domingo, 27 de Julho de 2014

Viagens de recreio e "coltura" na Praça do Giraldo



(...)          Todos os anos em Agosto, Portugal é invadido por “eventos” cantantes, gritantes, teatrais e outras artes gerais. Não se consegue descobrir porquê nem para quê, além do gesto generoso de autarquias e poder central em pagarem uns míseros dinheiros aos infelizes artistas (ajudando-os a sobreviver) que, assim, elevam vilas e cidades à fama das nuvens. Évora não escapa a este ambiente festivo de difusão cultural junto dos habitantes e forasteiros que, se não fosse esta urbe a patrocinar tais habilidades, não se sabe se alguma vez uns e outros abandonariam a sua paralisia intelectual no decorrer do Verão, derretendo e bocejando à sombra… quase a 40º!

            A cidade ensaia, portanto, todos os estios um can-can sazonal com os seus pés tardos, que tantos formigueiros esmagam no ano inteiro e, com um sorriso amante, dispõe-se a adormecer tarde, bem como a sofrer a força propulsora de bares e esplanadas em ruas mais estreitas que cinturas de bailarinas, caindo nos braços dos decibéis acima do tolerável, ralada de desejos fora de prazo, esgotada mas, quem sabe, talvez feliz por ver tanta alegria e… “coltura”, no País do défice permanente e da dívida externa galopante

            E os “eventos” interessantes sucedem-se, em palcos diversificados, coloridos, colocando a cidade de Évora no epicentro da “coltura” na Península Ibérica!… Passeando o seu talento cultural sob as arcadas da Praça de Giraldo, a urbe zanga-se se a não tomam a sério, partindo amuada, quando a brisa é tépida e a discussão demasiado maçadora, a fazer praia no Degebe, perdão… no Alqueva!

            Enfim, em cada Verão que passa proporcionamos viagens de recreio e “coltura” através da nossa miséria e, por preços de saldo, facilitamos aos aparatosos turistas que assistam à nossa intimidade cultural, com a barba por fazer e em chinelas de quarto! – Que vergonha, meus senhores e senhoras! 


Joaquim Palminha Silva (aqui)

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Banqueiro Ricardo Salgado detido esta manhã, noticia o CM



O antigo presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, foi esta manhã detido na casa onde reside, no Estoril. Ao que o CM apurou, a detenção foi levada a cabo no âmbito do envolvimento do ex-banqueiro na chamada Operação Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detetada em Portugal. A operação foi desencadeada pelo Ministério Público com o apoio de inspetores tributários e liderada pelo juiz Carlos Alexandre e surge no seguimento de buscas efetuadas ontem, quarta-feira, a várias entidades do Grupo Espírito Santo. Ricardo Salgado vai esta manhã ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Provérbio do Dia



Com a dívida a 132% do PIB...

"Muda-se de moleiro, não se muda de ladrão."

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

The End



"O Banqueiro" poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot.

domingo, 20 de Julho de 2014

Os Mortos Têm todos a Mesma Pele


Não existem palavras que definam o horror.
O horror não tem cores, não tem raças, não tem história. Tem o cheiro do sangue e das mortes e o sabor do sal.
Do sal que interdita a vida, que seca, que transforma em pó qualquer semente esquecida de humanidade.
Não me falem por favor de religiões, nem de terras prometidas em que o mel escorre das árvores, não me digam nunca que há mortes inevitáveis, necessárias para preservar um qualquer bem maior.
Há mortes simplesmente! E destruição! E dor! E uma raiva surda que cresce nos corações dos homens que se julgam impotentes!
Mas nós não somos impotentes! Somos cúmplices! O nosso silêncio é cúmplice e por isso criminoso! Não é em Gaza que temos de lutar! É cá! Porque com o nosso abandono admitimos como lideres os parceiros criminosos dos criminosos que matam em Gaza.
Ninguém nesta Europa dos “Direitos” se ergue e diz Não? Nenhum dos nossos “eleitos” se atreve a recusar este infame genocídio? Será que nos esquecemos já das guerras que sofremos, dos milhões de mortos? Da fome? Do horror suástico que por inventar uma qualquer precedência na cadeia alimentar, sufocou com sangue o mundo inteiro?
Vistos do espaço, à distância, somos todos muito parecidos, a diferença consiste talvez, e apenas num olhar atento, no facto de uns se alimentarem dos outros...
Há mães que morrem abraçadas aos seus filhos nestes tempos de barbárie.

Em volta um vento que geme e gemendo jura que os mortos têm todos a mesma pele.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Elvas:"Rondão de Almeida e Elsa Grilo montaram uma segunda Câmara"


O presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, sublinhou, em comunicado, que "foi montada uma segunda Câmara", revelando "uma crescente falta de respeito pelo cargo" desde que foi eleito.
No comunicado, enviado aos órgãos de comunicação social, pode ler-se que "os Elvenses têm sido informados, sobretudo por jornais e rádios, da situação na Câmara Municipal de Elvas. Mas, nos últimos dias, têm sido ditas muitas coisas que não estão de acordo com o que se tem passado e pode vir a passar.
Para todos, faço um pequeno resumo da situação.
Desde que fui eleito, em Setembro do ano passado, e tomei posse de Presidente da Câmara, em 12 de Outubro de 2013, senti uma crescente falta de respeito pelo meu cargo, em especial por parte dos Vereadores dra. Elsa Grilo e comendador Rondão Almeida.
Foi montada uma segunda câmara, com funcionários e colaboradores ao serviço dos seus objectivos, e tomadas decisões internas e públicas, algumas de grande importância, sem que eu tenha tido sequer conhecimento delas.
Uma situação que tem vindo a piorar, como a população tem notado, e atingiu o momento decisivo na reunião de 9 de Julho passado.
Nessa data, fui surpreendido, em plena reunião da Câmara Municipal de Elvas, por uma série de propostas apresentadas pelo senhor comendador Rondão Almeida, sem que uma palavra sobre o assunto me fosse dita antes.
Não podia tolerar mais esta falta de respeito para comigo, enquanto Presidente da Câmara!
Tinha de tomar uma decisão. Sabia que a decisão era difícil, mas não poderia continuar como se nada se tivesse passado. Ou me demitia, ou retirava os pelouros aos dois Vereadores.
Sabia que eu tinha sido eleito Presidente e havia quem não respeitasse a vontade popular. Mas também sabia que havia quem tivesse sido eleito Vereador e quisesse continuar a ser Presidente.
Decidi em consciência e, na passada terça-feira dia 15, comuniquei a minha decisão à Câmara Municipal: retirei os pelouros por mim confiados aos Vereadores dra. Elsa Grilo e comendador Rondão Almeida.
Quero deixar claro que esta posição não é nada de pessoal, pois eu considero o trabalho liderado pelo comendador Rondão Almeida durante 20 anos, para o qual também contribuí. Como a maioria dos Elvenses, estou reconhecido e grato a esse trabalho.
Esta posição é política, porque o que está em causa é a maneira como dois Vereadores se têm comportado para com o Presidente da Câmara, durante quase um ano.
Devo esclarecer que a Câmara de Elvas continua a funcionar, com a garantia de vencimentos aos seus funcionários e retribuições aos colaboradores, com a garantia do apoio em todos os programas sociais, com a continuidade das obras em curso e a concretização dos eventos já programados.
Eu continuo a ser Presidente da Câmara e a contar com os autarcas que queiram prosseguir em funções. Se houver alguém que abandone, será o responsável pelo ato e suas consequências.
Mantenho-me fiel ao compromisso assumido com os Elvenses de ser Presidente da Câmara. Mas também tenho um compromisso com a minha consciência, de exercer este cargo com dignidade e de o levar de pé até ao final".

Festival Músicas dos Mundo começa hoje em Porto Côvo

O Festival Músicas do Mundo inicia hoje a volta ao globo, com Cláudio Castelo e uma fanfarra do Rajastão, propondo meia centena de concertos, de várias geografias, e outras atividades culturais, que vão prolongar-se até 27 de julho.
O primeiro dia de concertos tem início nas ruas de Porto Covo, que, após quatro anos de interrupção, volta a acolher o primeiro fim de semana do Festival Músicas do Mundo (FMM).
Cabe à Jaipur Maharaja Brass Band, originária do Rajastão indiano, inaugurar a cena musical, às 17:30 (bisando no sábado, às 18:00). Na tradição ancestral das fanfarras que animam nascimentos, casamentos e outras festas, os sete músicos, todos homens, vão tocar metais e percussões, acompanhados por uma bailarina acrobata e contorcionista.
Os espetáculos no largo Marquês de Pombal, no centro histórico da localidade alentejana, começam em português, com o guitarrista Custódio Castelo e a jovem fadista luso-francesa Shina, às 19:00.
São mais seis os nomes de artistas portugueses convidados para o FMM: Ai! (dia 21), Zé Perdigão “Sons Ibéricos” (dia 22), Galandum Galundaina (24), Júlio Pereira (25), Gisela João (25) e The Soaked Lamb (a 26).
Hoje, a seguir a Custódio Castelo&Shina, vão atuar os franceses KrisMenn e AleM, com uma abordagem contemporânea à música tradicional da Bretanha, e Bachu Khan, outro indiano do Rajastão, com canções de amor em língua marwari.
No sábado, Israel, Irão e Turquia vão suceder-se em palco, mostrando que a música é alheia a conflitos geopolíticos. Istiklal Trio (Israel) e Kayhan Kalhor& rdal Erzincan (Irão/Turquia) preenchem, juntamente com Teta (Madagáscar), as propostas do segundo dia de festival.
Karolina Cicha&Bart Palyga (Polónia) e Cimarrón (Colômbia) são duas das sugestões para domingo, a que se junta a moçambicana Selma Uamusse, que vive em Portugal.
Ao longo do festival, a lusofonia far-se-á ainda ouvir com os são-tomenses Conjunto África Negra (dia 23, 19:00), o angolano Nástio Mosquito (dia 24, 23:15) e a cabo-verdiana Mó Kalamity (dia 25, 02:30).
Durante nove dias, o FMM propõe uma oferta cultural variada, além dos concertos. As ruas serão palco de outros momentos musicais, com o Coro da Achada, do Centro Mário Dionísio, no sábado, às 17:00, em Porto Covo, e o projeto de fusão Yemadas, nos dias 24 e 25, às 18:00, na avenida da Praia, em Sines. Os professores e alunos de música dos vários concelhos do Alentejo Litoral vão poder mostrar a sua arte em doze atuações.
Especificamente dirigidas a músicos são as três conversas previstas para a Escola das Artes do Alentejo Litoral, com Mulatu Astatke (23), Tigran (25) e Muhammad Reza Mortazavi (26).
A literatura e o cinema também fazem parte do programa, que propõe duas conversas com escritores (Afonso Cruz, dia 24, e Alexandra Lucas Coelho, dia 26, ambos às 17h00, no Centro de Artes de Sines) e cinco documentários (“Timnadine Songs”, de Caitlin M. Roger, “Kora”, de Jorge Correia Carvalho, “Hereros Angola”, de Sérgio Guerra, “Dona Tututa”, de João Alves da Veiga, e “Soundbreaker”, de Kimmo Koskela).
Ateliês para crianças, com alguns dos artistas convidados, sessões de contos e até uma aula de biodanza são outras das iniciativas paralelas.
Hoje, às 15:00, no Salão do Clube Desportivo de Porto Covo, o investigador italiano Alessandro Portelli vai estar à conversa com o coletivo lisboeta Unipop, sobre o projeto “Roma Forestiera”, destinado a recolher música feita por migrantes. (lusa)

programa aqui: http://fmm.com.pt/

Ovibeja 2015 já tem cartaz