quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Estudante de Évora acusa Câmara de "plágio de projecto"

O meu nome é Lília Ramalho, 25 anos, nascida e residente em Évora, estudante de arquitectura na mesma cidade e praticante de Street Workout. Apresentei um projecto desportivo à Câmara Municipal de Évora há uns meses atrás, a mesma entidade fez-me trabalhar quase 1 ano no projecto, para por fim, mo roubar. Visto que não há mais nada que eu possa fazer, pelo menos gostaria que as pessoas soubessem quem são os dirigentes da cidade onde vivem e assim conto a minha história:
Há uns meses atrás, em Julho de 2014, iniciei um projecto que apresentei à Câmara Municipal de Évora. Um projecto para a construção de um parque de Street Workout na cidade.
E antes de contar a história, quero desde já deixar isto bem claro: eu não inventei o Street Workout nem inventei os parques. Sei disso!!
O que eu fiz foi o projecto, fiz desenhos para o parque, investiguei, pedi orçamentos a umas 10 empresas, apresentei o projecto, pedi tantos patrocínios que perdi a conta, enviei dezenas de mails, fui a diversas reuniões com a câmara e juntas, fiz telefonemas, fartei-me de andar de lado para lado à procura de soluções, fiz rifas, tentei o crowdfunding, tentei um concurso da EDP, fiz pedidos de requalificação dos espaços existentes, fiz e refiz o projecto para tentar adaptar melhores soluções, dei entrevistas para jornais, falei com inúmeras pessoas e nem sei mais o quê durante quase um ano…
Quando apresentei o projecto à Câmara Municipal de Évora, disseram-me que não tinham verbas, mas mostraram-se disponíveis para ceder o terreno para a colocação do parque e para colaborar se eu conseguisse angariar a verba necessária. Os meses foram passando e as coisas foram andado nestes termos, ou seja, eu sempre á procura de soluções para conseguir a verba e pedindo por exemplo patrocínios, questões que foram faladas em todas as reuniões com a Câmara Municipal ou Junta de Freguesia.
Até que há pouco tempo a Câmara me chamou para uma reunião no local onde seria colocado o parque e a pessoa que lá reuniu comigo, me disse que a Câmara estava a trabalhar num projecto semelhante mas mais global, para melhorar espaços públicos em toda a cidade. A Junta de Freguesia onde seria colocado o parque, finalmente também tinha mostrado interesse, dias antes, para o financiar, ainda assim foi-me dito pelos mesmos para continuar a tentar patrocínios pois ainda não era certo da parte deles. Veio então uma outra Junta de Freguesia a perguntar se podiam usar o projecto que eu fiz (sem tirar nem por) em nome deles, ao que eu respondi que o poderiam fazer, desde que fosse em parceria comigo e não excluírem o meu nome… Não voltei a obter resposta.
Relativamente pela mesma altura, fui contacta por um conselheiro do concelho municipal de juventude que revelou bastante interesse pelo projecto, oferecendo-se para ajudar-me a conseguir a verba necessária para realizar o projecto e neste âmbito sugeriu apresentar o projecto no conselho municipal de juventude na Câmara Municipal.
Entretanto por estes dias, fui contactada por um jornalista e dei uma entrevista que saiu no jornal o Diário do Sul e no jornal A Dica.
Será que é surpresa que tenha sido precisamente depois disto que toda a conversa por parte da Câmara Municipal mudou?...
No dia 18 de Fevereiro de 2015, ligaram-me da Câmara e começaram por referir que tinham sido contactados pelo conselho municipal de juventude em relação à apresentação do projecto através dos mesmos, assunto que eles (Câmara) referiram não ter cabimento. Disseram-me depois que tal projecto que engloba toda a cidade, vai para a frente em colaboração com as Juntas de Freguesia, que basicamente usaram o meu projecto, mas não querem lá o meu nome, nem o nome de quaisquer patrocinadores…
Falei-lhes então sobre o facto de ter enviado recentemente o projecto para um concurso da EDP e estar á espera de resposta, que viria no fim do mês de Março, quando serão seleccionados os 10 vencedores do concurso, e questionei sobre o facto de, se conseguisse o dinheiro, se a cidade ainda estaria disposta a receber o projecto. Disseram-me que as coisas não são assim… Que eu não posso por um parque na cidade sem consentimento da Câmara… fartaram-se de referir o facto de que o meu nome ou de patrocínios simplesmente não pode aparecer, não é possível, a Câmara não permite, etc, etc…
A conversa foi exactamente o contrário de tudo o que foi falado até a data.
Pelo telefone disseram-me ainda que aquilo que a Câmara quer fazer, pode nem ser exactamente um parque completo... pois não terão verbas suficientes. Pelo que deu para entender até podem ser apenas 2 ou 3 barras, mas de qualquer forma já não querem que eu tente arranjar o dinheiro para um parque a sério… Porquê? A mim me parece que seja só para não terem que dizer que fui eu que o consegui...
Tentaram ainda ensinar-me a mim que há parques de vários materiais e por isso os técnicos de desporto da Câmara “tem que ver”, porque eles percebem mais daquilo que eu, que sou arquitecta… palavras deles! Provavelmente também acham que percebem mais sobre o desporto em si e sobre o parque, do que eu e outras pessoas que praticam o desporto em questão…
Eu pergunto, será que esses técnicos de desporto que me referiram, são os mesmos que aprovaram barras em outros locais da cidade, com as barras de colocação (verticais) em madeira, que está toda podre e a cair, (por serem em madeira e por não terem qualquer manutenção), que tem cimento só ali em cima da terra (em vez de sapatas como é suposto) só para dizer que tem e portanto abana por todo o lado... Será que são os mesmos técnicos que estão a fazer esse tal projecto mas ainda nao foram capaz de arranjar o que já existe?...
Dia 20 de Fevereiro de 2015, ligou-me novamente a mesma pessoa da Câmara Municipal e voltou a repetir-me tudo o que já tinha dito e mais ainda… Como por exemplo que eu não inventei os parques de Street Workout (É verdade!! Foi a primeira coisa que referi, se voltarem atrás), e que não me roubaram nenhuma ideia, o que eles vão fazer é uma adaptação!
Disseram-me que não podem construir um parque a pensar apenas nos interesses de uma pessoa (estavam obviamente a falar de mim), tem que fazer um parque para todas as pessoas.
Passo a citar o que está escrito no projecto:
“(…)criação de um centro de exercício urbano para a prática de street workout que visa potenciar e promover a prática de actividade física informal, livre e espontânea, de forma segura e gratuita para toda a população(…)”
“(…)Combate o sedentarismo "tirando de casa" crianças, jovens, adultos e idosos, promovendo a prática de exercício físico e combatendo a dependência crescente ás novas tecnologias.
- Promove hábitos de socialização, aproximando pessoas de diferentes etnias, diferentes escalões sociais, diferentes zonas de residência e diferentes crenças ou religiões.
- Tem uma conotação social muito grande, pois é das poucas estruturas que permite que todo o tipo de cidadãos, independentemente da classe social, da idade, da profissão, do género ou da condição física, se possam juntar num espaço comum com o mesmo intuito e com o mesmo poder de usufruto.(…)”
“(…) este parque poderá ter um impacto muito forte junto da população, surgindo como uma novidade a experimentar e pelo facto de ser acessível a todos e sem custos monetários para a população (…)”
Disseram também que não podem fazer um parque direccionado apenas para um único desporto em particular (claro! Não há campos só para futebol ou parques só para skate…), ainda assim, passo a citar mais uma vez o projecto:
“(…) é uma modalidade desportiva composta de exercícios calisténicos, executados usando apenas o próprio peso corporal, através de movimentos de força, coordenação, explosão e equilíbrio, característicos de modalidades como a ginástica artística e o parkour, de onde provem as suas origens (…)”
“(…) A proposta de construção de um parque de Street Workout, é direccionado directamente para a prática da modalidade, mas a sua concepção, permite uma utilização multi-funcional, o que possibilita a utilização do mesmo por todos aqueles que o desejem (…)"
Mais uma vez, referiram também que os técnicos de desporto da Câmara tem que ver bem o material que vai ser usado porque eles percebem muito mais disto que eu.
Mas quem sou eu para falar sobre um projecto ou um parque de Street Workout?... Sou apenas a estudante de arquitectura que é também praticante do desporto em causa e portanto é óbvio que não percebo nada disto…
Sou aquela que vive numa cidade que não pode de forma alguma admitir que um simples mortal como eu, sem cunhas ou poder, apareça como alguém que tentou fazer mais pela sua cidade do que a própria Câmara…
Esta sou eu. Lília Ramalho.
Esta é a história do Projecto para o Parque de Street Workout de Évora.

NOTAS:
- Tenho todos os e-mails que enviei e recebi relativamente ao parque.
- Tenho os jornais onde saiu a noticia sobre o projecto, O Diário do Sul e a Dica.
- Em relação ao Crowdfunding, agradeço a todos que contribuíram, não se preocupem pois quando chegar o fim do prazo e o montante necessário não for atingido, todo o dinheiro será devolvido aos apoiantes.
- Em relação ao concurso da EDP, agradeço a quem votou mas não será necessário votarem mais.
- Em relação ás rifas, agradeço a quem comprou, o valor angariado será doado a uma instituição de apoio a crianças desfavorecidas.
No fim de tudo isto, apesar de o fazer com enorme tristeza, agradeço à Câmara Municipal de Évora, pois apesar de me ter roubado um projecto ao qual me dediquei e no qual trabalhei durante quase 1 ano, finalmente assim, talvez Évora vá ter parque de Street Workout.

Lília Ramalho (por mail). (Também aqui)

Évora: senhora morre junto ao Largo Camões sem assistência médica


A tragédia continua.
Senhora acometida de" ataque cardíaco", junto à drogaria azul morre sem assistência.
Decorrem cerca de 20 minutos e só um bombeiro que apareceu por acaso tentou reanima-la, quando ao cabo desses 20 minutos surgiu um carro do Inem, mas só com bombeiros e segundo me apercebi sem desfibrilador, unicamente trazia oxigénio que já não fazia falta.
Como dizem os ministros o país está bem as pessoas é que estão mal.
Tenho vergonha destes desgovernantes, aliás estas mortes só posso pensar que dão jeito ao governo, menos reformas , menos cuidados de saúde.
Temos que denunciar, vemos ouvimos e lêmos não podemos calar, onde estava a VEMER.

Anónimo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um grande acontecimento cultural! 1ª edição da obra completa do Padre António Vieira s.j. (*)

Joaquim Palminha da Silva
*


Já pode ser saciada a avidez dos estudiosos, dos apreciadores da capacidade luxuriante da língua portuguesa e dos leitores comuns, pois a obra completa do Padre António Vieira finalmente veio de ser editada, fruto de um trabalho de mais de uma década, agrupando mais de 100 investigadores sob a coordenação do Doutor Pedro Calafate e do Doutor José Eduardo Franco, director do Centro de Literaturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa. A ideia desta monumental edição, cuja intenção já remonta há 200 anos, encontrou no decurso da História vários e importantes impedimentos, não sendo menor o anti-clericalismo de parte da classe dirigente e, desde o Marquês do Pombal, uma animosidade anti-jesuítica muito persistente. Por fim, todo este arsenal desmoronou-se e o papel da Companhia de Jesus na missionação católica e difusão da língua e cultura portuguesa além-mar, acabaram por sobressair, deixando ver claro e em profundidade o desempenho religioso, político e cultural do Padre António Vieira numa época bastante conturbada de Portugal, quando da luta pela sua independência face à Espanha, e pela sua afirmação como nação europeia.
Até agora, tem passado praticamente desapercebido quanto a publicação da obra completa do Padre António Vieira é, a todos os títulos, um grande acontecimento cultural !
Além do que se conhecia em várias edições incompletas das suas Cartas e demais escritos dispersos, publicados muitas vezes sem o cuidado necessário, foram encontrados mais de 5.000 manuscritos inéditos que, uma vez estudados, foram agora publicados pela primeira vez. A personalidade e obra do Padre António Vieira estará agora mais perto de alcançar a sua real dimensão, apesar de até à data já se terem efectuado mais de 1.000 teses de doutoramento e mestrado, sem falar dos inúmeros seminários e conferências sobre o mais célebre padre jesuíta português de todos os tempos. Na verdade, a copiosa obra do Padre António Vieira e o seu manejo da língua portuguesa mereceram atenção dos nossos maiores escritores, que o leram e estudaram confessando que o tinham por mestre, a quem deviam muitos ensinamentos ostentados depois nas suas obras. Entre outros, foram leitores atentos do Padre António Vieira, Camilo Castelo Branco e Fernando Pessoa, totalmente rendido à sua escrita, chamou-lhe «imperador da língua portuguesa». Aquilino Ribeiro confessou-se devedor de muitas lições que a sua leitura lhe ofereceu. Já nos finais do século XX, o Prémio Nobel da Literatura, o José Saramago português, convicto anti-clerical, numa declaração de franqueza que só lhe ficou bem, confessou que o Padre António Vieira era sua leitura obrigatória.


Panorâmica dos Paços da Ribeira no século XVII (Lisboa)

António Vieira nasceu no seio de família modesta, seus pais eram servidores do Paço Real, moradores na Rua do Cónego, Freguesia da Sé (Lisboa). Em 1614 emigrou com os pais para o Brasil, fixando-se na Baía. Fez os seus estudos iniciais no Colégio dos Jesuítas, tendo entrado para a Companhia de Jesus com 15 anos de idade. Dois anos depois fez votos de pobreza e propôs-se missionar no interior, entre as tribos de índios e escravos negros. Assinalado pelos seus professores como especialmente dotado para as línguas (aprendeu a língua tupi-guarani dos índios, e o dialecto dos escravos negros, o quimbundo) e de grande ajuizar intelectual, já em 1626 era encarregado de redigir em latim para o geral da Companhia a carta anual da província, onde relatou as peripécias do ataque holandês à então capital do Brasil, nos anos 1623-1624.
Em 1634, pouco tempo após a sua ordenação como sacerdote, começou a espalhar-se a sua fama de grande pregador. Os seus sermões procuravam divulgar qual era o sentido da luta contra os holandeses, que pretendiam retirar da posse da coroa portuguesa todo o Brasil, preparando assim a opinião pública para a luta e o apoio a Portugal. Em 1641 veio a Portugal, integrado numa delegação portadora da adesão do Brasil a D. João IV. O Rei, conhecedor dos seus dotes de orador e vasta erudição, nomeou-o seu conselheiro. O Pe. António Vieira teve então ensejo de pregar para um escol de nobres dotados de alguma cultural, na igreja de S. Roque (Lisboa).


A oratória sagrada era então um género muito escutado, por isso, tal como no Brasil pregou contra a corrupção e defendeu a causa portuguesa contra a usurpação castelhana, em Portugal sustenta a necessidade de concentrar todas as energias e recursos nacionais na mobilização contra a Espanha, que nos guerreava, inconformada com a nossa independência, sobretudo nas vésperas das reuniões das Cortes, em 1642. Desempenhou missões diplomáticas, a mando do Rei, e propôs, com pleno êxito, a fundação de uma companhia destinada a proteger da cobiça dos holandeses o transporte de mercadorias entre o Brasil e Portugal (Pernambuco estava sob domínio holandês). O Pe. António Vieira deslocou-se em 1646 e 1647 a Paris e a Haia. Em último recurso, de forma a atenuar os ódios castelhanos, D. João IV propôs o casamento do herdeiro de Reino com a princesa herdeira de Espanha e, nesse sentido, enviou o seu conselheiro a Roma em 1650, de forma a negociar esta proposta sob a tutela do Papa…Mas o intento malogrou-se. Todavia, conseguiu convencer os cristãos-novos (judeus portugueses) exilados em Roma, na Holanda e em França a investir capitais na companhia portuguesa, o que os isentava do confisco dos bens, sediados em Portugal, pela Inquisição. Estas medidas suscitaram-lhe ódios terríveis.

Colégio da Companhia de Jesus em Roma, no século XVII.

            Em 1652 regressou às missões do Maranhão (Brasil). À sua actividade de catequista juntou a denúncia dos abusos dos colonos portugueses sobre as várias tribos de índios. Obrigado a voltar a Portugal em 1661, justifica a acção da Companhia de Jesus no interior do Brasil junto dos índios e, num sermão na capela real, condena as arbitrariedades e atrocidades dos colonos portugueses sobre os índios. A Inquisição, seriamente desagradada com a actividade do Pe. António Vieira em relação aos cristãos-novos, tacha-o de hereje e obriga-o ao recolhimento, com base num manuscrito de sua autoria, onde manifesta a crença num «Quinto Império» e, metaforicamente, na ressurreição de D. João IV. Devolvido à liberdade, partiu para Roma no ano de 1669. Aí se distinguiu como pregador na língua italiana, conseguindo que a Santa Sé peça contas ao que andava fazendo a Inquisição portuguesa, a forma como decorriam os julgamentos dos judeus cristãos-novos e as respectivas expropriações dos seus bens. Em 1675 regressou a Lisboa, deparando-se com mudanças na Corte. Afastado da Corte e dos negócios de Estado, enfrentou um profundo desânimo, pois nunca quis nada para si nem se aproveitou de nenhuma situação para granjear fortuna ou posição política. 
Em 1681 regressou definitivamente ao Brasil. Com 80 anos de idade, o Pe. António Vieira assumiu o cargo de visitador-geral das missões jesuítas no Brasil (1688) e ainda conseguiu forças para intervir, de forma a atenuar a repressão, na revolta dos Palmares, de negros escravos fugidos (1691). Em 1695, um cometa que foi visível na Baía inspirou-lhe uma meditação que intitulou «Voz de Deus no Mundo, a Portugal e à Baía», foi esta a sua derradeira presença escrita nesta vida. O navio que trouxe ao Reino a notícia da sua morte, no Verão de 1697, transportava ainda cartas suas.
No admirável «Sermão da Sexagésima», o Pe. António Vieira expõe a sua concepção da escrita e da oratória. O negativo, na qual define a oratória que se praticava, consistia no excesso de vocabulário precioso e raro e na busca de efeitos formais. A isto opunha o Pe. António Vieira uma linguagem chã e sóbria e o respeito, no sermão, pelo texto escrito. No que se refere à linguagem, é incontestável quanto ele escapa aos vícios dos cultistas, o seu vocabulário e construção frásica são funcionais e correntios, pode dizer-se, portento, que ele alcançou um equilíbrio raro e genial sobre a linguagem falada e a escrita. Alguns dos seus Sermões são grandes exercícios de subtileza.

O Pe. António Vieira viveu os seus últimos dias no ambiente de psicose colectiva que acompanhou a Restauração, e lhe ditou o sentimento de frustração face a uma Nação em declínio, mas ainda lembrava da sua época de grandeza mundial. O seu profetismo, possibilitado pela exegese alegórica da Bíblia, e que vinha desde os primeiros tempos do cristianismo, deve seguramente explicar-se, em grande parte, à necessidade de encontrar fontes de inspiração que levantassem o ânimo nacional, e novamente dessem aos portugueses a crença num futuro e benigno destino pátrio.   



(*) Pode assistir via INTERNET à entrevista com os coordenadores da edição obra completa do Pe. António Vieira em: youtube.com/correiodecoimbra.   

Entretanto, seria interessante, e útil, que Évora e seus “centros culturais” deixassem de olhar para o seu próprio umbigo e, de vez enquanto, pensassem que há mais Portugal e mais Cultura para lá das muralhas da cidade…embora as tenham camuflado ultimamente com uma cortina de árvores e etc.. Esta é uma boa oportunidade para a Biblioteca Pública de Évora nos mostrar as primeiras edições dos Sermões, as cartas manuscritas do Pe. António Vieira (existentes no seu fabuloso acervo) e alguma coisa que possa, historicamente “falando”, enquadrar o conjunto… Ou será que o Pe. António Vieira não merece o incómodo?!                                                                               

Jovem fotógrafa eborense entre os finalistas do maior concurso de fotografia do mundo


Entre mais de 170 mil fotografias vindas de todo o planeta, a jovem eborense Beatriz Rocha ficou entre os finalistas do concurso Sony de fotografia, considerado o maior concurso de fotografia do mundo.
Filha do também fotógrafo Telmo Rocha, Beatriz Rocha concorreu com a foto (em cima) denominada  Canto Alentejano.
Ver mais

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Évora: hoje no Garcia de Resende


Pintura tradicional alentejana aliada ao Museu do Marceneiro (Évora) conquista turistas


No centro histórico da cidade de Évora, as Galerias de Móveis São Francisco, Ld.ª reforçaram a sua exposição de mobiliário e peças decorativas na Rua da República, com a tradicional pintura alentejana.
A ideia de destacar a pintura tradicional alentejana em móveis, como nos explica Luís Silva, um dos proprietários da empresa, “é ir ao encontro do cliente que continuamente tem procurado este género de mobílias”.
A loja é hoje visitada pelos habituais clientes da casa que conta já quatro décadas, mas principalmente, por turistas portugueses e estrangeiros que “procuram aquilo que é mais tradicional na nossa região, em Évora, e acabam por se encantar e partilhar também as suas histórias quando visitam o Museu do Marceneiro”, que está no interior daquele espaço comercial.
Do mobiliário exposto na loja das GMSF destaca-se agora a pintura de Etelvina Santos, natural de Montemor-o-Novo, mas também um conjunto vasto de miniaturas de mobiliário pintado à mão, para além de algumas peças de mobiliário antigo que a empresa tem vindo a adquirir e mantém em exposição no Museu do Marceneiro que integra a própria loja. (Nota de Imprensa)

José Afonso (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Saída de Maria Reina da Educação do Alentejo não foi pacífica. Reina acusa Director Geral de "perseguição pessoal e emocional"


Maria Reina Martim, ex-delegada regional da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares Direção de Serviços da Região Alentejo, acusa o Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares, José Alberto Duarte de “perseguição pessoal e emocional”.
O mau estar não é de agora, altura em que Reina Martim é substituída nas funções por Manuel Maria Barroso, mas de há largo tempo.
Em entrevista exclusiva à Rádio Campanário, Maria Reina Martim conta que a situação se agravou com a entrevista para a escolha do delegado regional, no âmbito do concurso publico para a Direção- Geral dos Estabelecimentos Escolares, explicando que no dia em que se dirigia para a entrevista teve um acidente de viação, “no qual saí com inibição de condução, levou a que nem sequer fosse perguntado se eu estaria ou não em condições de me deslocar a Lisboa, se eu estaria em condições de trabalhar e acontece que na sexta-feira seguinte fui imediatamente convocada para uma entrevista para o dia 10, pedi uma autorização de férias que, neste momento acabo de receber como não autorizada para ir a essa mesma entrevista na medida em que me foi negado o pedido de dia de férias, considerando eu que não seria serviço oficial”.
“É a primeira vez na história de Portugal, depois do 25 de abril, e está previsto na lei geral e no código de trabalho, não pode nenhum candidato ser impedido de realizar um concurso porque teve um acidente”, acrescentando, “o júri teria obrigatoriamente nesse momento que informar o candidato quando tomou a decisão depois de receber a justificação, porque o candidato teve o cuidado de pedir para telefonar, eu não telefonei porque estava no serviço de urgência cheia de dores”.
Maria Reina Martim diz que vai recorrer da decisão porque “o diretor geral apenas tinha que aguardar que chegasse a minha justificação, analisou-a, entendeu que não era justificável, eu vou recorrer porque entendo que o serviço de urgência é justificável”.
Reina Martim continua, “quando eu estou na sexta-feira às 19h21, em minha casa, recebo um email para o meu email pessoal a dizer que fui excluída por um motivo não atendível e nesse mesmo momento, passados oito minutos, cai no email do serviço a informação de que foi designado o novo delegado regional do Alentejo, o que quer dizer que todo este processo foi interrompido, e publicamente digo que o senhor diretor geral tem desde os últimos tempos, feito uma perseguição à minha pessoa por uma razão muito simples, porque eu não pactuo com tudo o que o senhor diretor geral quer fazer”, justificando, “no dia 17 de junho, no dia do funeral do meu filho, o senhor diretor geral, sabendo ele, obviamente, que no dia 15 o meu filho faleceu, de que eu obviamente não estaria ao serviço, no momento em que que o meu filho estava a sair da Capela Mortuária de Coimbra, para vir para Évora onde foi o funeral, o senhor diretor geral manda um email para a delegada regional de Educação do Alentejo, personalizado, só para mim sem conhecimento a mais ninguém, para que eu realize o levantamento de uma situação, isto demonstra o carater do senhor, este senhor dispara esse email às onze e tal da manhã, mete-se no carro e apresenta-se no funeral do meu filho, e não teve até ao dia de hoje a capacidade de, até admitindo, enganei-me, desculpa, há aqui um conjunto de situações, como eu não disse sempre que sim, porque eu preservei acima de tudo os serviços regionais, preservei a identidade e a especificidade do Alentejo”.
A ex-delegada regional da DGEst diz ainda, “eu não sou capaz de ouvir dizer que as escolas do Alentejo porque têm 5% da população no peso total, não precisam das mesmas coisas, a postura do senhor diretor geral é ligar apenas às regiões em função do número e das pessoas que tem e eu funciono ao contrário, a minha matriz de trabalho não me permite funcionar nisto”, indo mais longe, “todos os nossos problemas começaram a partir do momento em que eu achei que tinha que lutar pela região Alentejo”, afirmando, “o senhor diretor geral fez uma perseguição pessoal e emocional à minha pessoa nos últimos tempos, que se agravou, principalmente, a partir do momento em que recebi aquele email, nenhum ser humano, nenhum ser com dignidade, é capaz de enviar um email desses a uma mãe que ainda não fazia 48 horas que perdeu um filho, isso demonstra o carater do senhor diretor geral e vou até ao fim com esse processo”.
Maria Reina Martim realça, “tudo o que estou a afirmar são situações que provo, eu não faço processos de intenção a ninguém”, dizendo que foi excluída do concurso “por uma ilegalidade”.
Quanto ao novo delegado regional, Manuel Maria Barroso, Reina Martim diz que “a região Alentejo ficará, certamente, bem servida, não tenho nada contra o novo delegado regional, no momento em que acabar a minha baixa médica quero passar-lhe os dossiers todos, eu quando entrei fui bem recebida na transmissão das pastas pelo professor Verdasca e eu quando sair vou fazer a mesma coisa, separar bem o que é o Doutor Manuel Barroso e separar bem o que é a tirania do Doutor José Alberto Duarte”.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Este sábado em Évora



Muito futebol no Campo Estrela (domingo há derby Lusitano-Juventude)

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Rota das Igrejas de Évora
Sábado | 10h - Rossio de São Brás
O encontro é em frente ao adro da igreja
A visita tem início às 10h00


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Visita Guiada a Évora no dia do Guia Turístico
Praça do Giraldo, 10H

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Na "é neste país"
21 de Fevereiro de 2015 . 11:30
Joana Dias & Rogério Veloso

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Este SÁBADO, dia 21 de Fevereiro, apresentamos o espectáculo
"A AZINHEIRA SINALEIRA"
às 16h00 no ESPAÇO ALEGRIA
E a nossa Parceira B de Brincar também estará presente com alguns dos seus brinquedos!
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Sessão do PCP contra a privatização da água e do sanemanto
Na Associação Povo Alentejano, às 16H
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NAPOLEÃO MIRA & Reflect - 12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado, no Armazém 8
Às 22H

A sua paixão pela palavra dita, pelas canções faladas, como gosta de lhes chamar, ganha outro impulso depois de se associar aos Reflect.
Nesses noturnos encontros foram nascendo novos temas e outras roupagens musicais para os seus poemas intemporais.
Dessa simbiose nasceu a performance de spoken word: 12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado, que agora vos propomos apresentar.

NAPOLEÃO MIRA | Textos e Voz
Reflect | Textos e Voz
João Mestre | Piano e Guitarra
Dezze | Máquinas
Gijoe | Máquinas e Scratch
+ Convidados

Jorge Pulido Valente vai assumir funções como vice-presidente da CCDRA a partir de 1 de Março


Jorge Pulido Valente, ex-presidente da Câmara Municipal de Mértola e ex-presidente da Câmara Municipal de Beja é o novo vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), após concurso público para estas funções, cujo resultado o deixou como segundo classificado e que recolocou na presidência António Dieb.
O mandato é de cinco anos e tem início a 1 de Março próximo.
Já para a antiga Direcção Regional de Educação do Alentejo, atual DGEstE Alentejo, e após a saída de Maria Reina Martin, também por concurso público, foi escolhido Manuel Maria Barroso, licenciado em Filosofia e em Ciências da Educação e quadro da Presidência do Conselho de Ministros.


Capa do Diário do Alentejo desta semana


Évora: no "Imaginário" esta sexta-feira


Libertango eXtrem
Astor Piazzolla, la magia del tango
Sexta-Feira // 20 de Fevereiro 2015
22:00 // Sede Do Imaginário

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Desterro dos Heróis!

Joaquim Palminha Silva
           
            No remoto ano de 1880, Évora aparece-nos menos deprimida e triste do que a cidade que hoje se nos apresenta, talvez por “excesso” de “vitamina” patriótica… Talvez porque havia então muita esperança no próximo século XX, com a previsível queda do regime monárquico e instauração de uma República Democrática”, não muito burguesa e pouco autoritária, supunham idealistas e  ingénuos…
            As comemorações do tricentenário da morte de Luís de Camões agruparam um conjunto de intelectuais de grande projecção nacional (Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Pinheiro Chagas, Jaime Batalha Reis, Magalhães Lima, Luciano Cordeiro, etc.), bem como dirigentes republicanos de gabarito, a que se associaram agremiações artísticas, associações populares e representações profissionais de todo o País. O cortejo cívico que desfilou em Lisboa deixou bem patente, face ao rei D. Luís e ao Poder político (Partido Progressista), um desses raros momentos históricos, de grande unidade cívica, anunciando mudança de regime e… de mentalidades!
            Foi, por conseguinte, numa atmosfera de grande apoteose nacional que a presidência e vereação do Município eborense também se manifestaram pró-Luís de Camões!
            Mas os nossos queridos conterrâneos de então primaram pelo inédito. Adiante…
            Era presidente da Câmara Municipal de Évora o cidadão José Carlos de Gouveia (1844-1903). Porém, surpresa das surpresas, este presidente tinha uma qualidade que o distinguia dos demais: - Escrevia peças de teatro (A sociedade), dramas líricos (O Fantasma de Almourol) e poesias de muito “comprimento”, a Duqueza de Bragança, por exemplo, tinha 8 cantos!
            Pouco sei, talvez porque escassa seja a informação que chegou até aos nossos dias, das largas páginas literárias deste prestimoso autarca… Porém, de repente, a memória puxa-me um pouco pela manga do casaco, para receber ao ouvido estas informações: - José Carlos de Gouveia, morador no Largo Alexandre Herculano, nº 5, proprietário de soberba biblioteca e da mais completa colecção de gravura antiga, foi deputado às Cortes, Governador Civil, Provedor da Misericórdia e da Casa Pia e, last but not least, chefe local do partido do Governo.
            José Carlos de Gouveia não era, portanto, personagem vulgar… Abrigando-se à sombra das comemorações do 3º centenário da morte de Luís de Camões, levou a sua vereação a aceitar que a cidade tivesse participação no acontecimento acima do comum. Recomendou iluminações públicas nas artérias onde tal era possível, engalanou o edifício municipal (gracioso imóvel manuelino na Praça de Giraldo, no local onde se ergue hoje o “pesado” Banco de Portugal), pediu a Lisboa o molde da estátua a Camões e, para os festejos do dia 10 de Junho, fez erguer no centro da Praça de Giraldo um obelisco de madeira, encimado pela réplica da estátua do poeta. Acrescente-se agora ao conjunto o fogo-de-artifício e a interpretação de peças musicais apropriadas, por duas filarmónicas locais. Por fim, fechou o conjunto a execução, patrocinada pela Câmara Municipal de Évora (e a mando do presidente), do busto de Luís de Camões e Vasco da Gama, em mármore da região.
            Quer-se uma página curta, mas com o seu quê de desilusão sentimental, com um pedaço de cor local e soluço reprimido, fazendo arfar o “peito”… às palavras? Ora aí vai emoção! …
            Do conjunto destas remotas comemorações sobraram os dois bustos de mármore (Luís de Camões e Vasco da Gama). Até 1883, os sisudos bustos olharam os circunstantes na sala de sessões do edifício na Praça de Giraldo. Com a demolição dos Paços do Concelho, a queda da Monarquia e mudança de regime político, os bustos também mudaram, passando a habitar o salão nobre da Câmara (1912), sediada desde então na Praça de Sertório… Depois, tombou a República frente ao golpe militar e vieram os 46 anos de ditadura salazarista, os bustos hibernaram não se sabe onde…
Finalmente, após a queda da ditadura, com o regime democrático instalado em Abril de 1974, a presidência e vereação da Câmara Municipal de Évora, no ano de 1975 (não sei como e por que estapafúrdia razão), decidiu acintosamente desterrar, através dos evocativos bustos de mármore regional, os dois “heróis” nacionais, Vasco da Gama e Luís e Camões, colocando-os em local só temporariamente acessível ao comum dos cidadãos: o vestíbulo do 1º andar da Galeria das Damas (vulgo Palácio de D. Manuel) no Jardim Público. No entanto, foi pouco o tempo que os dois bustos puderam aí “descansar” de tanta mudança… política! 
Entretanto, a mais absurda e a mais violenta mudança, se me permitem assim dizer, caíram sobre os dois “camaradas” de infortúnio: - Alguém decidiu atirar os bustos para um desterro menos retórico e mais cru, colocando-os, sobre as suas colunas de pedra, na varanda do 1ºandar do imóvel, mas do lado de fora, ladeando o portal manuelino, para “sofrerem” as intempéries, sujeitos, pois, aos “rigores meteorológicos”, longe do eventual olhar condoído de algum cidadão!
            Passou tempo e passaram executivos de Câmara Municipal de feição comunista, depois socialista, novamente comunista… Mas Luís de Camões e Vasco da Gama continuam desterrados: - Feitas as “contas”, tenho de concluir que esta atitude municipal não é um caso de opinião política deste ou daquele executivo, mas sim uma sucessiva falha de sensibilidade autárquica… e uma injustiça! Quase um insulto a todos quantos, livremente, sem preocupações de agradar aos políticos da moda, prezam as letras portuguesas e apreciam a História da sua Pátria!

            Vai a Câmara Municipal Évora festejar os 500 anos do edifício manuelino do Jardim Público: - Não é preciso estabelecer detalhes nem nomear pourparlers, aproveitem os actuais autarcas a ocasião e libertem do desterro os nossos heróis (que não fizeram mal a ninguém!), e devolva-os a 10 de junho deste ano, com pompa e circunstância, ao lugar que merecem no seio da velha urbe!





Para saber mais: Vd. revista A Cidade de Évora, nº67-68, 1984/1985, edição Câmara Municipal de Évora.

Imagens : busto em mármore de Luís de Camões e Vasco da Gama, edifício manuelino dos Paços do Concelho na Praça de Giraldo. Praça de Giraldo em 10 de junho de 1880.