segunda-feira, 27 de julho de 2015

Que raio de desculpa...


Concerto em Évora dia 3 de Setembro foi cancelado.
Infelizmente o Exmo. Sr. Dr. Presidente da Câmara de Évora não teve tempo durante os últimos meses para assinar o papel a autorizar o concerto, e foi de férias...
Muitissimas desculpas!

Joao Hasselber, aqui

Coligação PSD/CDS indica para cabeça de lista em Beja uma desconhecida no distrito. Costa e Silva concorre por Évora e Cristóvão Crespo por Portalegre


A coligação PSD/CDS acaba de anunciar os seus candidatos às legislativas de 4 de Outubro. No Alentejo, Costa da Silva, vogal do Alentejo 2020, lidera a lista, substituindo assim o actual deputado Pedro Lynce.
Em Beja, Mário Simões deixa o lugar de deputado. Na actual legislatura, Mário Simões substituiu o cabeça de lista Carlos Moedas, que foi desempenhar cargos governamentais. A lista da coligação é agora liderada por uma estranha ao distrito: a actual deputada pelo circulo de Coimbra e ex-dirigente nacional do PSD, Nilza Sena. 
Em Portalegre, mantém-se como cabeça de lista o deputado Cristóvão Crespo.

domingo, 26 de julho de 2015

Évora: as listas dos principais partidos às eleições de 4 de Outubro já estão concluídas. Falta o PSD/CDS apresentar os seus candidatos.


A Apresentação da Lista de Candidatos e Candidatas do Bloco de Esquerda para as Eleições Legislativas 2015 pelo círculo eleitoral de Évora terá lugar esta segunda-feira (27 de Julho) pelas 21h na sede do Bloco de Esquerda em Évora (sita na Alcárcova de Baixo, 45 – Évora), e contará com as intervenções de Mariana Mortágua, José Elizeu Pinto e Camilo Mortágua.

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Entretanto já foi também apresentada publicamente a lista da CDU, composta por: João Oliveira; Sara Fernandes; Valter Loios; Lina Maltez; Tiago Aldeias; Júlio Rebelo.

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Também o PS já apresentou a sua lista de candidatos pelo distrito, composta por Capoulas Santos, Norberto Patinho,  Florbela Fernandes, Elia Quintas,  Luis Pardal e Ana Beatriz Cardoso.

Esta segunda feira em Évora apresentação do livro PRIVATARIA, de Mariana Mortágua e Jorge Costa


sábado, 25 de julho de 2015

O perigo da concórdia!

Joaquim Palminha Silva
Desde que mundo é mundo, que a concórdia e a convergência, por mais estranho que a todos pareça, têm sido causas de conflitos entre os homens e os Estados.
O desastre começa logo no foro individual e doméstico, quando dois homens desejam a mesma mulher e ela, por deformação moral somada a imbecil vaidade, demonstra agradar-se dessa situação embaraçosa. Se nenhum dos trogloditas desiste, a curto prazo nasce uma “guerra” que pode terminar com derramamento de sangue e questão de “polícia”… - Destes casos se faz a 1ª página dos nossos jornais “populares”!
Quando dois chefes de Estado ou dois cabos de guerra proclamam a posse de uma mesma região, cidade ou ilha (seja qual for o pretexto) surgem as guerras entre Nações que, desde Napoleão Bonaparte, acabaram por atear um fogo mortífero a metade do planeta.
Na verdade, a convergência de vários Estados acerca de um objectivo por todos eles desejado ao mesmo tempo e, sem cedências, por todos eles perseguido “resolve-se” (se assim se pode dizer), infelizmente, por lutas sangrentas, guerras regionais, massacres! Isto é, a industrialização da morte e do sofrimento humano passam a ser os grandes “mecanismos” da História!
 Enfim, a identidade de desejos e a convergência das vontades, a tão enaltecida concórdia que muito apreciam os desprevenidos e os ingénuos, tão bajulados pelos manipuladores de mentalidades, é raiz de não pequenos distúrbios planetários de várias dimensões.
A História contemporânea “ensina-nos” que para a conservação da paz convém uma maior diversidade entre as sociedades humanas, uma multifacetada Cultura de povo para povo, uma pacífica discórdia de usos e costumes, de Nação para Nação.

É verdade que esta linha de pensamento vai contra a opinião comum, por isso é ignorada. De resto, se os homens fossem “obrigados” a igualarem-se em todos os aspectos das suas vidas espirituais e materiais, não haveria necessidade da prática do regime democrático. – E a vida seria uma sonolenta monotonia… Bem-aventurada seja pois discórdia!


Duas exposições de João Cutileiro inauguradas hoje em Évora

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Diário do Alentejo desta semana


Hoje e amanhã nos claustros do Colégio do Espírito Santo


Nos dias 24 e 25 de Julho a Associação Académica da Universidade de Évora, em parceria com a Universidade de Évora e a Câmara Municipal de Évora irão promover duas noites de espetáculos de música ao vivo num dos locais mais históricos e emblemáticos da região. 
Os claustros do Colégio Espirito Santo da Universidade de Évora serão palco de um novo modelo de concertos ao vivo que irão marcar a agenda cultural da região com uma alta produção musical num jogo entre música, som e luzes num cenário inesquecível. 

Bilhetes à venda: 
- BarUÉ
- Papelaria Rico
- Papelaria Central

A “cultura” da denúncia!

Joaquim Palminha Silva
            Aquele que anuncia a verdade, e a aponta com seu dedo, nada tem que ver com Judas Iscariote que apontou e mostrou Jesus Cristo aos soldados, na noite mais amarga de todas.
            Apontar, esse gesto aparentemente tão “natural”, deu início a uma cultura moral que recaiu sobre a Humanidade (especialmente portuguesa) a partir do próprio Judas que, roído de remorsos, se enforcou. Temos, pois, de aceitar esta conclusão cruel: - É “criminoso” apontar!
            Porém, o nosso desgraçado mundo está superpovoado de contradições. Assim, de dedo indicador em riste, como cano de uma pistola, apontar o prevaricador, o ladrão ou o falso mensageiro de uma “novidade” de suposta de justiça social, tem dois fundos interpretativos.
            1º) – Quando uma vez o meu avô perguntou ao jantar a nós dois (eu e minha prima Teresa): «Quem ratou a marmelada que está na despesa, no tabuleiro de barro vidrado?». A minha prima, que já era insinuante, apontou o dedo rosado sobre mim, o culpado: - «Foi o Joaquim!». Para reprimir a “natural” tendência denunciadora da prima Teresa, o meu avô resolveu punir a menina, privando-a de sobremesa e, a seguir, embora zangado comigo, debitou-nos um discurso sobre a abjecção que é o denunciante. Pouco ou nada entendi na altura. O meu avô explicou então que, quando perguntou, esperava que eu respondesse, assumindo com coragem a culpa, ainda que pagasse tudo depois com língua de palmo, como se costumava dizer.
            Graças a este acontecimento doméstico, deixei de apontar com o indicador fosse o que fosse. Isto estimulou a minha busca de adjectivos para situar, sem ter de o apontar, um objecto, uma pessoa, etc.. Enfim, enriqueci os meus conhecimentos na língua de Luís de Camões e, por isso, repito ainda hoje: - É feio apontar!
Um dia, já jovem com alguma consciência política, a “lição” do meu avô veio a ser inesperadamente “actualizada”, sem mais nem menos…pelo ditador: - A determinada altura de um discurso, a cinzenta personagem Prof. Oliveira Salazar apontou o seu dedo indicador para o vazio, como um cano de uma pistola!
Fiquei esclarecido até aos dias de hoje: - É obsceno apontar!



2º) – A coragem de confessar a culpa, de assumir que errámos, acabou sendo uma raridade, uma vez que se tornou “moralmente” condenável apontar/denunciar a dedo o culpado. Pareceu-me, então, que a “culpa” passava a ter uma boa couraça protectora, pois na verdade, só em grandes aflições os culpados confessam os seus erros. Por exemplo, para salvar a pele, garantir a manutenção do seu estatuto socio-económico e, em última instância, conseguir absolvição para a alma.
De forma que, com os dedos indicadores contraídos, o denunciante que há em cada um, mantinha-se longe do “pecado”, naturalmente à custa de cerzir a vida em todos os seus velhos rasgões, olhando em redor, desconfiado até do azul do céu, não fosse alguém reparar no seu desejo de denunciar, mesmo subterrâneo.
Mas o regime da ditadura necessitava de denunciantes como de ar para respirar, fez pois constar que nem sempre o silêncio é de oiro. Assim, quem o guardava corria o perigo de deslizar para a suspeita de traidor à Nação, de subversivo. E o «Não se aponta que é feio», acabou caindo em desuso.
Então, o regime legitimou mesmo um certo tipo de «apontadores» … Foi mais longe, tornou-os profissionais e integrou-os, de forma não declarada, no âmbito do Decreto-Lei nº35046 (de 22 de Outubro) de 1945, que criou a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE). Como os ventos da História já haviam mudado, invocou-se na criação desta polícia política o modelo da Scotland Yard… A acção vigilante de «defesa do Estado», além da administração pública e da organização para-militar «Legião Portuguesa», ficou a contar com um “exército” de «informadores» civis, pagos à tarefa ou mensalmente, com direito a bónus segundo a “qualidade” da denúncia…  
A lição do meu avô, de teor «democrático», se assim posso dizer, estava pois condenada ao imbróglio, desde o dia em que o ditador pagou aos que apontavam a dedo os anti-fascistas deste País.
E o País mergulhou de novo, de forma sistemática, na “cultura da denúncia”… De novo? Sim! – Quando em 1760, o Marquês de Pombal criou a Intendência da Polícia da Corte e do Reino, municiou logo esta com uma «rede de espias e informadores»! Portando, o Prof. Oliveira Salazar seguiu de perto uma “tradição” inaugurada pelo Marquês de Pombal! De resto, isto é paradoxal, pois o terrível marquês foi personagem “muito querida” de uma parte substancial dos “democratas” anti-salazaristas!  
Enfim, a “cultura da denúncia”, mesmo após a democratização do País, veio para ficar?- Não sei…
O facto é que ganhou terrenos novos e, invadindo o jornalismo com a “mania” de revelar a verdade, “toda a verdade”, colou-se à mentalidade corrente do cidadão. Pelo que ninguém estranha a existência de tanto dedo apontado à direita e à esquerda e, ainda mais aberrante, há mesmo meios de comunicação social que pagam as informações que os «apontadores» (denunciantes anónimos) lhes indicam…Enfim, nada escapa, nem vida privada nem «segredo de justiça» …
Por fim chegamos a este patinhar na lama: - Quem denúncia pode mesmo arredondar o seu orçamento, desde que a informação valha os “trinta dinheiros” de Judas!



Soldados do MFA no acto de prisão de um “informador” da PIDE, de Abril de 1974.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

De hoje a sábado na BruxaTeatro, às 21,30H


Hoje em Évora um grande filme anti-colonialista


Esta quinta-feira mais uma sessão no Museu de Évora às 22h
A respeito da Violência
De Gohan Hugo Olsson
Documentário | Suécia | 2014 | 78’
Sinopse
Uma narrativa visual ousada e nova de África, baseada em material de arquivo recentemente descoberto que abrange a luta de libertação do domínio colonial, no final dos anos 1960 e nos anos 1970, acompanhado por excertos de Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon.

Évora: mau funcionamento nos serviços de atendimento de água e saneamento


Os serviços de atendimento de águas e saneamento funcionam miseravelmente.
Hoje concretamente a senha de atendimento ás 11.18 está no numero 39 e há quem tenha já o numero 140. É possível ficar aqui 6 a 7 horas para ser atendido, nenhum serviço pode ter um dia com tempo de espera de atendimento, é uma vergonha.
Há funcionários de férias, mas há tanto pessoal que anda no edifício da CME a arrastar-se sem ter que fazer, é uma questão de funcionalidade ou desfuncionalidade de serviços . Sr. Pinto de Sá venha ver a vergonha que é esta serviço, vou ligar para a CMTV fazer uma reportagem sobre esta falta de respeito pelos utentes do serviço.

Anónimo

5ª Semana dos Palhaços começou ontem em Évora


A V Semana d@s Palhaç@s abriu ontem com uma sessão solene, para apresentar à cidade grandes artistas de Espanha, EUA, Brasil, Escócia, Russia e Portugal, Canadá, Italia, Venezuela e Portugal. Com a paraça do Sertório cheia de gente de todas as idades!
Hoje e amanhã há espectáculos na Rua - Praça do Giraldo (18:00), espectáculos para publico familiar
Esta noite e sábado há serões de clown - comédia, cenas curtas numa atmofera intimista no Bar MOITE
Ainda neste Bar 3 sessões de Cabaré (quinta, sexta e sábado) arrancarão gargalhadas ao público jovem e adulto. 
No sábado e Domingo os espectáculos saem das praças para habitar os Jardins da Malagueira, onde para além de espectaculos o público é convidado a conhecer algumas da técnicas / linguagens performativas, através da realização de oficinas abertas à Comunidade. 
O Pim Teatro, entidade organizadora da Semana dos Palhaços lamenta o facto de este ano não haver palco na Praça do Sertório, sendo as sessões nocturnas realizadas noutros espaços (Bar MOITE e Biblioteca pública de Évora).
O financiamento conseguido no âmbito do Cenas ao Sul (10.000,00) não permite a contratação da equipa e recursos técnicos necessários à realização dos espectáculos nocturnos nesta praça. Não tendo a CMÉvora encontrado forma de (conforme sucedido em 2014) proporcionar este serviço, nem de disponibilizar o Teatro Municipal Garcia de Resende.
A organização do Festival agradece a todas as pessoas e entidades privadas que apoiam o evento através de ofertas de produtos ou de pequenos financiamentos (A Choupana, a Cafetaria Santo Humberto, a Gente da Minha Terra, a Inside Gourmet, as Bifanas de vendas Novas, o Alforge, a Delta-cafés, o Alguidar de Aromas, a Associarte, o Evora Inn Chiado, a Jal-Musica) que tambem nos ajudam a afirmar que este é um Festival ligado ao Comunidade (integra a rede europeia de Festivais - EFFE).
O trabalho do PIM teatro em Évora como o de tantos criativos em portugal e no mundo é uma afirmação de resistencia, de persistencia, do desejo de semear risos, poesia e esperança, contra ventos e marés, apesar de crises e de preconceitos, insistimos em celebrar a cada dia a alegria de estarmos vivos!
Visita, apoia e divulga a Semana dos Palhaços.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que é a História? (acasos em folhetins?)

Joaquim Palminha da Silva
II
            Muitos investigadores, eminentes historiadores e académicos brilhantes, têm-se debruçado sobre o suposto mecanismo da associação de ideias e factos que, de uma época para outra, parecem viver existência própria no seio da História, sem contudo conseguirem chegar a uma conclusão aceitável sobre ideias e factos semelhantes, que aparecem e desaparecem na cadeia dos acontecimentos, como que obedecendo a um propósito.
            Os Estados Unidos da América (juntamente com o Canadá) têm o seu percurso histórico separado e diverso da América do Sul. Enquanto os EUA são “filhos” da Europa protestante do Norte, a América do Sul é “filha” da civilização mediterrânica, de orientação claramente católica… Entretanto, deixo para os economistas as estatísticas das exportações e importações, e aos historiadores as descrições de mudanças revolucionárias, bem como a institucionalização da Democracia nas duas Américas. O que me interessa é o enigmático acaso, como capítulo da História dos EUA. Eis o que constato…
            Os colonos anglo-saxónicos desembarcados na América do Norte, protestantes e intransigentemente puritanos, encontraram, com surpresa, o Novo Mundo povoado por numerosos povos ameríndios, a que o vulgo chamou depois «peles-vermelhas». Porém, os “cristianíssimos” protestantes, incapazes de familiaridade com o outro, o diferente, ao contrário da missionação católica (por exemplo, dos padres Jesuítas!), não descansaram enquanto não rechaçaram dos seus territórios, perseguiram, dizimaram, massacraram os «peles-vermelhas» - Assim ocuparam os imensos e maravilhosos territórios dos ameríndios!
            Praticamente ao mesmo tempo, os mesmos colonos, sobretudo os que possuíam grandes plantações de algodão, adquiriram aos traficantes de escravos, que “caçavam” as populações das costas de África, verdadeiros exércitos de negros que se foram multiplicando nas plantações e, após a abolição da escravatura, povoaram as cidades como assalariados sem especialização, nas grandes unidades industriais…
            Hoje os «peles-vermelhas» estão reduzidos e acantonados como mera população pitoresca e, para efeitos de mercado, são levados a “viver” no cinema, sem respeito pela sua História, uma existência de “banda desenhada”. Entretanto, a população negra aumentou e, naturalmente já norte-americana, viu serem-lhe negados os direitos democráticos de que gozavam os brancos…
            Enfim, podemos afirmar que os EUA representam um dos acasos mais evidentes e singulares da História do continente americano, pela sua intrínseca e desapiedada desumanidade: - Primeiro suprimiram os «peles-vermelhas» para lhe ocuparem o território; depois, como necessitavam de multidões para trabalhar, “importaram” de África exércitos de escravos negros, a quem, depois, recusaram sistematicamente direitos e liberdades.

Este descaramento de desumanidade, capítulo de evidente maldade nos anais da História dos EUA, acabou por se concluir com um feliz e espectacular acaso, que também pode ser encarado como uma enigmática remissão: - A 56ª eleição presidencial (2008), elegeu para presidente o senador Barack Obama; isto é, o 44º presidente dos EUA é um negro! 

Começa hoje em Évora a 5ª Semana dos Palhaços

terça-feira, 21 de julho de 2015

Câmara de Évora não tem dinheiro para custear electricidade para a Semana dos Palhaços na Praça do Sertório?


Este ano não vão haver espectáculos da Semana Palhaços na Praça do Sertório.
Parece que a Organização do festival teria de custear, entre outras coisas, a electricidade, porque a Câmara Municipal não dispõe de verba para o fazer.
Uma pena, já que ano após ano, (vai já na 5ª edição) o festival tem vindo a crescer e sempre com grande adesão popular.
Mas de facto ter palhaços no largo da Câmara, é uma coisa muito desprestigiante. Talvez seja por o "palhaço" ser anarquista, desconstrutor, incómodo... talvez seja porque a "Cultura" apenas seja aceitável quando tutelada.
Vale no entanto a coragem dos edis ao manterem os circos com animais no Concelho, para que, segundo defendem, se defendam os postos de trabalho dos tratadores (atenção que isto é mesmo a sério, não é palhaçada nenhuma) e vale também a frontalidade de abrilhantar a Feira de S. João, com uma magnífica tourada, com ferros de espetar e lombos de touros disponíveis para serem espetados.
Morra o Pim! Morra! Viva a vénia! viva o desrespeito pela diferença, vivam os couratos e os contratos eleitorais e outros tratos de polé que se vão dando à cidadania.

Miguel Sampaio (aqui)

O que é a História? (acasos em folhetins?)

Joaquim Palminha da Silva
I
            Há pessoas que acreditam que se pode ensinar História, como se esta fosse um laboratório a funcionar em pleno, repetindo experiências que, pelo rigor das fórmulas empregues, resultam sempre idênticas…
            Surgiu-me a ideia de História, a propósito das recentes declarações do ministro francês da Economia, Emmanuel Macron, que ao falar da crise económico-financeira da Grécia, afirmou que a França não será cúmplice de um «nouveau traité de Versailles». Este tratado aconteceu em 1919, após a derrota da Alemanha na I guerra mundial (1914-1918). Na prática, os Aliados (França, Inglaterra, Bélgica, etc.) impuseram ao país vencido pesadas indemnizações e reparações materiais, impossíveis de concretizar, dado o estado de completa ruina e destruição da Alemanha. O resultado desta humilhação foi o nascimento de um nacionalismo exacerbado, que deslizou para o nazismo com as trágicas consequências que todos conhecemos… - Enfim, os estadistas de hoje julgam que a História se pode repetir, assim, sem mais nem menos!
Os estudantes e os futuros homens de Estado, fariam muito melhor em manusearem com cautelosa precaução a série infindável de narrativas históricas, em vez de acreditarem em supostas “leis”, “regras” e “ritmos” próprios da História. Eis, pois, os acasos que fazem da História uma série de folhetins sem continuação, sem racionalidade intrínseca e, no fim, uma continuada incógnita!
            Quando o comandante militar britânico Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, entrou em Madrid em 1812, após ter vencido os exércitos napoleónicos que estacionavam na Península Ibérica, encontrou vários “incómodos” simpáticos que as autoridades espanholas lhe reservavam, um deles sobrepunha a todos: - Ter de “pousar” horas e horas face a um pintor, para um retrato a caminho da posteridade!
            O artista indigitado pelas autoridades para o retratar foi, vejam lá, o genial e já famoso Francisco Goya, que não sabia inglês e era surdo. Apenas por cortesia e cavalheirismo britânico, o general acedeu a fazer de modelo, dado que não apreciava muito os artistas dos pincéis… E os intermináveis dias de sessões no “atelier” de Goya seguiram-se, até cobrirem de impaciência o general. Porém, um dia o inglês explodiu zangado com qualquer pormenor do retrato que não lhe agradou, e desfechou desdenhosos impropérios…Goya nada entendia, mas conhecia bem as fisionomias humanas e, orgulhoso, percebeu que o inglês o humilhava e, assim, empunhou uma das pistolas que tinha sempre à sua beira, e apontou-a ao vencedor de Talavera. O general levou a mão à espada e levantou-a em sinal de defesa… Não se sabe bem o que aconteceu (talvez alguém tenha acorrido!), mas depois de se olharem nos olhos, Goya e Wellesley retornaram à tranquila normalidade do trabalho.

            Se porventura Goya houvesse disparado, assim, à queima-roupa, liquidando o general inglês naquele ano de 1812, que é que teria acontecido nas planícies da Bélgica, em 1815? A batalha de Waterloo teria sido vencida pelas tropas inglesas e prussianas? O “destino” de Napoleão Bonaparte não terá estado suspenso, dependente da pistola de Goya apontada ao general inglês? Não foi este facto um acaso, portanto desobediente às “leis” históricas?