sábado, 20 de dezembro de 2014

Este sábado na "é neste país"


Neste sábado teremos a última sessão de contos deste ano e será uma sessão muito especial, é a prenda de natal de todos para todos, é graças à nossa caixinha (daqueles outros "Pontos") que temos o prazer de vos trazer o contador Carlos Marques. É de Montemor- o-Novo e desde 2007 realiza e programa sessões performativas de contos, cooperando com diversos narradores.
20 de Dezembro de 2014, pelas 11:30
Com quantos pontos se conta um conto?

Carlos Marques

Apareçam! É neste país!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Inaugura hoje no Círculo Eborense


A Grande Questão!

©Joaquim Palminha Silva

    Segundo F. Dostoievsky, no romance «Os Irmão Karamazov», assim falou a Jesus Cristo o Grande Inquisidor:
   «[ ...] Então tu não vieste realmente senão para os eleitos? Mas, se assim é, há aí um mistério que não podemos perceber; e, então, nós também temos o direito de pregar um mistério e de ensinar aos homens que não é o livre julgamento dos seus corações nem o amor o que importa, mas esse mistério, ao qual eles se devem submeter cegamente, mesmo contra a sua consciência. Eis o que fizemos. Corrigimos a tua obra e fundámo-la sobre o milagre, o mistério e a autoridade. E os homens rejubilaram por serem de novo conduzidos como um rebanho e libertados desse dom funesto que lhes causava tais tormentos. Tínhamos razão para proceder assim? Fala! Não é amar a humanidade compreender a sua fraqueza, aligeirar com ternura o seu fardo, tolerar mesmo que a sua fraca natureza peque, contanto que seja com o nosso consentimento? Porque vens entravar a nossa obra? E porque me fitas silencioso, com esse olhar perscrutador e terno? Zanga-te, antes; eu não quero o teu amor, porque eu próprio não te amo. E de que me serviria esconder qualquer coisa de ti? Não sei a quem estou falando? Tudo o que poderia dizer de antemão o saberias. Mas talvez o queiras ouvir da minha boca. Ouve então. Nós não estamos a trabalhar contigo, mas com ele, eis o nosso mistério…».
            Na impossibilidade de reproduzir todo este notável monólogo da história da literatura russa, e universal, e do pensamento religioso e ideológico, bem como suas inerentes dúvidas, fixei-me nestas linhas.
O Grande Inquisidor é um velho cardeal espanhol da época mais cruel e fanática da Inquisição Ibérica que, na véspera do seu aparecimento “em cena”, nas páginas do romance, tinha acabado de mandar queimar uma centena de hereges ad majorem gloriam Dei.
Convém tentar compreender o pensamento do cardeal, através das suas palavras dirigidas à imagem muda de Jesus Cristo pregado num grande crucifixo. Ele acreditava que a longa experiência da sua vida (este cardeal teria perto de noventa anos), ensinara-lhe que a grande maioria da Humanidade é composta por seres fracos, sem vontade própria, sem energia, absolutamente incapazes de se perfilarem no escasso número dos que são realmente eles próprios. O que a imensa maioria deseja é precisamente não ter que usar a liberdade de consciência, que está na base do Cristianismo, mas sim colocar essa mesma liberdade nas mãos de um autoritário senhor que os governe e lhes assegure o pão de cada dia, ganho com o trabalho de cada um. São estes os que preferem ao pão celeste (a vida espiritual, a abnegação, etc.), o pão terrestre (os prazeres da estreita materialidade, o encolher de ombros, etc.).
Em face da enorme maioria dos fracos, o Grande Inquisidor pensa que Jesus Cristo se enganou, ao imaginar que era possível para todos o que já era difícil de atingir apenas por alguns. Vista assim a questão, o Grande Inquisidor não está disposto a cometer esse erro, exactamente por amor dessa fraca Humanidade, para a qual não há maior tortura do que ter de distinguir, em plena liberdade de consciência, o bem do mal!
O Grande Inquisidor pensa, por conseguinte, que a única forma de organizar a sociedade é transformá-la num imenso rebanho, pastoreado por uma escassa minoria de homens que por inteiro se votariam ao sacrifício de não poderem considerar os outros homens, a maioria, seus iguais e de terem de suportar sozinhos, o pesado fardo de separar o bem do mal. O Grande Inquisidor sabe perfeitamente que o seu trabalho será sempre incompleto, dado que de vez em quando, uma parte do rebanho se insubordina. Porém, para reduzir o número e a frequência dessas insubordinações, lá está o Tribunal do Santo Ofício, os autos de fé, as fogueiras e a morte.
            A ideia do Grande Inquisidor é baseada na existência espiritual de um Deus terrível (segundo a tradição hebraica), embora justiceiro, todavia um Deus que não perdoa, pois não acredita na Humanidade que criou. Eis a razão porque o velho cardeal levanta o olhar acusador e rude para a humanidade compreensiva que existe em Jesus Cristo, que do seu crucifixo o olha doce e serenamente.
            Nos trágicos dias que atravessamos, este trecho de «Os Irmãos Karamazov» parece-me cada vez mais actual, e elucidativo: - Estão a transformar-nos, paulatinamente, num rebanho! Estamos aptos a ser democraticamente escravizados! Os nossos próprios protestos têm o sabor da derrota, do desespero que consente, não do protesto radical da revolta em acção!

Estamos prontos a ser rebanho! – Naturalmente saído das falseadas urnas de voto, já só nos falta o Grande Inquisidor?

Lançamento dos Programas Operacionais do Portugal é hoje: Alentejo tem mais de mil milhões de euros de fundos comunitários até 2020



A Cerimónia de Lançamento dos Programas Operacionais do Portugal 2020 vai realizar-se hoje, dia 19 de Dezembro, pelas 10:30 horas no Auditório da Fundação Champalimaud, em Lisboa.
A Cerimónia conta com a presença do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, do Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida, e a participação da Comissária Europeia para a Política Regional, Corina Cretu.
No evento será ainda feita a apresentação e início de funções dos gestores dos novos programas operacionais.
A Comissão Directiva do Programa Operacional Regional do Alentejo 2014-2020 - ‘Alentejo 2020’, será presidida pelo Presidente da CCDR Alentejo, António Costa Dieb, por inerência de cargo, e tendo por vogais, António Costa da Silva e Filipe Palma, este por indicação da ANMP.
O ‘Alentejo 2020’ tem uma dotação global de 1.082,9 Milhões de euros, dos quais 898,2 Milhões de euros do FEDER e 184,7 Milhões de euros do FSE. (nota de imprensa da CDCRA)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Évora: de hoje até terça-feira há animação no Art Café


O Art Café, em Évora, vai realizar dias 18,19, 20, 21 e 23 de Dezembro 2014, com início às 16h00, atividades de âmbito cultural de forma a dinamizar o espírito natalício. 

Programação:

Dia 18 às 22h - Little Garden, performance de Márcio Pereira;
Dia 19 às 22h - Garoupas de Ipanema
Dia 20 às 16h - música com Sérgio 
Dia 20 às 22h - Pequena Valsa, de André Russo
Dia 21 às 16h - Espaguete & Pitú (Palhaços)
Dia 23 às 22h - Estrela da Alvorada

ORGANIZAÇÃO: Art Café
APOIOS: Inatel Évora
PREÇO: Entrada livre


https://www.facebook.com/events/793024797403246/

Amanhã, às 21,30H no Teatro Garcia de Resende (Évora)



“Directum” é um trabalho para saxofone, percussões e eletrónica (máquina de loop). Corrado Floriddia convidou Rui Gonçalves para esta nova experiência em 2007, depois de centenas de concertos executados juntos, com os “Macacos das Ruas”, “4eto Jazz” e “FunkTroika”, entre outros, “Directum”, performativo, acústico-eletrónico, é a viagem entre standard de Jazz como “AllBlues” e “Night in Tunísia”, que são intercaladas com cantos populares italianos-portugueses. “Chaves de Sax em Feed Back” também dão espaço a momentos completos de improviso procurando ambientes naturais paisagistas, sem usar os instrumentos propriamente de forma tradicional. (Corrado Floriddia, saxofone | Rui Gonçalves | percussão e eletrónica | duração: 60 min. | M/12)

Organização: Câmara Municipal de Évora
Apoios: CENDREV
Contacto: 266 703 112 | geral@cendrev.com
Inf. Extra: Preço - 8€

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O significado de Partilhar

A época natalícia teve o seu início há quase três semanas, porém, a nossa cidade apresenta-se muito envergonhada, diria mesmo um pouco empalidecida. Falo-vos, por isso, dos enfeites de natal existentes e da animação, sobretudo da realidade que compreende o centro histórico.
Não obstante, tenda a reconhecer que existem aspectos novos e diferentes dos que aqueles que conhecíamos e uma tentativa de alterar e cortar com o passado recente. Para isso a edilidade juntamente com a associação comercial do distrito de Évora e a Entidade Regional de Turismo disponibilizam um comboio turístico para todos aqueles que queiram passear pelas ruas da nossa cidade, mediante um pagamento de um bilhete, como, também, proporcionam o visionamento de um filme na fachada principal da igreja de S. Antão, na praça do Giraldo.
Todavia, no que ao comboio turístico diz respeito, uma vez que é uma iniciativa sazonal, não tem carácter regular, temo que o pagamento de um preço possa colocar o sucesso da iniciativa em causa. Relativamente à projecção do filme na parede da Igreja de S. Antão, não digo que seja uma má iniciativa, mas com a parede da Igreja no mau estado em que se encontra, de todo em todo, resultará.
Em todo o caso, as reflexões que aqui deixo, são unicamente para acrescentar e não para destruir, não mais do que isso. Penso, aliás, que, para o ano, as partes interessadas, Câmara, Junta de Freguesia, no caso União das freguesias de Évora, Instituições públicas e privadas, Comerciantes e/ou quem os represente, deverão, todos em conjunto, concertar-se no sentido de conceberem uma animação de natal que verdadeiramente mobilize as pessoas, os residentes e quem nos visite, com o objectivo de fruírem e de gastarem efetivamente dinheiro, nas lojas, cafés, restaurantes, hotéis e nos demais locais da nossa cidade. Precisamos, por isso, que isto seja uma realidade e não um proclamado desejo.
Estou, portanto, convencido que todos, sem excepção, poderemos vir a beneficiar de entendimentos partilhados. E, por conseguinte, esta forma de actuar não pode ficar no campo das intenções, deverá, portanto, densificar-se na ação politica e empresarial no dia-a-dia.

José Policarpo (crónica na RádioDiana)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

António Dieb reconduzido no cargo de presidente da CCDRA por mais 5 anos


Antonio Costa Dieb foi designado para nos próximos cinco anos exercer, de novo, o cargo de Presidente da Comissão de Coordenação Desenvolvimento Regional do Alentejo.
A escolha do novo Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo decorreu de um processo concursal no âmbito da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CreSAP), entidade independente que assegura o recrutamento e seleção de candidatos para cargos de direção superior da Administração Pública e ao qual se apresentaram a concurso para o Alentejo doze candidatos
António Costa Dieb é licenciado em Sociologia pela Universidade de Évora, possui o Curso de Especialização em Gestão de Recursos Humanos e entre variada formação complementar possui o Curso Avançado de Gestão Pública – CAGE.
António Costa Dieb exercia já as responsabilidades de Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo desde 2012, sendo igualmente Presidente da Comissão Diretiva do Programa Operacional Regional - InAlentejo e, no âmbito da Cooperação Transnacional é Presidente da EUROACE - EuroRegião Alentejo, Centro, Extremadura, Vice-Presidente da EUROAAA - EuroRegião Alentejo, Algarve, Andaluzia e Membro da ARE - Assembleia das Regiões da Europa . (nota de imprensa da CCDRA)

Évora: debate público sobre o IMI no Centro Histórico, esta noite


“Centro Histórico de Évora, classificação e o futuro” é o tema de um debate que se realiza esta noite no edifício da União das Freguesias de Évora.
A iniciativa realiza-se, a partir das 21:00, a propósito das comemorações da classificação da cidade como Património Mundial da Humanidade.
Segundo os promotores, um dos pontos em cima da mesa é a questão da isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) no Centro Histórico de Évora.
Estão previstas intervenções de várias entidades, nomeadamente da união das freguesias, câmara, Direção Regional de Cultura do Alentejo, Movimento de Defesa do Centro Histórico de Évora (MDCHE) e da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Proteção do Património (APRUPP).

Assembleia Municipal de Évora: só a CDU votou a favor as Opções do Plano e Orçamento para 2015


A Assembleia Municipal de Évora deu continuidade à sessão de 28 novembro, que havia sido adiada para o dia 12 de dezembro, devido à significativa quantidade e natureza de assuntos para deliberação. Do conjunto de pontos tratados, destaca-se a aprovação, por unanimidade, da proposta de Regimento da Assembleia Municipal de Évora, onde foram introduzidas diversas melhorias em relação ao documento inicial, nomeadamente no domínio das competências de apreciação, fiscalização e funcionamento desta.
O Presidente da Assembleia, António Jara, salientou, entre as alterações aprovadas, o uso da palavra pelo público. Assim, em cada sessão ordinária e extraordinária, o Presidente fixa um período de intervenção, aberto ao público presente, de 45 minutos, que terá lugar em dois momentos: o primeiro, de 15 minutos, no início da sessão; o segundo, de 30 minutos, terá lugar após o encerramento da ordem do dia. Este período poderá ser prolongado, nos dois momentos.
A apreciação das petições (ou relatórios relativos às petições) subscritas por um mínimo de 150 cidadãos eleitores, recenseados no município, é obrigatoriamente inscrita na «Ordem do Dia» de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal, durante a qual os primeiros subscritores das mesmas podem usar da palavra.
Foram aprovadas as Opções do Plano e Orçamento para 2015, após um amplo debate, com 16 votos favoráveis (CDU), 5 abstenções (3 do PSD, 1 do BE e 1do PS); e 12 votos contra (PS). 
O Parecer apresentado pela Câmara contra o Projeto de Criação do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo (SMAASLVT) foi aprovado com 17 votos a favor (15 da CDU, 1 do BE e 1 do PS) e 14 votos contra (11 do PS e 3 do PSD). Recorde-se que este parecer, já aprovado em reunião pública de Câmara, responde ao ofício, datado de 23 de outubro, do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, propondo a inclusão de Évora no referido Sistema. O Município de Évora decidiu que rejeita o processo que levou à apresentação da presente proposta de Decreto-Lei, desenvolvido no desrespeito e à revelia das atribuições e competências do Poder Local; manifesta o seu parecer negativo e, em consequência, a sua total recusa em aderir e integrar o propostoSistema, por considerá-lo prejudicial para os interesses das populações.
Contrariamente à proposta da integração no SMAASLVT, o Município de Évora defende que uma agregação deveria garantir os seguintes princípios: manter o centro de decisão desta determinante na área pública e o sector económico na região e sob a égide dos municípios integrantes; e contribuir para a coesão territorial e socioeconómica do Alentejo, quer pelo território abrangido, quer pela construção de uma empresa regional estratégica e de dimensão estruturante, assente numa parceria pública, à semelhança do que já acontece com alguns municípios vizinhos.
Mereceram aprovação unânime a Autorização para abertura de procedimento concursal para internalizar, na Câmara, um trabalhador da extinta empesa Mercado Municipal de Évora; a proposta de Regulamento Municipal para a atividade de comércio a retalho não sedentário, exercida por feirantes e vendedores ambulantes; a Alteração aos artigos 6º e 8º do Regulamento da Comissão Municipal de Economia e Turismo de Évora; a Alteração, por adaptação, do Plano Diretor Municipal de Évora (PDME), por via da aprovação do Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios (PMDFCI 2014-2018) para o Município de Évora; e as Orientações Estratégicas da Câmara Municipal para o mandato da gerência plural da Habévora.
A Assembleia tomou ainda conhecimento da informação do Presidente da Câmara Municipal acerca das atividades e da situação financeira do município, relativas aos meses de setembro e outubro de 2014, tendo o Presidente Carlos Pinto de Sá feito o destaque de algumas questões e respondido às diversas perguntas colocadas pelos membros da Assembleia.(nota de imprensa da CME)

Hoje na SHE: conversas em torno de Mário Cesariny

Évora: "Que escondes tu?", pelo Pim Teatro na Igreja de S. Vicente

Sessões para escolas: 
16 a 23 Dezembro
segunda a sexta, 10:30

Sessões para público familiar: 
20 e 21 Dezembro
27 e 28 Dezembro
sábados às 16:30
domingos às 11:00

Bilhetes Público Escolar: 3 euros

Bilhetes Público Familiar:
3euros crianças | 5euros adultos | 3euros grupos /famílias (5 pessoas)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A posição do PS na Assembleia Municipal de 12 de Dezembro sobre a "questão da água"

Intervenção de Francisco Chalaça na Assembleia Municipal de Évora de 12/12/14
A Discussão em torno das questões que se prendem com a gestão da água enquanto recurso fundamental assentam em duas óticas, no nosso entender, um ótica politica, em que se define quem deve possuir a propriedade da água e para nós é claro que a propriedade da água deve continuar a ser pública.
E Por outro lado, uma ótica económica e financeira que avalie a capacidade da Empresa Gestora para efetuar um elevado volume de investimento associado a uma gestão eficiente que assente num tarifário justo, mas suportável para os consumidores, este aspeto é hoje essencial, tanto mais, que é conhecida a legislação comunitária, que obriga a que, os estados membros, façam refletir no tarifário da água todos os custos de produção da mesma com qualidade para consumo. Ou seja, quanto maior for a capacidade de investimento, melhor será a qualidade da água, quanto maior for eficiência operacional da empresa Gestora da Água, menores serão os custos de produção, logo, mais baixo será o índice tarifário para os consumidores.
É esta a tónica que colocaremos na análise que aqui iremos fazer, sobre este assunto.
Começo pois por reafirmar, em nome do Grupo do Partido Socialista nesta Assembleia, que somos absolutamente contra qualquer intenção de privatização da água, é nosso entendimento que, independentemente da reorganização, das entidades gestoras, que venha a ocorrer no sector, a água, como elemento vital, deve permanecer como um “Bem Público”.
Não restando qualquer dúvida ou equívoco sobre esta nossa posição, passamos a analisar a questão que nos é colocada de emissão de parecer sobre a integração das “Águas Centro Alentejo”, no “Novo Sistema Multimunicipal de Lisboa e Vale do Tejo”.
A questão em si mesma não pode deixar de ser contextualizada face às alternativas hoje existentes de integração do município num sistema público de distribuição de água e de tratamento de água residuais, tanto assim que nos foi enviado o contrato de parceria entre a Águas de Portugal e os municípios aderentes e o estudo de viabilidade de criação da empresa de “Águas Públicas do Alentejo”, que tem como acrónimo AgdA   que,  passarei a usar sempre que pretender referir aquela empresa.

Assembleia Municipal

Na passada sexta-feira, 12 de Dezembro, reuniu a Assembleia Municipal de Évora. Dos vários assuntos abordados, gostaria de destacar três, fazendo um breve comentário sobre cada um deles:

1. Foram aprovadas as Grandes Opções do Plano e Orçamento do Município para 2015, com os votos a favor da CDU, os votos contra do PS e a abstenção do BE, PSD e 1 membro do PS. Obviamente que o estrangulamento financeiro a que o município está sujeito impede a fixação de grandes opções mais ambiciosas e projectos mais estruturantes, que seriam vitais para o nosso Concelho. Ainda que me solidarize com estas dificuldades, não posso deixar de considerar que este Plano deveria ser mais ambicioso no que à promoção da participação popular na gestão municipal diz respeito, nomeadamente através da partilha de informação de fácil acesso, que contenha dados concretos sobre a gestão, sobre os projectos em curso, e sobre a forma como o município utiliza os recursos financeiros disponíveis. Considero, também, que a participação dos cidadãos deverá ser promovida através da introdução de mecanismos simples de participação directa, como são os orçamentos participativos. E porque não será possível explanar nesta crónica todas as sugestões de melhoria deste documento, quero salientar, ainda, que vi com atenção que o Executivo pretende fazer algumas reivindicações ao poder central. Considero que estas reivindicações devem ser claras, fortes e que devem, sobretudo, envolver todos os munícipes. Estes devem deter toda a informação e ser agentes de colaboração ativos nas lutas que deverão ser tomadas como prioridade, nomeadamente a denúncia do contrato PAEL, que atenta contra o poder democrático local e contra os munícipes sobre a forma de taxas máximas. Os termos do PAEL são insustentáveis e agressivos, pelo que a resposta do município deve ser proporcional. Em relação ao Orçamento Municipal, de verificar um esforço pela contenção. Ainda assim, continua a ser apresentando um orçamento que do lado das receitas é pouco real, verificando-se, do lado das despesas, um peso das despesas de capital e juros insustentável e incomportável.

2. Também foi aprovado o novo Regimento da Assembleia Municipal de Évora, desta feita por unanimidade. Não posso deixar de sublinhar, com enorme satisfação, duas alterações decorrentes de propostas do Bloco de Esquerda, que vêm reforçar o papel activo dos nossos concidadãos e concidadãs:
    1. O facto de, a partir de hoje, os munícipes poderem usar da palavra em dois momentos: um primeiro no início da sessão e um segundo após o encerramento da ordem do dia;
    2. E as alterações ao direito de petição, que obrigam a que a apreciação de petições e ou dos relatórios relativos às petições subscritas por um mínimo de 150 cidadãos eleitores, sejam obrigatoriamente inscritas na “ordem do dia” de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal.

3,Por fim, quero realçar o parecer aprovado com os votos favoráveis da CDU, BE e 1 membro do PS contra a integração do município no Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo. Incrível que PSD e PS tenham votado contra, vendo nesta adesão uma boa solução. O PS que nos empurrou para a adesão às Aguas do Centro Alentejo, um negócio calamitoso para o município, considera, agora, que o erro deve ser replicado. Pior, considera que a adesão a um sistema que abre portas à privatização da água, uma boa solução. E sobre pseudo-esquerdas estamos conversados.
Até para a semana!


A partir de hoje na Biblioteca Pública de Évora


domingo, 14 de dezembro de 2014

A questão dos autores anónimos nos “blogues”


©Joaquim Palminha Silva
A ausência de noção do que seja a crítica, com a consequente utilização de réplica argumentativa, minimamente estruturada, não entrou em crise através da Internet. Esta crise cultural e de mentalidades existia há muito. Aconteceu apenas que, com as novas tecnologias da informação e sua utilização sem freio algum, só agora começamos a ter uma ideia aproximada da multidão de ineptos mentais e atrevidos que povoam o País e, dentro deste, umas cidades mais do que outras. O que nos proporciona a visão aterradora do estado cultural e mental em que se encontra a população de Portugal, independentemente da religião que professam, das classes sociais, do partido com que simpatizam, do sexo e da idade.
            Não se pode levar a efeito um blackout sobre os comentários produzidos por ineptos mentais que aparecem nos “blogues”, porque a natureza democrática deste meio de informação não o autoriza, sob risco de cair no autoritarismo, na sua própria negação. De resto, isso não serviria de nada.
            Penso que deveremos recomendar aos produtores de escritos e comentários sob o título de anónimos o regresso aos bancos de escola ou outro tipo de formação pós-laboral. Por exemplo, as “Universidades” seniores poderiam ser um excelente meio de esclarecimento, em vez da palhaçada das excursões e outras habilidades e exibicionismos de entretém.
            Porque devemos recomendar este retorno à escola? Por duas razões.
            1º- Porque os autores anónimos de comentários, precisam de perceber que chamar “nomes” às pessoas, insinuar isto ou aquilo, sem qualquer fundamento, apenas enraizados na má-fé e em palpites, é irresponsável, calunioso mesmo e, em determinados casos, passível de recurso aos Tribunais, nunca por nunca poderá assemelhar-se a uma crítica.
            2º - Esta multidão que confunde a crítica com o mexerico, demonstra que não sabe o que seja dignidade, nem princípios éticos, ao usar o anonimato para praticar as suas diatribes, método de efectiva e grande irresponsabilidade (e cobardia!), que nos revela como o espírito da denúncia anónima, fomentada no tempo da Inquisição, reaparecida com o anti-clericalismo de Afonso Costa na I República, aberrantemente enaltecida com a ditadura salazarista, com a sua multidão de denunciantes e “bufos”, continua a ser utilizado entre nós.
            O que nos assusta, não é a existência de ineptos e mal-intencionados, o que nos causa terror é o seu esmagador número nos alvores do século XXI, num país supostamente europeu como é Portugal. Todos os “blogues” produzidos evidenciam a existência desta praga psicótica.
            Este fenómeno é revelador de que uma população que procede maioritariamente assim, não sabe o que seja cidadania, acabando por se aproximar da antiga populaça, da turbamulta de séculos idos, que se autoflagelava nas procissões e, depois, corria os bairros de Lisboa a “matar” judeus: homens, mulheres e crianças!
            Esta gente anónima não foi ensinada na escola ou esteve desatenta nas aulas, também não aprendeu nem aprende nada sobre dignidade humana, ética e espírito crítico se militante de partidos, pois estes não se fundaram para ensinar as pessoas a serem cidadãos. Só, pois, o próprio “blogue”, onde surge o comentário anónimo e insultuoso, pode exercer alguma profilaxia sobre estes trogloditas que ignoram conscientemente responsabilidades cívicas e éticas, sob risco de o próprio “blogue” pertencer ao clube fatídico dos indolentes ou, pior, identificando-se com o “anonimato” e acreditando que este seja modalidade democrática, assumindo, assim, por conseguinte, tremendas responsabilidades na deformação da mentalidade corrente dos cidadãos menos letrados, e contribuindo ao cabo e ao fim (seja o “blogue” de esquerda ou não) para a manutenção do subdesenvolvimento cultural!
            Compreendo estes comentaristas anónimos, mas isto não quer dizer que os desculpe. Trata-se de grupos de pessoas que se sentem desiludidas, estão mal consigo e com a vida que têm, não sabem pensar, raciocinam com dificuldade e, por isso, escrevem com deficiência, redigem mal. São pessoas que nos últimos anos receberam da Sociedade, do Estado e dos Governos menos do que aquilo que esperavam e, por isso, decidindo “castrar-se” mentalmente, querem arreliar os que julgam bem-sucedidos, adoptando uma linguagem agressiva, de regateira, que pensam incomodar todos os “outros”. Porém, pessoas medrosas, se gostariam de “punir” os “outros”, por sua vez têm medo de ser punidas, de serem votadas ao ostracismo nos locais de residência e de trabalho, de serem por sua vez acusadas como difamadoras… Por isso são anónimas!
            Chegou o momento de se perceber que são estas pessoas que dão a vitória ao regime do facto consumado. São estas pessoas que, julgando fazer oposição e crítica, escondendo-se sob o anonimato desacreditam alguma coisa que, apesar de tudo, possam dizer (escrever) com algum acerto.

            É preciso que os organizadores dos “blogues” não pactuem com os “aleijões” dos fenómenos de massas que usam e abusam das novas tecnologias, e existem desde que o mundo é mundo! Torna-se importante que os responsáveis pelos “blogues” reconheçam que «nenhum homem é uma ilha… Nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram: eles dobram por ti»!