sábado, 25 de Outubro de 2014

Esta noite no armazém 8 há música moçambicana

BikÉvora: Clube de Ciclismo participa, mas não realiza "qualquer evento" por falta de "condições"


O Clube de Ciclismo de Évora vai mais uma vez participar no Bikevora. Nesta edição o clube estará representado num stand na feira a realizar na Praça do Giraldo no próximo fim de semana.
Horário
Sábado 25 – entre as 10 e as 19 h
Domingo 26 – entre as 09 e as 13h

Esclarecemos ainda que o CCE não irá realizar qualquer evento nesta edição do Bikevora uma vez que não foram dadas as devidas condições, em tempo oportuno, para a concretização do projecto que apresentámos aos responsáveis do evento e que era a I Edição da Volta ao Concelho em Bicicleta (uma prova aberta a todos os amantes do ciclismo de estrada com percursos de 100 kms e de 50 kms). A II edição da Supermaratona BTT/GPS também não será realizada devido ao corte e destruição do caminho do Monfurado (Santo Antonico/Valverde). (aqui)

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

BikÉvora este fim de semana


Realiza-se este fim de semana o BikÉvora 2014. Os valores apurados destinam-se a apoiar a Associação de Solidariedade Social "Pão e Paz". Ver programa aqui.

Sábado, 11,30H: Susana Coelho na "é neste país"


25 de Outubro de 2014, pelas 11:30
Com quantos pontos se conta um conto?

Susana Coelho
Apareçam! É neste país!

-- 
é neste país!
Rua da Corredoura nº8, Évora
266731500

http://nestepais.wordpress.com/

Évora: hoje no Inatel

Manifestação amanhã em Évora contra a utlização de animais em circos


MANIFESTAÇÃO PACÍFICA: NÃO QUEREMOS CIRCOS COM ANIMAIS NA NOSSA CIDADE

Eles precisam de ti, junta-te a nós!

Ponto de encontro no Rossio pelas 15h00, sábado, dia 25 de Outubro, junto à entrada do Parque Infantil e de lá partiremos para junto do circo onde mostraremos pacificamente a nossa indignação. NÃO FALTES!

Dress Code: Camisola escura.

Évora: a caça à multa


Guardas que não passem três multas por mês são obrigados a fazer patrulhas de quilómetros a pé. Comando da GNR nega castigos.
O posto da GNR de Évora afixa, mensalmente, uma tabela com os militares que passam mais multas. E, segundo o i apurou junto de guardas do Alentejo, há bonificações e "castigos" consoante os resultados. "Os militares que não cumpram o mínimo estabelecido pelo comandante, de três autos por mês, são obrigados a fazer patrulhas apeadas", denunciam. (ler mais no i)

Insegurança, fraude, derrocada total!


©Joaquim Palminha Silva

            Porque nos interrogamos hoje sobre as mutilações feitas no corpo do regime democrático, sobretudo quando verificamos que o continuado auxílio da União Europeia não bastou para evitar a derrocada total?
*
            Nas últimas décadas os partidos de direita e seus governos (auxiliados pelos socialistas algumas vezes), as instituições cívicas conservadoras e os grupos económicos nacionais e multinacionais, por todos os meios ao seu alcance não cessaram de repetir às multidões, politicamente aparvajadas, que a hipotética vitória eleitoral da esquerda traria consigo a instabilidade social, o esgotamento da reserva de mão-de-obra especializada (que emigraria imediatamente), a autonomia insuficiente das empresas face aos impostos e taxas impostas pelo Estado, a prática de preços aberrantes que não consentem uma atribuição pensada dos recursos, a fraca produtividade e a consequente ineficácia técnico-económica.
A direita nacional, muitas vezes ajudada ao mais alto nível pela direita estrangeira, instalada nas instâncias da União Europeia (EU), não se cansou de alertar as multidões que todas as reformas concluídas ou tentadas se perderiam nas areias movediças da burocracia revolucionária, da democracia directa, assim como a constante ameaça de nacionalização, que passaria a pesar sobre a banca e os seguros do sector privado, provocaria naturalmente a perda de confiança dos acionistas e investidores e, nesta ordem de ideias, determinaria a descapitalização da banca e a fuga de capital para os “paraísos económicos” no estrangeiro.
A direita levou as últimas décadas a assustar os cidadãos face à eventualidade duma vitória eleitoral colocar no governo a esquerda, o que traria como consequência imediata e directa que os lucros das empresas reverteriam, na sua maior parte, para o Estado, com um montante reservado para a segurança social, etc.. Enfim, a direita gastou anos e anos a assustar o eleitorado com a explicação da suposta existência de duas burocracias num governo de esquerda, a da economia e a do partido, o que revela do carácter parasitário das formações políticas de esquerda, segundo esta mesma direita…
Após décadas de regime democrático (burguês) e governos de direita, a lógica e dinâmica capitalista, apesar dos disfarces que veste, acabou por realizar por inteiro, mas em favor do Capital estrangeiro e da direita nacional, todas as terríficas suposições de que andou a acusar a esquerda, se acaso esta vencesse de forma indiscutível umas eleições.
A direita nacional tem avançado na criação de um Estado forte, servo fiel do Capital, e este com o suplemento da corrupção ao mais alto nível ajudado, por um Parlamento domesticado, ao ritmo das consequências trágicas que paulatinamente vem provocando!
Pior! – Falhando cálculos e contas de Estado continuamente, a direita governamental perdeu toda a vergonha política (se acaso alguma vez a possuiu!), e cada ano que passa, por mais de uma vez, retira cobardemente percentagens dos salários dos trabalhadores e das pensões dos reformados!
Afinal de contas o reino da insegurança, a espiral de erros, a multidão de ineptos, a prosápia de banqueiros burlões, a delapidação e venda, a preços de saldo, dos bens e propriedade públicos, caracterizam os governos da direita.
Afinal de contas, quem destruiu a segurança das famílias e a tranquilidade dos cidadãos, quem semeia o terror sobre os meios de sobrevivência económica de cada um para o dia de amanhã, quem maltrata e despreza os velhos e os doentes, têm sido estes governos de direita.
Fique cada um informado: - Nada está garantido…Tudo nos pode ser retirado, incluindo a própria vida… por enquanto indirectamente! Amanhã, sabe-se lá!…

A menos que…


Joaquim Palminha da Silva (enviado por email)


quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Évora: Teatro de hoje a sábado na BruxaTeatro

Évora: "Concerto para Buzina" esta noite na Casa da Zorra

"Imenso Sul", um projecto jornalístico feito e pensado em terras alentejanas


O António José de Brito recordava ontem no facebook que se assinalam neste mês de outubro os 16 do início da publicação do jornal Imenso Sul, que resultou da transformação da revista trimestral com o mesmo nome num semanário
Como escreve AJB "Primeiro foi revista e depois foi jornal! Esta edição zero do "Imenso Sul", com formato "tipo Expresso", saiu para a rua em Outubro de 1998: há 16 anos! Para mim foi uma grande honra ter integrado a equipa fundadora orientada pelo Carlos Júlio e com gente como o António Carrapato, António Pedro, Carlos Neves, Conceição Rego, Dores Correia, José Frota, José Luís Jones, José Manuel Rodrigues, Luís Rego, Paulo Barriga, Paulo Nobre, Pedro Ferro e Raul Oliveira. Velha guarda, portanto!" (aqui)

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Évora: Cruzamentos / Crossroads #2 de volta


Hoje às 21,30H na Igreja de São Vicente em Évora
Na abertura da segunda temporada de Cruzamentos / Crossroads


Alexandra Lucas Coelho guia a leitura de «A inconstância da alma selvagem», de Eduardo Viveiros de Castro

Abrindo a segunda temporada dos Cruzamentos, o grupo de leitura de textos contemporâneos iniciado em 2013, a escritora e jornalista Alexandra Lucas Coelho propõe a leitura de uma das mais influentes obras do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, teorizador do perspectivismo ameríndio, activista radical, «espécie de guerrilheiro nas redes sociais». 

Inscrições abertas (jaf@escritanapaisagem.net, ou 931 763 350). O texto é previamente enviado aos participantes.

Já está constituída a proposta da temporada 2014-2015! Podem contar com a presença das e dos leitores Alexandra Lucas Coelho, Ana Paula Amendoeira, João Paulo Príncipe, Christine Zurbach, Helder A. Fonseca, Antonio Sáez Delgado e Hélio Alves. Eis o programa:
22 outubro
Alexandra Lucas Coelho
Eduardo Viveiros de Castro, A inconstância da alma selvagem
12 novembro
Christine Zurbach
Pierre Bergounioux, O estilo como experiência
10 dezembro
João Paulo Príncipe
António Sérgio, Reflexões sobre o problema da cultura
2015
14 janeiro
Ana Paula Amendoeira
Hannah Arendt, A crise da cultura
11 fevereiro 
Helder A. Fonseca
Marta Macedo, Império de cacau
11 março
Antonio Sáez Delgado
Fernando Pessoa, Ibéria. Introdução a um imperialismo futuro 
8 abril
Hélio Alves
Luís Oliveira e Silva, Descobrimento, conquista, encobrimento e recobrimento: os caminhos da incompreensão
13 maio
Última sessão: leitor e texto a indicar

Nomes de terras, heróis e pícaros anónimos, ditos, adágios e juízos


©Joaquim Palminha Silva

  Desde há muito que me sinto atraído pela graça sentenciosa, quase sempre contraditória e difícil de interpretar dos ditos e adágios populares. Seduzido pelas ditados, juízos, sentenças e atributos dos nomes das terras, pícaros anónimos e heróis de que ninguém conhece o paradeiro, debrucei-me sobre a profusão deste tema, talvez tão velho que remonte aos tempos dos reis godos, e encontrei-me no reino da barafunda, tal é a quantidade temática das contradições manifestadas …
           Como entender e aquilatar do mérito, do ambiente moral, constituição e crescimento das terras (vilas, cidades e regiões) de Portugal com ditados deste quilate colados à sua identidade?
            «Quem tolo vai a Santarém, tolo de lá vem»; «A quem Deus quer bem, levou a morar entre Lisboa e Sacavém»; «Aonde is? A Évora Monte fazer barris»; «Quem não viu Coimbra, não viu coisa linda»; «Para cá do Marão, mandam os que cá estão»; «Justiça de Barcelos, fugi dela». Este pedaço da imensa lista de arrazoados sobre localidades assenta em que factos reais? Que experiências tão acintosas testemunham estes juízos para caírem, de geração em geração, no adagiário popular que nem sopa no mel?! Por exemplo, este ditado terá origem na igreja da Praça de Giraldo? «Por dar dão, dizem os sinos de Santo Antão». Provavelmente nunca saberemos a verdadeira origem destes ditados que o povo memorizou…
            Fenómeno multifacetado, mesmo misterioso, é o aparecimento de heróis e pícaros anónimos (filhos de pais incógnitos?) no rifoneiro tradicional português. Alguém consegue averiguar qual a terra de origem, tão carente de rei, a que se refere: «Nem rei, nem Roque»? Haverá alguém quem saiba a identidade real desta da personagem deste ditado: «Vai-te Vicente, para Benavente»? Citado antigamente com alguma frequência, como se fosse da família, dizia-se não sei a que propósito, «Achou Pedro o seu cajado». Será este figurão amparado a seu cajado o apóstolo S. Pedro, a caminho de Roma? De resto, o adagiário popular reserva vários desempenhos para Pedro interpretar, veja-se: «Pedros, burros velhos, terras por cima de regos, burra que faz “im”, e mulher que sabe latim, nem comprá-los nem vendê-los, mas sempre é bom em casa havê-los!»
A desgraça tem servido de travesseiro a muito incauto e desprevenido, razão porque o personagem já existia no século dos Descobrimentos, e assim era chamado: «Pedro Sem, que já teve e nada tem». Há mesmo um aviso popular que nos acautela: «Diferença há de Pedro a Pedro» …


            Há nomes que ficaram para sempre (que é muito tempo!). Diz Teófilo Braga (I vol. de O Povo Português). Apoiado por Leite de Vasconcelos, que no Alentejo havia o costume de o padrinho do casamento, das janelas altas da casa onde decorria a boda, atirar aos rapazes da terra «confeitos e dinheiro» miúdo, sob risco de não o fazendo receber mimos destes: «Desde que morreu o Félix, nunca vi casamento tão reles». Pergunta-se: - Quem foi este Félix?
Nesta linha de pensamento, sejamos cristãos, e sirva-nos de consolação que «Ninguém empobrece por ter dado muito»!
            A multidão de personagens dos ditos, adágios e provérbios populares deu origem a rudimentar “filosofia” de vida em Portugal. “Filosofia” responsável por formas de vida, medidas de prudência, sentenças oportunas, “receitas” médicas, espírito crítico e, como as moedas velhas que tinham duas caras, uma no rosto do metal e outra diferente no verso, também estes ditos tem o seu contrário, o seu oposto, a sua negação. Um ditado popular anula outro, uma sentença nega outra, um juízo escamoteia outro. Enfim, não há como os portugueses para serem eles próprios e o seu contrário: «Aprendiz de Portugal não sabe coser e quer cortar».
Apraz-nos terminar aqui esta breve incursão pelo mundo da «cultura popular», dizendo como os de Melgaço que, ao levantarem a mesa, por graça, costumavam dizer: 

«Graças a Deus para sempre,
              Que já comi eu e toda a minha gente:
              Levanta a mesa, Maria Vicente.».

Joaquim Palminha da Silva (por email)

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

(Começa esta 3ª feira) FIKE 2014 – 12º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS-METRAGENS


Arranca amanhã, terça-feira, 21 de Outubro, com sessões competitivas, mostras paralelas, masterclasses, workshops, exposições e concertos musicais, em Évora e Beja

39 filmes oriundos de vários países e selecionados das 1004 curtas-metragens enviadas ao festival, originárias de 44 países, nas categorias de ficção, animação e documentário, estarão em competição no festival, que decorrerá simultaneamente, a partir de amanhã e até ao próximo dia 25 de Outubro, nas cidades de Évora (Auditório da Universidade) e em Beja (Teatro Pax Julia, entre os dias 22 e 25). Este ano, iremos ver filmes provenientes da Polónia, Israel, Irão, Iraque, Roménia, Itália, Letónia, Estónia, Suíça, Bélgica, Holanda, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Espanha e ainda de Portugal, que conta este ano com nove curtas a disputar os troféus do festival. No FIKE, pela primeira vez, será atribuído o Prémio Comendador Rui Nabeiro à melhor curta-metragem portuguesa, prémio pecuniário no valor de 750 Euros.
O Júri Oficial do FIKE é composto pela jornalista norte-america Nancy Denney-Phelps, o realizador português Manuel Mozos, o realizador e professor de animação e ilustração sérvio Rastko Ciric, os portugueses Rui Simões, realizador, e ainda, o comediante, cronista, apresentador e argumentista, Luís Filipe Borges. O prémio para o melhor documentário será atribuído pelo Júri Estação Imagem, composto por Cláudia Alves (documentarista), Pedro Letria (autor e fotógrafo) e pelo realizador TV, Miguel Braga. O Prémio D. Quijote será selecionado pelo Júri da IFFS- International Federation of Film Societies, constituído por Sylwia Hamerska, jornalista e cineclubista polaca, pelo alemão Thomas Penner, cineclubista e técnico de VFX e por Denise Cunha Silva, cineclubista e produtora de festivais de cinema (Portugal). Como habitualmente, será atribuído ainda o Prémio do Público, cujos jurados serão todos os espectadores presentes nas salas de Évora e Beja. 
No FIKE 2014, destaque especial para a presença de Patricia Casey, a produtora do primeiro filme dos Monty Python, "And Now for Something Completely Different", de 1971, que fará durante o certame, no dia 25, pelas 18 horas, uma Master Class sobre produção de cinema independente. A projecção do filme terá exibição única no país, também no dia 25 de Outubro, pelas 16h30. 
A formação em Cinema de animação marcará presença através de um workshop organizado em parceria com o Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade de Évora, dirigido pelo conceituado artista sérvio Rastko Ciric, professor da Faculdade de Artes Aplicadas da Universidade de Belgrado. Ainda na componente formativa do festival, Nik Phelps, um reconhecido compositor americano residente na Bélgica, orientará um seminário na Escola de Música da Universidade de Évora, sobre a Composição de Banda Sonora para cinema de animação e juntos apresentar-se-ão em Évora, num aguardado concerto. O programa paralelo do Festival integrará uma exposição de pintura, sessões de cinema para as escolas e sessões de mostras não competitivas. As noites do FIKE marcarão ainda a programação no espaço dos INFANTES em Beja, com o pianista e compositor de bandas sonoras para cinema, André Barros, no dia 22 de Outubro, os “LaVoisier”, no dia 24 e “senhor trinity”, no final do festival, no dia 25 de Outubro. Decorrerão igualmente em diversos espaços da cidade de Évora, concertos e performances ligadas ao cinema; no dia 21, concerto com André Barros na Sociedade Harmonia, Nik Phelps e Rastko Ciric, no Dibbs Bar, os LaVoisier, no dia 23, na SOIR – Sociedade Operária Joaquim António de Aguiar e no dia 24, novamente na Sociedade Harmonia, haverá uma exibição especial do INFERNO CORTISONIC, uma sessão de cinema especialíssima, com os filmes excêntricos selecionados pelo festival parceiro do FIKE, o CORTISONIC, de Varese, Itália. 
Todas as sessões e eventos programados pelo FIKE, em Évora e Beja, são de ingresso GRATUITO. A medida tomada pela organização do FIKE, deve-se ao facto de o país estar em crise, “agora já não há desculpa para não se assistir às sessões” – afirmou João Paulo Macedo, Director do festival.
O FIKE – Festival Internacional de Curtas-metragens 2014, é promovido pela Sociedade de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, pelo Cine Clube da Universidade de Évora em parceria com a Estação Imagem e Associação Lendias d’Encantar e conta com o apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e da Direção Regional de Cultura do Alentejo / Governo de Portugal, dos Municípios de Beja e Évora e da Universidade de Évora. O festival é cofinanciado pelo QREN da União Europeia, no âmbito do Programa Operacional INALENTEJO.
Évora, 20 de Outubro de 2014

Luís Pereira | Assessoria de Imprensa

Exposição "Os Espancas - Histórias de uma Família Singular"


A exposição foi inaugurada hoje e está patente  no Corredor da Biblioteca Geral e Sala do Fundo do Governo Civil, nas instalações da Universidade de Évora, no Colégio do Espírito Santo.

Évora, um ano de mandato: se não puder dançar, não é a minha revolução (emma goldman)




No Baile de Gala, na Arena (antes uma obra maldita), faltou um.

Beja, um ano de mandato: gente fina é outra coisa....


Já lá vai o tempo das críticas ao PS pelo jantares gourmet no Castelo...

aqui: http://alvitrando.blogs.sapo.pt/slow-food-na-ruralbeja-o-evento-que-2794959

domingo, 19 de Outubro de 2014

Em protesto pela falta de Auxiliares, esta segunda-feira os 350 alunos do Agrupamento de Escolas de Colos (Odemira) não vão às aulas.


ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE COLOS
NOTA DE IMPRENSA
Conforme reunião do dia 15 de outubro de 2014, onde estiveram presentes representantes da Associação de Pais, representantes de Turmas do Agrupamento e a Direção do Agrupamento, comunicamos deste modo o que foi decidido.
Paralisar todo o Agrupamento de Escolas de Colos, onde nenhum dos 350 Alunos se apresentará nas salas de aula, seja na sede do agrupamento seja nas escolas das freguesias vizinhas. Concentrando-se junto á escola sede do Agrupamento em Colos .
Atendendo à difícil situação de falta de pessoal no Agrupamento de Escolas de Colos; não havendo perspectivas de resolução do problema; estando em causa a segurança e vigilância dos alunos, a limpeza da escola, bem como o funcionamento com um mínimo de dignidade de todos os serviços do Agrupamento.
Informamos também que desde o inicio da semana os alunos das escolas do Primeiro Ciclo de Colos, não estão a frequentar as aulas. Agora é a vez de todo o Agrupamento se solidarizar com esta luta.
No dia 6 de Outubro a escola foi  encerrada a cadeado por desconhecidos e os alunos  ficaram sem aulas durante todo o dia.
Os Encarregados de Educação consideram que sem Auxiliares não existem condições de segurança para os Alunos.
Neste sentido foi lançado o seguinte desafio aos todos os Pais/Encarregados de Educação do Agrupamento:
Convidamos todos os Pais/Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Colos a estarem presentes, com os seus filhos, num protesto junto da Escola Sede, na próxima segunda-feira, dia 20 de Outubro, a partir das 8 horas .
Vamos todos manifestar o nosso descontentamento com a falta de Auxiliares nas nossas Escolas. Vamos paralisar o Agrupamento, serão 350 alunos a mostrar o seu descontentamento.
O Presidente da Associação de Pais
Pedro Gonçalves 
Colos, 16 de outubro de 2014

A minha Rua

©Joaquim Palminha Silva

Rua. Artéria pública no emaranhado sanguíneo de uma cidade… Rua em alegre alvoroço, com as festas populares de Primavera e Verão! - Em que funda gaveta da memória metemos o namorado dia de Santo António, de forma a não ser “pisado” por S. Valentim?
…A Rua à nossa espera, no regresso da Escola e, como o desafio era um “modo de estar”, faziam-se corridas ao pé-coxinho: «O último chegar é parvo!» … Rua que dava para o pequeno jardim da Praça… Fim-de-tarde de um remoto Verão, e a roda de meninas floreando a cantiga pelos ares: «Fui ao Jardim da Celeste, giroflé, giroflá… giroflé, flé, flá…»; «… ó Senhor Barqueiro, deixai-me passar, tenho filhos pequeninos…». Doce e persuasiva certeza do amor singelo entre meninos e meninas, quando este sentimento era um formigueiro d’alma… Talvez porque ainda não corrompido:
«Rei,
capitão,
soldado,
ladrão,
menina bonita
do meu coração.».


Tomba uma lágrima … Recordo: «- Mãe! Já chegaram as andorinhas!». Lembro os ninhos nos beirais, sujando paredes caiadas de branco, mas todos a dizer: «Não se toca nas andorinhas, pois são as “galinhas de Nossa Senhora”».
Travessa das Pombas onde nasceu e viveu a Maria da Graça, habilidosa costureirinha, rapariga de linda voz («Poderia ter sido fadista profissional, em Lisboa»), que o corpo escultural lançou na vida desditosa e, uma vez posta no meio da Rua, foi o que se viu, tornando-se ordinária e Maria Desgraçada!
A minha Rua foi também caminho para Deus, afastando o jovem liceal João Fonseca da sua queda para a estroinice e hábitos de parasitismo, de que à boca grande o coimavam, para o levar a vestir a sotaina e, afável de temperamento, embarcar um dia, missionário salesiano, para o longínquo Timor, onde veio a morrer…
            A minha Rua… Só graças a ela e aos momentos que ali vivi, a imagem do meu País se tornou real, sensação física e, ao mesmo tempo, extremamente inspiradora. Porque a minha Rua, segundo os anos foram passando, tomou formas diversas, como se tivesse a preocupação peculiar de me acompanhar, de acompanhar os outros vizinhos, e ser uma síntese da cidade, de Portugal.
            Há muito que partiu a camioneta da carreira, com um cão galgo pintado nos lados … Depois, percebeu-se que a minha Rua tinha alguns automóveis ao rés das portas das casas, a gozar o relento e a roubar espaço aos moradores… Passaram anos, e a minha Rua («Pai Nosso que estais nos céus!…») enterrou alguns dos seus vizinhos. Ainda hoje recordo com estupefacção o senhor Chico Cauteleiro (nós tratávamos todos por senhor, fique registado!) que, de repente, entre duas fracções de uma cautela a vender, caiu fulminado no meio da Rua, morto naquele instante, como se “alguém” o houvesse chamado, e ali ficou um par de horas de olhos muito abertos para o céu, até chegar o «delegado de saúde», a polícia e familiares! Que coisa, meu Deus!
            Das portas de casa dos ricos, há algumas décadas que desapareceram as “criadas” de touca e avental cor de neve. E também desapareceu a viúva de um lavrador, senhora de grande fortuna (dizia-se), madrinha de muitos meninos pobres, que vivia sem capacidade de resistência, mas teimando que os médicos, os medicamentos, hospitais e clínicas foram feitos para extorquirem o dinheiro às viúvas ricas! Tempos depois, as necessidades físicas e mentais impuseram-se, e os herdeiros meteram-na numa «Casa de Repouso». Hoje, o seu prédio argumenta “contra” a vida de degradação e ratazanas, e é discutido nos Tribunais pelos herdeiros desavindos, num escândalo de ódios.
            A minha Rua é quase uma «História de Portugal», talhada à cutilada dentro das muralhas da cidade, e vai da Índia a Alcácer-Quibir, dobrando o «Cabo Não» - O Zé-Zé das bicicletas foi para a Legião Estrangeira da França… E nunca mais ninguém o viu! O meu companheiro de maluqueiras juvenis, o “Rã”, emigrou para a Austrália. Uma vez escreveu para alguém da Rua, a dizer que vivia num imenso deserto interior, ganhava muito dinheiro mas não havia onde o gastar…Vá lá a gente emigrar! – Ora adeus!
Na minha Rua até houve um sapateiro de “vão de escadas”, que dizia “décimas” de improviso, e um barbeiro à esquina que tinha o único papagaio palrador da cidade, com o suplemento de que era «malcriado e anarquista»! Quanto trambolhão de bebedeira alumiou o candeeiro da minha Rua?
            Na minha Rua havia uma casa de lavrador riquíssimo que, nos anos de penúria rural, mandava as criadas atirar aos pedintes, pelas escadas a baixo, pães de quilo revestidos de bolor… E esta gente ia à missa! E esta gente dizia-se católica! Que má frequência tinha então a igreja da Praça!
Ao lado do jardim, na Praça, sempre e mesma cena… Domingo de manhã, à mesa do café quase deserto, o sujeito (óculos de grossas lentes) conversava com o jornal, era o tradicional “diálogo” monótono do velho reformado do Tribunal, habituado a falar sozinho, gozando os primeiros raios de sol e definhando todas as semanas… Mas aguentava à custa de remédios para tudo…Com o dedo de unha indiscreta coçava a cabeça… Quando morreu veio a polícia e fez-se um inquérito, disseram-me. Parece que o sujeito tinha jornais proibidos debaixo da cama, desses papéis velhos que prometiam justiça social eterna… Quem o recobriu no funeral não foram os vizinhos, pois foi a enterrar só, mas sim a mortalha espessa, invisível, da humana desilusão…
A minha Rua, calma e recolhida no ventre da cidade, nunca acarretou as indispensáveis despesas em oportunas obras de reparação. Apenas se fizeram, de urgência, as mais gritantes nos estragos, quando o pavimento abatia ou os canos esgotos rebentavam… Mesmo assim, só tinham a casa caiada (nas vésperas do S. João) os moradores pobres, pois os ricos «não estavam para essas bacoquices».
 Com o rodar dos anos, a toilette da minha Rua obedeceu com rigor ao estilo de cada época, como a música que se espalhava pela atmosfera vinda das janelas e varandas: - O tango e o fado, símbolos de tragédia e dor, as zarzuelas e outras espanholadas cheias de salero e castanholas; depois, a música da FNAT (que hoje se chama INATEL), a “música ligeira nacional” com os «serões para trabalhadores» repletos de trinados femininos e masculinos, inclassificáveis, saindo das telefonias sob a responsabilidade da «Emissora Nacional», apanhando “à traição” melodias estrangeiras. Enfim, truques de importação. Deixem-se estar quietos: - «É uma casa portuguesa com certeza…».
A minha Rua deixou-se amar e, entre beijos escondidos e assinaturas de empréstimo, casamentos com aflições entre portas, cedeu o lugar à podridão sem um protesto, sem uma observação, um carinho da Junta de Freguesia, do Município. Os da política, sempre hipócritas, só se lembram da minha Rua quando começa o tempo da pedincha e recolha de votos! … Ai! a minha Rua: – Quem te viu e quem te vê!
Há vezes escuto a minha Rua dizer-me ao ouvido: «- Chut! primo, o que lá vai, lá vai. Foi sonho… Esta vida é apenas uma curta passagem!».
Quando eu era criança, via-a tão Senhora de si, tão “sol nascente” ou assim o julgava… Hoje apresenta-se-me desabrigada, uma autêntica vadia, possuída por desequilíbrio mórbido, disfuncional, testemunhado nas casas arruinadas, no pavimento descalçado aqui e ali, nos prédios vazios, de portas tombadas, como bocas cheias de cáries e infecções indecifráveis. A minha Rua, toda energia e convivência há 60, 70 ou mais anos, repugna hoje de desfeita, fede e irrita, transformada num esboço de múmia desdentada que só poucos enxergam e se doem e, para cúmulo da indecência, as esquinas são urinóis a céu aberto! A minha Rua, como uma mulher nascida prendada e educada, bela, mas pobre do nº tal ao nº tal, remediada do nº de polícia tal ao nº de polícia tal, rica em dois ou três prédios; a minha Rua, dizia, que todos nós deveríamos respeitar na medida em que a fomos conhecendo e vivendo, ao abandonar-se-nos confiante, acabou tombando na atmosfera insensata da nossa indiferença e agressividade cosmopolita, como se fosse uma mal-casada moída de pancada pelo brutamontes do marido. Depois, fragilizada, confundida, deixou-se arrastar sem vontade própria para a prostituição dos plásticos chineses, das lojas de materiais sem nome que obrigam a falências e abandonos, deslizou em seguida para o aluguer de quartos a imigrantes e indigentes ou indigentes e imigrantes.
Até um lupanar de brasileiras, moças de muito corpinho, seguramente infortunadas, esteve instalado na minha Rua, dois anos a angariar fregueses… Um dia, o clã das matronas de buço regimental (explicável pela psicobiologia!) juntaram-se nas imediações do gabinete do Presidente de Câmara, e reivindicaram a expulsão das “meninas de telenovela” que «viviam à sombra dos respectivos maridos e, por conseguinte, roíam o orçamento familiar», vá lá saber-se porquê! - Ai minha Rua!
A minha Rua, infeliz, desentendida da malha urbana da cidade, desgostosa de habitar numa teia de artérias decadentes, chega a ter o ar de quem roga: «Deixem-me morrer em paz!».
Como as Travessas sem consciência cívica e de calçadas rotas, Largos e Praças entulhadas de “mobiliário urbano” de fancaria, que se porta mal com o espaço envolvente, também a minha Rua perdeu a auto-estima, como hoje dizem os entendidos da psicologia a granel. A minha Rua já aluga quartos a qualquer um, já deixa que nas suas casas fanadas e de telhados rotos se deite qualquer “papa-açorda”, sem lhe impor as regras da civilidade, os centenários códigos de convívio social, habituais nesta cidade tocada de sinos e preces antigas, de espectros que gemem sob as pedras, e de memórias arrecadadas numa Biblioteca Pública cheirando a bafio, com livros ratados, como se fossem dentes podres de gigantes arrumados em prateleiras.
A minha Rua… - Vive hoje uma degradação e abandono contínuo. Todavia, parece que por durar muito e a morte a espreitar com distracção, a providente natureza conserva-a mesmo arruinada e, com dobrada energia ou simulacro de vigor físico e sentimental, depois de tantos abalos espantosos e incúria humana, fá-la desdenhar do tempo. A minha Rua enfrenta a morte com frontalidade, como um pegador de toiros!  
A minha Rua está sentada num “banco de eternidade”, à espera já não sabe de quê nem de quem, de perna traçada, mostrando as «meias de vidro» cheias de “malhas”…
A minha Rua… As ruas das cidades do meu País: - Com os ossos à mostra, como pessoas trituradas pelos anos e maus tratos, as carnes rasgadas pelas dolorosas restaurações e desapiedadas inovações de importação, descosidas do Portugal português, perdidas no meio da podridão…
A minha Rua… As nossas ruas, queridos vizinhos! Quantas andam para aí já sem moradores, sem risos de crianças, sem raparigas de seios roliços namorando às janelas belos jovens suados da correria da bola; quantas andam para aí cheirando a mofo, de braço dado com os miasmas do meio ambiente doentio…
Ruas antigas das cidades de Portugal, fizeram todas maridanças com o desleixo, desprezando moradores e vizinhos e hoje, carrancudas e tristes, raspam com cacos de telha as carapelas das postulas, no meio de «uma grande sem-vergonha»! Ruas numa pilha de nervos! Ruas de “ir pela água a baixo”, com a moinha das demolições a roer-lhes o interior, ajudadas pela torpeza e relaxidão dos habitantes!
Ruas de Portugal. Bazófias urbanas: - Pequenas “pátrias” destroçadas, restos, tábuas de Nau à deriva no mar de sargaços que é a angústia geral, tábuas podres há muito desprendidas d’Os Lusíadas!


(por email)

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Feira de Castro: é tão grande o alentejo!


Desde 1620 que todos os anos no terceiro fim-de-semana de Outubro as ruas da vila de Castro Verde e o seu grande largo se enchem de gente vinda de todo o sul do país.
Vendedores de castanhas, nozes, figos secos ou fruta da época, as bancas dos ciganos e os carrosséis vão dar vida e cor à Feira de Castro, evento secular que se realiza este fim-de-semana, dias 18 a 19, sendo lugar de encontro e convívio entre familiares e amigos, comerciantes e fregueses, “numa parafernália de gente, artigos e mercadorias”. 
A par da animação e do ambiente da própria feira, todos os anos a Câmara Municipal promove um programa próprio, onde procura “valorizar a tradição e o património oral da região”. 
Durantes estes dias, o cante alentejano, a viola campaniça e o cante ao baldão assumem especial destaque em iniciativas como “A Planície a Cantar”, que junta vários grupos corais nas ruas de Castro Verde, ou o XXIV Encontro de Tocadores de Viola Campaniça e Cantadores de Despique e Baldão. 
Em quase 400 anos de história, a Feira de Castro mantém vivos alguns elos com o passado, como a venda de produtos do pequeno comércio e da indústria familiar, das mantas de lã, queijos e frutos secos, artefactos da latoaria, quinquilharias e loiças de barro, alfaias agrícolas e mobiliário rústico.

Évora: hoje no Armazém 8 - Relembrar Adriano Correia de Oliveira e Manuel da Fonseca


Relembramos Adriano Correia de Oliveira e Manuel da Fonseca. Unidos pelas palavras, marcados pelo mês de Outubro! 
Adriano faleceu a 16 de Outubro de 82, Manuel da Fonseca nasceu a 15 de Outubro 1911.
Esta noite relembramos as musicas de Adriano, algumas escritas por Manuel da Fonseca, pela voz de Nuno do Ò.
Leitores improváveis, relembram as palavras de Manuel da Fonseca, e um deles podes ser tu!
E quem sabe não se juntam outros amigos, com outras propostas.
Esta será a nossa evocação a dois dos homens que marcam as letras e a musica portuguesas!

"Embebedem-se, desde que a festa não represente encargos para o erário público... "


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troca de email entre 2 socialistas foi parar por engano à delegada regional de educação... ela responde com conhecimento para todos os funcionários. hilariante.

zefio zefio (por email)

"Do Alentejo a Minas Gerais - Encontro de Violas" é apresentado hoje em Castro Verde



O documentário “Do Alentejo a Minas Gerais – Encontro de Violas – Pedro Mestre e Chico Lobo, o segundo trabalho da parceira entre os dois músicos, editado em 2012, e já dado a conhecer no Brasil, vai ser apresentado hoje, dia 17, pelas 21 e 30 horas, no Cineteatro de Castro Verde. Pedro Mestre e Chico Lobo conheceram-se há sete anos durante um Encontro de Culturas em Serpa, evento que reúne anualmente artistas de diversos países. Desse encontro, que “marcaria a vida dos dois músicos e o percurso dos seus instrumentos”, resultou a gravação do seu primeiro trabalho discográfico, “Encontro de Violas – Viola Campaniça e Viola Caipira Pedro Mestre e Chico Lobo”, editado em 2007 no Brasil e em Portugal. “O ponto de partida desta parceria inédita foi a constatação, por parte dos tocadores, da existência de uma estreita ligação entre as suas violas”, adianta Pedro Mestre.

O português tal qual pensa, fala e actua


©Joaquim Palminha Silva
  
            O que escrevo a seguir não é uma nova armadura literária, apenas desejo ser objectivo e sincero. Este português de que falo não é nenhuma ave rara, mas um pacato cidadão a quem apoquentam problemas de reflexão como toda a gente, mas que em vez de entrar no reino de pensamento de chapéu na mão, disposto a escutar a voz da razão, vira as costas desdenhoso à porta do raciocínio e parte noutra direcção, assobiando sabe-se lá que música, a refazer o mundo à sua imagem e semelhança.
            Escutemo-lo pois, antes que ele abale para outro sítio. Talvez da sua pobre confusão nos venha alguma luz…sobre todos nós!
            «Não há-de ser nada!». Expressão muito vulgar no linguajar de rotina da lusa gente. Para perscrutar os recantos da alma portuguesa não há melhor que estas frequentes expressões, estas frases-feitas que traduzem a vibração da tosca forma de pensar da gente comum. Podemos considerar que, conscientemente ou não, a expressão encerra, em simultâneo, duas garatujas vagabundas da inspiração “filosófica” lusitana.
            A primeira, supõe a expressão com qualidades reconfortantes perante a adversidade. A segunda, supõe que a mesma expressão possui o condão mágico de apelar a ignorados “espíritos protectores”, para que amparem algo que se sabe de antemão não reunir condições de êxito. «Não há-de ser nada!», é o mesmo que pedir ao acaso que proteja a insuficiência, ao “destino” que seja tolerante para com a leviandade sistemática, a imprevidência continuada.
            No geral, acalcanhado pelo fatalismo, o português acredita que se salva das situações embaraçosas encontrando a expressão mágica adequada, que salvará a Pátria e os desprevenidos compatriotas pelo bom uso que souber fazer, em dado momento, de uma frase inspiradora. Por si mesma, a expressão define a fase que atravessa a sociedade portuguesa. «Não há-de ser nada!»: - O mesmo é dizer que se espera o pior! O mesmo é dizer que já estamos no começo do fim de tudo! 
          Parece que os portugueses andam sempre à procura de acidentes, desastres, azares, infelicidades que os tornem solidários. Só assim conseguem demonstrar ao mundo como são amigos uns dos outros: - Somos o povo do triunfo na derrota; da ascensão na queda, da saúde doentia, da infeliz felicidade! Enfim, não é por acaso que gostamos tanto do fado, essa canção tão chorada, tão sofrida…
            Para estas situações que pedem ligaduras sociais, adesivos políticos, almofadas repousantes de Bancos, desinfectantes orçamentais e ajudas de custo milionárias, temos vários fragmentos “raciocinantes”, retirados da “enciclopédia” que alberga a teia interpretativa lusitana. Um destes fragmentos é a expressão «Depois logo se vê».
            Com esta frase embainhada como uma espada, estabeleceu-se uma tendência para esgrimir na atmosfera a hipotética acção prática. O investigador atento notará logo que a frase denúncia quanto a acção foi levada a efeito com preparativos trémulos, e de duvidosa continuidade no espaço e no tempo. Porque este «Depois logo se vê» é a sonolência do consciente dos lusitanos depois de encetada uma obra, independentemente das características desta. Sonolência que acaba por adormecer por completo a visão do imprevisto, que se compraz no sentimento de satisfação da produção circunstancial, e se entusiasma com os dados imediatos do senso impressionável, sem mais indagações, contente com os pontos de vista familiares, com a rotina. Como custa a compreender que toda a obra não se esgote após a sua realização, e nada se programa para depois (a curto, médio e longo prazo), por exemplo, face a eventuais emergências, o português só consegue imaginar, para descansar a cabeça, a existência da almofada: «Depois logo se vê»!
            Por muito desassombrado de influências alheias que seja o espírito português, este não consegue permanecer insensível à obra de fachada (quando é que o português se não preocupa com o exterior das coisas?!), nada há de mais deslumbrante do que a sua sofreguidão dos sentidos. No festim da vida trata primeiro que tudo de fartar-se, de encher a sua existência de impressões súbitas, desejos primários e obras de pompa e circunstância. Depois, ai de quem se atreva a pensar melhor do que ele ou diferente dele! Ai de quem o queira prevenir, lembrando-lhe o dia de amanhã.
            «Depois logo se vê»!
            Dotado desta curta visão, mais tarde ou mais cedo acorda cariado pelo depressivo regime do improviso. E à violência do despertar no seio do desastre, junta-se-lhe a imagem ineficaz dos seus desejos impotentes, porque de curtas vistas… Por fim, o descolorido «Depois logo se vê», transforma o português num passarito apanhado na rede que implora que o salvem. Os seus soluços desesperados têm o som excêntrico de chuva que tomba num telheiro de zinco… E os olhos, afogados em lágrimas, já não o deixam ver nada…  

(enviado por email)

Hospitais de Portalegre e de Elvas alvo de investigação


A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um processo para apurar eventuais irregularidades nos serviços de urgência dos hospitais de Portalegre e de Elvas, mas a administração das unidades refuta qualquer tipo de erro.
“Confirmamos a existência de um processo sobre o funcionamento do serviço de urgência da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA). O processo está em curso, estando a ser realizadas as diligências pertinentes”, disse hoje à agência Lusa fonte da IGAS.
Segundo a mesma fonte, o processo foi aberto na sequência de uma denúncia, cuja autoria está “identificada”, alertando para casos de médicos internos a prestar serviço nas urgências dos hospitais de Portalegre e de Elvas (ambos tutelados pela ULSNA) sem a supervisão de um especialista.
Contactado pela Lusa, o diretor clínico hospitalar da ULSNA, Jorge Gomes, confirmou a existência de “um pedido de esclarecimento” sobre esta matéria, tendo os responsáveis da unidade local de saúde já respondido à IGAS.
“Não temos problemas, estamos a trabalhar dentro da lei", assegurou Jorge Gomes, afirmando que para a urgência de Portalegre estão preconizados dois internistas e que "nunca fica um interno sozinho”.
“No caso de Elvas, como a urgência é básica com uma componente médico-cirúrgica, está um internista e um cirurgião, mais um de prevenção e um interno da especialidade, pois os internos nunca estão sozinhos”, acrescentou.
Contactado pela Lusa, o representante da Ordem dos Médicos (OM) em Portalegre, Jaime Azedo, disse que o Conselho Regional do Sul da OM tem conhecimento da situação, através de uma “carta anónima” denunciando “várias irregularidades” nos serviços de urgência dos dois hospitais.
Por outro lado, Jaime Azedo alertou que "o pessoal está exausto" e que "o banco de urgência de Portalegre, por variadíssimas razões, não tem condições para os profissionais trabalharem, nem para os doentes serem atendidos”.
De acordo com Jaime Azedo, os serviços “estão mal organizados”, o que provoca a "permanência de doentes em corredores" das urgências.
“Estamos preocupados com a maneira como os serviços estão a funcionar, levam à exaustão os doentes e os profissionais. A qualidade não é a melhor, porque não assenta em bases fidedignas para o funcionamento, sendo um problema que se arrasta há muitos anos, apesar das obras que já foram feitas”, disse.
Jorge Gomes desdramatiza, por sua vez, as críticas lançadas por Jaime Azedo, sustentando que atualmente o banco de urgência de Portalegre está numa terceira fase de obras para “melhorar a situação” existente.
“Por outro lado, temos o terceiro piso completamente desativado, em obras (acolhe doentes de cirurgia e, eventualmente, de medicina), e o terceiro piso tem capacidade para 52 camas”, disse.
No entanto, Jorge Gomes reconhece que as obras que estão a decorrer no terceiro piso do hospital “agravaram um bocadinho” a permanência de doentes no serviço de urgência.
O diretor clínico hospitalar da ULSNA disse ainda que “não corresponde tanto à verdade” que existam profissionais de saúde em situação de “exaustação”, porque os clínicos têm horários para cumprir, ou seja “42 horas semanais ou 40 horas”. (LUSA)