terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Spoilers q.b.

Queria hoje falar-vos da mina da Boa Fé. O assunto anda quente aqui do lado leste da fronteira com o vizinho concelho, a quem a prospeção e exploração de um ouro de que há muito se fala, e a concretizar-se, também afetará.
Desse concelho vizinho veio o presidente que do lado de lá terá proposto a votação favorável do interesse municipal dessa exploração. Digo “terá” porque, de facto, nunca vi nem li tal parecer, já que o filtro para a opacidade do que se passa nas reuniões públicas do concelho de Montemor-o-Novo é bem eficaz na impossibilidade, ou pelo menos enorme dificuldade, para o público em geral de consultar as atas deste órgão democraticamente eleito. E por estes dias previsivelmente se fará, neste concelho de Évora onde foi eleita a equipa que o “ex.” de lá e atual de cá dirige com maioria absoluta, uma proposta com o mesmo assunto que, à data em que componho esta crónica, ainda desconhecemos.
E vou usar o estrangeirismo spoiler para tratar o assunto. A palavra spoiler tem origem no verbo to spoil, que significa “estragar” em inglês. E não, não vou discorrer sobre os estragos que uma mega intervenção daquele calibre, a realizar-se, vai causar. Isso já muitos têm feito, bem feito, apesar de não pertencerem, ao que conste, àquela espécie de partido registado como “os Verdes” que se junta ao Partido Comunista, sabe-se lá porquê (eu até tenho uma ideia sobre isto, mas agora não tenho tempo para a expor, talvez noutro dia), para formar a coligação em que a maioria dos eborenses que votaram nas últimas autárquicas se reveem.
O spoiler de que vos falo é aquele que revela a outros informações sobre o conteúdo de algum livro ou filme, antes que esses o tenham visto ou lido e ainda o queiram fazer. O spoiler é uma espécie de desmancha-prazeres, o indivíduo ou fonte de informação que conta o final da história e estraga a surpresa aos outros. Alguns artigos e programas de divulgação ou informação até destacam um "spoiler alert", uma espécie de aviso usado quando algum conteúdo sobre um filme, série ou livro pode revelar elementos importantes sobre o seu enredo.
Ora, os mais atentos saberão bem que este filme da exploração de ouro tem episódios e desenlaces muito conhecidos, nenhum deles capaz de reviravoltas felizes e surpreendentes como tentam, os seus realizadores, ao dourar-lhe o final: centenas de empregos por cinco anos e uma estupenda paisagem reordenada por cima das crateras deixadas, de fazer inveja a qualquer lugar natural classificado pela Unesco. Acreditem que neste caso não é preciso ver para crer, basta procurar q.b. os spoilers e vão ver que lhes agradecem todos os pormenores revelados, concordando que “se tire a Boa-fé deste filme”.
O que também me quer parecer, pelo que tenho ouvido dos debates promovidos desde 2013, é que os únicos ainda realmente interessados no projeto são a empresa exploradora canadiana e talvez alguns satélites seus que permanecem na sombra, como pareceu ser o Álvaro, o ex-ministro que mandou avançar as primeiras prospeções com despacho de quem quer, pode, manda, e “mais nada!”. Ou seja, não vi ainda ninguém, de Évora ou Montemor, manifestar-se em nenhuma posição pública a favor da mina de ouro. O que também me deixa ainda mais curiosa com o novo parecer municipal, desta feita do lado oeste da Boa-fé. Ora aqui está um filme sem spoilers… Aguardemos com atenção.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

De Boa Fé?

Vai decorrer na próxima sexta-feira mais uma reunião da Assembleia Municipal de Évora. Não posso deixar de realçar o agendamento da deliberação sobre a Declaração de Interesse Municipal do projecto de exploração mineira previsto para a zona da Boa Fé.
Finalmente ficará clara a posição de todos os eleitos. A propósito deste assunto e desta votação gostaria de enunciar alguns considerandos:

1. Sendo importante realçar que o Bloco de Esquerda foi o primeiro partido político a manifestar-se contra a execução deste projecto, e que esteve sozinho durante meses nesta batalha (digo partidariamente, porque sempre esteve acompanhado por muitos cidadãos e cidadãs independentes), devo afirmar que para o Bloco o importante é o impedimento da execução deste atentado ambiental e social, pelo que o envolvimento de outros partidos nesta batalha é uma óptima notícia. Esta causa merece a atenção e a intervenção de todos que de forma solidária queiram estar envolvidos.

2. Os dados existentes sobre o projecto e as audiências promovidas pela Assembleia Municipal de Évora a várias entidades (públicas e privadas) permitem determinar com clareza que este projecto constitui um atentado ambiental que influenciará as gerações actuais e vindouras. Mas estas audiências permitiram, também, deixar claro que não existem quaisquer vantagens sociais e económicas. Alegam que os royalties (de apenas 4% para o Estado) e alguns postos de trabalho (cujo tipo e qualidade do vínculo contratual é duvidoso) constituiriam uma mais-valia, mas ninguém (incluindo a CCDR-Alentejo e a Câmara Municipal de Évora) consegue avaliar com exactidão o impacto negativo sobre a economia da região (dos valiosos sobreiros e fauna, passando pela apicultura, pelo turismo, pela agricultura biológica, etc). Sabemos apenas que tudo ficaria em causa à mercê de uma actividade puramente especulativa e cuja história de actividade é caracterizada pelo abandono precoce e incumprimento de todas as promessas de recuperação pós-extração.

3. Perante tais evidências, não deixa de ser curioso que continuamos sem saber a posição oficial do PSD e da CDU. Sexta-feira ficaremos a saber. Mas não posso deixar de salientar que o Bloco de Esquerda condenará veementemente qualquer voto que não seja contrário à Declaração de Interesse Municipal, e na mesma medida, qualquer tentativa de adiamento da decisão. Os dados estão em cima da mesa, pelo que as acções, na próxima semana, dos eleitos na Assembleia e da maioria que governa o Concelho serão clarificadoras e merecerão uma posição forte, quer seja pela via do elogio e da congratulação, quer seja pela via do protesto e oposição.

4. Por fim, não posso deixar de sublinhar algo que normalmente não me merece qualquer atenção. Vou responder pela primeira, e calculo pela última vez, aos anónimos repletos de cobardia que enchem os blogs regionais de mentiras e calúnias. Estes senhores anónimos, tão identificáveis face ao seu perfil partidário profissional, apressam-se a dizer que o Bloco de Esquerda não votou contra a última revisão do PDM, ignorando a sua posição na votação do PIER – Plano de Pormenor de Intervenção em Espaço Rural para o Território do Sítio de Monfurado. A estes “anónimos profissionais” replico, aproveitando para esclarecer os meus concidadãos e concidadãs, que o Bloco de Esquerda se absteve no PDM, lembrando que este é um instrumento geral de ordenamento do território, mas sublinho que o Bloco foi o único partido a votar contra o PIER em Novembro de 2010, repito em Novembro de 2010. Um PIER, instrumento de gestão específico para a região em causa, viabilizado pelo PS e pela CDU, e que escancarava as portas para a exploração mineira. Em 2010, a deputada municipal do BE dizia, e citando a acta em questão (que pode ser consultada no sítio da internet da AME): “a Sra. Amália Oliveira transmitiu que a área do Monfurado lhe era particularmente querida, (…), sentindo-se bastante preocupada por o regulamento em causa ser assaz permissivo em relação à exploração mineira”. Nem o executivo, nem qualquer eleito, comentaram ou intervieram sobre tal aspecto. E já que falamos de Boa Fé, a política só faz sentido quando se age de boa fé, de consciência tranquila e fiel aos valores defendidos. Será que estamos todos no mesmo barco?
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio Diana)

domingo, 21 de Setembro de 2014

PS contra mina de ouro da Boa-Fé

 

Socialistas de Évora sustentam que actividade mineira provocará “enormes danos ambientais”

O PS considera que a actividade mineira na Boa-Fé, entre Montemor-o-Novo e Évora, provocará “enormes danos ambientais, com consequências negativas irreversíveis na qualidade da água e dos solos” e recomenda aos eleitos locais socialistas que tomem iniciativas para impedir o avanço do projecto.
Em moção aprovada por unanimidade no congresso da Federação de Évora, realizado sábado em Vendas Novas, os socialistas recomendam aos seus eleitos que tomem a iniciativa de “promover a discussão do assunto, o esclarecimento das populações, a pressão sobre órgãos de soberania, para além da tomada de iniciativas que conduzam à tomada de decisões que contribuam para impedir o avanço deste projecto” e que se empenhem na “realização de referendos locais, por forma a que a vontade das populações sobre matéria tão relevante para o futuro possa ser livre e inequivocamente expressada”.
No texto da moção refere-se que a Serra de Monfurado é uma “zona inserida na Rede Natura 2000, de elevado valor ambiental e paisagístico que é fundamental preservar, por forma a que possamos transmitir às gerações vindouras a herança que recebemos das que nos precederam”.

Notícia do Correio da Manhã: Universidade de Évora sob investigação


Denúncia refere que há professores sem alunos que recebem ordenado.

O Ministério Público está a investigar a Universidade de Évora (UE). O inquérito foi instaurado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, depois de uma denúncia de eventuais irregularidades, confirmou ao Correio da Manhã fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ao que o CM apurou, a denúncia refere que departamentos, como os de Química, Geociências, Pedagogia ou História, terão 15 a 17 docentes em excesso, uma vez que não há turmas suficientes. "Passaram a ter aquilo que agora se chama horários zero. Mais grave ainda é que estas pessoas não lecionam, não fazem investigação e passam os dias em casa recebendo o seu vencimento", lê-se na denúncia, em que é descrita também uma alegada falsificação de horários no departamento de Geociências para disfarçar a falta de aulas.
Segundo a denúncia, haverá ainda situações de "docentes que têm turmas muito reduzidas e horários com 5 ou 6 horas semanais". O departamento de Geologia terá cerca de 40 docentes quando no curso terão entrado apenas três alunos.
Além disto, são apontadas eventuais irregularidades nas contratações de professores para a universidade, sublinhando-se o facto de a atual reitora, Ana Costa Freitas, ter alegadamente contratado familiares para várias vagas. A mesma denúncia aponta estas irregularidades ao anterior reitor, Jorge Araújo.
O documento que serve de base ao inquérito do DIAP termina com a descrição de alegados churrascos ao fim de semana numa herdade que fica a oito quilómetros de Évora, onde a universidade tem um polo e onde viverá o administrador Rui Pingo.
O CM solicitou ontem ao final da manhã um esclarecimento à reitoria da Universidade de Évora, que até ao fecho da edição não respondeu.


Mal-estar entre os docentes

A investigação está a causar mal-estar entre o corpo docente e a reitoria. Há suspeitas de que as denúncias tenham partido de dentro da instituição. O CM sabe que os responsáveis da UE alegam que as mesmas não têm fundamento, pois nos últimos dois anos a Inspeção-Geral da Educação fez auditorias à UE que nada revelaram.


Universitários estão atentos
As denúncias estão a ser seguidas com atenção pelos estudantes neste arranque do ano letivo. "O conteúdo das denúncias é comentado. Mas, para já, não passam de especulação. Cabe às autoridades decidir se há matéria para investigação", referiu Luís Pardal, presidente da Associação Académica da Universidade de Évora.

Por Alexandre M. Silva, Sónia Trigueirão (aqui)

sobre este assunto ver também aqui

Vozes contra a exploração mineira na Boa-Fé.


Há uma semana realizou-se uma audição dos principais intervenientes no processo de mineração na serra de Monfurado por iniciativa da Assembleia Municipal, uma vez que a empresa pediu a Declaração de Interesse Municipal pelo projecto. O acincotons já publicou o relato da sessão produzido pelos serviços de informação da CME. Publica agora três opiniões sobre este processo dadas a conhecer nas redes sociais. 

Uma é de Maria Helena Figueiredo, candidata em Outubro passado pelo BE à Câmara Municipal de Évora e que esteve presente na reunião:
"A posição da CDU é mais que equívoca.
O que está em causa é a defesa do interesse das populações face ao interesse privado da empresa. E a afirmação do Sr Presidente da Câmara quanto a quem paga danos e a contrapartidas não foi tão veemente como a que se quer fazer crer.
Onde estavam os deputados municipais eleitos pela CDU? Porque faltaram tantos à sessão.
O Presidente da Junta de União de freguesias de Guadalupe e NSra da Tourega não apareceu, sendo uma das freguesias que vai ser afectada. 
Qual o futuro dos Almendres? 
É bonito celebrar lá os solstícios, não é? (aqui)

O segundo texto é assinado por Sandra Gonçalves de Gaia, psicóloga, residente em Évora e publicado no facebook.. 
Diziam os antigos que o importante são as consequências das nossas acções daqui a mil anos e naqueles que vão viver daqui a mil anos. Monfurado sobreviveu aos caçadores-recolectores e aos construtores de estruturas megalíticas. Apesar das suas riquezas, sobreviveu suficientemente bem a romanos e árabes para ainda cá estar hoje. Será que que as nossas acções vão fazer com que nos sobreviva, ou não? Temos de ter a noção de que, quando uma empresa de mineração de ouro nos oferece trabalho (do grosso, mesmo, mineração – que ainda por cima costuma ter impactos profundos na saúde dos mineiros) nos está a atirar côdeas. Há trabalho durante umas décadas e no fim delas nem trabalho nem ambiente nem condições para o desenvolvimento da região porque os ses valores se foram. Se estamos dispostos a licenciar projectos que implicam tais áreas e abate de árvores com certeza seremos capazes de atrair outro tipo de investimento (turismo, ambiente, etc) que geral igualmente emprego mas não põe em causa a poluição dos aquíferos, não lida com metais pesados, não desvaloriza o local, não prejudica a saúde e não nos deixa, no fim, com um enorme vazio na alma e na paisagem. A vontade da população vai ser respeitada? Façam saber à população que licenciaram projectos em actividades construtivas e acrescentadoras de valor em vez de em destrutivas e vamos ver o que as populações, que em certos lugares têm amor à terra e alguma da sabedoria antiga, prefere. Como bónus, que tal passar desde já uma mensagem às empresas de fracking e afins?

O terceiro texto é assinado por Pedro Duarte, morador na N. Sra da Boa Fé, no blogue "Árvores de Portugal" (19 de Junho de 2013)

Um projecto mineiro que poderá arrancar brevemente na aldeia de Nossa Senhora da Boa Fé ameaça o equilíbrio ambiental de uma das mais belas e paisagisticamente intactas serras alentejanas, Monfurado, situada a poucos quilómetros de Évora. Os impactes previstos são de múltipla ordem, afectando gravemente, para lá da saúde pública, as águas, a flora, a fauna e o património. Apesar de boa parte da população local estar a oferecer, de forma muito organizada e fundamentada, resistência ao projecto – o que, não sendo inédito em Portugal, é sintomático da gravidade dos impactes –, o poder central e local deu mostras públicas de estar decidido a dar-lhe luz verde. Curiosamente, até o presidente da Junta de Freguesia da Boa Fé, do Partido Comunista, se aliou aos promotores de um projecto que materializa os interesses do capitalismo mais especulativo, selvagem e irresponsável para com o meio ambiente e a saúde e o bem-estar das populações.
A enorme mina prevista para a aldeia da Boa Fé representaria apenas o início de um colossal projecto de exploração de ouro, ao nível dos maiores do mundo, que iria perpetuar a destruição da Serra de Monfurado durante décadas. O principal destino a ser dado ao minério, como confessou a uma rádio local o director da empresa promotora do projecto, é a criação de barras para alimentar as reservas de ouro de alguns países. Outra parte teria como destino a indústria internacional da joalharia. É para isto que paisagens muito valiosas do ponto de vista ambiental e cultural serão arrasadas e profundamente contaminadas.
O abate de árvores (sobreiros e azinheiras) previsto apenas para esta primeira fase abrange uma área de cerca de 100 hectares. A desflorestação massiva de 6 952 sobreiros e azinheiras adultos iria ocorrer no seio de um sistema agro-florestal singular, porque produzido e mantido ao longo de centenas de gerações pelos agricultores. Este sistema, perfeitamente adaptado às condições edafo-climáticas do Sul do País e com grande aproveitamento agro-silvopastoril, é conhecido por ‘montado’ e está cada vez mais ameaçado. Constitui um dos biótopos portugueses mais relevantes em termos de conservação da natureza e uma prova (infelizmente cada vez mais rara) de que as práticas agrícolas podem conviver com a manutenção da flora e fauna autóctones.
Quem desejar obter mais informação sobre este projecto ou contribuir para a resistência ao mesmo pode visitar a página:http://projectomineirodaboafe.wordpress.com/ (aqui)

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Amanhã, às 17H, na Sociedade Harmonia Eborense: estão todos convidados!


"...e sonho… com uma árvore que se recusa a tombar para não ser nunca o papel que me falta." 

Amanhã, sábado dia 20 de Setembro, a partir das 17h na sede da SHE haverá lugar à poesia. 
Será feito o lançamento do livro "UM RISCO AZUL NO CÉU" da autoria deMaria Barradas, editado pela Poesiafãclube (Corpos Editora) com a presença da autora. Nos poemas que publica no livro "UM RISCO AZUL NO CÉU", Maria Barradas que reside em Évora há quase trinta anos, faz uma viagem aos desafios e inquietações do nosso quotidiano no qual a liberdade e o amor estão cada vez menos presentes. 
Como a poesia é a música das palavras, nesta apresentação haverá também momentos musicais que acompanharão a leitura de alguns dos poemas do livro. A habitual sessão de autógrafos terá lugar durante o convívio que se seguirá a que não faltará um Alentejo de Honra.

“…Antes que o sal derreta o luar
E já não seja permitido amar”

Mina da Boa Fé: já se percebeu que BE e PS estão contra a exploração mineira. E a CDU?


A Assembleia Municipal de Évora (AME) promoveu no Sábado, dia 13, no salão nobre dos Paços do concelho, uma audição pública sobre o projeto de concessão de uma exploração mineira na localidade de N. Sr.ª da Boa Fé, no concelho de Évora. Marcaram presença diversas entidades envolvidas no processo de decisão, nomeadamente, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), CCDRA, CME, Colt Resources e Quercus a quem se juntaram os eleitos na AME pelas várias forças partidárias. De entre o público presente natural destaque para a população da Boa Fé, interessada em conhecer as vantagens e desvantagens deste empreendimento no seu território.
Esta exploração mineira de ouro – caso avance em definitivo – prevê a criação de 135 postos de trabalho diretos e cerca de 1000 indiretos, durante o período de 5 anos, ocupando uma extensão de quase 100 hectares. Trata-se de uma mina a céu aberto cuja laboração vai implicar o corte de quase 7 mil árvores (Sobreiros e Azinheiras) no sítio de Monfurado, área classificada no âmbito da Rede Natura 2000. 
Em defesa do projeto, os responsáveis da empresa promotora Colt Resources, com sede no Canadá, mostraram-se disponíveis para assinar um protocolo com a Câmara de Évora garantindo a contratação de mão-de-obra da região para este investimento. A empresa garante, ainda, que irá dar resposta às muitas condicionantes técnicas que constam na Declaração de Impacto Ambiental (DIA), sem as quais o licenciamento não pode avançar. Os representantes da Colt reafirmaram, novamente, a intenção de não avançar com este investimento no caso de a comunidade se mostrar contra o mesmo. 
Em cima da mesa esteve, também, a discussão sobre o pedido de Declaração de Interesse Municipal (DIM) do projeto, por parte da companhia Canadiana, à Assembleia Municipal de Évora. 
Carlos Pinto de Sá, presidente da autarquia eborense, assegurou que a eventual aprovação desta solicitação irá ser alvo de discussão lembrando, no entanto, que esta declaração não é condição para o avanço desta concessão mineira. O autarca recordou, também, que a competência para licenciamento da exploração mineira é do governo. A aprovação deste investimento deve garantir que os eventuais impactos ambientais, sociais e económicos tenham de ser ressarcidos, alerta Carlos Pinto de Sá. 
As preocupações de carater ambiental são partilhadas pelos eleitos dos partidos com assento na AME e pela população da Boa Fé. Questões como a possível emissão de metais perigosos para as linhas de água, poeiras contaminadas ou o abate de árvores, suscitam dúvidas sobre se a geração de riqueza que pode advir do projeto compensa as previsíveis perdas ambientais.
Na sua próxima reunião ordinária a Assembleia Municipal de Évora deverá pronunciar-se sobre a concessão mineira da Boa Fé. (informação da CME, sublinhados nossos)

Contanário começa amanhã em Évora


A É Neste País está de volta, como prometido voltamos com grandes novidades, a nossa maratona sofreu alterações e transformou-se em algo maior, chama-se Contanário.

Contanário nasceu do projeto “Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto”, que todos os anos comemorava os seus aniversários com a organização de uma maratona de contos. Ao fim de 4 anos, cresceu, ganhou um nome, e acontece de 20 a 27 de Setembro de 2014 em Évora. O Contanário é a nossa fonte de distribuição pública de contos e formas de contar.

Este ano o Contanário traz a Ana Sofia Paiva, o Bruno Batista, o Thomas Bakk, e a contadora da casa Margarida Junça (Bru); O marionetista de serviço Manuel Dias (Trulé), os nossos amigos da Associação Cultural Do Imaginário, as canções de Daniel Catarino, os livros de Nic & Inês e os maus retratos de Cristina Viana; a exposição de Afonso Cruz, a visita de Ondjaki, o Tó Zé e a sua campaniça, as marionetas do grupo Neste País Há Bonecos, e a apresentação do novo projeto da Biblioteca Pública “Uma Biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente”. Contamos também, e em especial, com todos os contadores e ouvidores que nos acompanham durante todo o ano.

O Contanário está quase a começar e estão todos convidados a acompanharem-nos nesta nova aventura!

Programa aqui

DA de hoje


quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Raquel Varela esta sexta-feira em Évora para falar de "o povo na revolução portuguesa"


A historiadora Raquel Varela vai estar esta sexta-feira, a partir das 21,30 horas, em Évora, para uma sessão promovida pela Colecção B, na Igreja de São Vicente. Raquel Varela é autora de diversos estudos sobre história contemporânea, tendo publicado recentemente "História do Povo na Revolução Portuguesa". Uma boa oportunidade para conhecer uma visão da história geralmente afastada dos discursos histórico-partidários, em geral meramente ideológicos e pouco factuais.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Évora: homem em greve de fome frente à delegação regional de educação do alentejo

Apenas e só, um passeio...


Ano: 2014. 
Cidade: Évora.
Eu sei que é difícil acreditar, mas a foto fala por si. 
Há 5 anos que eu, a minha família (e julgo que restantes moradores) aguardamos a ligação pedonal entre a zona onde resido (estrada da Chainha) e o restante bairro (bairro do bacelo).
Um direito tão básico, negado diariamente, apesar de todos os impostos e taxas municipais que pagamos regularmente!
Deslocações básicas como ir comprar pão, levar um filho à escola que fica logo aqui ao lado ou chegar à ecopista (a poucos metros), têm que ser feitas de carro, face à ausência de acessos pedonais/passeios entre esta zona residencial e o restante bairro do bacelo, bem como à perigosidade da estrada da chainha para peões, que tal como o nome indica é uma estrada e não um passeio (ainda por cima, sem bermas).
É urgente que o município de Évora resolva esta situação. 
Afinal trata-se apenas e só de fazer a continuidade de um passeio!

Venina Peixeiroenviado por mail, também aqui


Morreu Dinis Vital, antigo jogador do Lusitano de Évora


O antigo futebolista internacional Dinis Vital, que jogou no Lusitano de Évora e no Vitória de Setúbal, nos anos 1950 e 1960 morreu hoje, aos 82 anos, vítima de doença, disse à agência Lusa fonte hospitalar.
Segundo a mesma fonte, o antigo guarda-redes Dinis Vital estava internado numa unidade de cuidados continuados e deu entrada no serviço de urgência do Hospital do Espírito Santo de Évora, na terça-feira à tarde, tendo morrido na madrugada de hoje, devido ao agravamento do seu estado de saúde.
Dinis Vital nasceu a 02 de julho de 1932 na vila alentejana de Grândola.
Iniciou a carreira no clube da sua terra, o Grandolense, mas foi no Lusitano de Évora e no Vitória de Setúbal que se destacou no futebol nacional.
Sagrou-se campeão da II Divisão Nacional e alinhou na I Divisão com a camisola da equipa alentejana.
Mais tarde, transferiu-se para o Vitória de Setúbal, clube ao serviço do qual conquistou uma Taça de Portugal.
Como treinador, passou, entre outras, pelas duas equipas de Évora, Lusitano e Juventude, e esteve no Vitória de Setúbal como treinador de guarda-redes.
Em 1959, Vital vestiu, pela primeira e única vez, a camisola da seleção portuguesa num jogo amigável frente à Suíça, mas representou várias vezes a seleção militar de Portugal. (Lusa)

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Cultura alentejana nas ruas de Lisboa





A propósito do lançamento do filme "Alentejo, Alentejo", de Sérgio Tréfaut, diversos grupos corais alentejanos têm mostrado a sua arte e o seu saber em vários locais de Lisboa. Tem sido uma festa e uma mostra de cultura e de afirmação da identidade cultural alentejana, como este vídeo demonstra.