segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Viva o José do Telhado! (III)

Joaquim Palminha Silva












III

Com alguns assaltos efectuados de forma desusada o Poder tomou conhecimento da aventura do chefe bandoleiro e, precisamente pelo perigo que a sua acção social representava, “levantou-lhe um processo”…
            A mulher, ao conhecer-lhe a actividade e a sua perigosidade, quis suicidar-se e ele “chorou” a sua sorte, dizem que então jurou tornar-se “honrado”. Como muitos outros pequenos agricultores arruinados pela política agrária liberal, seguiu o caminho da emigração, na mira de angariar pecúlio que lhe evitasse a brutal proletarização. Embarcou para o Brasil numa dessas miseráveis embarcações de acrga que, ao mesmo tempo, para obter máximo lucro, fingiam ser navios de passageiros, amontoando pessoas na coberta da proa como gado. O veleiro (barca?) que levou José do Telhado à América do Sul chamou-se Oliveira.
            Supõe-se que vagueou pelo continente sul-americano, “sem eira nem beira”, em demanda de situação vantajosa… A sua estadia no Brasil é ignorada pelos biógrafos, o seu registo escasso. Por fim, retornou a Portugal, desalentado, mais desgraçado. Terá então verificado quanto lhe era difícil uma saída de subsistência económica digna, com os administradores políticos da Comarca saídos do partido vencedor, partidários da Rainha e seu ministro ditador (Costa Cabral), que não se cansavam de perseguir nele o antigo combatente patuleia, o soldado valente da Revolução da Maria da Fonte… Experimentador dorido de insolvências e hipotecas, ganhou ódio aos enriquecidos proprietários, aos situacionistas do regime, aos politiqueiros locais, engordados à sombra de um liberalismo de circunstância e compadrio.

Embarcação de transporte de emigrantes, 2ª metade do século XIX.

Surge então, por forças das circunstâncias, o José do Telhado de que a “sociedade” do Poder Político e do Capital de fresca aquisição, na sua prática tradicional da injustiça social, acabara de forjar. Porém, no seio da população rural empobrecida e sem protecção, o personagem, segundo quer o mito mil vezes repetido e retocado, foi intitulado de «repartidor público» e não salteador das serras e dos caminhos. Estamos, pois, face a um “ladrão” à Shiller, “filósofo” da acção directa, precursor dos vingadores da «Mão Negra» …
Assaltou os ricos lavradores do Marão e suas cercanias, fartou-se de dinheiro e, ao topar no seu caminho pobres jornaleiros ou lavradores a beira da ruína, como ele já o fora, deu-lhes moedas de oiro para os aliviar, e estes aceitavam a oferta de bom grado e sobejamente agradecidos ao “salvador” de ocasião. Roubou juntas de bois aos ricos e levou-as aos casais de pobres lavradores que delas necessitavam. De uma vez pagou as custas do baptismo ao filho de uma pobre mulher, que o avarento do Pároco exigia, para tornar o inocente alma cristã!
No terreno da revolta social, José do Telhado tornou-se rebelde singular, sem projecto político, é verdade, mas um efectivo justiceiro dos caminhos, com traços de personagem romântico a pedir um romance ou, já no século XX, peça de teatro, e um filme que, apesar da veracidade histórica ter sido distorcida por razões que se percebem muito bem, chegou a ter algum êxito.

                  
 Filme de 1945, com Vergílio Teixeira e Adelina Campos.


                                                                                                           (continua)

Viva o José do Telhado (I)
Viva o José do Telhado (II)

domingo, 30 de agosto de 2015

A comunicação social não está interessada no esclarecimento das pessoas


A situação actual na comunicação social (CS), começa a dar ares de algo surreal, controlada toda ou pelo menos a grande maioria por pessoas ligadas às instâncias do poder instituído, tudo fazem para que as eleições legislativas se tornem em algo sem qualquer interesse. Para eles, CS, o esclarecimento das pessoas não tem qualquer interesse, antes pelo contrário, interessa que tudo continue na mesma, e que as pessoas continuem adormecidas, para esta CS o que interessa são as eleições presidenciais, ele é a candidatura da Maria de Belém, ele é candidatura do Marcelo, ou mesmo a não candidatura de Santana Lopes (como se isso tivesse algum interesse para o país), que só à sua custa já deu mais tempo de antena que a dada ao PS, para não dizer mais do dobro do PCP ou do BE.
Porquê este desinteresse? Certamente porque o que interessa não é relembrar as politicas que nos foram impostas pelos dois partidos que se encontram no governo hà quatro anos e que todos os dias nos vêm dizer que afinal estamos muito melhor do que há quatro anos, quando todos nós sabemos que tal não corresponde à verdade.
(Até tem o descaramento de nos vir dizer o aumento da cobrança de impostos não tem a ver com o aumento dos mesmos, como se não tivessem aumentado o IVA, o IRS, para além de terem criado uma sobretaxa, coisa nunca vista nos 40 anos de democracia). 
O que eu gostaria é a que CS desse a palavra aos portugueses e deixasse de nos hipnotizar com fait divers, das presidenciais e outras questões como sejam o (in)rigor da justiça, dessem menos noticias sobre as “universidades” dos futuros boys em que cada orador é pior do que outro, ou seja numa universidade a sério deve-se ser objectivo e não demagógico.
Basta de tanto desinformar, vamos lá a ver se no próximo mês que falta para a realização das eleições começam, a ser mais sérios e a preocupar-se menos com as presidências e mais com aquilo que nos interessa, e que passa por se saber quais são ideias que cada um dos candidatos a primeiro-ministro tem para os próximos quatro anos de governação, como seja por exemplo quais as suas politicas de impostos, de saúde, de emprego, que pretendem para o nosso país em termos de investimento, de divida pública, de crescimento etc, etc.
Até porque para as presidenciais ainda vamos ter muito tempo para discutir as mesmas. Sejam sérios e objectivos e deixem de apoiar determinadas tendências ideológicas, pois para isso já existem os respectivos meios de propaganda politica que cada uma das forças concorrentes tem a sua disposição.

A impunidade da EMEL


Eu, Constantino Piçarra, ontem, dia 28/8/2015, vi o meu automóvel bloqueado e multado pela EMEL (96,00€), em Lisboa, por falta de pagamento de estacionamento quando dentro do veículo, de forma bem visível, se encontrava o talão do parquímetro mostrando que o estacionamento estava pago. Chamada por mim a PSP ao local, a fim de pôr fim a este arbítrio da EMEL, os agentes da força policial referem que nada podem fazer. A EMEL pode fazer tudo. Confrontado, no mesmo dia, um jurista de apoio à administração da EMEL com esta situação e com o talão do pagamento do estacionamento, ainda me acusa de desonesto, insinuando que o dito talão deveria ter sido tirado por outra pessoa, reportando-se, assim a outro automóvel.
A EMEL é impune? Pode abusar do poder e as forças policiais têm que ficar de braços cruzados assistindo à ilegalidade? Que se passa para que isto aconteça? A explicação está nos objectivos que a empresa tem de alcançar traduzidos numa determinada quantidade de dinheiro que mensalmente têm de entrar nos seus cofres? Quem zela pelos direitos dos cidadãos?

Constantino
(recebido por email)

sábado, 29 de agosto de 2015

Évora: os "placards" ambulantes...


Parece que na Praça do Geraldo não há nada a fazer perante a permanência fixa de ''placards'' ambulantes, estoicamente agarrados ao candeeiro fronteiro ao Banco de Portugal. São eternos ! Estão lá há décadas, como muito bem sabem os eborenses. Devem constar de milhares de fotos turísticas por esse mundo fora...
Na Praça Joaquim António de Aguiar deparei no dia 29 de Agosto com este, ali deitado, retardado, esquecido e fora de prazo. O encontro nele mencionado foi há mais de um mês. Será esquecimento ou passará o jardim das Canas a ser o novo depósito de 'placards' ambulantes?
Cumprimentos

LB (por email)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Évora: hoje e amanhã no "Cenas ao Sul"


Hoje, às 22 horas, adaptação teatral do "Sermão de Quarta-feira de cinzas" do Padre António Vieira.
Com Álvaro Velez e Álvaro Corte Real
Uma iniciativa da Sociedade Recreativa e Dramática Eborense
Org.: Câmara Municipal de Évora | União de Freguesias de Évora, União de Freguesias de Bacelo e Sra. da Saúde, União de Freguesias de Malagueira e Horta das Figueiras
Nota: Espetáculo integrado festival Cenas ao Sul.

Achado Arqueológico & insensibilidade humana (Tribunal do Santo Ofício de Évora)

Joaquim Palminha Silva
Um “achado arqueológico” acontecido em Évora nos anos 2007 e 2008 (?), durante escavações em propriedade da Fundação Eugénio de Almeida (FEA) situada na “acrópole” da cidade, depois estudado em pormenor no ano de 2013, só agora (Agosto de 2015!) veio a conhecimento público, aparentemente através de artigo na revista da especialidade em língua inglesa, Journal of Anthropological Archaeology, com a “assinatura” de três investigadores portugueses do «Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra», que contaram com a colaboração do Departamento de Biologia da Universidade de Évora.
O dito “achado” é constituído pelos restos mortais de 12 adultos, lançados na lixeira do extinto palácio da Inquisição de Évora, hoje Fórum da Fundação Eugénio de Almeida. Segundo os investigadores, trata-se das ossadas de pessoas de origem judaica, referentes aos anos de 1568 a 1634, que nem sequer foram “julgadas” pelo então Tribunal do Santo Ofício. A estes restos mortais somam-se perto de mil ossadas de mais de 16 pessoas.
A existência da prisão por simples denúncia, seguida de torturas físicas, sofrimentos incalculáveis e morte em fogueira ateada em espaço público na cidade, no período compreendido entre 1542 e 1781, de inúmeras vítimas da intolerância religiosa levada a cabo pelo Tribunal do Santo Ofício de Évora, bem como a eventual existência de soterrados restos mortais destes desgraçados penitentes, não são um “assunto” privado de uns quantos investigadores, provavelmente em busca de percursos curriculares, nem tão pouco uma questão que apenas diz respeito à FEA, seus imóveis e espaços a céu aberto. Os restos mortais destes seres humanos, onde quer que sejam encontrados, são “propriedade” da História de Évora e, tragicamente, da História de Portugal!
O espírito cristão e humanista em que fui educado, a minha formação cívica e democrática, bem como a opinião pública avisada que ainda deve existir em Évora (laica ou religiosa), obrigam-me a colocar as questões que a seguir se expõem.
 1) - Nesta ordem de ideias, e partindo do princípio de que as escavações arqueológicas em espaço privado da FEA, só devem ter sido possíveis com o consentimento da prestigiada instituição, não se percebe porque existiu um silêncio de cerca de sete anos sobre o “achado”? Que se pretendeu acautelar?
2) – Os investigadores de Coimbra entendem que, publicações da sua especialidade e cientificamente fiáveis, só as estrangeiras, isto é, as anglo-saxónicas, pois as nacionais parecem-lhes talvez patuscas, sonolentas, incapazes de servir as grandes relevações arqueológicas de que o seu talento é capaz?
3) – Naturalmente acompanhado por uma discrição inusitada da FEA, a que se fica a dever também o silêncio conivente sobre o “achado” arqueológico, por parte da Universidade de Évora?
4) – A que tipo de ignorância cultural e humanista se fica a dever o silêncio e, portanto, a ausência de opinião da Câmara Municipal de Évora (CME), instituição do poder local democrático, sobre este macabro “achado”? Sobretudo, no que se refere ao respeito e dignidade que devemos aos restos mortais de pessoas que foram vítimas da intolerância anti-cristã da Inquisição de Évora? Que tipo de desmemória é esta, precisamente quando a CME é gerida por membros de um partido político que, historicamente, conheceu as perseguições, a prisão, a tortura física e a morte, apenas por ter opinião política contrária ao regime da ditadura salazarista?
Que haverá de indiscutíveis novidades históricas,que não sejam já conhecidas, a sacar aos restos mortais dos “justiçados” da Inquisição de Évora que, pela documentação existente e o resultado de várias investigações já publicadas (entre as quais sublinho a do Prof. António Borges Coelho)?
Para que submeter a novos «tratos de polé» os restos mortais de pessoas martirizadas há uns quantos séculos? Não têm elas o direito de descansar em paz?
Porquê? – Porque eram supostamente judeus e, por isso, a “ciência” histórica deve ignorar o humaníssimo respeito pelos mortos, capitulando face às exigências da arqueologia, da antropologia e não sei mais quantas habilidades académicas? - Mas os nazis alemães não justificaram de diferente maneira as suas experiências “científicas”, sobre os martirizados judeus nos campos de concentração!
Não pode a CME garantir o abrigo e repouso dos restos mortais destes eborenses e alentejanos, avós dos nossos avós, em talhão próprio no cemitério municipal, requisitando para isso as ossadas à FEA?
No passado, a existência das comunidades judaicas entre nós, deram ocasião à nobreza, a parte numerosa de eclesiásticos e à ignara populaça de Évora para acender uma fogueira por semana na Praça Grande, após espoliar os bens dos queimados… Hoje, os restos mortais dos mártires da Inquisição, servem para arredondar currículos e municiar noticiários…
Não creio que a FEA aceite este horrível e escusado estado de coisas materialista, por isso apelo para a sua originária inspiração cristã e humanista, crente de que se mais “ninguém” reservar espaço condigno para o «descanso em paz» destas ossadas, a Fundação o fará com a dignidade exigida!

Planta (nível térreo) do Tribunal do Santo Ofício de Évora, levantada pelo arquitecto Mateus do Couto, em 1636.

Pendão do Tribunal do Santo Ofício de Évora (séc. XVII), dado como existente no Museu de Évora, segundo a revista Cidade de Évora, nº47, de 1964.

A coligação alargada?

Foto arquivo/Nuno Veiga - Lusa

Pois é. Tudo isto agora quase dá vontade de rir. O Portas que tanto lutou para que a Embraer fosse para Alverca (onde estava o pólo aeronáutico, no dizer dele, das OGMA,) de braço dado com Pinto Sá, cujo partido nem se fez representar na inauguração da Embraer e de que o PCP eborense disse cobras e lagartos (só por ter sido feito no tempo do PS)....
José Ernesto Oliveira, sempre tão caluniado e a quem se deve a vinda da Embraer para Évora (lembram-se dos terrenos comprados pela Câmara e postos à disposição da empresa, como último argumento para ela se fixar na cidade?...) terá pelo menos sido convidado para estar na apresentação deste novo investimento para a região ou só a coligação alargada PSD/CDS/PCP esteve representada?

Anónimo


Este tipo de conversa de Pinto de Sá, blá,bla, etc até já chateia. Então a função de um autarca não é a defesa da sua cidade, não deve ser "obrigação" de um autarca zelar para que a sua cidade se desenvolva? Então qual é a duvida de ter agora conseguido que uma empresa da aeronáutica se instale em Évora. Pois ainda bem que assim seja, seja ele o Pinto de Sá seja ele o Zé Ernesto ou mesmo o Zé dos Anzóis. É pena é que certa e determinada gentinha tudo faça e tudo critique para quando há alguém a zelar pela nossa cidade, foi assim no tempo do Zé Ernesto, e é agora no tempo do Pinto de Sá. Não se esqueçam que foi o próprio Pinto de Sá e o seu partido que mais criticaram a instalação da Embraer em Évora, e agora já consideram que foi um bom investimento, é pena que os nossos políticos passem o tempo com este tipo de gincana política. Penso que desde que se trate de algo importante para a nossa cidade todos, mas mesmo todos, devem dar o seu contributo e o seu apoio e não passar o tempo a desfazerem as obras de uns e outros.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

UMA BOA NOTÍCIA para Évora!


Mais uma indústria que se instala na cidade.
«O fabricante francês Mecachrome assina hoje o contrato para instalação no parque de Industria Aeronáutica de Évora. 
Especializada na produção de peças de alta precisão para as indústrias aeronáutica, espacial e automóvel. Segundo a informação disponibilizada no site da empresa, esta será a segunda unidade europeia da Mecachrome, instalada fora de França.
O contrato para a construção das infra-estruturas vai ser assinado esta tarde, na Câmara de Évora com a presença do Vice Primeiro Ministro Paulo Portas e do presidente da autarquia, Carlos Pinto de Sá.»

Anónimo

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Viva o José do Telhado! (II)

Joaquim Palminha Silva












II 



            Em 1846 armou-se a si próprio e a alguns mais, na sequência da popular Revolução da Maria da Fonte, oferecendo os seus préstimos à Junta Governativa que se formou no Porto. Os seus conterrâneos (diz a História ou “reza” a lenda?) quiseram elevá-lo ao posto de comandante, de chefe guerrilha, mas recusou. Data desta época o seu primeiro acto paradigmático: - Repartiu o dinheiro que possuía com os seus companheiros de luta!        
A 15 de Novembro de 1846, no recontro de Valpaços, entre as tropas governamentais e os populares da Maria da Fonte, salvou a vida ao general Sá da Bandeira, o heroico “maneta”, como o vulgo o denominava. De uma moita cerrada faziam rijo fogo sobre o general; então, o José do Telhado, apercebendo-se do lance e vendo as armas apontadas prestes à descarga, empuxou fortemente as rédeas do cavalo que o seu comandante montava, obrigando-o a saltar súbito um valado, ao mesmo tempo que a descarga levou os projectéis a crivarem-se na parede, onde antes se acolhera o general. Depois, ferrou as esporas na sua montada, correu para os soldados inimigos e, desmontando um, ferindo de morte outro, acutilando um terceiro, obrigou o grupo barricado na moita a debandar, espavorido. Quando voltou, arquejando e com a lança tinta de sangue, viu Sá da Bandeira estender-lhe a mão. Após este lance, foi-lhe dependurado ao peito da farda de soldado da Maria da Fonte a comenda de cavaleiro da Torre e Espada pelo próprio general e visconde: - Foi considerado então um herói!
            Este foi o “Zé-Ninguém”, aproveitado pela sociedade como José Teixeira da Silva…

Torre e Espada

            Em Julho de 1847, a Convenção de Gramido põe ponto final à Revolução da Maria da Fonte (com o Governo da Rainha D. Maria II apoiado por forças militares estrangeiras). Todavia, a «Convenção…» não põe termo às contradições políticas, as quais vão ensanguentar uma vez mais a terra portuguesa. Enfim, a faceta militar e patuleia de José Teixeira da Silva tinha terminado, e o herói “medalhado” regressou a casa definitivamente… Definitivamente? A ver vamos…
             A guerra civil tinham-no empobrecido, arruinado a sua pequena lavoura… Diz que pediu um emprego compatível, que solicitou auxílio… Mas as inimizades políticas granjeadas nos anos de luta fizeram-se notar, e devem ter exercido as suas tradicionais prepotências e represálias. A retaliação dos vencedores de «Gramido…» tomou o caminho da acção directa… O herói de Valpaços, o patuleia generoso tinha inimigos impiedosos… Os filhos estavem sem pão, a sua «Aninhas», por quem (“reza” a lenda) acalentava um amor acima da vulgaridade, sofria as injustiças dos senhores do lugar.
            Compulsando as suas forças, deitando contas à vida, José Teixeira da Silva, a braços com hipotecas de bens imóveis que não podia mais satisfazer a tempo e horas, venda inglória de pequenas propriedades ao desbarato, etc., decidiu juntar-se ao irmão, Joaquim do Telhado, já então notório quadrilheiro que assolava o Douro…

José do Telhado, à direita, de longas barbas, fotografado com seu irmão, Joaquim
 (anos 50 do século XIX).

            Segundo uns quantos biógrafos, avantajados no romantismo de capa e espada, José do Telhado ter-se-á juntado ao Custódio, conhecido pelo Boca Negra, “capitão” de um grupo de aventureiros que infestavam a região.
            Fosso como fosse, o primeiro assalto à mão armada terá sido efectuado à casa de um tal Maciel da Costa ou então à casa de Cadeade. A controvérsia entre biógrafos de José do Telhado torna-se habitual, quando uns querem quantificar uns assaltos e outros, por razões não menos válidas, querem enumerar outros. De qualquer modo, o assalto à propriedade do Dr. António Fabrício Lopes Monteiro, na Freguesia de Santa Maria do Zêzere, gorou-se (admitindo esta versão), mas entrou para a narrativa épica do rebelde, marcando uma data para a acção de bandoleiro social que foi José do Telhado: 27 de Novembro de 1851!
                                                                                                                       (continua)



Eleições Legislativas: BE Évora promove Debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural


No âmbito da pré-campanha eleitoral, a distrital de Évora do Bloco de Esquerda promove, hoje, quarta-feira, dia 26 de Agosto, pelas 21h, na sua sede em Évora (rua da Alcárcova de Baixo, 45) uma sessão de debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural no contexto de uma política de esquerda. A animar este debate, contaremos com a presença de Pedro Soares e Camilo Mortágua. Contamos também com a vossa presença e colaboração na divulgação deste evento com o qual pretendemos contribuir para a reflexão e acção democráticas neste domínio vital para o desenvolvimento da nossa região. (nota de imprensa do BE)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A.M. Matias: um novo poeta (poetisa) do Alentejo?


Identidade com outro

Sou em ti
Pulverizo-me em ti outro
como volúpia de água
em madrugada inesperada
Pertenço-te e habito-te
sem permissão
nem agradecimento
sem tempo
nem refúgio
Cumpro-me em ti
sem saberes de mim
E juntos
estaremos
na origem de manhãs desconhecidas
de gerações outras
que serão
também elas
pólen
nevoeiro
ou fragrância
 
Alentejo, 2015,
A.M.Matias