sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vê, Tomé!... (vê, Einstein!)



Entretecendo mil ideias,
tecendo o espaço e o tempo,
o tolo tudo concebendo...

Bastas ideias muito loucas,
postulados e outras coisas mais
como de gradientes e rotacionais,
orelhas um pouco moucas,

viajando de Newton para umas ondas gravitacionais
como as de uma criança atirando pedras a um lago
deslocando umas plumas leves dum pato sossegado,

mas em outras dimensões
e a coisa com outra dimensão,
buracos negros, buracões,

onde a luz se perto passasse
se dobrasse,
caísse
e adormecesse...,

só vendo, como Tomé
(Como?... A luz ali anoitecia?...),
eis a humana conclusão...

Antenas no espaço e no tempo
orientadas como dedos espetados
e eis as plumas em movimento!

Vê, Tomé!...

José Rodrigues Dias, 106-02-12

aqui:  http://joserodriguesdias.blogspot.com/#ixzz403hcUpSD

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Tudo parece do avesso

Eleito à primeira volta o candidato que nos foi imposto pelos patrões da comunicação social dominante, a luta diária dos comentadores voltou-se para a demonstração de que não é possível um país soberano aprovar um orçamento livre da chantagem da comissão europeia.
Bem sei que este não é o governo da esquerda. Também sei que este não é o orçamento da esquerda. Bem sei que o governo é do PS e que o orçamento é do governo do PS, mas ainda assim não posso deixar de me espantar com a atitude da maioria dos comentadores que alinham invariavelmente com a visão mais seguidista das teorias da inevitabilidade austeritária.
Tudo estava mal na proposta de orçamento. A comissão europeia iria recusar a proposta de orçamento e cada Miguel de Vasconcelos de serviço fez questão de ir envenenar a potência ocupante com as suas profecias da desgraça proferidas por um qualquer desgraçado.
Afinal a coisa não correu tão bem para os que anunciaram o dilúvio divino sobre a soberania nacional e o orçamento parece ter sido tolerado pelos guardiães das portas do paraíso neo liberal.
Para que tal acontecesse o governo teve de o piorar, de o tornar aqui e ali incongruente, de recuar nalgumas propostas socialmente mais justas e de avançar com incompreensíveis cedências à chantagem dos euroburocratas a mando da visão mais reaccionária do conceito de integração europeia.
Todo este processo vem lembrar aos mais distraídos que o caminho da libertação passa por equacionar a nossa presença nesta União Europeia que faz da integração uma espécie de colonização dos tempos modernos, umas vezes simpática outra vezes de rosto fechado,
Não sabemos o que vai acontecer no debate sobre o orçamento na Assembleia e se o governo irá aceitar propostas que tenderão a melhorá-lo ainda que constituam um desafio a uma União Europeia que aposta tudo no reforço da austeridade tendo como alvo os rendimentos do trabalho.
Mas uma coisa é certa. Os comentadores continuarão a fustigar todas as opções que não se enquadrem na visão tosca e alinhada pelas perspectivas de um governo que já não é e continuarão a criar a artificialidade com que pretendem convencer os mais incautos de que piorou… o que se pretende melhorar.
E tudo isto por causa de um governo do PS com um orçamento de um governo do PS. Imagine-se o que seria se se tratasse de um governo de esquerda, com uma política patriótica e de esquerda e um orçamento de ruptura com os ditames dos donos europeus disto tudo.
Veremos que tempos se seguem a estes tempos estranhos. Uma coisa é certa, podem torcer os números, inventar propostas e contrapropostas e até espalhar o veneno da intriga palaciana, que dificilmente conseguirão matar a centelha de esperança que nasceu da derrota que sofreram em 4 de Outubro.
Assim todos cumpram os compromissos assumidos.

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

6º aniversário da "é neste país" comemora-se este sábado


6º Aniversário . É Neste País
Sábado . 13 de Fevereiro de 2016


11:30 . Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto?
com António Fontinha


20:00 . No prato da cozinha… Alentejana
Mestre cozinheiro Pisco Martins
Inscrições até dia 12 de Fevereiro

22:00 . O que se passa neste país!
Apresentação de projectos
.
Para inscrições e mais informações:
É Neste País - Associação Cultural
Rua da Corredoura 8 . Évora
e-mail: nestepais@gmail.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A incerteza é má conselheira!

A comissão europeia ao fim de negociações aturadas com o governo português, deu assentimento ao projeto de orçamento apresentado. Porém, o primeiro-ministro e o ministro das finanças informaram o país que o primeiro esboço de orçamento era mais condizente com o seu programa de governo.
Por seu lado, a comissão apesar do “parecer” favorável, levanta muitas dúvidas quanto à execução da receita. Ou seja, os impostos e taxas a cobrar no presente ano, serão, muito, provavelmente, insuficientes para assegurarem o défice previsto.
Na verdade, a esquerda democrática e não democrática, partido socialista e os demais partidos que constituem a atual maioria parlamentar, numa coisa são o mesmo lado da moeda. Se existe uma reivindicação e a mesma tem origem no eleitorado que os possam legitimar em quanto poder, tudo, mesmo tudo, deverá ser feito para satisfazer essas pretensões. Mesmo que essas pretensões possam conduzir o país para o descrédito internacional.
De resto, por muito legítimas que sejam as reivindicações, no caso, os vencimentos dos funcionários públicos e as pensões dos reformados e dos pensionistas, as mesmas para serem satisfeitas necessitam de dinheiro, de muito dinheiro.
Ora, o dinheiro resulta dos impostos, que por sua vez têm origem no rendimento dos trabalhadores e no lucro das empresas. E, para que esta condição se verifique é necessário, que, ao mesmo tempo, a economia do país cresça sustentadamente. Com efeito, se se descurar o equilíbrio adequado entre os impostos cobrados e a criação de riqueza, o governo estará metido numa grande e complexa encruzilhada política-financeira.
Assim, o governo para levar a cabo a política que defende, como tentei demonstrar atrás, precisa de dinheiro. Deste modo, não deverá aumentar a carga fiscal, mas criar as condições politicas para que o investimento tenha lugar. Porém, não é com o aumento dos impostos e com as alterações da legislação previstos em sede da proposta de orçamento, que criará a confiança necessária para que os investidores invistam no país.
Pelo que, a prudência a isso recomenda, só resta uma solução ao atual governo para que as contas públicas não tenham o mesmo desfecho que tiveram no ano de 2011. Para tanto, deverão convencer os seus amigos de coligação, que, a realidade, não é compaginável com ideários políticos, por mais nobre que eles possam aparentar ser. É imperioso, por isso, que o governo faça uma execução do orçamento observando as regras básicas de uma gestão equilibrada e saudável e não entrar em populismos demagogos. Dar tudo e a todos. É uma má experiência, que, todos bem conhecemos, e, não foi há muito tempo.
E, por último, só para os mais distraídos, nunca é de mais relevar, em maio 2011 não havia liquidez para pagar as remunerações aos funcionários públicos e as pensões aos pensionistas. É isto que, defendem!?!

José Policarpo (crónica na rádio diana)

Papagaios Sem Penas 3

Como vos propus, vamos concluir esta tríade de crónicas sobre o mundo da política e de como ele depende muito da comunicação e do uso das palavras no discurso, com todos os riscos de poder tornar-se uma crónica com efeito boomerang, risco de quem se predispõe ao escrutínio em espaço público.
Quem vive da comunicação como profissão vive, naturalmente, com a preocupação de tratar os assuntos para que sejam consumidos da forma mais eficaz e não olhando, vezes demais, aos recursos utilizados e descurando o impacto que a qualidade da informação possa ter na qualidade da vida cívica. Discursos inflamados, engraçadinhos ou com chavões até à náusea fazem-nos certos políticos em campanhas eleitorais, tornando-as tantas vezes risíveis; discursos elípticos, ambíguos, com equívocos, a comunicação social trata de os fazer com maior ou menor habilidade; os discursos muito pormenorizados, em geral, os governantes evitam-nos, primeiro porque têm mais que fazer, depois porque sabem do perigo de um deslize; já as oposições refinam métodos e meios para que nunca se deixe de fazer os vários tipos de discurso: o uso dos detalhes e das insinuações numa mistura com as generalizações apocalípticas que oscilam entre o fait-divers e a boutade. Resta, então, aos muitos mais que não são nem uma coisa nem outras, escolher estar atentos ou estarem-se nas tintas quanto ao teor da informação que lhes chega.
Por muito que os actos e as medidas de quem governa é que, de facto, interfiram com a vida dos cidadãos, estes actos e medidas vêm acompanhados, como numa máquina que é usada por quem não a fabricou, de uma espécie de manual de instruções em forma de declarações ou discursos. Ora, como tantas vezes acontece nesse mundo industrial e dos negócios, e com a péssima qualidade das traduções desses manuais de instruções, há muitas notícias que dificilmente nos ajudam a funcionar com a realidade de forma a compreendermos bem como usá-la. É assim que tantas notícias que estão na secção da informação podiam era estar na de opinião ou propaganda. Mas é também assim que muitos se põem a jeito, porque lhes dá jeito, para serem lidos desta forma.
Se nas duas últimas semanas o teor – conteúdo e tom – do discurso político pelos comentadores foram o alvo das minhas reflexões, esta semana centro-me na dos próprios actores principais da política, e da local, não sem antes colocar algumas perguntas. Quando os cidadãos votam, será que o fazem depois de avaliarem as propostas governativas ou porque avaliam as práticas já exercidas? E quando avaliam o passado, será que se lembram de tudo e relacionam todas as condicionantes para o avaliarem ou só se lembram do que lhes diz directamente respeito ou do que acabou de acontecer, que lhes agradou ou não? E quantos de nós nos lembramos dos discursos – não a prometer mas a acusar - disto ou daquilo aqueles de quem nos queremos distinguir? Às vezes põem-se a voar papagaios que, mais do que ganharem altura e voarem controlados pelos fios que lhes demos, voam à solta. Os fios, transparentes e resistentes, nunca parecem lá ter estado e por isso dá para fazerem de conta que lá continuam…
Recordo-me de um episódio que vivi, em torno da piada que se diz a propósito do assunto que se quer menosprezar, para ilustrar como certas palavras ou uso delas, mesmo tão influentes, se perdem ou apagam quando a responsabilidade do fazer se sobrepõe à do dizer: se achei graça quando em 2010 tinha responsabilidades executivas e aconteceu um festival de música pop que a oposição baptizou com humor “festival da rotunda”, não posso deixar de seguir a mesma onda de bonomia e ser a minha vez de falar do “cinema do canteiro” que promete nascer em Évora em 2016 pela mão da então mesma oposição e agora executivo. E é bom de ver como este tipo de conversa, por mais divertida que seja, não explica nada às pessoas sobre as circunstâncias em que surgem propostas e problemas.
Recordo-vos o que disse o escritor e pensador: «Afirma com energia o disparate que quiseres, e acabarás por encontrar quem acredite em ti.» E é disto que vamos ter de nos ir livrando, ok? Como? O ambiente comunicacional das redes sociais pode ser o princípio, mas a solução parece-me que está só num lugar: na Educação. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radiodiana)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Pela liberdade dos marionetistas presos em Madrid


‪#‎LibertadTitiriteros‬

Na sexta-feira passada, no decurso de um espectáculo em Madrid, dois marionetistas da companhia "Tititeres desde Abajo" foram presos por alegada "apologia do terrorismo", quando levavam à cena uma peça baseada em Lorca: "La bruja  y Don Cristóbal". Os dois marionetistas continuam detidos ao abrigo da chamada Lei Mordaça. Em Portugal, e em Évora, terra de marionetistas, o grupo "Era uma Vez" e a Unima (União Internacional de Marionetistas - Portugal) já manifestaram a sua solidariedade activa. Está a circular um abaixo assinado que pode ser subscrito aqui.

Pela liberdade de expressão…. Toma,Toma,Toma!!!
No Teatro Dom Roberto em Portugal nos anos passados sob uma ditadura fascista, várias vezes foram proibidos de actuar os bonecos da cachaporrada. Bonecreiros chegaram a ser presos e seus bonecos queimados. Se formos ainda mais para trás no tempo, basta pensarmos que o grande escritor de óperas para marionetas António José da Silva morreu na fogueira. No teatro Dom Roberto o padre leva porrada, o polícia é morto, o diabo é morto e no final o nosso herói mata a própria morte. Tudo isto para dizer que estamos solidários com os titeriteiros presos em Madrid acusados de incentivo ao terrorismo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A polémica sobre o Centro Comercial junto às Portas de Avis também no "Diário do Alentejo"


Projeto de Centro comercial levanta dúvidas 

Ainda antes do fim do ano, a Câmara Municipal de Évora deu a conhecer a existência de investidores interessados em construir um centro comercial de “influência regional” junto às Portas de Avis, num terreno que lhe pertence e que se situa na periferia do centro histórico. O Grupo Pro-Évora promoveu três sessões, convidando vários especialistas para debater o tema e ajudar a formar uma opinião. E a conclusão a que chegou, diz a sua presidente, Aurora Carapinha, é a de que “temos dúvidas”. “Esta estrutura melhora, revitaliza e regenera o centro histórico? A experiência de casos semelhantes diz-nos que não”. 
O município, pela voz do vereador Eduardo Luciano, esclarece que “não é promotor da construção de centros comerciais”. Acontece que, da última revisão do Plano de Urbanização, resultou a classificação dos terrenos de propriedade municipal junto à Porta de Avis como “destinados a comércio e serviços”, entendendo a câmara, por unanimidade, colocar à venda esses terrenos, por concurso público, cujo caderno de encargos “contém um conjunto de exigências que pretende defender o centro histó- rico da competição de uma centralidade alternativa”. O autarca fundamenta-se, inclusivamente, num estudo, dirigido pela geógrafa Teresa Barata Salgueiro, que apontava “como localização menos gravosa, para a existência de um centro comercial de dimensão regional, qualquer uma que ficasse a menos de 15 minutos a pé do centro histórico”. 
Ora, o estudo data de 2007 e, segundo o Grupo Pro- -Évora, está “manifestamente desatualizado”. “Hoje o mundo muda a uma velocidade louca. E o que o estudo diz é que o impacto seria menor ali, o que não quer dizer que não haja”, acrescenta Aurora Carapinha. 

CF 

"Diário do Alentejo" desta semana dedica tema de capa ao Centro Histórico de Évora


Com vários depoimentos de comerciantes e residentes, o "Diário do Alentejo" assinala nesta edição os 30 anos de Évora como Património da Humanidade que se assinalam este ano. A reportagem de Carla Ferreira, com fotografias de José Ferrolho, ouve também a arquitecta Aurora Carapinha, antiga directora Regional de Cultura e actual presidente da direcção do Grupo Pró-Évora, assim como Eduardo Luciano, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Évora, responsável pelo Centro Histórico.

Para ler a reportagem: http://da.ambaal.pt/noticias/?id=8946

Exposição do fotógrafo António Carrapato sobre o Palácio D. Manuel é hoje inaugurada


O visitante de uma exposição, o funcionário que dispõe e compõe mesas e cadeiras para uma conferência, o actor que se maquilha para entrar em cena ou o músico que afina o instrumento para iniciar um concerto, são alguns dos protagonistas de actividades que decorrem no Palácio de D. Manuel que o fotógrafo António Carrapato seguiu durante o ano de 2015.
O resultado deste trabalho de doze meses é uma exposição de fotografia, intitulada “Palácio de D. Manuel, 500 Anos – Diário de Um Edifício”, que vai ser inaugurada amanhã, dia 4, pelas 18h00, e ficará patente ao público até 27 de Fevereiro.
Ao celebrar, em 2015, cinco séculos de existência do Palácio de D. Manuel, a Câmara Municipal de Évora desenvolveu um vasto programa de comemorações. Nesse âmbito, foi feito um convite àquele fotógrafo para que registasse a vida do edifício. Aceite o desafio, António Carrapato acompanhou as iniciativas que se realizaram no Palácio, e nas suas imediações, de Janeiro a Dezembro do passado ano.

Repórter fotográfico há mais de 25 anos e com um também extenso currículo em fotografia documental e de autor, António Carrapato cunha o seu trabalho com uma invulgar marca de caricatura e humor. Característica que não omitiu na produção que agora apresenta sobre o Palácio de D. Manuel. No conjunto de imagens que mostra ao público, sobre o que decorre neste histórico edifício, revela o que ocorre por detrás do pano, num espectáculo de teatro; o que antecede, e precede, as várias actividades que se realizam nas suas salas; o que se passa na montagem, e na desmontagem, de uma exposição; e também o modo como os turistas, e outras pessoas que frequentam as proximidades do Palácio, o jardim e a zona do coreto, por exemplo, desfrutam desses espaços. (Nota de imprensa da CME)

Em Entradas (Castro Verde), encontro de tocadores de harmónicas