a vida e a profissão.
Ele é um "mouro" de trabalho e vai juntar-se a outro de quem dizem ser "um mouro" a trabalhar.
Agora vamos encontrar-nos em lados diferentes da barricada. Mesmo assim, em nome de uma grande amizade, desejo-lhe a melhor sorte na nova tarefa.
Luis Rego, de quem vos falo, é o assessor de imprensa do novo ministro da Agricultura António Serrano.
Após as felicitações pessoais, daqui lhe envio um abraço.

Mais 430 na rua (actual.)

Mais 430 sem emprego.
Não houve entendimento entre trabalhadores e administração. A fábrica de componentes para automóvel Delphi de Ponte de Sôr fecha a 31 de Dezembro.
A fábrica esteve para encerrar em Julho e depois em Dezembro do ano passado, mas a decisão foi protelada. Até agora.
Para manter a fábrica em funcionamento, a administração propunha a redução do vencimento dos trabalhadores, o que foi linearmente rejeitado pelas estruturas sindicais e trabalhadores.
Mantém-se o acordo alcançado há vários meses, recebendo cada trabalhador dois meses de salário por cada ano de trabalho numa empresa que estava há mais de 30 anos em Ponte de Sôr.
Os trabalhadores estavam fartos das indecisões sem saberem o rumo futuro da empresa e temiam que o acordo antes alcançado pudesse vir a ser quebrado, o que não aconteceu.

Como vai a política?

" A política cindiu-se numa colecção de acontecimentos, cada um deles desligados de todos os outros, cada um deles levados à atenção do público como que sobretudo para apagar dela os acontecimentos de ontem. O sucesso de hoje equivale a varrer a confusão que ficou do que foi celebrado ontem. Tomamos as coisas uma a uma e proibimo-nos de pensar nas pontes ainda por vir. Os escândalos e demonstrações de incapacidade que invadem a atenção do público têm a qualidade salutar de fazer desaparecer da memória os escândalos e demonstrações de incapacidade do passado." (Bauman, 2007:286).

Vem esta reflexão contemporânea do sociólogo polaco,
a propósito dos dias das tomadas de posse que vivemos ontem.
A propósito do comentário de JMC.

E ocorre-me perguntar:
Que pontes queremos construir?
Ou ficaremos sempre a assistir?

Beja, cidade do vinho 2010


Beja sucede a Palmela como cidade do Vinho

Com o objectivo de reforçar internamente a promoção vinícola, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) criou a Marca Cidade do Vinho. Mais do que um prémio, significa que durante o ano em que usar este símbolo, a Cidade ou Município compromete-se a realizar várias iniciativas sobre a temática do vinho, das quais destacamos, Rainha das Vindimas de Portugal, Cantar dos Reis, Aniversário AMPV, entre outras iniciativas propostas pelos próprios.

Das candidaturas apresentadas, chegaram à fase final de avaliação os Municípios de Beja, Évora, Mealhada e de Santa Marta de Penaguião. Após análise rigorosa e tendo em conta os critérios definidos no regulamento Cidade do Vinho, foi decidido por unanimidade pelo Concelho Directivo da AMPV, atribuir à Cidade de Beja, a distinção de CIDADE DO VINHO 2010. Aos Municípios de ÉVORA, MEALHADA e SANTA MARTA DE PENAGUIÃO serão entregues Menções Honrosas.

No Festival de Gastronomia, a decorrer de 23 de Outubro a 8 de Novembro, na Casa do Campino em Santarém, na qual a AMPV está presente com um espaço de provas e vendas de vinhos. O dia de amanhã, 28 de Outubro, foi destinado para a apresentação oficial da Cidade do Vinho 2010. Às 12 e às 20 horas será realizada uma prova gratuita de vinhos sobre orientação de Aníbal Coutinho, Crítico de Vinhos e Director Técnico da VINIPAX.

Já os não há...

Há poucos dias nos Três Cantos, concerto do qual aqui vos fiz referência, a páginas tantas do livro de canções folheado noite dentro, Sérgio Godinho dizia ter escrito, anos antes, uma canção com Zé Mário sobre, e cito de cor, “uma espécie já não existente” em Portugal. Tratava-se de “O Charlatão”.

Ora findo o concerto, não numa ruela de má fama, como diz a cantiga, mas numa zona in paredes meias com o edifício sede da CGD, ao lado da Culturgest, eis-me perante este fabuloso anúncio comprovativo do que antes dissera Sérgio Godinho.
“De facto – pensei -, já não há charlatães”.
Pois não. Já estamos muito mais para além disso.

Portanto, deixem-se de parvoíces e corram já que o Apóstolo Valdemiro espera-vos. Se estiverem mortos peçam que vos levem, pois está bem de ver que saem de lá como se acabados de nascer. Corram já! Evitem as filas. É dia 29.

E, olhando aqui para a notícia de baixo sobre o Lusitano - do qual cá em casa não somos sócios - não me ficam dúvidas.
De facto, já os não há...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Lusitano de Évora: mais uma achega

Os problemas do Lusitano também passam pelo não pagamento de quotas por parte de muitos sócios. Quando a actual direcção foi eleita, poucos dias depois, emitiu um comunicado onde refere que havia cerca de 900 sócios com quotas em atraso, o que significava cerca de 60 mil euros de verbas que não deram entrada no clube. Na altura, no comunicado assinado pelo novo presidente da direcção, Manuel Porta, referia-se que:

"(...) sendo de capital importância que os cerca de 900 sócios com quotas em atraso, cujo montante se situa em cerca de 60.000 euros, procedam ao seu pagamento. Somente com receitas regulares é possível desenvolver as várias acções na vida do clube com a segurança indispensável por forma a obterem-se os resultados que esperamos.
As linhas mestras do nosso projecto para o triénio de 2009/2010 consistem em:
a) Crescimento das receitas através de iniciativas que serão oportunamente divulgadas, as quais deixarão agradavelmente surpreendidos os sócios;

b) Recuperação dos sócios afastados do clube e campanha de angariação de novos sócios;

c) Recuperação e normalização da cobrança das quotas;

d) Pagamento faseado das dívidas;

e) Reorganização interna do clube;

f) Aquisição de imóvel para a instalação da sede social do Lusitano Ginásio Clube;

g) Continuação das negociações do projecto imobiliário".


Vamos a ver se a direcção consegue. Mas esta é uma missão quase impossível se a Câmara não se dispuser a ajudar o clube. E é preciso que se apurem culpas, mas - suspeito - como é normal no futebol, que a culpa, mais uma vez, vai morrer solteira.

Francisco Felício

Então, agora vai acabar com a Tropa,

depois de ter reduzido a liberdade de imprensa? - parece perguntar o PR ao novo ministro da Dedfesa.

O caçula de Sócrates

António Serrano esta tarde na tomada de posse no XVIII Governo como ministro da Agricultura. É o mais novo ministro do executivo liderado por José Sócrates.

Porque é que Francisco George é imprescindível...


...e eu, por exemplo, não sou? Vi há pouco, na televisão, o Director Geral de Saúde ser vacinado contra a Gripe A e ouvi dizer que estava na lista dos "imprescindíveis". Não compreendo como cargos políticos, como o de Francisco George ou os dos deputados, estejam no topo da lista e muitos doentes, com doenças graves, estejam em grupos que não vão dispôr da vacina tão depressa. Também neste caso os governantes e quem tem poder usa e abusa do poder de decidir e decide em seu favor? Se não é, parece. E continuo a não perceber qual a imprescindibilidade de Francisco George se estiver doente uma semana que seja. Desaparecem os cuidados de saúde? Desaparece a coordenação? O que é que desaparece se o Director Geral estiver de cama durante uns dias? Ou os deputados? Acho, de facto, que nada. Quem necessita de ser vacinado é quem está nos grupos de risco. Não qualquer outro devido ao seu status ou ao seu cargo político.

Porque é de saúde que estamos a tratar, acho eu.

Tanto silêncio à volta do Diário do Alentejo

Em todas as eleições autárquicas, no Alentejo, o Diário do Alentejo tem sido, regra geral, um dos temas recorrentes. Isto porque o semanário de Beja é propriedade da Associação de Municípios e sempre que há alterações eleitorais o jornal é muito sensível a essas mudanças. Durante muitos anos, enquanto o poder autárquico do PCP se manteve inalterável no distrito, o Diário do Alentejo foi uma voz ortodoxa e completamente alinhada com a estratégia daquele partido.

Depois o PS ganhou a maioria das Câmaras e durante 4 anos António José Brito tentou dar um cunho menos ideológico e mais jornalístico ao semanário, mas o peso institucional do Diário do Alentejo não o deixou escapar a várias polémicas. Há 4 anos, a CDU ficou de novo à frente da associação de municípios e o jornal voltou, de novo, a uma perspectiva mais ideológica e menos informativa. Hoje e depois das eleições do passado dia 11, a correlação de forças na Associação de Municipios de Beja voltou a alterar-se e resta esperar pela nova direcção desta entidade, que tutela o Diário do Alentejo.

Mas a verdade é que o Diário do Alentejo não tem hoje o peso nem a importância que já teve: é um jornal quase sem impacto, que a direcção formal de João Matias e efectiva de Carlos Pereira anestesiaram nestes últimos anos. O aparecimento do Alentejo Popular e do Correio Alentejo veio também minar o espaço do Diário do Alentejo que, ao contrário do que se passava anteriormente, hoje já pouco anima as conversas e os debates.

Daí, talvez, este silêncio continuado em torno de um jornal que, noutras eleições, esteve sempre no centro do debate político regional. Sobretudo do autárquico. E que hoje vegeta, apenas e só, como porta-voz mínimo dos sectores menos esclarecidos do PCP baixo-alentejano. Porque os mais lúcidos construíram uma voz alternativa: o Alentejo Popular, um semanário menos dependente dos humores dos pequenos e médios poderes autárquicos e mais afirmativo politicamente.

Que desafios vão ter o novo Governo e a nova Câmara da sua terra?

Toma posse esta manhã o novo governo chefiado por José Sócrates. Para alguns é apenas o governo antigo, mas remodelado com novos ministros, e do qual poucas novidades há a esperar, já que vai pôr em prática as mesmas políticas. Outros dizem que não: que Sócrates aprendeu e que este vai ser um governo com mais diálogo e menos especializado no conflito.
O mesmo se passa nas Câmaras. Há concelhos em que os novos executivos já tomaram ou vão tomar posse e onde esta semana serão distribuídos os diversos pelouros. É o caso de Évora, onde a nova Câmara foi empossada no sábado passado e onde se vai realizar hoje a primeira reunião interna para distribuição de pelouros. Sabe-se que o presidente reeleito, José Ernesto vai propôr pelouros à oposição (António Dieb, do PSD, Eduardo Luciano, Jesuína Pedreira e Joaquim Soares, da CDU), que os vão - é mais do que certo - recusar.

Os novos executivos - seja o governo central, sejam os executivos camarários - apesar de eleitos com programas próprios devem ter prioridades. E são para essas prioridades que convocamos todos os que passam por este blog: se integrasse o Governo ou a Câmara da sua terra quais seriam as suas prioridades? Quais seriam as primeiras medidas a pôr em prática? De entre todas as propostas eleitorais quais considera as mais urgentes?

Esperamos pelos seus contributos. Obrigado.

domingo, 25 de outubro de 2009

Afinal o que se passa com o Lusitano de Évora?


Vários comentários neste e noutros blogs levantam questões relacionadas com o Lusitano Ginásio Clube, uma das agremiações desportivas de maior nomeada na cidade de Évora. Alguns desses comentários dão conta de uma carta do presidente do clube aos sócios - eleito em Agosto, numa lista única - onde se fala da grave situação do Lusitano em termos financeiros. Sabe-se que o clube se viu envolvido num negócio pouco claro que passou pela alienação dos terrenos do actual campo Estrela - onde as construções já estão junto ao campo principal e que só não estão a avançar a maior ritmo devido à crise económica que o país e o mundo estão a atravessar - e a construção acelerada do campo na Herdade da Silveirinha, onde a selecção nacional treinou para o Euro 2004.

Quanto à carta, e embora aqui em casa sejamos sócios do Lusitano, não a recebemos. No site do Clube ela também não está. Apenas um visitante do acincotons fez o favor de, a pedido do Paulo Nobre, enviar dois alegados parágrafos dessa carta.

Ei-los: «A transferência das estruturas desportivas do Lusitano do Campo Estrela para a Silveirinha continua a ser uma espinha cravada na garganta de cada sócio do nosso Lusitano. Esta foi a situação que encontrámos e não há possibilidade de inverter a marcha dos acontecimentos. Há apenas que tratar esta situação com eficácia e determinação, por forma que o Lusitano possa colher alguns benefícios com a mudança.»

«A segunda prende-se com o verdadeiro desvario das direcções que nos antecederam, que desbarataram as vultosas quantias provenientes do negócio imobiliário. Embora guardando para outra oportunidade a prova documental sobre este assunto, para quem ainda não conhece os números informo que em seis anos foram gastos em despesas correntes 2.500.000,00 € (dois milhões e quinhentos mil euros) provenientes da entidade compradora dos terrenos do Lusitano.»

Este seria um bom tema de debate, neste e noutros blogs, sem anonimatos e cada um dizendo o que muito bem entende. A verdade, pelo que se sabe, é que dentro em breve a construção civil invadirá totalmente o actual campo Estrela. Na Silveirinha há apenas um campo que não dá "para as encomendas" do Lusitano, que tem centenas de atletas, desde as escolinhas aos seniores e que precisam de treinar e de jogar. Sabe-se que muitas das contrapartidas financeiras já foram entregues (no tempo de outras direcções ao Lusitano), mas que desse dinheiro no clube não ficou nada: nem há obra, nem há dinheiro em caixa. Esperamos contributos para este debate. Vamos a isto.

A questão das proporções e o relativismo dos comentários


Já um dia aqui falei, a propósito de mais uma semana alentejana organizada pela Casa do Alentejo de Toronto, do facto de, há alguns anos, ter ido ao Canadá por esta ocasião. Do grupo de convidados fazia parte mestre Isaclino, artesão de Beja. Durante anos teve um café em frente do quartel que ocupava o Convento de S. Francisco, bem no centro de Beja, e que hoje é a Pousada de São Francisco. Disse-me que, nessa altura, com a tropa tinha "ganho bom dinheiro", depois reformou-se e meteu-se a artesão. Falador inveterado gostava de contar porque é que se chamava Isaclino. O Padrinho tinha uma casa comercial e, quando foi para escolher o nome, olhou para um envelope que tinha em cima da secretária duma firma de Lisboa chamada Isaac & Lino e disse, em alta voz: vai chamar-se Isaclino. E Isaclino ficou.

Pois bem. Os companheiros da Casa do Alentejo do Canadá, em geral proporcionavam a todos os visitantes, um passeio às monumentais cataratas do Niágara. Nós também lá fomos ver aquele espectáculo incrível. Chegámos, e estávamos todos maravilhados com aquilo, quando mestre Isaclino faz ouvir a sua voz: isto é bonito, sim senhor; mas de boca aberta fiquei quando fui pela primeira vez ao Pulo do Lobo e vi aquela queda de água. Mestre Isaclino não estava a querer fazer uma graça. Dizia o que sentia. Com o seu olhar próprio, o seu amor à terra que o viu nascer, a surpresa de ver quando jovem adulto no seu Alentejo seco, umas quedas de água como as do Pulo do Lobo no Inverno. Tudo isso o tinha maravilhado e o fazia, agora, apequenar a visão das cataratas do Niágara.

Quando oiço alguns - quase todos - os analistas e comentaristas políticos que abundam na "nossa" comunicação social, a falarem e a analisarem factos e situações, recordo sempre mestre Isaclino. Também eles, na defesa das suas, mesmo que ocultas damas, perdem o sentido das proporções. E vêm maior grandeza nas quedas de água do Pulo do Lobo do que nas cataratas do Niágara. O mesmo é dizer: veêm o que querem, como querem e onde querem. São livres de o fazerem. Mas também nós podemos - e devemos - sorrir de boca aberta, face ao que dizem, tal como alguns de nós sorrimos perante as palavras de mestre Isaclino, frente às cataratas do Niágara.

O campo ainda existe

Para que alguns urbanos mais distraídos se recordem que as galinhas não são naturalmente como aparecem nos talhos – depenadas, esventradas e decapitadas –, que há vida para além da cidade e que o campo ainda existe, procurarei publicar aqui no “A Cinco Tons” algumas imagens que mostrem algo do que existe nesse mundo rural, como agora se vulgarizou chamar-se-lhe.

“48 horas Automóveis Antigos Alentejo” termina hoje em Évora


A 14ª edição desta prova reuniu neste fim-de-semana cerca de 60 carros antigos, 60 carros antigos, com idades compreendidas entre 1935 e 1979, que percorrem 250 kms nos concelhos de Beja, Almodôvar, Castro Verde, Évora, Portel e Vidigueira. A organização conta com a representação de viaturas. Neste domingo cumpre-se a terceira e última etapa desta iniciativa, com partida de Beja, neutralização na Vidigueira e controlos de passagem em Santana, Oriola e Torre de Coelheiros e chegada em Évora.

sábado, 24 de outubro de 2009

Está a decorrer a RuralBeja


no Parque de Feiras e Exposições de Beja. Trata-se de uma feira de eventos, que inclui: a ViniPax e a OliviPax, a RuralBio, a BejaSénior, a CaniBeja e componentes da Feira Tradicional.
Se ainda não a visitou, aproveite amanhã para dar por lá uma volta e verá que não se arrepende.

Assembleia Municipal de Évora: mesa multicolor

Foi eleita esta tarde a nova Mesa da Assembleia Municipal de Évora. Ficou uma Mesa que se pode dizer cem por cento à esquerda, embora alguns, por certo, não concordem com esta qualificação tão generalizada. O presidente da Assembleia Municipal é Capoulas Santos (PS), que já exercia o cargo na anterior Assembleia, "coadjuvado" por Helena Costa, eleita pela CDU e por Amália Oliveira, a única eleita do BE na Assembleia Municipal. Não deixa de ser bonito e muito colorido.(Claro que o PSD se pode queixar, mas há dias assim...)

Sugestão

Ao nosso lado vivem pessoas fabulosas.

E nós sem darmos por elas. Às vezes encontramo-las e não temos tempo. Ou não temos ouvidos para as ouvir. Ou por outra qualquer razão, que na maioria dos casos nem conhecemos, lá continuamos o nosso caminho sozinhos. E o porto aqui tão perto!

Mas às vezes os encontros acontecem. E eu tive o prazer de o conhecer. Anda na casa dos 3o e tais. É tímido. Muito tímido. Passa as suas horas profissionais às voltas com a gestão de uma empresa de vinhos.

E no outro tempo, escreve, compõe música electrónica, entre muitas outras coisas como, por exemplo, gostar de Proust. (como o Luís Serra e o Carlos Júlio).

Só alguns sabem dele. Mesmo que viva aqui ao pé de nós, numa cidade como Évora. Pertence a uma nova geração de artistas que continuam à procura da diferença e nela o encontro...

Amanhã vai estar no teatro Maria Matos em Lisboa. Participa no Festival de Música Experimental e Improvisada, que começa às 16.30H. Ele actua às 17.00h.

Porque é mesmo tímido não gosta de dizer o nome e inventou um subterfúgio: The Beautiful Schizophonic.


Flash is not installed


Se o quiserem saber um pouco mais espreitem esta entrevista e se forem abrindo alguns dos links que vão encontrando pelo caminho, ficarão a saber que ele é nosso vizinho.

O perdão


Volta, Maitê, estás perdoada...

Três Cantos em 5 Tons






23/10/2009
José Mário Branco. Sérgio Godinho. Fausto Bordalo Dias.
Noite memorável no Campo Pequeno.
Liberdade à solta.
Zeca também lá esteve.

(evitem pleonasmos a dizer que as fotos estão más, porque fui eu que as tirei)