quinta-feira, 28 de abril de 2016

Equação impossível

O presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro discurso que fez à nação nesta qualidade a propósito das comemorações do 25 Abril, descreveu de forma rigorosa e imparcial os factos político-constitucionais que marcaram a nossa vida política em Democracia. Quantos aos apelos que dirigiu aos partidos que constituem a representação parlamentar, tenho muitas dúvidas, que, venham ser atendidos.
Na verdade, a atual solução governativa tem fundada a sua legitimidade política em partidos que não acreditam na União Europeia, no Euro, nas regras orçamentais que decorrem dos tratados, como, também, não acreditam na economia social de mercado. Acreditam, porém, num Estado protecionista, dirigista e empresário. Esta visão do papel dos Estados, em minha opinião, está caduca e é contrária ao desenvolvimento e colocará os países e as respetivas sociedades mais distantes do progresso, do desenvolvimento e do bem-estar.
Ora, os apelos que o atual presidente fez aos partidos para que sejam criadas as condições políticas para que haja consensos em matérias como a Segurança Social e o sistema politico, mormente, a Lei eleitoral. Terão, indubitavelmente, as resistências do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. A sobrevivência destas forças politicas, passa, como de resto tem sido a estratégia adotada, pelo confronto, pelo radicalismo e pelo populismo quase primário. Neste último aspeto, o bloco destaca-se largamente.
Por isso, sou da opinião que será muito pouco provável que se consigam encontrar, no atual quadro político, as condições necessárias que permitam encontrar o espaço para que seja possível haver consensos e os respetivos acordos de regime em matérias como aquelas que acima identifiquei.
Assim, afasto-me total e conscientemente do presidente da república, porque estou convencido de que a atual situação politica só se clarificará com a devolução da decisão ao povo. Não porque defenda que devamos andar sempre em campanha eleitoral, mas porque estou plenamente convencido que de esta solução constitui um impasse e o país não pode nem deverá perder tempo.
De resto, o atual governo depende de uma solução política que não só não foi sufragada, como não tem a capacidade de gerar os consensos políticos em virtude das inultrapassáveis divergências políticas e ideológicas que separam os partidos que a suportam.
Com efeito, posso reconhecer o esforço realizado pelo presidente da república no seu aviso à navegação, mas um automóvel com rodas quadradas muito dificilmente chegará longe.

José Policarpo (crónica na radio diana)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Debate: Évora, que centro histórico?


Vozes da Cidade - Ciclo de Conversas
#3 Évora, que centro histórico?
Hoje, 27 de abril, 21:30
 
Na terceira sessão das Vozes da Cidade, João Andrade Santos (economista, 73 anos) é o anfitrião que desafia Eduardo Miranda (arquitecto, CMÉ), Gaudêncio Cabral(comerciante eborense, dirigente associativo e membro do Movimento de Defesa do Centro Histórico de Évora), José Alberto Ferreira (gestor cultural, director da Colecção B, docente da Universidade de Évora), José Silva Neves (empresário, 49 anos de idade), Marcial Rodrigues (vice-Presidente da Direcção do Grupo Pró-Évora) para debater perspectivas sobre o Centro Histórico de Évora (CHE). Um debate que se quer prospectivo e inquieto, atento e futurante. 
No ano em que se comemoram os 30 anos da classificação do CHE como Património Mundial pela UNESCO; no ano em que as políticas do governo central apontam a recuperação urbana como uma das sete prioridades do Plano de Reformas estruturais, este é um debate cuja oportunidade se impõe. E o convite é para um debate mobilizador. Contamos consigo !

terça-feira, 26 de abril de 2016

O 25 de Abril de Vergílio Ferreira

Recordarei hoje o registo que, na sua Conta Corrente, com a memória dos dias que pensava e escrevia, Vergílio Ferreira recebeu a notícia da Revolução dos Cravos.
«Às sete da manhã, um amigo telefona-me: “Ouça a rádio.” Ouço sem entender: rebentou a Revolução. A Revolução? Que Revolução? Por fim lá vou compreendendo. Toda a manhã a rádio nos vai esclarecendo com notícias. Passámos o dia à escuta. Será possível?» E no dia seguinte: «Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.»
E como, um ano depois, num comício do Partido Socialista, onde a Sophia e o Torga também estavam, leu à multidão na praça pública ainda que sem o sistema de som ligado, porque teria sido sabotado:
DIZER NÃO

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenarmo-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fraticida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.»

Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

sábado, 23 de abril de 2016

O dia em que o Presidente Marcelo defendeu o Presidente Pinto de Sá

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acabava de sair da Universidade de Évora e tinha já à espera um banho de multidão com ruidosos aplausos. Nada de novo nem de anormal como se tem constatado por todos os locais por onde o novo Presidente da República tem passado neste seu "Portugal Próximo", primeiro périplo com que inaugurou a sua presidência.
Ora, saía o PR da Universidade em direcção ao Largo das Portas de Moura, pela rua do Conde da Serra da Tourega quando ao cimo da travessa da Amêndoa surge uma senhora, já idosa, clamando pela presença do PR. Solícito e sorridente Marcelo rapidamente beija a senhora, ouve as suas queixas, chama o presidente Pinto de Sá para as ouvir também e rapidamente se apresta a defender o autarca.
(A fotografia do PR é de Carlos Neves e foi roubada daqui https://www.facebook.com/neves.karlos?fref=ts)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Exposição de António Couvinha é hoje inaugurada na Malagueira (Évora)


A inauguração terá lugar hoje pelas 18h30 na sede da Junta de Freguesia da Malagueira. É organizada pela União das Freguesias de Malagueira e Horta das Figueiras em parceria com a Câmara Municipal de Évora e a Direção Regional de Cultura do Alentejo e estará patente até ao dia 1 de Julho.

Este sábado em Évora encontro aberto no ArtCafé sobre a temática das deficiências


Capa do DA desta semana