quinta-feira, 17 de Abril de 2014

O lado de lá

O PCP apresentou ontem, pela quarta vez, um projecto de resolução pela renegociação da dívida pública e pela quarta vez o resultado foi o mesmo, tendo o PS, o PSD e o CDS votado contra a proposta que a bancada comunista apresentou.
A única diferença entre este projecto de resolução e os anteriores, é que este é apresentado após a divulgação de um manifesto subscrito por alguns supostos senadores da República reclamando a reestruturação da dívida pública.
Lembro as declarações de alguns militantes do PS quando durante mais de uma semana se discutiu o conteúdo do dito manifesto, acreditando que a direcção do seu partido acompanharia as propostas nele contidas.
Bastou a ida à Assembleia da República de uma proposta de resolução para se desfazer a ideia de que o PS teria mudado de lado e abandonado a troika interna passando-se para o lado da maioria dos portugueses.
Não foi assim, como se pode verificar pela votação mas em particular pela violência das intervenções contra a proposta do PCP.
Dir-me-ão que a proposta do PCP é diferente da constante do mediático manifesto. Concordo. A proposta da bancada comunista aponta para a necessidade de renegociação da dívida nos juros, prazos e montantes e aponta para um caminho de políticas de defesa e reforço da produção e do investimento, que permita o crescimento da economia e um eficaz combate ao desemprego.
Mas ainda assim existe uma base de convergência, cada vez mais alargada, de que a dívida pública é insustentável e que o caminho seguido até agora levará ao empobrecimento generalizado da maioria dos portugueses, sem a contrapartida de ver reduzida a dívida.
Parece que fora deste consenso alargado estão apenas os partidos que assinaram o memorando com a troika externa e o senhor de Belém, tão bem caracterizado por Alexandra Lucas Coelho na cerimónia em que recebeu o grande prémio de romance da APE.
A posição assumida hoje pelo PS na Assembleia da República faz-nos pensar que o significado da palavra mudança, que ornamenta agora os cartazes de pré campanha eleitoral, tem tanta correspondência com a realidade como a utilização da palavra irrevogável pelo ministro de estado do CDS.
A mudança que nos propõem parece ser o famoso salto da frigideira para o lume, depois de termos saltado do lume para a frigideira quando passámos do PS para o PSD/CDS.
Dizia-se no projecto apresentado pelo PCP: "Hoje, mais do que nunca a questão está em saber se se rompe com a política de direita, se se assume uma política patriótica e de esquerda que tenha como primeira e importante decisão a renegociação da dívida pública em benefício dos trabalhadores, do povo e do país, ou se se permite que o país continue a ser arrastado para o desastre."
A votação de ontem foi esclarecedora sobre de que lado se coloca o PS.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Amanhã, em Évora, debate organizado pelo Bloco de Esquerda


DEBATE
ÁRABES E EUROPEUS: O CAPITAL PREDADOR ENTRE DITADURAS E DEMOCRACIAS

17 Abril | 21h30 | Alcárcova de Baixo, 45

José Manuel Pureza
(Dirigente do Bloco de Esquerda)

Shahd Wadi
(Candidata ao Parlamento Europeu)

Adel Sidarus
(Mandatário Regional)

Evento no Facebook: Aqui

terça-feira, 15 de Abril de 2014

O ovo

É Páscoa, semana santa, vou falar de ovos. Podia falar de coelhos, mas não me apetece, o bicho anda com más conotações, coitado; podia falar de folares, mas o que os torna desta época é o ovo que os acatita; podia falar de cabrito ou borrego, mas de sacrifícios andamos todos “por aqui”; e podia falar de amêndoas mas, lá está, caímos no ovo que é do que elas se mascaram nesta quadra.
Podem supor, como eu supus, o quão difícil seria encontrar uma frase ou pensamento de autor, mais ou menos erudito, em torno de ovos, mas nem por isso. A grande maioria relaciona-o, ao ovo, ao tempo que há-de vir, ao futuro, à paciência, entre outros conceitos mais ou menos inusitados. É que me apetecia mesmo falar de como os ovos são ou uma espécie de caixinha de surpresas, normalmente boas, ou, no extremo oposto, uma terrível caixa de pandora. Que deles saem fofos pintainhos ou patinhos ou passarinhos, enfim bichos de penugem que deixam qualquer um mais lamechas. Como saem répteis que logo evocam bestiários do mal, mais imaginados e simbólicos do que reais. Como saem espécies que são chocadas por outras espécies, como os do cuco, que para os pôr, lá tem que ser, perpetuar a espécie e manter a linhagem, mas para os chocar, que é o que dá trabalho e moengas, espera aí que tenho mais que fazer… Como há, ainda, os ovos que sendo podres cheiram logo mal e se denunciam quando se partem, e os outros, de que é mais frequente encontrarmos vítimas o que me leva a pensar que são por isso os mais perigosos, que aparentemente de bom estado albergam a maldita e quiçá mortífera salmonela.
Afinal, eu queria falar do ovo e parece que acabei a falar da espécie humana que também lá tem, no fundo, no fundo, o ovo como génese. Isto está tudo ligado e por isso é que é em torno de histórias que se explica a religião, que religa tudo, e voltamos à Páscoa que está ligada ao Natal, como o nascimento está ligado à morte, e encontrar linhas, que são as histórias, que unam estes pontos é ir mostrando o caminho.
Oscilei, por tudo isto, entre uma citação de Andersen, um autor por quem tenho um afeto muito especial, e que a propósito do Patinho Feio, claro, dizia que «nascer numa quinta de patos não fazia mal, desde que não se saísse de um ovo de cisne»; ou outra de um autor com quem convivo bastante, C.S. Lewis das Crónicas de Nárnia que dizia que «pode ser difícil para um ovo transformar-se num pássaro: seria uma visão divertida, e mais difícil para o pássaro, aprender a voar permanecendo um ovo. No tempo presente, somos como o ovo. E não se pode continuar indefinidamente a ser apenas um ovo comum, decente. Deve-se ser chocado e eclodir ou apodrecemos.»
Ora, afinal, estes dois autores de chamada literatura infanto-juvenil sabiam bem que isto de embalar as crias ao som de bons avisos e princípios, como os que estão nas entrelinhas das boas histórias e sem necessidade de grandes lições de moral a rematar, é meio caminho andado para que saibamos que o que de um ovo saia, retirada a casca, ou é o que se espera ou é uma surpresa para a qual devemos estar alerta.
Boa Páscoa e até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Évora: João César Monteiro hoje na Igreja de São Vicente


15 de Abril, 21h 30
Que farei eu com esta espada?
João César Monteiro, 1975, M12


https://www.facebook.com/events/160882024100522/

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Há outras évoras que (também) merecem

hoje está igual há dois anos atrás (aqui)

Senhor Presidente da Câmara

Nasci e tenho vivido nesta cidade já lá vão mais de 60 anos, para mim é o lugar mais lindo deste país, é com profunda tristeza que assisto ao definhar da nossa terra, basta passear pelo centro histórico e ver prédios abandonados,pavimentos degradados, ruas sujas, fora do centro histórico a situação em termos de limpeza ainda é mais grave, sujidade,passeios transformados em autênticos matagais.
Sei que tem feito um esforço enorme para mudar uma situação que herdou caótica, aquilo que lhe peço é que tente mobilizar os serviços de higiene e limpeza para um esforço redobrado e para que ao menos esta cidade a nível de higiene e limpeza apresente uma melhor imagem,como eu gostaria de ver a minha cidade pelo menos limpa..........com ruas onde desse gosto andar, sem lixos, porcarias e matagal.

Anónimo
14 Abril, 2014 13:27

Estamos De Pé!

Casa cheia na inauguração da nova sede do Bloco de Esquerda em Évora. O evento decorreu ontem e contou com as intervenções de José Soeiro (membro da mesa nacional do Bloco), Adel Sidarus (mandatário regional da lista do Bloco de Esquerda às Eleições Europeias) e Maria Helena Figueiredo (candidata ao Parlamento Europeu).
Reconfortante estar perto de tanta gente de confiança, gente de esquerda, gente que não verga, que está disponível para lutar, para enfrentar… gente que está de pé contra a austeridade que o capitalismo selvagem nos traz, dia após dia.
Gente que não tem medo, que dá a cara, que verga preconceitos e se levanta perante a injustiça e a violência neo-liberal.
Enfim… Gente que está disposta a fazer da memória do que aconteceu em Abril, há 40 anos atrás, alento para um novo futuro.
Vivemos tempos muito difíceis. A agenda da direita é clara. Tentarão continuar a utilizar os mecanismos austeritários, provocando medo e sentimentos de culpa, para continuar a promover o desemprego e a pobreza, retirando recursos quem trabalha para entregá-los, de mão beijada, à grande finança.
Mas nestes tempos há quem desfaça o medo e esteja pronto para lutar por um novo rumo. Gente que não quer a “mudança” que alguns anunciam, mas que na verdade significa alternância para mais do mesmo. Gente que quer a revolução, para um País e uma Europa do Emprego, da Solidariedade, da Confiança, da Cidadania, da Cultura, do Ambiente, da Justiça Social e Fiscal.
Um país para o Povo e uma Europa dos Povos. Não desistimos! Estamos de pé!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

sábado, 12 de Abril de 2014

Évora: este sábado debate "Democracia e Dívida" na "é neste país"


A É Neste País recebe o debate Democracia e Dívida
Sábado dia 12 de Abril pelas 16:00

Mas afinal, que Dívida é esta e porque é que a Democracia está submetida a ela? Que podemos fazer? Pagamos, reestruturamos ou não pagamos? Como auditamos a Dívida? Será que juntos podemos?
Claro que sim (nem há outra forma!).
Conversa democrática e apartidária sobre todas estas perguntas, em Évora.

Blogue: http://democraciaedivida.wordpress.com/2014/03/30/debate-democracia-e-divida-evora-12-de-abril-16-horas/

Facebook:https://www.facebook.com/events/475027435932390/

Este sábado histórias na "é neste país"


12 de Abril de 2014, pelas 11.30h
Com quantos pontos se conta um conto?

Nicole, Simão & Susana