terça-feira, 27 de setembro de 2016

Oportunidades e Comboios

Um assunto de comboios tem estado a apoquentar os moradores junto à antiga linha ferroviária de Évora.
Um projeto estratégico para o País que, aparentemente, teria de incluir esse atravessamento, num processo por agora, também aparentemente, mais calmo, mas em que a intransigência de uns parecia estar a levar à resistência exacerbada de outros que, não sendo muitos, perceberam muito bem o perigo da situação. Já assumi a minha posição publicamente e declarei o que tinha a declarar sobre o assunto em concreto, mas não queria deixar de falar um pouco dessa expressão que, das duas umas, ou reflecte uma atitude ou se reflecte numa agenda própria de alguns. Falo da expressão “ficar a ver passar os comboios”.
Usada para significar que se perde uma oportunidade, o seu porquê e de onde vem não consegui apurar. Seguramente que em português a expressão não pode ter nascido antes da segunda metade do século XIX ou, se nasceu, já poderia ter sido por indignação dos que queriam ver os comboios a circular em Portugal mas não havia meio de isso acontecer. Parece que as primeiras tentativas terão sido de 1840, a obra só arrancou em 1853 e o primeiro troço, Lisboa-Carregado, terá ficado concluído em 1856, há 160 anos portanto. Também poderá ser uma tradução das expressões em francês ou inglês, que falam em “perder o barco”, e ser tão antiga como a época dos Descobrimentos com uma actualização oitocentista. Curiosa é a expressão que funciona como onomatopeia e, portanto, serve para imitar o ruído do comboio - «pouca terra, pouca terra» - a que se junta a onomatopeia “u-uuu”.
Entre uma e outra expressão, não consigo deixar de imaginar que se a primeira se aplica aos que ficam apeados e parados, a outra parece entoada por quem lá vai dentro, a fazer quilómetros atrás de quilómetros. Sem emitir juízos de valor, pergunto-me sempre quem será mais feliz: se o que escolhe acomodar-se, se o que não sossega sem mudanças constantes. É que os primeiros podem acomodar-se porque, de facto, conseguiram o ambiente ideal para o fazer e essa comodidade é a oportunidade que agarram. E os outros podem sempre, inconformados, desejar o melhor que não encontram por onde passam e não ficam, não sem antes tentarem esse melhor para aquele lugar. Mais uma vez, em meu entender, é o tempo, a consciência que dele temos, que nos faz criar ou aproveitar oportunidades. Quando o fazemos só para nós e em prejuízo dos outros até lhe chamamos oportunismo.
Em Évora, nos finais dos anos 90 - início deste século, quando um pouco por todo o país se erguiam centros culturais, deve-se ter achado que não eram precisos e nenhum se fez ou se recuperou um salão que, tão central quanto em ruínas, ainda para ali está. Em Évora, quando um pouco por todo o país, nasciam centros comerciais com cinemas, por aqui chegava aquele que ficava ali ao canto e que, de tão esconso, não atraía espectadores. Em Évora, quando em todo o país qualquer sede de concelho já tinha um sistema de águas que evitava os longos verões sem pinga na torneira, o sistema encontrado, para o assunto ser rapidamente resolvido, que foi mas mais tarde, sai caro aos bolsos da autarquia num “casamento” com parceiros que ainda anda a correr mal. E em Évora, para se ter uma pista de atletismo foi preciso um projecto que começou com uns localmente, que continuou com outros centralmente, e se concluiu de novo com os primeiros e os outros, e a que se juntaram mais outros, localmente, para cortar a fita e assumir a gestão.
Um cenário político-partidário destes, em que todos procuram ser os que fizeram isto ou aquilo, parece acompanhar com «pouca terra, pouca terra» a atitude proactiva que afinal só pode beneficiar Évora. Não se pode é promover durante anos essa atitude de ficar sossegadito a ver passar os comboios, agitando bandeirinhas a exigir isto e aquilo, e depois querer que quem se habituou ao “poucochito” que lhe deram mas a refilar muito por mais e melhor, saiba fazer mais do que isso. Mas isto sou eu a pensar, que nem todos os comboios se apanham só porque sim e, retomando a referência da expressão nas outras línguas, há outra expressão que nos ensina o valor do tempo e da oportunidade: «há mais marés que marinheiros».
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (cronica na rádio diana)

sábado, 24 de setembro de 2016

Évora: deputado municipal do BE divulga declaração em que acusa o "executivo" de "nada fazer" para regulamentar "a instalação dos circos com animais"


TORNO PÚBLICA A SEGUINTE DECLARAÇÃO, ENQUANTO ELEITO DO BLOCO DE ESQUERDA NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ÉVORA (AME) E 2º SECRETÁRIO DA MESA DESTE ÓRGÃO. SOBRE A SITUAÇÃO DA INSTALAÇÃO DOS CIRCOS COM ANIMAIS EM ÉVORA 
1) Em 25 Junho de 2015 a AME decidiu que a Câmara Municipal de Évora devia regulamentar no sentido de responder aos anseios da população que assinou uma petição intitulada “Fim dos Circos com Animais em Évora”. Teria a Câmara Municipal 6 meses para o fazer;
2) A 18 de Dezembro de 2015 (passados 6 meses) em reunião da AME, e porque a Câmara não apresentou qualquer proposta, perguntei sobre a questão. Foi transmitido pelo Sr. Presidente que a Câmara tinha pareceres jurídicos que apontavam no sentido da Câmara nada poder fazer em relação a esta matéria. Requeri tais pareceres e pedi que o assunto fosse novamente discutido na reunião da AME seguinte;
3) A 29 de Fevereiro de 2016 a AME voltou a reunir. Na Ordem de Trabalhos nada sobre o assunto. O Sr. Presidente da Câmara teve a lata de dizer que eu fazia parte da mesa e que tinha responsabilidade sobre essa questão. Realcei que desde que fui eleito, o Sr. Presidente da AME nunca enviou para os secretários a Ordem de Trabalhos (OT) antes de ser divulgada publicamente, algo que viola o Regimento. Como não havia a delicadeza de se informarem os Secretários da Mesa sobre a OT, propus a inscrição imediata de um ponto sobre a questão dos circos com animais. Foi recusado, tendo sido proposto que o assunto devia ser tratado na reunião seguinte.
4) A 29 de Abril de 2016 decorreu a AME seguinte. A questão estava na Ordem de Trabalhos. Os eleitos tinham na sua posse os tais pareceres jurídicos que Câmara dizia ter, e o Bloco de Esquerda apresenta um exaustivo parecer jurídico rebatendo tais pareceres e mostrando claramente quais as competências que a Câmara tem neste domínio e o que poderia ser feito. Não sai qualquer decisão final, mas fica decidido o seguinte, por proposta do Sr. Presidente da Câmara Municipal: A Câmara Municipal iria reunir com todos os partidos sobre esta questão e no prazo de 6 meses o assunto voltaria à AME.
5) No próximo dia 30 de Setembro decorre a próxima AME, a única existente neste prazo de 6 meses. Não responderei pelos outros partidos, mas informo a população que o Bloco de Esquerda ainda não foi chamado para qualquer reunião sobre o assunto. Informo, ainda, e como podem ver pela OT, que o assunto volta a não constar. E, lamentavelmente, os secretários da mesa voltaram a não ter conhecimento da OT antes dela ser divulgada.
6) Tenho a certeza que teremos muitos cidadãos e cidadãs com posições muito diferentes sobre a questão da utilização de animais em circos. Mas este texto procura ilustrar algo ainda mais grave: a postura deste executivo perante aqueles que foram democraticamente eleitos pelo povo, perante um conjunto imenso de munícipes que assinaram uma petição pública, e perante o orgão deliberativo do município de Évora.

Bruno Martins, deputado municipal pelo Bloco de Esquerda

Este sábado no Coreto do Jardim Público de Évora, às 15H

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Quando os 200 milhões de euros (ou os 1.000 empregos) chegarem daremos notícia


Carlos Pinto de Sá anuncia investimentos aeronáuticos no valor de 200 milhões de euros

O Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, lembrou hoje que o futuro Cluster Aeronáutico, que tem vindo a ser constituído no Parque da Industria Aeronáutica, irá possibilitar a criação de cerca de um milhar de empregos diretos, significando um investimento de quase 200 milhões de euros.
O autarca eborense fazia estas declarações à margem do primeiro “Évora Aero Tech Day’s”, que hoje decorre nas instalações do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo (PCTA), subordinadas ao tema “Materiais Compósitos na Industria Aeronáutica”.
Segundo Carlos Pinto de Sá, “neste momento, para além da Embraer, que está com um investimento de cem milhões de euros, temos seis empresas que estão a instalar-se em Évora. Trata-se de um investimento de 170 milhões de euros de que vão criar nos próximos anos 964 postos de trabalho diretos”.
Em declarações aos jornalistas, e na presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que presidiu à sessão de abertura desta jornada de trabalho, o edil alentejano disse ainda “que o processo de instalação do Cluster Aeronáutico de Évora está a ser desenvolvido a um ritmo muito elevado”.
“Da parte da Câmara, tudo temos vindo a fazer para criar as condições ótimas para que estas empresas encontrem no nosso território fatores suficiente atrativos para aqui se fixarem e assim criar emprego e valia económica”.
A este propósito, Carlos Pinto de Sá revelou também que nesta sexta-feira à tarde uma delegação da Associação Aeronáutica Francesa, que representa 172 empresas do sector, estará em Évora para se inteirar na nossa realidade e das condições que oferecemos aos vários níveis”. (Nota de imprensa da CME)

O socialista Miguel Rasquinho é o novo presidente do IPDJ Alentejo


O antigo presidente da Câmara de Monforte Miguel Rasquinho (PS) é o novo diretor regional do Alentejo do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).
A nomeação foi divulgada pela Federação Distrital de Portalegre do PS, num comunicado em que que felicitou Miguel Rasquinho pelo seu novo desafio.
Natural de Monforte, Miguel Rasquinho, 49 anos, é licenciado em enfermagem pela Escola Superior de Saúde de Portalegre.
Na política, foi membro e presidente da Assembleia Municipal de Monforte e vereador e presidente da Câmara de Monforte, sempre eleito pelo PS.
Rasquinho vai ocupar o lugar de João Araújo, que estava no cargo desde 2012.

Évora: José Ernesto Oliveira, ex-presidente da Câmara, começa hoje a ser julgado


José Ernesto Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Évora entre janeiro de 2002 e abril de 2013, vai ser julgado no Tribunal de Évora, por dois crimes relativos à contratação pública.
O antigo autarca foi investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, e acusado em autoria material, um crime de violação de normas de execução orçamental e em coautoria, um crime de peculato de titular de cargo político.
No banco dos reus senta-se tambem uma ex-diretora do Departamento Jurídico da edilidade de Évora, acusada em autoria material, um crime de peculato de titular de cargo político.
De acordo com o despacho de acusação da 2ª Secção do DIAP, os factos em causa são relativos a contratação pública e começaram a ser investigados em 2013.
Natural de Cuba (Beja), José Ernesto Oliveira, de 64 anos, conquistou a Câmara de Évora, antigo bastião comunista, nas autárquicas de 2001, com maioria absoluta, e nas eleições seguintes, em 2005 e 2009, foi reeleito, mas com maioria relativa, tendo liderado a autarquia entre 14 de Janeiro de 2002 a 30 de Abril de 2013.
Antes de presidir ao município e entrar para o PS, o autarca foi militante do PCP, deputado à Assembleia da República entre 1979 e 1982 e presidiu à Assembleia Municipal de Évora de 1981 até 1990, vindo a desvincular-se do Partido Comunista em 1992.
Em julho de 2015, José Ernesto Oliveira, foi condecorado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com o grau de comendador da Ordem do Mérito.

Teixeira Correia (jornalista)

O regresso dos que não foram

Cá estamos de novo para iniciar mais um período de crónicas que se irá prolongar até ao Verão de 2017.
Regressado de onde não fui, tive tempo para olhar de forma mais distante a realidade que nos cerca e perceber melhor que este mundo onde vivemos está cada vez mais perigoso.
Nestes últimos dois meses os partidos arredados do poder tudo têm feito para manter e aprofundar a teoria da legitimidade da solução governativa que resultou das últimas eleições legislativas, combatendo tudo o que sai das opções governativas, em particular a recuperação de rendimentos do trabalho, ainda que insuficiente.
A comunicação social dominante continua dominada pelos que construíram a teoria do “ajustamento inevitável”, em particular a rádio e televisão públicas que continuam a tratar o ex-primeiro ministro como se ainda o fosse.
No Brasil consumou-se o golpe de Estado que destituiu Dilma e colocou no poder um homem que representa tudo o que há de mais negativo na sociedade brasileira. De repente, aos olhos da comunicação global, o país que tinha casos de corrupção que espantavam o mundo passou a não ser notícia por essas razões. O papel estava cumprido e era preciso mudar de alvo.
O próximo alvo é a Venezuela, vítima de uma guerra económica sem tréguas que leva o povo às ruas a exigir a queda do presidente eleito. Não importam as razões da escassez de bens de consumo, o que importa é acabar com a experiência de governo que permitiu retirar da miséria milhões de venezuelanos.
Na Turquia, um suposto golpe de Estado permitiu ao presidente no poder limpar tudo o que era oposição, prendendo milhares de pessoas e afastando outros tantos dos cargos que exerciam, atrevendo-se mesmo a propor a restauração da pena de morte.
Em Calais, constrói-se um muro para impedir a passagem de migrantes para a território inglês. A dramática ironia da construção deste muro vem mostrar como é visível o cinismo dos que medem a bondade dos muros em função dos seus interesses económicos e políticos.
A memória continua a ser curta (diria que cada vez mais curta na voragem das redes sociais) quando vemos gente que ganha quinhentos euros por mês a achar-se “classe média” e sem se lembrar que foram o alvo preferencial de um governo que provocou um dos maiores retrocessos civilizacionais da nossa história.
Parecem ter razão os que afirmam que a maior obra do capitalismo é criação de pobres de direita. Talvez não seja a maior obra, mas que é uma forte garantia de continuidade do sistema, parece não restar dúvidas.
Mas nada de desesperos, que o caminho é sempre em frente e o futuro radioso. Razão tinha Goethe quando colocou o diabo a dizer ao pobre Fausto:
“Mas de costume és bastante endiabrado.
Não acho nada mais inepto no mundo
Do que um diabo desesperado.”
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radiodiana)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

De hoje a sábado no antigo Matadouro de Évora

(A)RISCAR O PATRIMÓNIO NA CERCA VELHA


Vimos por este meio informar que pelo terceiro ano consecutivo se irá realizar em Évora, no Sábado dia 24 de Setembro, o evento (A)RISCAR O PATRIMÓNIO integrado nas JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO. Esta é uma iniciativa da Direcção-Geral do Património Cultural em parceria com a Associação Urban Sketchers Portugal a que os Évora Sketchers se unem.
O evento vai decorrer em simultâneo em diversos locais do país: Algarve, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Lisboa, Madeira, Porto, S. Miguel, Terceira, Tomar, Torres Vedras e Viana do Castelo.
O tema para este ano será "Comunidades e Culturas" pelo que em Évora se irá desenhar a "Cerca Velha".
O evento é grátis e livre a quem queira participar, profissionais ou amadores do desenho; desde que gostem de desenhar, basta aparecer no local e hora para colaborar com este colectivo que tem vindo a crescer.
Relembro que os desenhos resultantes das duas últimas edições estiveram recentemente patentes numa exposição na Casa de Burgos.

PROGRAMA DE ÉVORA:
10:00 Encontro no Jardim dos Colegiais/ Breve informação sobre o tema;
10:15 Início dos trabalhos;
13:00 Almoço livre;
14:30 Retoma dos trabalhos;
17:30 Fotografia de grupo e Partilha de desenhos;
18:00 Final do Encontro.

Mais informação no blog e página de facebook dos Évora Sketchers.
Gratos pela atenção,

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O socialismo e o dinheiro dos outros

Já muito fora dito e escrito sobre os perigos e os atropelos dos populistas das esquerdas radicais e extremadas, aos Direitos e às Liberdades.
O século XX e o início do actual, foram e são pródigos em exemplos do que acabo de afirmar. A américa do sul é disso um paradigma mais do que evidente. Veja-se, com efeito, o que está a suceder na Venezuela e na Bolívia. A miséria é generalizada e os tumultos sociais são o “pão de cada”.
Na verdade, a solução governativa que governa o nosso país tem dado sinais de grande populismo e de uma grande desorientação. Medidas como a quebra do sigilo bancário para os titulares de contas bancárias com saldos superiores a 50 000,00€ e a medida anunciada pelo bloco de esquerda que compreende um imposto para quem detém património superior a 500 000,00€, são disso sinais mais do que evidentes.
Sou um defensor incondicional da equidade e da justiça social. Os que detêm mais rendimentos devem contribuir para que as assimetrias sociais diminuam e a diferença entre quem menos tem e os que mais têm, deva ser gradualmente esbatida. É assim que sucede nos países mais desenvolvidos. Porém, para chegarmos a este estado de bem-estar social não podemos espoliar quem mais trabalha e quem mais arrisca. As medidas propostas apontam neste inequívoco sentido.
Portanto, o governo para atacar as diferenças dos rendimentos auferidos pela população portuguesa não deverá ser pela via do aumento da carga fiscal, mas sim através de políticas que permitam o investimento e com isso haverá mais emprego e melhores salários. Senão o fizer estará a empobrecer o futuro do país.
Por fim, dizer que a manutenção do poder não justiça tudo. O caminho que o partido socialista escolheu para o nosso país poder-nos-á levar à falência e à total descredibilização, porque quando deixar de existir onde se possa tributar, chegará a pobreza e a miséria. E, não defendam que é só este partido socialista. O outro, por estar calado, é cúmplice.

José Policarpo (crónica na radio diana)

Alcárcova de Baixo sem trânsito nem lixo. Falta agora, entre outras, a Rua do Raimundo ser objecto de reformulação


Depois de muitas críticas nas redes sociais e de protesto dos comerciantes, a Câmara de Évora decidiu retirar os contentores de lixo subterrâneos e impedir a circulação automóvel na Alcárcova de Baixo, uma rua essencialmente turística.
Outra rua que necessita urgentemente de ser reformulada é a do Raimundo, uma vez que o crescente aumento de visitantes e de hotéis faz com que por ela passem largas centenas de turistas diariamente. Com muito trânsito, quase sem passeios, carros estacionados, íngreme, a segurança dos transeuntes é nula e cada vez é maior o perigo de por ali se circular a pé. 
Esta rua dá agora acesso, para além do Ibis, do antigo hotel da Cartuxa e do Parque de Campismo - que já ligava ao centro da cidade- , aos novos hotéis Moov e Vila Galé, sempre com muito movimento, sobretudo de turistas já de alguma idade, que ficam alojados naquelas novas unidades hoteleiras. 
O aumento do número de turistas na cidade tem que ser acompanhado de medidas que permitam a sua circulação e também a sua segurança. E nada disso tem sido feito, apesar da autarquia por várias vezes se ter ufanado do aumento de visitantes à cidade. Mas na prática não tem havido nem melhoria da sinalética, nem dos passeios, nem das passagens para peões, nem sequer de estacionamento para os cada vez mais numerosos autocarros de turismo e auto-caravanas que demandam a cidade e a região.

Metaforizar

É um prazer voltar às crónicas em que, da letra à voz, a Rádio Diana me vai dando a oportunidade de emitir opinião e, talvez até, fazer opinião junto daqueles que me ouvem ou lêem com toda a paciência.
Tenho seguido uma norma, pessoal e possivelmente intransmissível, de submeter as séries de crónicas a um motivo constante, à volta do qual surgem os temas, ou assim os suscitam as circunstâncias, e que me vão levando a partilhar a minha opinião. Já o fiz com ditados populares, com verbos, com estrangeirismos, com citações de Vergílio Ferreira. Nesta série pensei na metáfora como pólo agregador de ideias, argumentos, lógicas discursivas. E talvez seja por isso interessante começar por ajustar o vastíssimo “mundo da metáfora”, muito conhecido e esmiuçado para os relativamente poucos que trabalham as teorias e a filosofia da linguagem, ao mundo dos cidadãos que entre as ondas hertzianas e os bytes vão apanhando as palavras de que são feitas estas, e quaisquer outras, crónicas de opinião.
A metáfora é talvez o recurso expressivo que a linguagem humana mais utiliza. Por vezes até inconscientemente e, pasme-se, por falta de vocabulário próprio para precisar uma ideia ou uma definição. Isso acontece muito com as crianças que, com o seu ainda pequeno dicionário, lançam mão de imagens que parecem até poesia a sério, intencional. É que a metáfora consiste, num sentido lato, em usar-se um termo, ou uma expressão, ou até mesmo uma ideia – quando o nível de elaboração do discurso é mais estável e consolidado – com o sentido de outro termo, expressão ou ideia. Obviamente que se mantém uma relação de semelhança, fazendo-se o transporte de um sentido para o outro – num sentido para a criar, no outro para a decifrar - ainda que por vezes difícil de descobrir, gerando verdadeiros quebra-cabeças a quem queira entender exactamente o que se está a querer dizer. Aliás, começamos por aprender que a metáfora é, e simplificando, uma comparação sem o “como”. O que a partir daqui se pode fazer é que vai complicando a identificação de vários recursos expressivos que se podem distinguir com base nesta relação simples ou que simplificamos. Uma metáfora é uma imagem e nós sabemos como ela é tão importante.
Mas o que é verdadeiramente interessante para aqui, em meu entender, é o facto de a metáfora ser sempre uma representação simbólica de alguma coisa. E como tal, ela representa, nas dinâmicas próprias de todas as culturas, formas de regular atitudes e comportamentos próprios de grupos, dos mais locais aos mais globais. Muitas vezes, em diferentes línguas mas em contextos e referências semelhantes, utilizam-se expressões metafóricas muito diferentes, que até se tornaram expressões idiomáticas, completamente intraduzíveis, pelo menos à letra. De tão banalizada a sua utilização este e outro tipo de metáforas podem até considerar-se metáforas mortas, uma vez que a intenção do uso como recurso estilístico já lá não está. Mas normalmente contam histórias muito interessantes, também.
Ao longo desta série de crónicas que nos levarão até às próximas eleições autárquicas, a propósito de temas desta e de outras actualidades, não haverá com certeza falta de metáforas, mais ou menos óbvias, que se aplicarão a várias circunstâncias. Como estamos, por exemplo, a assistir a esta da “geringonça”. O tempo, sempre o tempo acima do que nós fazemos, se encarregará de dizer se a metáfora, inicialmente tão negativa, não se transformará, quem sabe, em sinónimo de “coisa que funciona bem”. Ou se palavras que nada têm de metafórico, como informação por exemplo, não estão cá no lugar de propaganda e não deva ser lida como nos estando a “atirar-nos areia para os olhos”. E isto para arranharmos desde já uma metáfora, ainda que com uma imagem sensorial um tanto dolorosa que, de certa forma, nos alerta para uma atitude defensiva.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Évora: começa hoje o Contanário


O Contanário está a chegar e com ele trazemos à cidade contadores, contos e formas de contar.
O Contanário nasceu do projeto “Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto”, que todos os anos comemorava os seus aniversários com a organização de uma maratona de contos. 
Ao fim de 4 anos, cresceu, ganhou um nome, e transformou-se. 
A terceira edição volta a acontecer em Évora entre 20 e 24 de Setembro de 2016.
Este ano o Contanário traz-nos os contadores Luís Correia Carmelo, Carlos Marques, António Fontinha, Cristina Taquelim e a contadora da casa Margarida Junça (Bru); O marionetista de serviço Manuel Dias (Trulé) e os Robertos, Viola e Campaniça com o Tó Zé Bexiga e o Nuno do Ó, os nossos amigos da Associação Cultural Do Imaginário que nos acompanham desde o primeiro momento, teremos à conversa o grande Rui Pina Coelho, a exposição e o lançamento do livro de nic & Inês, a apresentação do livros das Contadeiras de Histórias, as ilustrações e o workshop de Renata Bueno e os maus retratos de Cristina Viana. Vindo de Espanha receberemos Rodorín com as suas histórias e marionetas. Este ano teremos uma novidade, o Mercadinho do Contanário, onde poderemos encontrar muita coisa gira e contamos com a presença das livrarias GATAfunho e Edicare Évora
Contamos em especial com todos os contadores e "ouvidores" que nos acompanham durante todo o ano.
O Contanário está quase a começar e estão todos convidados a acompanharem-nos nesta aventura!

Programa Aqui

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Balanço de mandato: PCP considera que Câmara CDU conseguiu "um novo prestígio, nacional e internacional, para Évora"

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A direcção da organização regional de Évora do PCP acaba de divulgar, à semelhança do que fez para várias Câmaras CDU do distrito, um boletim de quatro páginas sobre o balanço de quase três anos de mandato na Câmara de Évora. O balanço, como é normal para quem o faz, é positivo em todas as áreas - na limpeza diz-se mesmo que se tem "a limpeza e higiene pública como prioridade diária" e "recuperar Évora limpa e branca" é o objectivo...
Entre o que se escreve e a realidade, por vezes, pode-se primar pela dessintonia. É, também, este o caso. (Convém também ler um dos boletins da CDU de há quatro anos em que o Património estava de rastos, ia perder o título de Património Mundial, a limpeza um caos, e Évora caminhava a passos largos para a desgraça mais absoluta.... Quatro anos depois, Évora só não é a maravilha das maravilhas devido à pesada herança...). Hoje o balanço se algo tem de negativo deve-se aos outros - sejam eles quem forem até aos cidadãos que não limpam as ruas. A "pesada herança" tem as costas muito largas.
Nota: sobre o concurso que ficou deserto para venda de terrenos municipais para um centro comercial mesmo junto ao centro histórico nem uma palavra... nem sequer para o salão central que ali continua, pedra a pedra, à espera dos amanhãs que, pelo menos neste caso, parece já terem deixado de cantar...

Para ler o panfleto na íntegra: aqui

Conseguem?

É um prazer retomar as crónicas semanais aqui na DianaFm após as férias de Verão. Muitos foram os temas quentes, pelo que não foi fácil escolher qual o melhor para este pontapé de saída para a nova temporada.
Considero que seria inevitável falar sobre o estado deplorável de limpeza e higiene públicas do nosso Concelho e todo o movimento social de indignação que foi gerado à volta do tema.
Depois de dezenas de queixas de munícipes dirigidas à Câmara Municipal, muitas delas sem qualquer resposta... Depois de uma onda de indignação nas redes sociais... a gestão municipal admitiu, finalmente, que o estado de limpeza e higiene públicas é grave. Tenho pena que tenham demorado meses e meses a reconhecer este facto. Mas mais vale tarde do que nunca.
Tenho pena que não tivesse sido suficiente que esta questão estivesse inscrita no programa eleitoral com o qual o executivo CDU foi eleito. Lembram-se? Diziam querer retomar a imagem de excelência ao nível da higiene e limpeza.
A Câmara emitiu um comunicado descartando responsabilidades. Ora a culpa foi da chuva, ou da decisão de não utilizar um herbicida que ameaça a saúde pública, ora foi das avarias e das baixas dos trabalhadores. Até os munícipes foram chamados para o rol da culpas.
O desespero... Quando a culpa é dos cidadãos e cidadãs estamos mal... Mas lá admitiram que havia que fazer alguma coisa. Qual a solução? Fazer o mesmo que o PS: contratar serviços externos para começar a fazer limpeza... Sim, falo em começar a fazer limpeza, porque se alguma coisa havia sido feita, não se notava.
Mas fica a pergunta. Se agora se podem mobilizar meios, porque não os mobilizaram mais cedo quando não era necessário tanto trabalho?
E deixem-se de culpar os munícipes. Os eborenses não são menos ou mais civilizados que os restantes portugueses. Haverão, certamente, casos em que a falta de cuidado dos munícipes explica situações pontuais de desleixo e falta de higiene, mas o problema só pode estar na péssima gestão de meios e recursos levada a cabo pelos responsáveis.
Este é só um exemplo de uma promessa não cumprida... É pena que a um ano das eleições quase todo o programa eleitoral da CDU esteja por cumprir... Mas vá, ainda vão a tempo. Correm o risco de ser acusados de só fazer as coisas em período pré-eleitoral, mas mais vale fazerem... Não quererão ser acusados de mentir aos eleitores...
Depois das gestões desastrosas do PS era preciso mais e melhor. Era preciso, conseguir juntos... Conseguir para o Concelho, contando com todos e todas de forma transparente e humilde... Não tem sido este o caso...
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

Pinto Sá admite melhorar "apoios indirectos"aos clubes desportivos. Clubes dizem que reunião não deu "resposta aos seus anseios"


A Câmara de Évora pode vir a aumentar, já no próximo ano, os apoios indiretos aos clubes desportivos do concelho.
A hipótese é admitida pelo presidente do município, Carlos Pinto de Sá, após uma reunião com sete emblemas da cidade.
"Face à melhoria da situação económica e financeira da câmara, estamos a procurar que, já no próximo ano, o apoio a todo o movimento associativo sem fins lucrativos e também aos clubes desportivos possa ser aumentado", afirma o autarca.
As eventuais ajudas, diz Pinto de Sá, "ainda não podem ser ao nível" que a câmara gostaria, nem "ainda são apoios financeiros diretos", porque o município está impedido por ter recorrido ao Programa de Apoio à Economia Local.
"Temos condições para aumentar alguns apoios indiretos", nomeadamente logísticos, e "é nesse sentido que acordámos trabalhar, em conjunto, para melhorar os contratos-programa de desenvolvimento desportivo", adianta.
O presidente da câmara reuniu, na quinta-feira, com dirigentes do Juventude, Aminata, Clube de Ténis de Évora, Sport Lisboa e Évora, Évora Andebol Clube, Canaviais e Lusitano.
Do lado dos clubes, Pedro Grazina, presidente do Grupo Desportivo e Recreativo dos Canaviais, considera que o encontro realizado com a autarquia "não foi positivo" para os clubes, por não ter havido "resposta aos seus anseios".

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